Esse clipe novo do Weezer é um barato, mas o Weezer já tem tradição em fazer bons vídeos. Quer dizer, tem tradição de trazer bons diretores para fazerem seus vídeos. E não é o primeiro que eles interagem com pessoas, animais, ou coisas pouco comuns e/ou em situações pouco comuns.
Undone (the sweater song) - http://br.youtube.com/watch?v=wqgN0T6f1kg
Primeiro vídeo deles, dirigido por Spike Jonze. Além da câmera meio lenta com eles dublando a música mais rápido, mas a gente vê como se eles tivessem cantando na velocidade normal, gerando um bonito efeito, e ter servido de inspiração para o clipe de Todo Carnaval Tem Seu Fim, do Los Hermanos, não teria nada demais. Não fosse o início onde uma sala parece estar de ponta-cabeça em relação a outra, as participações especiais aos 2:20, o completo descaso em fingir que estão tocando os instrumentos... E o fato de ser uma tomada sem cortes! Deliciosamente nonsense.
Buddy Holly - http://br.youtube.com/watch?v=FiIC5qcXeNU
Um dos melhores e mais inteligentes vídeos já feitos para uma música. Novamente dirigido pelo gênio Spike Jonze, mostra Weezer contracenando com personagens de um antigo seriado americano, chamado Happy Days. Como se eles fizessem parte do seriado. Mas o que é real, o que faz parte da série, quais cenas são do programa dos anos 70 e quais foram gravadas naquele ano de 1994? Vendo na primeira vez é quase impossível de dizer, mesmo essa série não tendo sido muito conhecida no Brasil. Pausando no youtube, dá pra sacar fácil os "erros de continuidade" na dancinha do Fonzie, o que pelo menos pra mim, torna tudo bem mais engraçado. Clássico.
Say It Ain't So - http://br.youtube.com/watch?v=fyfyhKga-6Y
Com menos detalhezinhos pra ficar revendo que os anteriores, mas com uma canção mais pop, esse vídeo, dirigido por Sophie Muller (já dirigiu clipes do Coldplay, Blur), mostra a banda tocando no anexo de uma casa transformado em estúdio. Rivers Cuomo continua brincando em dublar a si prórpio, e ver um aplificador Orange é sempre bonito. Na hora do solo a banda aparece faznedo embaixadinhas com uma minúscula bolinha (alguém lembra de California Games??). A hora que um cara aparece pra botar roupa na máquina de lavar também é divertida.
El Scorcho - http://br.youtube.com/watch?v=MzxwGazkLWU
Esse eu só conheci graças ao youtube. Não tem nada demais, uma grande poluição visual e uma gracinha aqui e ali, mas é a primeira aparição do grande W num videoclipe.
The Good Life - http://br.youtube.com/watch?v=QworF88_tW0
Os diretores desse vídeo são os mesmos do filme Pequena Miss Sunshine e de um monte de clipes do Red Hot Chilli Peppers. Depois de muitos anos, ao rever esse vídeo, a atriz que faz a atrapalhada entregadora de pizza me pareceu muito familiar. E o IMDB confirmou minha suspeita: é a Chloe, ajudante do Jack Bauer na série-que-um-dia-foi-legal, 24 horas.
Hash Pipe - http://br.youtube.com/watch?v=ba_NNKyUwEE
Weezer e lutadores de sumô. Assim começa a era Marcos Siega, vindo de sucessos com clipes do Blink 182, na direção de vídeos do Weezer. Eu não consigo lembrar de nenhum vídeo antes feito com lutadores de sumô, ou seja, original o vídeo é. Mas também é muito divertido e bem dirigido. E com esse riff, nem precisava de muito.
Island In The Sun (casamento mexicano) - http://br.youtube.com/watch?v=zj1Mc92EQnc
Weezer tocando num casamento mexicano, com todas as tradições que eles têm por lá. Quem já viu Babel sabe como é. A banda pareceu mais à vontade num ringue de sumô, porque logo depois foi feita outra versão para o vídeo.
Island In The Sun (versão Spike Jonze) - http://br.youtube.com/watch?v=2hyoszso38E
Spike Jonze de volta, fazendo o Weezer tentando interagir com gatinhos, macaquinhos, leãozinhos, tigres... panteras... ursos.... Dá pra perceber Rivers Cuomo quase desistindo de tudo aos 01:50 de vídeo.
Photograph - http://br.youtube.com/watch?v=NhXXqL3RMqs
Coleção de vídeos feitos durante a turnê pelo faz-tudo da banda, Karl Koch. Acho que nunca passou na MTV.
Dope Nose - http://br.youtube.com/watch?v=RKBIuxfRU2o
Rivers Cuomo barbudo e japas estilosos numa competição maluca de motos, que tem o grande W como obstáculo. Mas fica difícil deixar de reparar naquele kit de bateria do Patrick Wilson. Quem ouviu as demos dessa música sabe o quanto ela melhorou na versão final, o que foi a tônica de boa parte do disco Maladroit: músicas um tanto fracas que foram sendo entupidas de guitarras e distorções graças a sugestões de fãs pela internet e no final acabam melhorando. Com exceção de "Slob" e "Burndt Jamb", que são indefensáveis.
Keep Fishin' - http://br.youtube.com/watch?v=G4mDIpYHxWY
Weezer contracenando com os Muppets. Não sei se a idéia veio do diretor Marcos Siega ou da banda, ou de quem quer que seja, mas foi um acerto e tanto. Rivers não para de sorrir durante o vídeo, o que me faz imaginar que simplesmente desistiram de tentá-lo fazer interpretar o papel de cantor da banda e deixaram ele lá com cara de fã embasbacado mesmo. A música tem a mesma característica de "Dope Nose": quem ouviu as primeiras versões não podia crer que ela ficasse minimamente decente. E pelo que me lembre essa é uma versão gravada depois do cd já estar pronto.
Beverly Hills - http://br.youtube.com/watch?v=KrBx8fdEZPk
Depois de contracenar com ursos, sub-estrelas de séries antigas, os muppets, lutadores de sumô e cachorros, qual seria a próxima brilhante idéia? Que tal levar os fãs da banda para a mansão Playboy? Afinal de contas, figurantes não teriam a idéia de levantar as mãos em formato de W de forma tão natural (02:47). Tem coisas que um diretor de coreografia não ensina, só um fã pode fazer.
We Are All On Drugs - http://br.youtube.com/watch?v=sxRj5uWyngI
Muito bom e um pouco diferente do padrão Weezer, com Rivers atuando e a banda levando a sério a dublagem. A música também é boa, a melhor do fraco Make Believe. Existe um outro vídeo para essa música: http://br.youtube.com/watch?v=nCRuGrnj-3Y que só vendo mesmo. Dizem que foi "dirigido" pelo Spike Jonze, mas não encontrei confirmação disso.
Perfect Situation - http://br.youtube.com/watch?v=pK2GaqqKAqo
Poderíamos ignorar esse vídeo, feito por Marc Webb, que costuma dirigir clipes de bandas emo. Bom, talvez cada música tenha o vídeo que mereça, pelo menos nesse caso a teoria seria bem aplicada. Mas vale mencioná-lo por termos a filha de Jack Bauer como a segunda atriz de 24 horas a aparecer num vídeo do Weezer.
Ainda tem esse vídeo de "Pink Triangle", retirado do DVD da banda: http://br.youtube.com/watch?v=gjy3XbxMW1A - Nada demais, mas olha aí a oportunidade de ouvir uma baita música.
E ainda tem essa versão de Buddy Holly sem os vocais, feitas por um fã: http://br.youtube.com/watch?v=KOCi01Nhvf8 Nos vídeos relacionados existem outras faixas acapella e explicações sobre como ele fez isso.
E sim, eu sou fã do Weezer! A ponto de ficar mandando email em inglês macarrônico para eles há 8 anos atrás. Um deles foi publicado por Karl Koch no site da banda, na época:
# 9/13/2000:
"I thought the vma's horrible. A good f***ing award would be with shows of Weezer, Nofx, Foo Fighters, Eel's and Radiohead. (Mtv Brasil transmited the vma's) --Regards, Renato Silva, from Brazil"
Renato's comment pretty much sums up what the majority of you had to say about the VMA's...thanks for responding!
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sábado, 31 de maio de 2008
quinta-feira, 29 de maio de 2008
Guarda-chuva do Senhor
Essa eu vi no blog Trabalho Sujo.
Como sou uma das poucas pessoas no mundo a não gostar da versão original dessa música, preferi bem mais assim. Inri, Inri, I, I...
Como sou uma das poucas pessoas no mundo a não gostar da versão original dessa música, preferi bem mais assim. Inri, Inri, I, I...
terça-feira, 27 de maio de 2008
Eugene Hutz (Gogol Bordello) - 21/05/08
E não é que foi insano?

Antes de chegar no Cine Lapa, ainda não havia me tocado que a festa seria somente no segundo andar da casa. Quem já foi lá sabe o quanto o lugar é pequeno. Antes de entrar, temi que a casa ficasse insuportavelmente cheia, mas não foi o caso, o que não deixa de ser curioso.
Afinal de contas, daqui a uns meses, quando o Gogol Bordello se apresentar por uns 200 reais no Tim Festival, provavelmente estarão lá milhares de pessoas, enquanto o vocalista está aí, agora, se apresentando na lapa, por 20 moedas.
É bem verdade que eu não tinha menor idéia do que ia acontecer nessa festa, apostava que ele fosse tocar uns discos legais e isso já seria interessante.

Ao subir as escadas era possível ouvir Eugene Hutz cantando e tocando no violão uma música. Não era possível ver, pois havia um grupo aglomerado em frente a ele. Mas chegando mais perto também não era difícil visualizar sua apresentação ao lado de uma dançarina, que é sua namorada.
Sem palco, somente uma cadeira deixada meio de lado, que depois ia sendo usada como "palco". E Eugene mandando um som da forma mais informal que eu já vi um artista internacional se apresentar.
E o cara tinha uma capacidade de tocar e fazer uma batida que depois consegui identificar que era feita com a mesma mão que ele tocava as cordas que transformava ele num homem-banda. Ainda não entendi como ele fazia aquilo.

Após a apresentação acústica-porrada de algumas de suas composições, o sujeito foi à cabine improvisada fazer as vezes de dj. Apesar de uma certa falta de habilidade em passar de uma música pra outra, só vinham pedradas balcanizadas, que faziam a pequena pista fervilhar.
A falta de ventilação no lugar também fazia tudo fervilhar. No meio das músicas Eugene voltava pra pista para assumir uma faceta de MC e animador, cantando em cima das músicas (várias do Gogol Bordello no set) e dançando. Realmente funcionava, a animação era intensa.
Ao tocar "Rios, Pontes e Overdrives", do Chico Science & Nação Zumbi (!), ele gostou da parte em que Chico canta "Mulambo eu / Mulambo tu" e gritou "mulambo tuuu!!" várias vezes durante a noite.
Manu Chao também se fez presente, tanto de forma mecânica quanto em versões tocadas ao violão num segundo set acústico feito já na alta madrugada. Por uma diferença de meses poderiam estar Manu Chao e Eugene Hutz, os dois cantando juntos ali.
E com isso também ficou muito clara a semelhança que há na proposta de mistura não só de ritmos e sons, mas de culturas, existente no trabalho de ambos. E que existia em Chico Science. E que o resultado disso é divertido pra caramba.

Para quem não foi, dia 31 tem outra oportunidade. E, somando os prós e contras, digo que vale muito a pena.

Antes de chegar no Cine Lapa, ainda não havia me tocado que a festa seria somente no segundo andar da casa. Quem já foi lá sabe o quanto o lugar é pequeno. Antes de entrar, temi que a casa ficasse insuportavelmente cheia, mas não foi o caso, o que não deixa de ser curioso.
Afinal de contas, daqui a uns meses, quando o Gogol Bordello se apresentar por uns 200 reais no Tim Festival, provavelmente estarão lá milhares de pessoas, enquanto o vocalista está aí, agora, se apresentando na lapa, por 20 moedas.
É bem verdade que eu não tinha menor idéia do que ia acontecer nessa festa, apostava que ele fosse tocar uns discos legais e isso já seria interessante.

Ao subir as escadas era possível ouvir Eugene Hutz cantando e tocando no violão uma música. Não era possível ver, pois havia um grupo aglomerado em frente a ele. Mas chegando mais perto também não era difícil visualizar sua apresentação ao lado de uma dançarina, que é sua namorada.
Sem palco, somente uma cadeira deixada meio de lado, que depois ia sendo usada como "palco". E Eugene mandando um som da forma mais informal que eu já vi um artista internacional se apresentar.
E o cara tinha uma capacidade de tocar e fazer uma batida que depois consegui identificar que era feita com a mesma mão que ele tocava as cordas que transformava ele num homem-banda. Ainda não entendi como ele fazia aquilo.

Após a apresentação acústica-porrada de algumas de suas composições, o sujeito foi à cabine improvisada fazer as vezes de dj. Apesar de uma certa falta de habilidade em passar de uma música pra outra, só vinham pedradas balcanizadas, que faziam a pequena pista fervilhar.
A falta de ventilação no lugar também fazia tudo fervilhar. No meio das músicas Eugene voltava pra pista para assumir uma faceta de MC e animador, cantando em cima das músicas (várias do Gogol Bordello no set) e dançando. Realmente funcionava, a animação era intensa.
Ao tocar "Rios, Pontes e Overdrives", do Chico Science & Nação Zumbi (!), ele gostou da parte em que Chico canta "Mulambo eu / Mulambo tu" e gritou "mulambo tuuu!!" várias vezes durante a noite.
Manu Chao também se fez presente, tanto de forma mecânica quanto em versões tocadas ao violão num segundo set acústico feito já na alta madrugada. Por uma diferença de meses poderiam estar Manu Chao e Eugene Hutz, os dois cantando juntos ali.
E com isso também ficou muito clara a semelhança que há na proposta de mistura não só de ritmos e sons, mas de culturas, existente no trabalho de ambos. E que existia em Chico Science. E que o resultado disso é divertido pra caramba.

Para quem não foi, dia 31 tem outra oportunidade. E, somando os prós e contras, digo que vale muito a pena.
Fala que eu te escuto

Depois de escolhidos os gringos, chega a vez da galera daqui, uma lista de dez artistas nacionais será divulgada, aonde cinco serão escolhidos.
A ideia de pedir opinião não tem nada de especial, mas por que outros festivais não fazem o mesmo? A produção do S.B. de tanto ouvir criticas decidiu perguntar para quem vai comparecer no evento e montar o circo conforme o cliente pede, com isso além de sucesso na escolha da grande parte das atrações do festival eles ainda ganham mais simpatia, só falta banirem os VIPs agora.
Parabéns para produção do evento, que acontecerá dia 27 de Setembro.
sexta-feira, 23 de maio de 2008
Só faltou a Maísa!
Já deve estar sendo devidamente disseminado por aí - depois de ter visto na comunidade do Weezer no Orkut o link, vi no blog Disco de Platina, do baixista do Carbona, Melvin - o novo vídeo do Weezer, para a música "Pork and Beans". Clipes do Weezer costumam ser fantásticos mesmo, mas nesse a idéia é muito boa: pegar as "celebridades" geradas por vídeos no youtube e colocá-los em participação espacial e até interagindo com a banda.
As melhores partes são quando eles tocam e as garrafas de refrigerante com Mentos explodem ao fundo, até porque é uma das poucas coisas que reconheço desses vídeos virais (e na verdade vi os caras no David Letterman). Só vejo os equivalentes nacionais quando todo mundo já viu, mas imagina uma banda fazendo um clipe com a participação da Maísa, da menina pastora, do Jeremias, do Eduardo Suplicy, do Lasier, da mulher do sanduíche-iche...
Ok que a idéia não é lá muito original, já que no South Park teve um episódio onde Cartman & cia. encontravam várias dessas youtube-personalidades internacionais, veja as semelhanças aí embaixo.
Mas o vídeo do Weezer ficou bom pra caramba e a música é ótima, melhor que o Make Believe inteiro (ou será que é o vídeo que tá me dando essa impressão?).
Outra coisa que me pareceu impressionante: quando vi o vídeo de manhã, não estou bem certo, mas devia ter bem menos de 10.000 visitas, o que já seria um número grande considerando que o vídeo foi lançado HOJE. Às 9 da noite já passou de 500.000 a quantidade de vezes que "Pork and Beans" foi visto. Não sendo um bug e mesmo que você suponha que muita gente, como eu, já viu o vídeo umas 5 vezes, ainda assim teríamos umas 100 mil pessoas assistindo o clipe em menos de um dia. Será que eles teriam tanta exposição com o clipe sendo exibido numa MTV?
Fuçando um pouco mais a partir do vídeo, descobri que Rivers Cuomo (vocalista do Weezer, todo mundo sabe, né?) está fazendo uma música com os fãs a partir de sua página no Youtube. Ela já tá quase pronta, mas dá pra ver o processo de composição desde o começo. Tá difícil alguém conseguir ser mais nerd do que o Rivers.
As melhores partes são quando eles tocam e as garrafas de refrigerante com Mentos explodem ao fundo, até porque é uma das poucas coisas que reconheço desses vídeos virais (e na verdade vi os caras no David Letterman). Só vejo os equivalentes nacionais quando todo mundo já viu, mas imagina uma banda fazendo um clipe com a participação da Maísa, da menina pastora, do Jeremias, do Eduardo Suplicy, do Lasier, da mulher do sanduíche-iche...
Ok que a idéia não é lá muito original, já que no South Park teve um episódio onde Cartman & cia. encontravam várias dessas youtube-personalidades internacionais, veja as semelhanças aí embaixo.
Mas o vídeo do Weezer ficou bom pra caramba e a música é ótima, melhor que o Make Believe inteiro (ou será que é o vídeo que tá me dando essa impressão?).
Outra coisa que me pareceu impressionante: quando vi o vídeo de manhã, não estou bem certo, mas devia ter bem menos de 10.000 visitas, o que já seria um número grande considerando que o vídeo foi lançado HOJE. Às 9 da noite já passou de 500.000 a quantidade de vezes que "Pork and Beans" foi visto. Não sendo um bug e mesmo que você suponha que muita gente, como eu, já viu o vídeo umas 5 vezes, ainda assim teríamos umas 100 mil pessoas assistindo o clipe em menos de um dia. Será que eles teriam tanta exposição com o clipe sendo exibido numa MTV?
Fuçando um pouco mais a partir do vídeo, descobri que Rivers Cuomo (vocalista do Weezer, todo mundo sabe, né?) está fazendo uma música com os fãs a partir de sua página no Youtube. Ela já tá quase pronta, mas dá pra ver o processo de composição desde o começo. Tá difícil alguém conseguir ser mais nerd do que o Rivers.
quarta-feira, 21 de maio de 2008
Aumente a sua coleção de discos!
Com a queda do dolar fica mais fácil de importar alguma coisa pra cá, principalmente discos. Existem alguns que são muito difíceis de se topar por aqui, se você não é adepto da teoria de que se o disco é bom, um dia você há de topar com um, o melhor caminho é importar. Um dos disquinhos difíceis é o excepcional The Modern Lovers, o primeiro da banda homônima de Jonathan Richman (que aliás, passou no ronquinha ontem =), um simpático vinil vermelho que pode sair por mais ou menos 25 doláres (com a frete), fora outros discos de jazz muito mais baratos e igualmente bons.
Algumas bandas novas ainda lançam vinis, se você é da turma que não compra CD o LP é uma boa opção, mesmo que você não tenha uma vitrola.
Caso você tenha se animado segue alguns links e boa sorte, reza a lenda que em algum deles o disco vem sem imposto... Mas não conte com isso.
Elusive Disc
HT Forum : Lps
MusicStack
CDandLp
Ebay
Highway Music (nacional, meio carinho, ideal pra quem não quer dor de cabeça)
Acoustic Sound
AudioPhile
Algumas bandas novas ainda lançam vinis, se você é da turma que não compra CD o LP é uma boa opção, mesmo que você não tenha uma vitrola.
Caso você tenha se animado segue alguns links e boa sorte, reza a lenda que em algum deles o disco vem sem imposto... Mas não conte com isso.
Elusive Disc
HT Forum : Lps
MusicStack
CDandLp
Ebay
Highway Music (nacional, meio carinho, ideal pra quem não quer dor de cabeça)
Acoustic Sound
AudioPhile
Ucranianos

Pra quem está chegando aqui agora, é bom avisar que a razão do surgimento deste blog é o Ronca Ronca, do MauVal. E de lá a gente sempre ouve sons e dicas legais e se você partir de um artista que toque no programa, é capaz de descobrir coisas antes inimagináveis. A última vez que isso aconteceu foi com The Wedding Present, uma banda formada nos anos 80 em Leeds, Inglaterra, que gravou umas versões de músicas tradicionais da... Ucrânia. Instigado com isso e com um papo que ouvi no Ronquinha ou li em algum lugar da vasta web, de versões "ucranianas" de músicas dos Smiths, resolvi procurar. E descobri que o guitarrista do Wedding Present saiu da banda pra formar The Ukrainians, e graças ao soulseek, cheguei a essas versões que eles fizeram de músicas dos Smiths. "Bigmouth Strikes Again", que se transforma em "Batyar" é... é... Ouve aí.
E não sei se é exatamente uma coincidência, mas como vocês podem ver na agenda do lado, teremos um ucraniano fazendo uma festa nesta quarta-feira no Rio de Janeiro! Eugene Hutz, o bigode por trás do Gogol Bordello, banda cada vez mais conhecida de Gypsy Punk, coloca um som no Cine Lapa, provavelmente muita música nervosa do leste europeu misturada com rock e reggae. A torcida é que isso seja, no mínimo, insano.
terça-feira, 20 de maio de 2008
Canastra e Móveis Coloniais de Acaju - 10/05/08

Para não passar em branco.
Na semana passada eu mostrava minha preocupação em tantos shows acontecerem no mesmo dia, o que poderia dividir um público que já não costuma ser tão grande.
Bom, na verdade, pelo que ouvi de outras pessoas, o único lugar que teve perdas nesse excesso de oferta foi a Loud! com Moptop e Vanguart. As pessoas que poderiam ir a esses dois shows acabaram, em sua maioria, optando mesmo por lotar o show do Móveis Coloniais de Acaju. E fizeram uma ótima escolha. Móveis faz fácil o melhor show do Brasil, atualmente.

Só vi o Rusty Machine, a primeira banda a tocar naquela noite, de longe, mas me pareceu bem divertido, como toda banda de ska costuma ser. Antes do Móveis, Canastra fez o melhor show que já vi deles. Mais cedo, pela Lapa, dava para ver um número considerável de fãs de Rockabilly pelos bares nos arredores do Circo. Depois estariam todos lá suingando ao som de músicas como "Chevette Vermelho" e "Motivo de Chacota".

A banda, que costumar ser animada em palco, parecia estar ainda mais, e o setlist veio muito bem amarrado. O pessoal dos sopros jogando cartas com algumas pessoas da platéia, enquanto os outros quatro tocavam e a participação de Nervoso cantando Squirrel Nut Zippers foram excelentes momentos. Faltou "Besame Mucho", e "Twist and Shout" não precisava, mas a vontade é de vê-los mais uma vez.

E foi essa vontade que me levou ao meu sétimo show da mobília brasiliense. Depois do último show em janeiro eu achava que já havia visto o bastante, até porque as novas músicas apresentadas na época não me empolgaram tanto. Mas é só começar o show que a gente lembra o porquê de estar ali. Para melhorar, a nova música - além das já conhecidas e excelentes "Sem Palavras" e "Lista de Casamento" - apresentada desta vez, "Insatisfeito", é um adorável embrulho de música do leste europeu com ska e refrão pop ensolarado. Mas não barra "Lista de Casamento", confiram esta:
No meio do show Gabriel Thomaz (Autoramas) é chamado e, juntos, tocam uma releitura de "Família que Briga Unida Permanece Unida", originalmente do Little Quail and The Mad Birds, ex-banda do Gabriel e essencial na cena musical dos anos 90, regravada no disquinho em vinil Vai Thomaz no Acaju.
Depois emendam com o punk rock "1, 2, 3, 4", que talvez seja mais emocionante para quem, como eu, já viu o Little Quail se apresentando, do que pessoas interessadas somente na mistura de ritmos dos candangos.

De resto, seguiram-se todas as coisas que acontecem no show deles aqui, mas que mesmo sem o fator surpresa não conseguem deixar de ser legais: palminhas, isqueiros, roda que não mais roda, invasão maciça do palco. O melhor é ver mesmo:

quinta-feira, 15 de maio de 2008
Arnaldo Antunes - 09/05/08

Mesmo com uma divulgação a meu ver tímida, o Teatro Nelson Rodrigues ficou cheio para assistir ao primeiro dos três shows que Arnaldo Antunes faria ali durante o final de semana.
Não ocorreram mudanças significativas em relação ao show de uns meses atrás na Modern Sound, já comentado aqui. Desta vez, porém, com uma visão muito melhor do show e com um telão bem maior onde saem as projeções em preto e branco que compõem a apresentação.
Fora isso, não há grandes alterações no repertório e na proposta não-percussiva do show, só cortada pelas palmas da platéia. Arnaldo continua se movimentando em frente às projeções, na hora de "Socorro" ele continua querendo fazer deste o momento canta-junto-galera do show e continua apresentando "Contato Imediato" como uma música que veio "da tribo".

Mas as novidades fazem valer a pena revê-lo, como na inclusão de "O Quê" no setlist, com citação de "Podes Crer Amizade", de Tony Tornado, no fim. Em "O Silêncio", no momento, hum, silencioso da música ele recita um de seus poemas, com versos como "o corpo existe e pode ser pego / é suficientemente opaco para que se possa vê-lo / se ficar olhando o ânus você pode ver crescer o cabelo".
E tem momento quase obrigatórios de serem repetidos de tão bonitos, como a versão rock de "Judiaria", a linda e sofrida "Quarto de Dormir", parceria com Marcelo Jeneci, um de seus músicos, e o crescendo empolgante de "Luzes", onde o mesmo Marcelo Jeneci protagoniza um longo (e bonito) solo de sanfona, que encerra a primeira parte do show.
O bis é um pouco decepcionante ao incluir a canção-manifesto "Tribalistas", primeiro porque a letra não é das mais inspiradas e segundo que Arnaldo Antunes tem coisa bem melhor para mostrar, mas o fim derradeiro com "O Pulso" e os belos momentos do show até fazem esquecer isso.
Lista das músicas
1 - Fim do Dia
2 - Hotel Fraternité
3 - Saiba
4 - Sem Você
5 - Se Tudo Pode Acontecer
6 - O Quê (Podes Crer Amizade)
7 - Socorro
8 - Não Vou Me Adaptar
9 - Num Dia
10 - Judiaria
11 - As Coisas
12 - Qualquer Coisa
13 - Quarto de Dormir
14 - Contato Imediato
15 - Pedido de Casamento
16 - O Silêncio
17 - Luzes
Bis
18 - Debaixo D'água
19 - Tribalistas
20 - O Pulso
sábado, 10 de maio de 2008
Tem dia que não tem nada e tem dia...
...que tem coisa pra caramba. Enquanto em alguns finais de semana não tem show interessante nenhum pra ver (apesar que isso nem tem acontecido tanto ultimamente), neste sábado tem pelo menos uns quatro lugares legais para se estar. Todos bem perto um do outro, mas infelizmente quase todos no mesmo horário - melhor dizendo, é impossível saber que horas começam os shows no Rio, então é bom não arriscar. O único com um horário fixo é Arnaldo Antunes, que deve tocar às 20:00 (na sexta tocou às 20:30, aliás, excelente show) no Teatro Nelson Rodrigues, ali entre as avenidas Chile e República do Paraguai. Aliás, passei por ali na quinta e as igrejas próximas do local, como a presbiteriana, estão com uma iluminação bonita, pena que cheia de grades, afinal de contas aquela região ainda não é das melhores, e seria muito bom se aquele pedaço fosse realmente revitalizado, só não sei como isso aconteceria. Mas ia dar gosto o Rio ter um "centro histórico" de verdade.
Voltando ao assunto, Arnaldo Antunes se apresenta no domingo ainda. Quem for ver no sábado pode se arriscar a descer a república do paraguai ou pegar a Lavradio e chegar na Lapa, e aí pode escolher. No Estrela da Lapa, tem show de João Penca e Seus Miquinhos Amestrados. Eles estiveram fora daquele revival sacal de Plocs por aí, e na real, é uma banda que toca rockabilly, surf music e outros sons egressos dos anos 50 e 60 misturado com letras sacanas, poderia ter facilmente surgido hoje.
Mas a grande dúvida deve ficar entre aqueles que gostam das novas bandas independentes. Na Fundição Progresso vai acontecer a festa Loud!, o que por si só já seria motivo pra muita gente querer ir. Só que também estarão lá o Moptop, que tem bastante fãs na cidade e Vanguart, uma banda que, apesar de ainda não ter tanta penetração (ui) no Rio, quem gosta do folk rock deles deve saber que as apresentações do cuiabanos radicados em São Paulo não são tão frequentes. O show deles no Humaitá pra Peixe foi médio, já a apresentação que vi na virada Cultural foi muito boa, com um numeroso público que estava lá especialmente para vê-los.

Só que na mesma hora, no Circo Voador, vão estar outras duas bandas independentes bem faladas e aguardadas. Canastra já é um velho favorito daqui, que, dizem, lotou as noites que fez no Estrela da Lapa em janeiro. E Móveis Coloniais de Acaju é garantia quase certa de catarse. Assim como o Vanguart do outro lado, não tocam aqui desde janeiro, com a diferença que a quantidade de fãs que os assistiram há uns 5 meses atrás era muito maior, e que devem estar ávidos pela volta deles.

O problema é que muitos fãs de Canastra e/ou Móveis gostariam de ver um show do Vanguart e/ou Moptop, e vice-versa. Com isso, dividem um público que, geralmente, já não é tão numeroso assim, a ponto de encher um Circo Voador ou uma Fundição Progresso. Mas pode ser que hoje tudo mude. Daqui a algumas horas saberei.
Voltando ao assunto, Arnaldo Antunes se apresenta no domingo ainda. Quem for ver no sábado pode se arriscar a descer a república do paraguai ou pegar a Lavradio e chegar na Lapa, e aí pode escolher. No Estrela da Lapa, tem show de João Penca e Seus Miquinhos Amestrados. Eles estiveram fora daquele revival sacal de Plocs por aí, e na real, é uma banda que toca rockabilly, surf music e outros sons egressos dos anos 50 e 60 misturado com letras sacanas, poderia ter facilmente surgido hoje.
Mas a grande dúvida deve ficar entre aqueles que gostam das novas bandas independentes. Na Fundição Progresso vai acontecer a festa Loud!, o que por si só já seria motivo pra muita gente querer ir. Só que também estarão lá o Moptop, que tem bastante fãs na cidade e Vanguart, uma banda que, apesar de ainda não ter tanta penetração (ui) no Rio, quem gosta do folk rock deles deve saber que as apresentações do cuiabanos radicados em São Paulo não são tão frequentes. O show deles no Humaitá pra Peixe foi médio, já a apresentação que vi na virada Cultural foi muito boa, com um numeroso público que estava lá especialmente para vê-los.

Só que na mesma hora, no Circo Voador, vão estar outras duas bandas independentes bem faladas e aguardadas. Canastra já é um velho favorito daqui, que, dizem, lotou as noites que fez no Estrela da Lapa em janeiro. E Móveis Coloniais de Acaju é garantia quase certa de catarse. Assim como o Vanguart do outro lado, não tocam aqui desde janeiro, com a diferença que a quantidade de fãs que os assistiram há uns 5 meses atrás era muito maior, e que devem estar ávidos pela volta deles.

O problema é que muitos fãs de Canastra e/ou Móveis gostariam de ver um show do Vanguart e/ou Moptop, e vice-versa. Com isso, dividem um público que, geralmente, já não é tão numeroso assim, a ponto de encher um Circo Voador ou uma Fundição Progresso. Mas pode ser que hoje tudo mude. Daqui a algumas horas saberei.
terça-feira, 6 de maio de 2008
China e Mombojó - 03/05/08
Amálgama

Quando anunciam-se duas bandas para uma apresentação no Circo Voador, imagina-se que uma será a atração de abertura, tocando poucas músicas, e a outra será a atração principal. Pelo menos costuma ser assim por lá.
Não se duvida que a maior parte do público veio para assistir Mombojó. Mas a parceria já de alguns anos com China, quando juntos formam o Del Rey, onde recriam, à maneira deles, sucessos e músicas obscuras de Roberto Carlos, fez valer uma sintonia onde não houve intervalo entre um artista e outro.
Os caras do Mombojó foram entrando enquanto China e sua H.Stern Band permaneciam, para executar músicas de ambos, além de dar de presente para o pessoal um sucesso do rei, "Não Serve Pra Mim".

Antes disso China já havia mostrado músicas de seus dois trabalhos, priorizando o mais recente, Simulacro. No palco, ele não para de se movimentar, com seu jeito bem característico de dançar, e seu som, que eu não saberia classificar de outra forma que não fosse mangue pop, conquistando um Circo Voador que já estava cheio.
O fato do Circo estar cheio é no mínimo interessante, já que estávamos num semi-feriadão, com uma competição de motos no sambódromo e um tempo não tão convidativo para sair, o que me leva a imaginar que as pessoas saíram de casa e estavam ali realmente para ver shows de artistas que não estão no rádio nem outras mídias tradicionais.

Assim como o título de uma música de China, talvez seja "a canção que não morre no ar", o que pode mostrar a força das músicas do Mombojó. De volta ao Rio pela primeira vez desde a morte do flautista Rafa e da saída do violonista Marcelo Campello, tiveram uma bela recepção, com músicas cantadas em coro pela platéia, transformando-se quase numa apresentação messiânica, não fossem os ritmos tão variados e quebrados dentro de uma mesma música. Entre cantar com as mãos pro alto, sambar, dançar electro-pop como um robô em 1984 e entrar numa roda de pogo, tudo era era possível.

Os arranjos sem os instrumentos (e instrumentistas) agora ausentes não ficaram prejudicados, e o grande destaque é o tecladista Chiquinho, que discretamente de sua base comanda a maior parte das melodias.
O vocalista Felipe S assume uma segunda guitarra nas três músicas novas que são apresentadas, o que pode ser que mostre quais serão os novos caminhos da banda. As músicas novas são um pouco estranhas e retas demais, chegando a me lembrar Coldplay, com exceção da última que pareceu mais interessante.

Após um bis arrasador, eles voltam para um segundo bis trazendo China, a H.Stern Band e transformam o Circo no reino da alegria de "Deixe-se Acreditar". O show acabou sendo bem amarrado demais para sentir falta das explosões d'A Missa.

Quando anunciam-se duas bandas para uma apresentação no Circo Voador, imagina-se que uma será a atração de abertura, tocando poucas músicas, e a outra será a atração principal. Pelo menos costuma ser assim por lá.
Não se duvida que a maior parte do público veio para assistir Mombojó. Mas a parceria já de alguns anos com China, quando juntos formam o Del Rey, onde recriam, à maneira deles, sucessos e músicas obscuras de Roberto Carlos, fez valer uma sintonia onde não houve intervalo entre um artista e outro.
Os caras do Mombojó foram entrando enquanto China e sua H.Stern Band permaneciam, para executar músicas de ambos, além de dar de presente para o pessoal um sucesso do rei, "Não Serve Pra Mim".

Antes disso China já havia mostrado músicas de seus dois trabalhos, priorizando o mais recente, Simulacro. No palco, ele não para de se movimentar, com seu jeito bem característico de dançar, e seu som, que eu não saberia classificar de outra forma que não fosse mangue pop, conquistando um Circo Voador que já estava cheio.
O fato do Circo estar cheio é no mínimo interessante, já que estávamos num semi-feriadão, com uma competição de motos no sambódromo e um tempo não tão convidativo para sair, o que me leva a imaginar que as pessoas saíram de casa e estavam ali realmente para ver shows de artistas que não estão no rádio nem outras mídias tradicionais.

Assim como o título de uma música de China, talvez seja "a canção que não morre no ar", o que pode mostrar a força das músicas do Mombojó. De volta ao Rio pela primeira vez desde a morte do flautista Rafa e da saída do violonista Marcelo Campello, tiveram uma bela recepção, com músicas cantadas em coro pela platéia, transformando-se quase numa apresentação messiânica, não fossem os ritmos tão variados e quebrados dentro de uma mesma música. Entre cantar com as mãos pro alto, sambar, dançar electro-pop como um robô em 1984 e entrar numa roda de pogo, tudo era era possível.

Os arranjos sem os instrumentos (e instrumentistas) agora ausentes não ficaram prejudicados, e o grande destaque é o tecladista Chiquinho, que discretamente de sua base comanda a maior parte das melodias.
O vocalista Felipe S assume uma segunda guitarra nas três músicas novas que são apresentadas, o que pode ser que mostre quais serão os novos caminhos da banda. As músicas novas são um pouco estranhas e retas demais, chegando a me lembrar Coldplay, com exceção da última que pareceu mais interessante.

Após um bis arrasador, eles voltam para um segundo bis trazendo China, a H.Stern Band e transformam o Circo no reino da alegria de "Deixe-se Acreditar". O show acabou sendo bem amarrado demais para sentir falta das explosões d'A Missa.
quarta-feira, 23 de abril de 2008
Mais Virada Cultural
Mais Virada Cultural: compilei 6 faixas de alguns dos discos disponíveis abaixo, que vão ser tocados na íntegra.
Faixas:
1 - Pepeu Gomes - Fissura (Geração do Som)
2 - Paulo Vanzolini - Chorava no Meio da Rua (Onze Sambas e Uma Capoeira)
3 - Luiz Melodia - Pra Aquietar (Pérola Negra)
4 - Sá, Rodrix e Guarabyra - Hoje Ainda é Dia de Rock (Passado, Presente, Futuro)
5 - Antonio Carlos e Jocafi - Xamego de Iná (Antonio Carlos e Jocafi)
6 - Wilson Simonal - Sá Marina (Alegria, Alegria Vol 2)
Faixas:
1 - Pepeu Gomes - Fissura (Geração do Som)
2 - Paulo Vanzolini - Chorava no Meio da Rua (Onze Sambas e Uma Capoeira)
3 - Luiz Melodia - Pra Aquietar (Pérola Negra)
4 - Sá, Rodrix e Guarabyra - Hoje Ainda é Dia de Rock (Passado, Presente, Futuro)
5 - Antonio Carlos e Jocafi - Xamego de Iná (Antonio Carlos e Jocafi)
6 - Wilson Simonal - Sá Marina (Alegria, Alegria Vol 2)
domingo, 20 de abril de 2008
Conversão de funções: La Cumbuca no Multiply
Até onde consigo lembrar, o Multiply começou como uma rede social nos moldes do Orkut. Mas, diferente do Orkut, ele se desenvolveu e passou a ter e dar mais importância a outras utilidades, como blog, álbum de fotos, espaços para postagem de vídeos e de músicas. Mas o melhor é que você pode importar as fotos que você tem em outros sites, vídeos do youtube, além de importar também as postagens aqui do blog.
Para quem quiser acessar quase todo o conteúdo do La cumbuca por lá: http://lacumbuca.multiply.com/
Com isso foi possível publicar todas as fotos de shows que tenho. Para ilustrar o post, então, uma foto do show bem legal do Músicas Intermináveis Para Viagem, que aconteceu na Audio Rebel no final de março.
Para quem quiser acessar quase todo o conteúdo do La cumbuca por lá: http://lacumbuca.multiply.com/
Com isso foi possível publicar todas as fotos de shows que tenho. Para ilustrar o post, então, uma foto do show bem legal do Músicas Intermináveis Para Viagem, que aconteceu na Audio Rebel no final de março.
Robô Gigante no Baratos da Ribeiro (+ Entrevista)
Mais um sábado em Copacabana, mais uma ultima-edição do Vespeiro, tudo muito normal, até o momento em que os-gauchos-que-não-sabem-sambar (segundo os próprios) decidem começar seu primeiro show.A Robô Gigante é acima de tudo um encontro de amigos que já tocaram em outras bandas e agora se juntam pra dar luz ao projeto idealizado pelo figura Marcelo, não o Truda, e sim o Guimarães, que vieram de PoA para tocar de graça aqui no Rio de Janeiro.
E então o show começa com 'Hoje eu resolvi beber', já exaltando a linha de composição característica da banda e seu devido teor alcoólico. A partir desse ponto é que fica evidente porque a banda mesmo sem fazer um único show já tinha vendido mais de 2 mil SMD´s, no final da música começa o falatório 'Gaúcho não sabe sambar! Tô no Rio quero ver vocês sambando aqui!', mas parece que o pessoal tinha faltado algumas aulas de dança e ninguém se manifestou, o que não atrapalhou em nada. Não era preciso sambar para expressar a satisfação com aquele misto de roda de samba e roda punk. Dessa forma a única coisa que deixou a desejar no show foi sua duração. Acabou rápido demais! Talvez devido ao pequeno repertório da banda que tocou pra 30 pessoas depois de percorrer mais de 3000km.
Logo depois do show era tempo de calcar alguma exclusiva pro blog, e lá fui eu sem perguntas ou tópicos decentes pedir para alugar alguém da banda por alguns minutos e fazer a entrevista, me dirigi então ao capitão da trosoba, 'Claro, vamo pro buteco ali do lado' e assim foi. Antes disso um disco chamou a atenção do 'Fubango' (vulgo Marcelo Guimarães), o 1° do Defalla:'Sem isso não existiria nada na cena rock brasileira' e fomos chegando no bar já falando de tudo que acontece no Brasil, ele então fala das peculiaridades da cena 'Eu loto uma casa de shows lá no Sul e aqui não' e sobre o projeto com a rapaziada do Fino Coletivo, 'Eles vão abrir pra mim lá e eu aqui pra eles', Marcelo dá a pista e começa a explanar sobre seus projetos para movimentar a cena brasileira, que com certeza vão render grandes shows.
No meio de tanto nome pergunto de onde vem a maior influencia, se é o álcool..., 'Não... Cartola me influencia' e começa aí uma viagem sobre tudo que foi produzido musicalmente no mundo. É muito bom ver que existe gente eclética nesse mundo além dos ouvintes do Ronca Ronca. A conversa foi fluindo, fomos da Mangueira à Liverpool. Agora a pauta era os Beatles, assunto esse que chamou a atenção de alguém que passava por ali, e que parecia ser conhecido do nobre entrevistado, então mergulhamos a fundo em tudo produzido pelo grupo de Liverpool, John, Paul, George e.... Ringo: 'Ringo era o baterista pros Beatles, era o baterista ideal para eles' nesse exato momento o outro ser que lá estava falou que ele não era lá 'baterista', todos de acordo mas... 'Coloca o John Bonham na bateria dos Beatles, ia ficar uma m****! ' desse ponto em diante se inicia uma discussão sobre os virtuosi, onde é claro sua posição de que não precisa 'tocar muito' e sim tocar de acordo com a situação. Cita várias vezes os músicos de sua banda, 'Esses caras tocam muito, você tem que ver o que eles fazem' e comenta o sobre o 'Bixo de Seda' banda que deu origem ao termo 'rock gaúcho' e foi uma das primeiras a fazerem sucesso fora do sul.
Falo que o espírito da banda parece muito com o de outra banda, chamada Vulgo Qinho & Os Cara, e que seria muito legal presenciar um encontro das duas bandas, nessa onda ele fala de como ele gosta de tocar com os amigos, e que a banda é isso, fato é que a banda tem três bateristas(!). Depois de muito falar dos seus companheiros de cena, ele começa a relembrar seus 15 anos, quando costumava ir a shows das pessoas que hoje tocam com ele, 'Hoje eu toco com meus ídolos e com meus fãs' - deixando claro que dá atenção p/seus admiradores, assim como recebeu há algum tempo atrás, nesse exato momento uns amigos* meus levantaram a mão e chamaram ele pra tocar, ele enrola e mostra bom senso mesmo aparentando não estar sóbrio.
Marcelo então decide comentar sobre seu período de vida nos Estados Unidos, 'Fiz até filme pornô por lá. Tava com o cabelo raspado na época, a p*** amiga do Flea** que me chamou'.
Devido ao rumo de autenticidade duvidosa que a conversa estava indo preferi acabar ali a pseudo-entrevista, mas deixo aqui no final uma coisa que ele comentou:
'Minha mãe ia colocar o meu nome de João Marcelo, mas como esse era o nome do filho da Elis Regina, que estudou com ela, e as duas não se davam muito, ela decidiu mudar o meu nome para José Marcelo'. Acreditando ou não esse papo foi um dos mais doidos que eu já escutei.
___________
* Quem foi no ultimo vespeiro sabe quem eles são
**Aquele mesmo do Red Hot C.P.
E então o show começa com 'Hoje eu resolvi beber', já exaltando a linha de composição característica da banda e seu devido teor alcoólico. A partir desse ponto é que fica evidente porque a banda mesmo sem fazer um único show já tinha vendido mais de 2 mil SMD´s, no final da música começa o falatório 'Gaúcho não sabe sambar! Tô no Rio quero ver vocês sambando aqui!', mas parece que o pessoal tinha faltado algumas aulas de dança e ninguém se manifestou, o que não atrapalhou em nada. Não era preciso sambar para expressar a satisfação com aquele misto de roda de samba e roda punk. Dessa forma a única coisa que deixou a desejar no show foi sua duração. Acabou rápido demais! Talvez devido ao pequeno repertório da banda que tocou pra 30 pessoas depois de percorrer mais de 3000km.
Logo depois do show era tempo de calcar alguma exclusiva pro blog, e lá fui eu sem perguntas ou tópicos decentes pedir para alugar alguém da banda por alguns minutos e fazer a entrevista, me dirigi então ao capitão da trosoba, 'Claro, vamo pro buteco ali do lado' e assim foi. Antes disso um disco chamou a atenção do 'Fubango' (vulgo Marcelo Guimarães), o 1° do Defalla:'Sem isso não existiria nada na cena rock brasileira' e fomos chegando no bar já falando de tudo que acontece no Brasil, ele então fala das peculiaridades da cena 'Eu loto uma casa de shows lá no Sul e aqui não' e sobre o projeto com a rapaziada do Fino Coletivo, 'Eles vão abrir pra mim lá e eu aqui pra eles', Marcelo dá a pista e começa a explanar sobre seus projetos para movimentar a cena brasileira, que com certeza vão render grandes shows.
No meio de tanto nome pergunto de onde vem a maior influencia, se é o álcool..., 'Não... Cartola me influencia' e começa aí uma viagem sobre tudo que foi produzido musicalmente no mundo. É muito bom ver que existe gente eclética nesse mundo além dos ouvintes do Ronca Ronca. A conversa foi fluindo, fomos da Mangueira à Liverpool. Agora a pauta era os Beatles, assunto esse que chamou a atenção de alguém que passava por ali, e que parecia ser conhecido do nobre entrevistado, então mergulhamos a fundo em tudo produzido pelo grupo de Liverpool, John, Paul, George e.... Ringo: 'Ringo era o baterista pros Beatles, era o baterista ideal para eles' nesse exato momento o outro ser que lá estava falou que ele não era lá 'baterista', todos de acordo mas... 'Coloca o John Bonham na bateria dos Beatles, ia ficar uma m****! ' desse ponto em diante se inicia uma discussão sobre os virtuosi, onde é claro sua posição de que não precisa 'tocar muito' e sim tocar de acordo com a situação. Cita várias vezes os músicos de sua banda, 'Esses caras tocam muito, você tem que ver o que eles fazem' e comenta o sobre o 'Bixo de Seda' banda que deu origem ao termo 'rock gaúcho' e foi uma das primeiras a fazerem sucesso fora do sul.
Falo que o espírito da banda parece muito com o de outra banda, chamada Vulgo Qinho & Os Cara, e que seria muito legal presenciar um encontro das duas bandas, nessa onda ele fala de como ele gosta de tocar com os amigos, e que a banda é isso, fato é que a banda tem três bateristas(!). Depois de muito falar dos seus companheiros de cena, ele começa a relembrar seus 15 anos, quando costumava ir a shows das pessoas que hoje tocam com ele, 'Hoje eu toco com meus ídolos e com meus fãs' - deixando claro que dá atenção p/seus admiradores, assim como recebeu há algum tempo atrás, nesse exato momento uns amigos* meus levantaram a mão e chamaram ele pra tocar, ele enrola e mostra bom senso mesmo aparentando não estar sóbrio.
Marcelo então decide comentar sobre seu período de vida nos Estados Unidos, 'Fiz até filme pornô por lá. Tava com o cabelo raspado na época, a p*** amiga do Flea** que me chamou'.
Devido ao rumo de autenticidade duvidosa que a conversa estava indo preferi acabar ali a pseudo-entrevista, mas deixo aqui no final uma coisa que ele comentou:
'Minha mãe ia colocar o meu nome de João Marcelo, mas como esse era o nome do filho da Elis Regina, que estudou com ela, e as duas não se davam muito, ela decidiu mudar o meu nome para José Marcelo'. Acreditando ou não esse papo foi um dos mais doidos que eu já escutei.
___________
* Quem foi no ultimo vespeiro sabe quem eles são
**Aquele mesmo do Red Hot C.P.
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sábado, 19 de abril de 2008
Discos que vão ser "tocados" na Virada Cultural em São Paulo para download
Enquanto no Rio de janeiro as autoridades ameaçam apreender instrumentos de músicos que tentarem se apresentar na rua, como no caso do Dia da Rua - evento sobre o qual você pode ler o que escrevemos aqui - em São Paulo não só permitem como é o proprio governo de lá que organiza a Virada Cultural, 24 horas de shows em diversos pontos da cidade, gratuitos e quase todos ao ar livre (menos os shows que acontecem no Teatro Municipal, óbvio, mas estes também são grátis), que começa às 18 horas do dia 26 e termina um pouco depois das 18 horas do dia 27, daqui a uma semana.
Como isso já não fosse interessante o bastante, e a programação excelente, eles ainda trazem um conceito muito atraente: alguns dos artistas vão tocar um álbum "clássico" de suas discografias inteiro, faixa a faixa. Isso tem sido feito lá fora também, de cabeça me lembro que o Lou Reed está apresentando o "Berlin" (li há um tempo no Scream & Yell) e o Sonic Youth toca o "Daydream Nation" todinho. Na Virada Cultural teremos de Luiz Melodia a Ultraje a Rigor tocando seus pimreiros álbuns, passando por alguns artistas muito mais cultuados que conhecidos. Como eu não conhecia alguns dos discos em questão, fui atrás deles na internet e, apesar de La Cumbuca não ser um blog de downloads, vou repassar aí embaixo o link para cada um deles, para quem quiser baixar e conhecer. São discos obscuros em sua maioria, que nem devem mais ser vendidos. A fonte da maioria dos links encontrados está no próprio orkut, através do sistema de buscas, mas muitos devem ter sido tirados de blogs legais, como o sombarato (que divulga um texto do show do Maquinado no Humaitá pra Peixe aqui do blog junto com um link para o show, bem legal)
Além do disco do Luiz Melodia, seu primeiro e melhor, aliás um dos melhores discos da história da música brasileira, recomendo especialmente o do Pepeu Gomes, todo instrumental. Mas a maioria tem momentos e músicas interessantes, que dá mais vontade ainda de participar dessa festa e um pouco de inveja de São Paulo também.
A programação da Virada Cultural está está aqui: http://viradacultural.org/programacao
Teatro Municipal
* 18h - Luiz Melodia – Pérola Negra (1973)
1. Estácio, eu e você
2. Vale quanto pesa
3. Estácio, Holly Estácio
4. Prá aquietar
5. Abundantemente morte
6. Pérola negra
7. Magrelinha
8. Farrapo humano
9. Objeto H
10. Forró de janeiro
* 21h - Egberto Gismonti e Naná Vasconcelos – A Dança das Cabeças (1977)
PARTE I
01 Quarto mundo + 1 (Egberto Gismonti)
02 Dança das cabeças (Egberto Gismonti)
03 Águas luminosas (D.Bressane)
04 Celebração de núpcias (Egberto Gismonti)
05 Porta encantada (Egberto Gismonti)
06 Quarto mundo + 2 (Egberto Gismonti)
PARTE II
07 Tango (Geraldo Carneiro - Egberto Gismonti)
08 Bambuzal (Egberto Gismonti)
09 Fé cega, faca amolada (Milton Nascimento - Ronaldo Bastos)
10 Dança solitária (Egberto Gismonti)
* 00h - Sá, Rodrix e Guarabyra – Passado, Presente, Futuro (1972)
1-Zepelim (Luiz Carlos Sá)
2 Ama teu vizinho (Luiz Carlos Sá - Zé Rodrix)
3 Juriti Butterfly (Luiz Carlos Sá - Guarabyra)
4 Me faça um favor (Luiz Carlos Sá - Guarabyra)
5 Boa noite (Luiz Carlos Sá - Zé Rodrix)
6 Hoje ainda é dia de rock (Zé Rodrix)
7 Primeira canção da estrada (Luiz Carlos Sá - Zé Rodrix)
8 Cumpadre meu (Guarabyra)
9 Crianças perdidas (Zé Rodrix)
10 Azular (Luiz Carlos Sá)
11 Ouvi contar (Luiz Carlos Sá - Guarabyra - Zé Rodrix)
12 Coda: Cigarro de palha (Guarabyra)
(nesse link você ainda leva de lambuja o Terra de 1973, que não está na programação)
* 03h - O Som Nosso de Cada Dia – Snegs (1973)
01. Sinal da paranóia - (Cimara - Pedrão)
02. Bicho do mato - (Gastão Lamounier Neto)
03. O som nosso de cada dia - (Paulinho - Pedrão)
04. Snegs de Biufrais - (Paulinho - Pedrão)
05. Massavilha - (Paulinho - Pedrão)
06. Direccion de Aquarius - (Paulinho - Pedrão)
07. A outra face - (Pedrão - Pedrinho)
08. O Guarany (Bônus)
* 06h - Pepeu Gomes – Geração do Som (1978)
1. Saudação Nagô (Pepeu Gomes)
2. Fissura (Pepeu Gomes)
3. Linda Cross (Pepeu Gomes)
4. Belo Horizonte (Pepeu Gomes)
5. Odette (Dunga - Herivelto Martins)
6. Toninho Cerezo (Pepeu Gomes)
7. Malacaxeta (Pepeu Gomes)
8. Alto da Silveira (Pepeu Gomes)
9. Didilhando (Didi Gomes - Pepeu Gomes)
10. Tambaú (Pepeu Gomes)
11. Buchinha (Pepeu Gomes)
12. Flamenguista (Pepeu Gomes)
* 09h - Hamilton de Holanda e Danilo Brito - Vibrações de Jacob do Bandolim (1967)
1) Vibrações (Jacob do Bandolim)
2) Receita de samba (Jacob do Bandolim)
3) Ingênuo (Pixinguinha)
4) Pérolas (Jacob do Bandolim)
5) Assim mesmo (Luiz Americano)
6) Fidalga (Ernesto Nazaré)
7) Lamento (Pixinguinha)
8) Murmurando (Fon Fon)
9) Cadência (Joventino Maciel)
10) Floraux (Ernesto Nazaré)
11) Brejeiro (Ernesto Nazaré)
12) Vésper (Ernesto Nazaré)
* 12h - Márcia, Eduardo Gudin E Paulo César Pinheiro – O Importante É que a Nossa Emoção Sobreviva (1974)
1 Veneno (Eduardo Gudin - Paulo César Pinheiro)
2 Consideração (Eduardo Gudin - Paulo César Pinheiro)
3 Tatuagem (Paulo Gesta - Guilherme de Brito - Nelson Cavaquinho)
4 Ingênuo (Benedito Lacerda - Pixinguinha)
5 Resíduo • Resíduos (Eduardo Gudin-Paulo César Pinheiro)
6 Marcha-rancho (Eduardo Gudin - Paulo César Pinheiro - Maurício Tapajós)
7 Justiça (Eduardo Gudin - Paulo César Pinheiro)
8 Velho casarão (Eduardo Gudin - Paulo César Pinheiro)
9 Refém da solidão (Baden Powell - Paulo César Pinheiro)
10 Cautela - Mordaça(Eduardo Gudin-Paulo César Pinheiro)
* 15h - Paulo Vanzolini – Onze Sambas e Uma Capoeira (1967)
01 Samba erudito (Paulo Vanzolini)
02 Amor de trapo e farrapo (Paulo Vanzolini)
03 Chorava no meio da rua (Paulo Vanzolini)
04 Juízo final (Paulo Vanzolini)
05 Ronda (Paulo Vanzolini)
06 Napoleão (Paulo Vanzolini)
07 Capoeira do Arnaldo (Paulo Vanzolini)
08 Praça Clóvis (Paulo Vanzolini)
09 Cravo branco (Paulo Vanzolini)
10 Morte e paz (Paulo Vanzolini)
11 Leilão (Paulo Vanzolini)
12 Volta por cima (Paulo Vanzolini)
Baile do Arouche
* 01h - Antonio Carlos e Jocafi - Antonio Carlos e Jocafi (1973)
01. Teimosa
02. Glorioso Santo Antônio
03. Dona Da Casa
04. Gamelera (As Moça)
05. Sanfona Véia
06. Deixe Que É Dengo Dela
07. Fraqueza
08. Te Quiero
09. Tereza Guerreira
10. Por Nossa Senhora
11. Um Abraço No Lucien Extensivo Ao Edu Lobo
12. Xamego De Iná
UPDATE: Na página da Virada Cultural agora diz que eles vão tocar o "Mudei de Idéia", de 1971, sendo que lá dizem que é de 1973. "Mudei de Idéia" é bem melhor, tomara até que seja. Em todo o caso, vai o link pra ele também: http://rapidshare.com/files/16119056/acej_mudei_de_ideia.rar.html
* 03h - Maria Alcina - Maria Alcina (1974)
1 Tome polca (Luiz Peixoto - José Maria de Abreu)
2 Beguine dodói (Aldir Blanc - João Bosco)
3 Piano alemão (Wir wir wir haben ein klavier) (Jupp Schmitz - Jonny Bartels - Vrs. Julio Nagibe)
4 Como se não tivesse acontecido nada (Ricardo Guinsburg - Miguel Paiva)
5 Foi-se o que era doce (Aldir Blanc - João Bosco)
6 Kid Cavaquinho (Aldir Blanc - João Bosco)
7 Mulher mulher (Sidney Mattos - Augusto Magalhães)
8 Amigos novos e antigos (Aldir Blanc - João Bosco)
9 O anjo do bem e do mal (Ricardo Guinsburg - Carlos Medeiros)
10 Carmila (Sidney Mattos - Augusto Magalhães)
11 Terceiro ato (Ricardo Guinsburg - Miguel Paiva)
12 Camisa 10 da Gávea (faixa bônus) (Jorge Ben)
13 Sonhar com rei da leão (faixa bônus) (Neguinho da Beija Flor)
14 Charles Jr. (faixa bônus) (Jorge Ben)
15 Fio Maravilha (faixa bônus) (Jorge Ben)
16 Fio Maravilha - Nond Vox edit (faixa bônus) (Jorge Ben)
17 Fio Maravilha - Nond Club mix (faixa bônus) (Jorge Ben)
* 09h - André Busic - Let's Get Lost de Chet Baker (1959?)
1. Moon and Sand
2. Imagination
3. You're my thrill
4. For heaven's sake
5. Every time we say goodbye
6. I don't stand a chance of a ghost with you
7. Daydream
8. Zingaro
9. Blame it on my youth
10. My one and only love
11. Everything happens to me
12. Almost blue
(não sei é esse disco que vai ser apresentado, já que existe um filme e um disco com o nome de "Let's Get Lost", e nenhum deles é de 1959. Esse disco aí de cima tem gravações de 1953 a 1956)
* 17h - Wilson Simoninha - Alegria Alegria vol.2 de Wilson Simonal (1967)
1 Sá Marina (Tibério Gaspar - Antônio Adolfo)
2 Cai cai (Roberto Martins)
3 Manias (Flávio Cavalcanti - Celso Cavalcanti)
4 Recruta biruta (Alberto Ribeiro - Antônio Almeida - Nássara)
5 Neste mesmo lugar (Armando Cavalcanti - Klécius Caldas)
6 Zazueira (Jorge Ben)
7 Não tenho lágrimas (Milton de Oliveira - Max Bulhões)
8 De como um garoto apaixonado perdoou por causa de um dos mandamentos (Nonato Buzar - Chico Anísio - Wilson Simonal)
9 Cartão de visita (Edgardo Luiz - Nilton Pereira de Castro)
10 Paraíba (Luiz Gonzaga - Humberto Teixeira)
11 Gosto tanto de você (Édson Arantes do Nascimento "Pelé")
12 Vamos simbora (Wilson Simonal)
Rock República (Praça da República)
* 01h - Paul Di'Anno - Killers (1981)
1 The Ides of March
2 Wrathchild
3 Murders in the Rue Morgue
4 Another Life
5 Genghis Khan
6 Innocent Exile
7 Killers
8 Prodigal Son
9 Purgatory
10 Twilight Zone
11 Drifter
* 18h - Ultraje a Rigor - Nós Vamos Invadir Sua Praia (1985)
01. Nós Vamos Invadir sua Praia
02. Rebelde sem Causa
03. Mim quer Tocar
04. Zoraide
05. Ciúme
06. Inútil
07. Marylou
08. Jesse Go
09. Eu Me Amo
10. Se Você Sabia
11. Independente Futebol Clube
Como isso já não fosse interessante o bastante, e a programação excelente, eles ainda trazem um conceito muito atraente: alguns dos artistas vão tocar um álbum "clássico" de suas discografias inteiro, faixa a faixa. Isso tem sido feito lá fora também, de cabeça me lembro que o Lou Reed está apresentando o "Berlin" (li há um tempo no Scream & Yell) e o Sonic Youth toca o "Daydream Nation" todinho. Na Virada Cultural teremos de Luiz Melodia a Ultraje a Rigor tocando seus pimreiros álbuns, passando por alguns artistas muito mais cultuados que conhecidos. Como eu não conhecia alguns dos discos em questão, fui atrás deles na internet e, apesar de La Cumbuca não ser um blog de downloads, vou repassar aí embaixo o link para cada um deles, para quem quiser baixar e conhecer. São discos obscuros em sua maioria, que nem devem mais ser vendidos. A fonte da maioria dos links encontrados está no próprio orkut, através do sistema de buscas, mas muitos devem ter sido tirados de blogs legais, como o sombarato (que divulga um texto do show do Maquinado no Humaitá pra Peixe aqui do blog junto com um link para o show, bem legal)
Além do disco do Luiz Melodia, seu primeiro e melhor, aliás um dos melhores discos da história da música brasileira, recomendo especialmente o do Pepeu Gomes, todo instrumental. Mas a maioria tem momentos e músicas interessantes, que dá mais vontade ainda de participar dessa festa e um pouco de inveja de São Paulo também.
A programação da Virada Cultural está está aqui: http://viradacultural.org/programacao
Teatro Municipal
* 18h - Luiz Melodia – Pérola Negra (1973)
1. Estácio, eu e você
2. Vale quanto pesa
3. Estácio, Holly Estácio
4. Prá aquietar
5. Abundantemente morte
6. Pérola negra
7. Magrelinha
8. Farrapo humano
9. Objeto H
10. Forró de janeiro
* 21h - Egberto Gismonti e Naná Vasconcelos – A Dança das Cabeças (1977)
PARTE I
01 Quarto mundo + 1 (Egberto Gismonti)
02 Dança das cabeças (Egberto Gismonti)
03 Águas luminosas (D.Bressane)
04 Celebração de núpcias (Egberto Gismonti)
05 Porta encantada (Egberto Gismonti)
06 Quarto mundo + 2 (Egberto Gismonti)
PARTE II
07 Tango (Geraldo Carneiro - Egberto Gismonti)
08 Bambuzal (Egberto Gismonti)
09 Fé cega, faca amolada (Milton Nascimento - Ronaldo Bastos)
10 Dança solitária (Egberto Gismonti)
* 00h - Sá, Rodrix e Guarabyra – Passado, Presente, Futuro (1972)
1-Zepelim (Luiz Carlos Sá)
2 Ama teu vizinho (Luiz Carlos Sá - Zé Rodrix)
3 Juriti Butterfly (Luiz Carlos Sá - Guarabyra)
4 Me faça um favor (Luiz Carlos Sá - Guarabyra)
5 Boa noite (Luiz Carlos Sá - Zé Rodrix)
6 Hoje ainda é dia de rock (Zé Rodrix)
7 Primeira canção da estrada (Luiz Carlos Sá - Zé Rodrix)
8 Cumpadre meu (Guarabyra)
9 Crianças perdidas (Zé Rodrix)
10 Azular (Luiz Carlos Sá)
11 Ouvi contar (Luiz Carlos Sá - Guarabyra - Zé Rodrix)
12 Coda: Cigarro de palha (Guarabyra)
(nesse link você ainda leva de lambuja o Terra de 1973, que não está na programação)
* 03h - O Som Nosso de Cada Dia – Snegs (1973)
01. Sinal da paranóia - (Cimara - Pedrão)
02. Bicho do mato - (Gastão Lamounier Neto)
03. O som nosso de cada dia - (Paulinho - Pedrão)
04. Snegs de Biufrais - (Paulinho - Pedrão)
05. Massavilha - (Paulinho - Pedrão)
06. Direccion de Aquarius - (Paulinho - Pedrão)
07. A outra face - (Pedrão - Pedrinho)
08. O Guarany (Bônus)
* 06h - Pepeu Gomes – Geração do Som (1978)
1. Saudação Nagô (Pepeu Gomes)
2. Fissura (Pepeu Gomes)
3. Linda Cross (Pepeu Gomes)
4. Belo Horizonte (Pepeu Gomes)
5. Odette (Dunga - Herivelto Martins)
6. Toninho Cerezo (Pepeu Gomes)
7. Malacaxeta (Pepeu Gomes)
8. Alto da Silveira (Pepeu Gomes)
9. Didilhando (Didi Gomes - Pepeu Gomes)
10. Tambaú (Pepeu Gomes)
11. Buchinha (Pepeu Gomes)
12. Flamenguista (Pepeu Gomes)
* 09h - Hamilton de Holanda e Danilo Brito - Vibrações de Jacob do Bandolim (1967)
1) Vibrações (Jacob do Bandolim)
2) Receita de samba (Jacob do Bandolim)
3) Ingênuo (Pixinguinha)
4) Pérolas (Jacob do Bandolim)
5) Assim mesmo (Luiz Americano)
6) Fidalga (Ernesto Nazaré)
7) Lamento (Pixinguinha)
8) Murmurando (Fon Fon)
9) Cadência (Joventino Maciel)
10) Floraux (Ernesto Nazaré)
11) Brejeiro (Ernesto Nazaré)
12) Vésper (Ernesto Nazaré)
* 12h - Márcia, Eduardo Gudin E Paulo César Pinheiro – O Importante É que a Nossa Emoção Sobreviva (1974)
1 Veneno (Eduardo Gudin - Paulo César Pinheiro)
2 Consideração (Eduardo Gudin - Paulo César Pinheiro)
3 Tatuagem (Paulo Gesta - Guilherme de Brito - Nelson Cavaquinho)
4 Ingênuo (Benedito Lacerda - Pixinguinha)
5 Resíduo • Resíduos (Eduardo Gudin-Paulo César Pinheiro)
6 Marcha-rancho (Eduardo Gudin - Paulo César Pinheiro - Maurício Tapajós)
7 Justiça (Eduardo Gudin - Paulo César Pinheiro)
8 Velho casarão (Eduardo Gudin - Paulo César Pinheiro)
9 Refém da solidão (Baden Powell - Paulo César Pinheiro)
10 Cautela - Mordaça(Eduardo Gudin-Paulo César Pinheiro)
* 15h - Paulo Vanzolini – Onze Sambas e Uma Capoeira (1967)
01 Samba erudito (Paulo Vanzolini)
02 Amor de trapo e farrapo (Paulo Vanzolini)
03 Chorava no meio da rua (Paulo Vanzolini)
04 Juízo final (Paulo Vanzolini)
05 Ronda (Paulo Vanzolini)
06 Napoleão (Paulo Vanzolini)
07 Capoeira do Arnaldo (Paulo Vanzolini)
08 Praça Clóvis (Paulo Vanzolini)
09 Cravo branco (Paulo Vanzolini)
10 Morte e paz (Paulo Vanzolini)
11 Leilão (Paulo Vanzolini)
12 Volta por cima (Paulo Vanzolini)
Baile do Arouche
* 01h - Antonio Carlos e Jocafi - Antonio Carlos e Jocafi (1973)
01. Teimosa
02. Glorioso Santo Antônio
03. Dona Da Casa
04. Gamelera (As Moça)
05. Sanfona Véia
06. Deixe Que É Dengo Dela
07. Fraqueza
08. Te Quiero
09. Tereza Guerreira
10. Por Nossa Senhora
11. Um Abraço No Lucien Extensivo Ao Edu Lobo
12. Xamego De Iná
UPDATE: Na página da Virada Cultural agora diz que eles vão tocar o "Mudei de Idéia", de 1971, sendo que lá dizem que é de 1973. "Mudei de Idéia" é bem melhor, tomara até que seja. Em todo o caso, vai o link pra ele também: http://rapidshare.com/files/16119056/acej_mudei_de_ideia.rar.html
* 03h - Maria Alcina - Maria Alcina (1974)
1 Tome polca (Luiz Peixoto - José Maria de Abreu)
2 Beguine dodói (Aldir Blanc - João Bosco)
3 Piano alemão (Wir wir wir haben ein klavier) (Jupp Schmitz - Jonny Bartels - Vrs. Julio Nagibe)
4 Como se não tivesse acontecido nada (Ricardo Guinsburg - Miguel Paiva)
5 Foi-se o que era doce (Aldir Blanc - João Bosco)
6 Kid Cavaquinho (Aldir Blanc - João Bosco)
7 Mulher mulher (Sidney Mattos - Augusto Magalhães)
8 Amigos novos e antigos (Aldir Blanc - João Bosco)
9 O anjo do bem e do mal (Ricardo Guinsburg - Carlos Medeiros)
10 Carmila (Sidney Mattos - Augusto Magalhães)
11 Terceiro ato (Ricardo Guinsburg - Miguel Paiva)
12 Camisa 10 da Gávea (faixa bônus) (Jorge Ben)
13 Sonhar com rei da leão (faixa bônus) (Neguinho da Beija Flor)
14 Charles Jr. (faixa bônus) (Jorge Ben)
15 Fio Maravilha (faixa bônus) (Jorge Ben)
16 Fio Maravilha - Nond Vox edit (faixa bônus) (Jorge Ben)
17 Fio Maravilha - Nond Club mix (faixa bônus) (Jorge Ben)
* 09h - André Busic - Let's Get Lost de Chet Baker (1959?)
1. Moon and Sand
2. Imagination
3. You're my thrill
4. For heaven's sake
5. Every time we say goodbye
6. I don't stand a chance of a ghost with you
7. Daydream
8. Zingaro
9. Blame it on my youth
10. My one and only love
11. Everything happens to me
12. Almost blue
(não sei é esse disco que vai ser apresentado, já que existe um filme e um disco com o nome de "Let's Get Lost", e nenhum deles é de 1959. Esse disco aí de cima tem gravações de 1953 a 1956)
* 17h - Wilson Simoninha - Alegria Alegria vol.2 de Wilson Simonal (1967)
1 Sá Marina (Tibério Gaspar - Antônio Adolfo)
2 Cai cai (Roberto Martins)
3 Manias (Flávio Cavalcanti - Celso Cavalcanti)
4 Recruta biruta (Alberto Ribeiro - Antônio Almeida - Nássara)
5 Neste mesmo lugar (Armando Cavalcanti - Klécius Caldas)
6 Zazueira (Jorge Ben)
7 Não tenho lágrimas (Milton de Oliveira - Max Bulhões)
8 De como um garoto apaixonado perdoou por causa de um dos mandamentos (Nonato Buzar - Chico Anísio - Wilson Simonal)
9 Cartão de visita (Edgardo Luiz - Nilton Pereira de Castro)
10 Paraíba (Luiz Gonzaga - Humberto Teixeira)
11 Gosto tanto de você (Édson Arantes do Nascimento "Pelé")
12 Vamos simbora (Wilson Simonal)
Rock República (Praça da República)
* 01h - Paul Di'Anno - Killers (1981)
1 The Ides of March
2 Wrathchild
3 Murders in the Rue Morgue
4 Another Life
5 Genghis Khan
6 Innocent Exile
7 Killers
8 Prodigal Son
9 Purgatory
10 Twilight Zone
11 Drifter
* 18h - Ultraje a Rigor - Nós Vamos Invadir Sua Praia (1985)
01. Nós Vamos Invadir sua Praia
02. Rebelde sem Causa
03. Mim quer Tocar
04. Zoraide
05. Ciúme
06. Inútil
07. Marylou
08. Jesse Go
09. Eu Me Amo
10. Se Você Sabia
11. Independente Futebol Clube
quarta-feira, 16 de abril de 2008
Tom Zé na blogsofera
Falei sobre Tom Zé ali mais embaixo ao contar sobre o show de Vitor Araújo e lembrei que descobri outro dia, não lembro mais por qual caminho, o blog do Tom Zé - http://tomze.blog.uol.com.br/
Fala sobre Tchecov, Robert Altman, filosofia, alfineta a grife Cavalera. Divertido. Tom Zé tem uns 70 anos, não deve ser o blogueiro mais velho do Brasil, mas não deixa de ser curioso alguém que já passou por tanta coisa na carreira, esteja agora se comunicando de forma direta com os fãs, através da internet.
Fala sobre Tchecov, Robert Altman, filosofia, alfineta a grife Cavalera. Divertido. Tom Zé tem uns 70 anos, não deve ser o blogueiro mais velho do Brasil, mas não deixa de ser curioso alguém que já passou por tanta coisa na carreira, esteja agora se comunicando de forma direta com os fãs, através da internet.
segunda-feira, 14 de abril de 2008
Das Boas Idéias: Música de Bolso e La Blogotheque
Já comentamos sobre este site brevemente antes, na época do show do Arnaldo Antunes na Modern Sound. Mas é preciso dizer como é boa essa idéia de pegar um artista e colocar ele no meio da rua ou outro lugar inusitado para uma apresentação. E assim é o Música de Bolso. Bandas tocando em parque, em apartamento, dentro de um carro ou de um ônibus em movimento, dentro de uma lanchonete, do banheiro até. Mas o mais inusitado, para mim, até agora, foi Nervoso & Os Calmantes dentro de um caixa eletrônico, fazendo uma versão voz & barulhinhos com a boca da ótima "Bom Veneno".
O Música de Bolso foi inspirado no site La Blogotheque, que tem um leque mais amplo de possibilidades, mostrando exibições de artistas internacionais em Paris ou em alguns lugares dos Estados Unidos. Um dos últimos a registrar uma apresentação dessas foi o R.E.M., mas não podia deixar de mostrar essa performance do Beirut nas ruas de Paris, cantando "Nantes" e no final Zach Condon apresentando "uma música do Brasil" e alguém canta por dois segundos "Baby" de Caetano Veloso.
O Música de Bolso foi inspirado no site La Blogotheque, que tem um leque mais amplo de possibilidades, mostrando exibições de artistas internacionais em Paris ou em alguns lugares dos Estados Unidos. Um dos últimos a registrar uma apresentação dessas foi o R.E.M., mas não podia deixar de mostrar essa performance do Beirut nas ruas de Paris, cantando "Nantes" e no final Zach Condon apresentando "uma música do Brasil" e alguém canta por dois segundos "Baby" de Caetano Veloso.
quarta-feira, 2 de abril de 2008
Vitor Araújo na Modern Sound (01/04/08)
Agindo duas vezes antes de pensar

Após ser apresentado por João Augusto, presidente da DeckDisc, - gravadora que está fazendo este mês um pequeno festival com alguns de seus artistas toda terça-feira - Vitor Araújo desce as escadas da Modern Sound em direção ao piano instalado no meio do barzinho anexo à loja de CDs.
Sem dizer nada começa a mostrar sua interpretação para "T.O.C.", de Tom Zé, que também dá nome ao seu trabalho. Após tocar a segunda música, Vitor Araujo paga um microfone, se levanta e começa a mostrar a segunda parte de sua atividade artística: a de comunicador.
Assim como Tom Zé, ele vai fazendo isso a cada uma ou duas músicas apresentadas, explicando o que tocou, o que vai tocar, impressões gerais sobre arte e vida, e principalmente, tal qual Tom Zé, vai gerando frases espirituosas e boas tiradas. O melhor exemplo, que quase passa despercebido, é quando ele diz: "como eu sou músico eu muitas vezes costumo agir duas vezes antes de pensar".

Antes de tocar a música seguinte, avisa que tocou uma do Yann Tiersen, da trilha do filme Amelie Poulain ("Comptine D'un Autre Été: L'après-midi"), diz que nunca tocou para pessoas jantando e vai tentar fazer o possível para entreter-nos.
Então anuncia que vai tocar "Samba e Amor", de Chico Buarque e lembra que "são as duas coisas essenciais, tendo samba e tendo amor, vai precisar mais de quê?".
Talvez não precise, mas é muito bem vindo a intervenção de "Hit the Road Jack", sucesso na voz de Ray Charles, no meio da música. Quando vai tocar uma composição própria ("Valsa Pra Lua"), pede para que todos prestem atenção, afinal de contas, é uma música dele e todo artista gosta que prestem atenção nas próprias músicas!

A simplicidade e facilidade que ele tem em conversar e soltar tiradas assim é impressionante, ainda mais se considerarmos que ele tem 18 anos. Mesmo que ele tivesse a idade que "Valsa da Dor" tem, seria incrível. Ao apresentar esta música, de Villa-Lobos, que ele diz ser dos anos 40 (na verdade é de 1932, mas hei, ele não foi buscar ajuda do Google pra saber isso, como eu), Vitor Araújo filosofa sobre como é fantástico em uma música tão antiga nós ainda possamos perceber, hoje, a dor que Villa-Lobos queria transmitir.
É um pouco difícil perceber a dor enquanto ainda há um certo fascínio pela forma pouco usual que Vitor apresenta as músicas. Há um certo ritmo na forma que ele toca, um grande sentido de pop e ao mesmo tempo de experimentalismo na escolha de seu repertório.
Apesar de boa parte do bom número de pessoas presentes prestar atenção, havia também alguns realmente mais preocupados em jantar, beber e conversar, o que geralmente é um tanto quanto irritante.
Mas algo dito por Vitor Araújo logo na primeira vez no microfone mudou esse panorama. Ele achava que ia ser interessante que as vozes e os talheres fossem também considerados como parte da apresentação, como fundo musical, afinal de contas tudo é música.
Vendo por esse prisma, tivemos bons acompanhamentos, entre risadas, estalos de beijos e celulares. Inclusive quando um celular deu um toque, Vitor correu rapidamente ao piano e fez as mesmas três notas do toque ("ah, esse é fácil, o compositor não foi muito inspirado", brinca).

Contando sobre o show, até agora, não seria fácil dizer que Vitor Araújo é de Pernambuco, mas quem esteve lá e ouviu ele dizendo "oxente", "Rafael (Ramos, filho de João Augusto e produtor de discos) cabra safado" e "como essa é a última música eu deixo um chêro pra vocês" não teria muitas dúvidas de suas origens nordestinas.
Antes de tocar "Paranoid Android", pede que se alguém quiser pode puxar uma cadeira para ficar mais perto e, logo após uma hesitação inicial, algumas mulheres se "aprochegam".
Aí ele diz que foi chamar justamente na hora que ia tocar uma "porrada". Fala também que o que mais ouviu na vida foi Chico Buarque e Radiohead. Explica que dividiu a música em quatro andamentos que eu, leigo completo em música erudita, não tenho coragem de aqui transcrevê-los.
Sua versão para a canção de Thom Yorke é muito boa, especialmente para quem conhece a versão original, aqui - eu não estava querendo usar essa palavra - desconstruídas em uma mistura de livres improvisações de jazz com um rigor nada rigoroso de música clássica.
Em todas as músicas Vitor Araújo mexe constantemente o corpo como embalado pela viagem produzida por suas próprias mãos. Em "Paranoid Android" ele chega imitar a forma que Thom Yorke canta, balançando a cabeça de um lado para o outro compulsivamente.

Para encerrar, toca algo que seria óbvio demais para um artista nordestino, não fosse sua interpretação totalmente original e sua explicação sobre a beleza da suposta simplicidade de "Asa Branca".
"Desafio qualquer um de vocês a fazer uma música tão genial quanto 'Asa Branca' com apenas 5 notas, como Luiz Gonzaga fez", disse um pouco depois de ter falado que nem tudo que é complexo é bonito.
Ele começa atacando as cordas do piano com as mãos para depois se sentar e ir brincando em cima das tais 5 notas. As pausas e o jeito que ele deixa algumas notas reverberando são ótimas, não parecem que foram sequer pensadas. Ele realmente parece agir duas vezes.
Quem fez a besteira de perdê-lo ontem e estiver desocupado, ele participa do programa "Sem Censura" na TV Brasil (antiga TVE) agora, às 16 horas. Mesmo que não tenha piano lá vale a pena ouvir o que ele tem a dizer.
(assim como os ruídos da platéia fizeram parte da música, nada mais justo que suas cabeças façam parte das fotos)

Após ser apresentado por João Augusto, presidente da DeckDisc, - gravadora que está fazendo este mês um pequeno festival com alguns de seus artistas toda terça-feira - Vitor Araújo desce as escadas da Modern Sound em direção ao piano instalado no meio do barzinho anexo à loja de CDs.
Sem dizer nada começa a mostrar sua interpretação para "T.O.C.", de Tom Zé, que também dá nome ao seu trabalho. Após tocar a segunda música, Vitor Araujo paga um microfone, se levanta e começa a mostrar a segunda parte de sua atividade artística: a de comunicador.
Assim como Tom Zé, ele vai fazendo isso a cada uma ou duas músicas apresentadas, explicando o que tocou, o que vai tocar, impressões gerais sobre arte e vida, e principalmente, tal qual Tom Zé, vai gerando frases espirituosas e boas tiradas. O melhor exemplo, que quase passa despercebido, é quando ele diz: "como eu sou músico eu muitas vezes costumo agir duas vezes antes de pensar".

Antes de tocar a música seguinte, avisa que tocou uma do Yann Tiersen, da trilha do filme Amelie Poulain ("Comptine D'un Autre Été: L'après-midi"), diz que nunca tocou para pessoas jantando e vai tentar fazer o possível para entreter-nos.
Então anuncia que vai tocar "Samba e Amor", de Chico Buarque e lembra que "são as duas coisas essenciais, tendo samba e tendo amor, vai precisar mais de quê?".
Talvez não precise, mas é muito bem vindo a intervenção de "Hit the Road Jack", sucesso na voz de Ray Charles, no meio da música. Quando vai tocar uma composição própria ("Valsa Pra Lua"), pede para que todos prestem atenção, afinal de contas, é uma música dele e todo artista gosta que prestem atenção nas próprias músicas!

A simplicidade e facilidade que ele tem em conversar e soltar tiradas assim é impressionante, ainda mais se considerarmos que ele tem 18 anos. Mesmo que ele tivesse a idade que "Valsa da Dor" tem, seria incrível. Ao apresentar esta música, de Villa-Lobos, que ele diz ser dos anos 40 (na verdade é de 1932, mas hei, ele não foi buscar ajuda do Google pra saber isso, como eu), Vitor Araújo filosofa sobre como é fantástico em uma música tão antiga nós ainda possamos perceber, hoje, a dor que Villa-Lobos queria transmitir.
É um pouco difícil perceber a dor enquanto ainda há um certo fascínio pela forma pouco usual que Vitor apresenta as músicas. Há um certo ritmo na forma que ele toca, um grande sentido de pop e ao mesmo tempo de experimentalismo na escolha de seu repertório.
Apesar de boa parte do bom número de pessoas presentes prestar atenção, havia também alguns realmente mais preocupados em jantar, beber e conversar, o que geralmente é um tanto quanto irritante.
Mas algo dito por Vitor Araújo logo na primeira vez no microfone mudou esse panorama. Ele achava que ia ser interessante que as vozes e os talheres fossem também considerados como parte da apresentação, como fundo musical, afinal de contas tudo é música.
Vendo por esse prisma, tivemos bons acompanhamentos, entre risadas, estalos de beijos e celulares. Inclusive quando um celular deu um toque, Vitor correu rapidamente ao piano e fez as mesmas três notas do toque ("ah, esse é fácil, o compositor não foi muito inspirado", brinca).

Contando sobre o show, até agora, não seria fácil dizer que Vitor Araújo é de Pernambuco, mas quem esteve lá e ouviu ele dizendo "oxente", "Rafael (Ramos, filho de João Augusto e produtor de discos) cabra safado" e "como essa é a última música eu deixo um chêro pra vocês" não teria muitas dúvidas de suas origens nordestinas.
Antes de tocar "Paranoid Android", pede que se alguém quiser pode puxar uma cadeira para ficar mais perto e, logo após uma hesitação inicial, algumas mulheres se "aprochegam".
Aí ele diz que foi chamar justamente na hora que ia tocar uma "porrada". Fala também que o que mais ouviu na vida foi Chico Buarque e Radiohead. Explica que dividiu a música em quatro andamentos que eu, leigo completo em música erudita, não tenho coragem de aqui transcrevê-los.
Sua versão para a canção de Thom Yorke é muito boa, especialmente para quem conhece a versão original, aqui - eu não estava querendo usar essa palavra - desconstruídas em uma mistura de livres improvisações de jazz com um rigor nada rigoroso de música clássica.
Em todas as músicas Vitor Araújo mexe constantemente o corpo como embalado pela viagem produzida por suas próprias mãos. Em "Paranoid Android" ele chega imitar a forma que Thom Yorke canta, balançando a cabeça de um lado para o outro compulsivamente.

Para encerrar, toca algo que seria óbvio demais para um artista nordestino, não fosse sua interpretação totalmente original e sua explicação sobre a beleza da suposta simplicidade de "Asa Branca".
"Desafio qualquer um de vocês a fazer uma música tão genial quanto 'Asa Branca' com apenas 5 notas, como Luiz Gonzaga fez", disse um pouco depois de ter falado que nem tudo que é complexo é bonito.
Ele começa atacando as cordas do piano com as mãos para depois se sentar e ir brincando em cima das tais 5 notas. As pausas e o jeito que ele deixa algumas notas reverberando são ótimas, não parecem que foram sequer pensadas. Ele realmente parece agir duas vezes.
Quem fez a besteira de perdê-lo ontem e estiver desocupado, ele participa do programa "Sem Censura" na TV Brasil (antiga TVE) agora, às 16 horas. Mesmo que não tenha piano lá vale a pena ouvir o que ele tem a dizer.
(assim como os ruídos da platéia fizeram parte da música, nada mais justo que suas cabeças façam parte das fotos)
terça-feira, 25 de março de 2008
Hey Universal, vai comer chuchu!

foto www.desenbloge.com
Acho que não há um ser que não veja capacidade que o 50 cent tem de escrever belas canções, e a Universal sabe disso e sempre deixa o artista falar o que bem entende, pois é tudo lindo.
Agora quando os animais do Be Your Own Pet resolveram tocar na ferida da violência... O que aconteceu?
Os artistas mais independentes merecem mais respeito, afinal uma boa parte do público deles ainda compram Cds, e nenhum artista gosta de ver seu trabalho picotado por ai, duvido que alguem que goste comprar cds irá ficar feliz por ter um trabalho incompleto ali.
Belo modo de incentivar a venda de Cds, parabéns! Continue assim!
Obs: Aonde o disco for lançado pela XL Records o disco virá inteiro
domingo, 23 de março de 2008
Fotolog La Cumbuca
Às vezes falta tempo de escrever um texto decente para o blog (o que não tá faltando é assunto). Então a melhor solução tem sido postar fotos de alguns shows bacanas que tem acontecido, no fotolog La Cumbuca.
O endereço é http://www.fotolog.com/lacumbuca
Sempre acompanhado de curtas impressões sobre o show. Ou não.

(Quito Ribeiro no show do Humaitá pra Peixe)
O endereço é http://www.fotolog.com/lacumbuca
Sempre acompanhado de curtas impressões sobre o show. Ou não.

(Quito Ribeiro no show do Humaitá pra Peixe)
quinta-feira, 20 de março de 2008
Jack White e a industria fonográfica

O garoto que agitava a cena de Detroit, seja pelas brigas com o pessoal do Von Bondies ou por seus infinitos projetos, hoje é do mundo. John Anthony Gillis, mais conhecido como Jack White, vem fazendo historia e é com certeza um dos musicos mais importantes da sua geração.
O menino que quase virou um padre e teve como seu principal mentor um vizinho hoje comanda o duo White Stripes com a 'cool' Meg White, se arrisca numa carreira solo que rendeu algumas faixas na trilha do filme Cold Mountain, além do Racounteurs.
Esse Jack White é o mesmo que se deu o trabalho de ligar para uma radio só para trocar um dedo de prosa com uma DJ que decidiu passar o ultimo disco do White Stripes antes de ser lançado e vazar por ai, acusando ela de 'estragar tudo'. Hoje isso está explicado.
Ele queria que tudo aparecesse ao mesmo tempo, nada de exclusivas para a midia, "We wanted to get this record to fans, the press, radio, etc., all at the EXACT SAME TIME so that no one has an upper hand on anyone else regarding it's availability, reception or perception"¹. Fato é que pouca gente sabe que o novo álbum do Racounteurs vai ser lançado dia 25 agora.
Com a internet isso fica difícil, mas eu curto essa iniciativa de tirar os privilégios dos críticos que recebem o disco antes de todo mundo, podendo liberar para os fãs.
E isso também me fez lembrar algo que foi dito por um executivo da Universal(?): Pagar uma grana preta para poder escutar o disco antes do lançamento (essa foi a solução dele para arrecadar mais grana para as indústrias, nem sei se isso entrou em ação...). E ainda vem aquela historia do Radiohead, que liberou pros fãs o disco antes... E agora o Muse falando que talvez nunca mais lance algum disco, e sim músicas em seu site.
Viva! A indústria fonográfica está em crise!
Façam suas apostas senhoras e senhores
____________
¹ Is Jack White trying to kill music journalism?
segunda-feira, 17 de março de 2008
Jane Birkin - 13/03/08
"Chovia muito naquela quinta-feira..."
Seria bom não ter que começar mais um texto sobre um show falando sobre o tempo, mas é difícil não lembrar da tempestade que caía no Rio de Janeiro. Na praia de botafogo era impossível ver alguma coisa através da janela do ônibus. A passagem subterrânea que levava até o Canecão estava com várias poças d'água suja do esgoto, como é de praxe com qualquer chuva em vários pontos no Rio de Janeiro, que dirá com a chuva forte que desabava.
Chegando no Canecão a situação parecia desoladora. A casa vazia, especialmente nos lugares mais caros, onde no máximo uma dúzia de mesas eram ocupadas, enquanto que os lugares mais, hm, populares tinham metade das cadeiras ocupadas. O mais provável é que, mesmo que estivesse fazendo sol às 9:30 da noite a situação não seria tão diferente, mas com certeza muitos desanimaram em se aventurar pelas ruas caóticas e alagadas para presenciar o show da diva Jane Birkin.
A solução da produção foi liberar as mesas para as pessoas que estavam nos lugares mais distantes, o que acabou deixando-as quase que totalmente ocupadas, pelo menos ali na frente do palco, criando um ambiente intimista, o que nem é tão próprio do tamanho do Canecão.
Com o público devidamente rearranjado, entram os músicos. Primeiro Frederick Jacquemin se encaminha para a bateria, para acompanhar a programação eletrônica que inicia quando ele se senta atrás do bumbo. Logo depois ele deixa as discretas batidas cool jazz pré-programadas e passa a tocar uma espécie de mini-xilofone. Enquanto isso entram Christophe Cravero, tocando um belo piano de cauda que ficava à esquerda no palco, e Thomas Coeuriot, com cabelos a la Wolverine, no teclado.

Eles fazem a trilha para a entrada de Jane Birkin. Assim como Bob Dylan, que esteve por esses dias aqui, só a presença dela é algo impactante. Afinal, é uma artista com história, estamos diante de alguém que viveu muita coisa antes de cantar em Botafogo as canções que se seguiriam.
Atriz que participou de um momento histórico do cinema (primeiro nu frontal num filme, Blow Up), mulher, parceira, inspiração e voz de Serge Gainsbourg, mãe da também cantora-atriz Charlotte Gainsbourg, musa de muitos artistas novos... Tudo isso está ali, em cima do palco. Mas há muito mais. Há uma beleza especial, mesmo estando ela em trajes completamente informais: uma calça cargo, verde bem escuro, com compridas e finas fitinhas de cores verde e roxa saindo da altura do bolso e um pullover preto, com uma blusa cinza por baixo.
Ela se dirige ao microfone caminhando levemente, como se estivesse ali por acaso e começa a cantar "My Secret", escrita por Beth Gibbons (Portishead). Sua voz é doce e ao mesmo tempo áspera, porém toda a casualidade e simplicidade que ela exala não conseguem se impor diante da hipnose produzida pela música e pelo seu canto. A canção é triste e dolorida, e ao mesmo tempo leve, quase etérea.

Nos números seguintes vamos aprendendo que aquele trio de músicos tinha algo de especial: cada um se dedicava a, no mínimo, três instrumentos diferentes. E em todos executados de forma magistral. O jovem pianista Christophe vai para a frente e pega um violino, Thomas "Wolverine" ruma para a direita do palco e passa a comandar cordas, começando com violão e depois indo para o bandolim e até para uma mini-harpa. Já Frederick Jacquemin segura um baixo enquanto pisa o pedal do prato de contra-tempo da bateria. Uma excelente banda, econômica e precisa, com belos arranjos que estão tão bons ou até melhores do que nos discos.
Jane Birkin canta com um sorriso largo e os olhos dela se fecham e desaparecem quando ela sorri. Ela desce ao público em "Sans Toi" e vai cantando enquanto passa por entre as mesas, circundando as mesas ocupadas, para a alegria dos presentes, fazendo a volta completa até se sentar na borda do palco, criando o tal ambiente intimista dito mais acima.
Entre as músicas, Jane conversa bastante, o que ajuda no momento em que os músicos estão trocando de insturmentos - e isso acontece durante todo o repertório. Pergunta se gostaríamos que ela falasse em inglês ou em francês e uma maioria ruidosa pede que seja em francês. Felizmente ela tenta falar sempre nas duas línguas.

Em uma das vezes onde o francês predominou, era possível entender quando ela disse Magic Numbers, e então ela canta uma música que a banda dos gordinhos fizeram para ela, "Steal Me a Dream". Jane Birkin fica praticamente imóvel, com os braços pra baixo, junto ao corpo, mostrando as palmas da mão. Não dava para desvencilhar do olhar dela, sofrido, contido, assim como sua voz, e logo seu sorriso novamente se abre, como se ela estivesse querendo traduzir em expressões o sentimento da música.
A partir mais ou menos da sexta música, Jane começa a falar de Serge Gainsbourg, e não pararia mais até o final. Ela age como uma embaixadora e porta-voz da chanson de Gainsbourg. Se derrete ao dizer que ele é o maior poeta que a França já teve. Conta que quando esteve na República Tcheca, para explicar a importância de Serge Gainsbourg, disse que, assim como existe antes e depois de Kafka, na França existe o antes e o depois de Serge Gainsbourg.
E assim ela segue a parte storytellers do espetáculo, onde ela explica canções de Serge como "Le Moi et Le Je" e conta que não sabia antes como pronunciava "Laetitia", a canção seguinte. Após "Laetitia", dois dos músicos saem de cena, ficando somente Christophe ao piano. Jane Birkin começa a declamar o poema Image Fantôme, de Hervé Guibert, interpretando-o, com expressões doloridas. Na música seguinte voltam os músicos multitarefas.
Frederic Jacquemin segura cada nota do baixo por um longo tempo, fazendo-o reverberar por todo o salão, preenchendo o silêncio, enquanto a mini-harpa e o piano funcionam como um realejo. A voz de Jane Birkin está magnífica, no seu ápice naquela noite, emocionante.

Chega a hora dela voltar a relaxar, ao anunciar que vai cantar Leãozinho, de Caetano Veloso. Ela explica que como não sabe falar português, teve que aprender a cantá-la através dos fonemas das palavras. Segura algumas folhas de papel para auxiliá-la e canta de forma um tanto quanto desastrada e adorável. Mas logo ela muda o tom, passa para a contestação, ao lembrar dos problemas que ocorrem na Birmânia (hoje Myanmar), em especial na prisão da ativista e líder da oposição Aung San Suu Kyi, há mais de 15 anos em prisão domiciliar em seu próprio país.
Jane Birkin diz que não podemos nos esquecer, que nós não temos idéia do que acontece por lá. Suas mãos chegam a tremer, e ela se entrega à canção feita por ela, com o nome da líder oposicionista. Ela continua segurando os papéis e lê alguns trechos, como se fossem declarações de manifestos.

Da indignação para a tristeza, com mais uma música escrita por Beth Gibbons, "Strange Melody", cortante em versos como "No one else can hear / No one else can save her now". Em "Je M'apelle Jane" surge uma voz do meio da platéia. Era um rapaz de nome Christophe fazendo dueto com Jane, no lugar que, no disco "Rendez-Vous" pertence a Mickey do grupo francês Mickey 3D, com a diferença que o cantor que estava no Canecão era bem menos soturno que os vocais graves registrados por Mickey 3D.
Não demora muito para Jane Birkin voltar a falar de Serge Gainsbourg e de sua importância e ilustrar isso com "La ballade de Johny Jane". "C'est Comme Ça" é cantada novamente só com o piano acompanhando. Mas a melhor música vem numa cover de Tom Waits, a linda, linda, linda "Alice", que fica exponencialmente melhor nos arranjos e na voz de Jane.
O sorriso volta ao rosto dela ao explicar a genialidade de mais uma letra de Serge, onde "ele diz que veio para dizer que se vai" e canta "Je Suis Venu Te Dire Que Je N'en Vais". "Ex-fan des Sixties" é um divertido index de nomes de alguns astros de rock dos anos 50 e 60. E do T. Rex.

Na volta para o bis Jane Birkin se despede nos deixando na memória "Manon" e fechando com "L'aquoboniste". Os aplausos não paravam, assim como a chuva lá fora, que já não castigava mais. Fazia todo sentido do mundo sorrir entre os longos espaços sem marquises; as gotas haviam virado conforto na alma.
Seria bom não ter que começar mais um texto sobre um show falando sobre o tempo, mas é difícil não lembrar da tempestade que caía no Rio de Janeiro. Na praia de botafogo era impossível ver alguma coisa através da janela do ônibus. A passagem subterrânea que levava até o Canecão estava com várias poças d'água suja do esgoto, como é de praxe com qualquer chuva em vários pontos no Rio de Janeiro, que dirá com a chuva forte que desabava.
Chegando no Canecão a situação parecia desoladora. A casa vazia, especialmente nos lugares mais caros, onde no máximo uma dúzia de mesas eram ocupadas, enquanto que os lugares mais, hm, populares tinham metade das cadeiras ocupadas. O mais provável é que, mesmo que estivesse fazendo sol às 9:30 da noite a situação não seria tão diferente, mas com certeza muitos desanimaram em se aventurar pelas ruas caóticas e alagadas para presenciar o show da diva Jane Birkin.
A solução da produção foi liberar as mesas para as pessoas que estavam nos lugares mais distantes, o que acabou deixando-as quase que totalmente ocupadas, pelo menos ali na frente do palco, criando um ambiente intimista, o que nem é tão próprio do tamanho do Canecão.
Com o público devidamente rearranjado, entram os músicos. Primeiro Frederick Jacquemin se encaminha para a bateria, para acompanhar a programação eletrônica que inicia quando ele se senta atrás do bumbo. Logo depois ele deixa as discretas batidas cool jazz pré-programadas e passa a tocar uma espécie de mini-xilofone. Enquanto isso entram Christophe Cravero, tocando um belo piano de cauda que ficava à esquerda no palco, e Thomas Coeuriot, com cabelos a la Wolverine, no teclado.

Eles fazem a trilha para a entrada de Jane Birkin. Assim como Bob Dylan, que esteve por esses dias aqui, só a presença dela é algo impactante. Afinal, é uma artista com história, estamos diante de alguém que viveu muita coisa antes de cantar em Botafogo as canções que se seguiriam.
Atriz que participou de um momento histórico do cinema (primeiro nu frontal num filme, Blow Up), mulher, parceira, inspiração e voz de Serge Gainsbourg, mãe da também cantora-atriz Charlotte Gainsbourg, musa de muitos artistas novos... Tudo isso está ali, em cima do palco. Mas há muito mais. Há uma beleza especial, mesmo estando ela em trajes completamente informais: uma calça cargo, verde bem escuro, com compridas e finas fitinhas de cores verde e roxa saindo da altura do bolso e um pullover preto, com uma blusa cinza por baixo.
Ela se dirige ao microfone caminhando levemente, como se estivesse ali por acaso e começa a cantar "My Secret", escrita por Beth Gibbons (Portishead). Sua voz é doce e ao mesmo tempo áspera, porém toda a casualidade e simplicidade que ela exala não conseguem se impor diante da hipnose produzida pela música e pelo seu canto. A canção é triste e dolorida, e ao mesmo tempo leve, quase etérea.

Nos números seguintes vamos aprendendo que aquele trio de músicos tinha algo de especial: cada um se dedicava a, no mínimo, três instrumentos diferentes. E em todos executados de forma magistral. O jovem pianista Christophe vai para a frente e pega um violino, Thomas "Wolverine" ruma para a direita do palco e passa a comandar cordas, começando com violão e depois indo para o bandolim e até para uma mini-harpa. Já Frederick Jacquemin segura um baixo enquanto pisa o pedal do prato de contra-tempo da bateria. Uma excelente banda, econômica e precisa, com belos arranjos que estão tão bons ou até melhores do que nos discos.
Jane Birkin canta com um sorriso largo e os olhos dela se fecham e desaparecem quando ela sorri. Ela desce ao público em "Sans Toi" e vai cantando enquanto passa por entre as mesas, circundando as mesas ocupadas, para a alegria dos presentes, fazendo a volta completa até se sentar na borda do palco, criando o tal ambiente intimista dito mais acima.
Entre as músicas, Jane conversa bastante, o que ajuda no momento em que os músicos estão trocando de insturmentos - e isso acontece durante todo o repertório. Pergunta se gostaríamos que ela falasse em inglês ou em francês e uma maioria ruidosa pede que seja em francês. Felizmente ela tenta falar sempre nas duas línguas.

Em uma das vezes onde o francês predominou, era possível entender quando ela disse Magic Numbers, e então ela canta uma música que a banda dos gordinhos fizeram para ela, "Steal Me a Dream". Jane Birkin fica praticamente imóvel, com os braços pra baixo, junto ao corpo, mostrando as palmas da mão. Não dava para desvencilhar do olhar dela, sofrido, contido, assim como sua voz, e logo seu sorriso novamente se abre, como se ela estivesse querendo traduzir em expressões o sentimento da música.
A partir mais ou menos da sexta música, Jane começa a falar de Serge Gainsbourg, e não pararia mais até o final. Ela age como uma embaixadora e porta-voz da chanson de Gainsbourg. Se derrete ao dizer que ele é o maior poeta que a França já teve. Conta que quando esteve na República Tcheca, para explicar a importância de Serge Gainsbourg, disse que, assim como existe antes e depois de Kafka, na França existe o antes e o depois de Serge Gainsbourg.
E assim ela segue a parte storytellers do espetáculo, onde ela explica canções de Serge como "Le Moi et Le Je" e conta que não sabia antes como pronunciava "Laetitia", a canção seguinte. Após "Laetitia", dois dos músicos saem de cena, ficando somente Christophe ao piano. Jane Birkin começa a declamar o poema Image Fantôme, de Hervé Guibert, interpretando-o, com expressões doloridas. Na música seguinte voltam os músicos multitarefas.
Frederic Jacquemin segura cada nota do baixo por um longo tempo, fazendo-o reverberar por todo o salão, preenchendo o silêncio, enquanto a mini-harpa e o piano funcionam como um realejo. A voz de Jane Birkin está magnífica, no seu ápice naquela noite, emocionante.

Chega a hora dela voltar a relaxar, ao anunciar que vai cantar Leãozinho, de Caetano Veloso. Ela explica que como não sabe falar português, teve que aprender a cantá-la através dos fonemas das palavras. Segura algumas folhas de papel para auxiliá-la e canta de forma um tanto quanto desastrada e adorável. Mas logo ela muda o tom, passa para a contestação, ao lembrar dos problemas que ocorrem na Birmânia (hoje Myanmar), em especial na prisão da ativista e líder da oposição Aung San Suu Kyi, há mais de 15 anos em prisão domiciliar em seu próprio país.
Jane Birkin diz que não podemos nos esquecer, que nós não temos idéia do que acontece por lá. Suas mãos chegam a tremer, e ela se entrega à canção feita por ela, com o nome da líder oposicionista. Ela continua segurando os papéis e lê alguns trechos, como se fossem declarações de manifestos.

Da indignação para a tristeza, com mais uma música escrita por Beth Gibbons, "Strange Melody", cortante em versos como "No one else can hear / No one else can save her now". Em "Je M'apelle Jane" surge uma voz do meio da platéia. Era um rapaz de nome Christophe fazendo dueto com Jane, no lugar que, no disco "Rendez-Vous" pertence a Mickey do grupo francês Mickey 3D, com a diferença que o cantor que estava no Canecão era bem menos soturno que os vocais graves registrados por Mickey 3D.
Não demora muito para Jane Birkin voltar a falar de Serge Gainsbourg e de sua importância e ilustrar isso com "La ballade de Johny Jane". "C'est Comme Ça" é cantada novamente só com o piano acompanhando. Mas a melhor música vem numa cover de Tom Waits, a linda, linda, linda "Alice", que fica exponencialmente melhor nos arranjos e na voz de Jane.
O sorriso volta ao rosto dela ao explicar a genialidade de mais uma letra de Serge, onde "ele diz que veio para dizer que se vai" e canta "Je Suis Venu Te Dire Que Je N'en Vais". "Ex-fan des Sixties" é um divertido index de nomes de alguns astros de rock dos anos 50 e 60. E do T. Rex.

Na volta para o bis Jane Birkin se despede nos deixando na memória "Manon" e fechando com "L'aquoboniste". Os aplausos não paravam, assim como a chuva lá fora, que já não castigava mais. Fazia todo sentido do mundo sorrir entre os longos espaços sem marquises; as gotas haviam virado conforto na alma.
domingo, 9 de março de 2008
Bob Dylan e o público indomável
Antes de mais nada: eu não fui no show do Bob Dylan e não me arrependo, apesar de achar Blonde on Blonde e Blood On The Tracks discos clássicos que dão gosto de ouvir sempre.
Achei o mais recente, Modern Times, excelente e os dois anteriores também muito bons, em especial uma música do Time Out Of Mind me emociona, chamada "Highlands". Ela tem mais de 15 minutos e letra quilométrica. Em uma certa noite, há alguns anos atrás, Marcelo Nova (Camisa de Venus), grande fã de Bob Dylan, tinha um programa de rádio e ele resolveu tocar essa música.
Como a cada frase cantada (ou declamada) havia um bom espaço de tempo, ele foi fazendo uma tradução simultânea da canção. Foi algo inacreditável, ouvir aquela deliciosa história sem fim, daquela forma, e é o primeiro pensamento positivo que me recordo ter sobre Dylan.
Ontem à noite, lendo a comunidade do orkut mais populosa dedicada a Bob Dylan, achei graça de um rapaz que achava errado o cantor não conversar com o público (!). Ele completava o raciocínio dizendo o seguinte: "Todo artista que se preze deve bater um papo com o publico."
Atenção, artistas agora possuem REGRAS de como se portar em um show! Uau!
Mas, falando um pouco sério, a visão do rapaz não é exceção. Muitas pessoas esperam que o seu artista preferido aja da forma como eles acham que ele deve agir, da forma como é comum ver artistas pop agindo. Com simpatia, humildade e alegria. E essa nunca foi, pelo menos nos últimos 40 anos, a onda de Bob Dylan.
Talvez não seja o pioneiro, mas Dylan é certamente um dos mais importantes artistas populares a transgredir essa lógica do que se espera de um artista popular, nem sempre para alegria de todos.
Num primeiro momento pode-se justificar esse comportamento argumentando que a arte foi feita para transgredir. Poderíamos pensar também que nem toda arte transgride, às vezes ela busca simplesmente a conformação.
Mas não haveria, numa conformação, num artista que fizesse a mesma coisa por 40 anos, justamente a transgressão do que se espera de um artista que busque sempre inovar e siga como uma pedra rolando, garganta estropiada abaixo?
Aí é que tá: quem define isso é VOCÊ. Bob Dylan não foi o primeiro, mas com ele podemos observar que não existe certo e errado para arte. As pessoas têm a tendência de adotar "movimentos de manada" com a lógica "se eu gostei, logo todos gostam e quem não gosta é uma besta".
Isso já seria errado com qualquer artista, mas há 40 anos, mais do que muitos outros, Bob Dylan gera paixões, ódios, decepções e surpresas. Ele não vai trocar o folk pelo rock ou pelo country porque você quer, ele não vai conversar com o público porque você quer, ele não vai não vai cantar "aquela" porque você quer.
E nem porque você não quer! Hoje em dia temos um pouco mais de artistas que não fazem concessões ao público. Mas igual Bob Dylan, capaz de manter a fé em tantos por tantos anos de que ele vai tocar do jeito que eles querem, ou mesmo de manter a fé em tantos de que vai ser bom mesmo que ele escarre palavras desconexas em melodias conhecidas, ainda não existe.
Então não adianta julgar quem venera cegamente ou se decepciona facilmente com o artista: o mais provável é que todos estejam certos. E errados.
Claro que com os preços abusivos dos ingressos para os shows no Brasil fica um pouco mais difícil ter opção de entrar ou não nessa brincadeira. Bob Dylan pode até valer mais, mas nem todo fã tem mais, ou até menos, para fazer seu auto-de-fé. No final das contas também estamos decidindo o quanto vale a arte.
De modo ilustrativo, seguem vídeos retirados do youtube. Os dois primeiros são "Blowin' in the Wind", começando ontem no Rio de Janeiro e chegando a 1971, no Concerto Para Bangladesh.
E, por último, a versão bastante fiel à original de "Tangled Up in Blue", em São Paulo, que se tivesse sido tocada no Rio talvez tivesse feito eu me arrepender de não ter ido:
Achei o mais recente, Modern Times, excelente e os dois anteriores também muito bons, em especial uma música do Time Out Of Mind me emociona, chamada "Highlands". Ela tem mais de 15 minutos e letra quilométrica. Em uma certa noite, há alguns anos atrás, Marcelo Nova (Camisa de Venus), grande fã de Bob Dylan, tinha um programa de rádio e ele resolveu tocar essa música.
Como a cada frase cantada (ou declamada) havia um bom espaço de tempo, ele foi fazendo uma tradução simultânea da canção. Foi algo inacreditável, ouvir aquela deliciosa história sem fim, daquela forma, e é o primeiro pensamento positivo que me recordo ter sobre Dylan.
Ontem à noite, lendo a comunidade do orkut mais populosa dedicada a Bob Dylan, achei graça de um rapaz que achava errado o cantor não conversar com o público (!). Ele completava o raciocínio dizendo o seguinte: "Todo artista que se preze deve bater um papo com o publico."
Atenção, artistas agora possuem REGRAS de como se portar em um show! Uau!
Mas, falando um pouco sério, a visão do rapaz não é exceção. Muitas pessoas esperam que o seu artista preferido aja da forma como eles acham que ele deve agir, da forma como é comum ver artistas pop agindo. Com simpatia, humildade e alegria. E essa nunca foi, pelo menos nos últimos 40 anos, a onda de Bob Dylan.
Talvez não seja o pioneiro, mas Dylan é certamente um dos mais importantes artistas populares a transgredir essa lógica do que se espera de um artista popular, nem sempre para alegria de todos.
Num primeiro momento pode-se justificar esse comportamento argumentando que a arte foi feita para transgredir. Poderíamos pensar também que nem toda arte transgride, às vezes ela busca simplesmente a conformação.
Mas não haveria, numa conformação, num artista que fizesse a mesma coisa por 40 anos, justamente a transgressão do que se espera de um artista que busque sempre inovar e siga como uma pedra rolando, garganta estropiada abaixo?
Aí é que tá: quem define isso é VOCÊ. Bob Dylan não foi o primeiro, mas com ele podemos observar que não existe certo e errado para arte. As pessoas têm a tendência de adotar "movimentos de manada" com a lógica "se eu gostei, logo todos gostam e quem não gosta é uma besta".
Isso já seria errado com qualquer artista, mas há 40 anos, mais do que muitos outros, Bob Dylan gera paixões, ódios, decepções e surpresas. Ele não vai trocar o folk pelo rock ou pelo country porque você quer, ele não vai conversar com o público porque você quer, ele não vai não vai cantar "aquela" porque você quer.
E nem porque você não quer! Hoje em dia temos um pouco mais de artistas que não fazem concessões ao público. Mas igual Bob Dylan, capaz de manter a fé em tantos por tantos anos de que ele vai tocar do jeito que eles querem, ou mesmo de manter a fé em tantos de que vai ser bom mesmo que ele escarre palavras desconexas em melodias conhecidas, ainda não existe.
Então não adianta julgar quem venera cegamente ou se decepciona facilmente com o artista: o mais provável é que todos estejam certos. E errados.
Claro que com os preços abusivos dos ingressos para os shows no Brasil fica um pouco mais difícil ter opção de entrar ou não nessa brincadeira. Bob Dylan pode até valer mais, mas nem todo fã tem mais, ou até menos, para fazer seu auto-de-fé. No final das contas também estamos decidindo o quanto vale a arte.
De modo ilustrativo, seguem vídeos retirados do youtube. Os dois primeiros são "Blowin' in the Wind", começando ontem no Rio de Janeiro e chegando a 1971, no Concerto Para Bangladesh.
E, por último, a versão bastante fiel à original de "Tangled Up in Blue", em São Paulo, que se tivesse sido tocada no Rio talvez tivesse feito eu me arrepender de não ter ido:
sexta-feira, 7 de março de 2008
Die Apokalyptischen Reiter (parte II)
[Parte I]
Os Cavaleiros do Apocalipse estão de volta na segunda parte da matéria. Em 1999, pouco depois do Allegro Barbaro ser lançado, ocorrem duas mudanças importantes: a saída da Ars Metalli (minúsculo selo underground) e entrada na Hammerheart (selo de médio porte); e o baterista Skelleton deixa a banda, sendo substituído por Sir G (difícil dizer qual deles é mais incrível, mas é inegável que Sir G é muito mais versátil e se encaixa melhor no caminho que eles trilhariam daí em diante).

Em 2000 eles lançam o terceiro disco, All you need is love. Depois de se perguntar o que o nome de uma singela música dos Beatles faz em uma típica capa de um disco de metal, você lembra que trata-se de uma banda completamente atípica, para quem estranheza e contradição são ossos do ofício. Esse é o disco mais sombrio, sinistro e melancólico de todos, com um toque de piano clássico, além da brutalidade costumeira. Ou seja, se você precisa de amor não é aqui que vai encontrar.
Dentre as melhores estão Licked by the tongues of pride, com riff grudento e refrão de tom sinfônico; Unter der asche, com sua montanha russa de andamentos e climas; a lindíssima Erhelle meine seele, para os dias em que a tristeza invadir sua alma; Gone, o que se habituou chamar de death melódico, com o teclado sempre presente e solo viajante; Reitermania, matadora, rápida, agressiva e com um inusitado riff de gaita-de-fole; Hate, principalmente o trechinho mais lento no meio; Rausch só não é impecável por não ser totalmente instrumental; Die schonheit der sklaverei é uma música que eu costumo passar batido, mas tem gritaria, bateria maravilhosa, e teclado/piano clássico. Regret é uma boa música, mas nada me chama a atenção nela além do solo, que também não tem nada de excepcional. Uma música como Peace of mind, depois de uma seqüência bem pesada, é mais uma das boas sacadas do DAR, mas ela me irrita profundamente. Geopfert é meio insossa e ...Vom ende der welt é longa e chatíssima.
All you need is love abriu muitas portas para o DAR, arrebanhou uma legião de fãs na Europa Central e Oriental, e chamou a atenção da Nuclear Blast, uma das maiores (senão a maior) gravadora de metal no mundo. Assim, deixam a Hammerheart e se preparam para gravar pela Nuclear Blast.

Have a nice trip (2003) é um marco na história do Die Apokalyptischen Reiter. A partir daqui eles deixam definitivamente de ser uma simples banda de metal para virar algo inclassificável; o som continua extremo, mas sempre com alguma coisa diferente que deixa o ouvinte surpreso e maravilhado. Se tem uma palavra que ajuda a definir o Have a nice trip é "classe"; tudo aqui é muito elegante, mesmo as mais pesadas soam sem a grosseria dos trabalhos anteriores e com o teclado cristalino.
Começa com a habitual alternância de climas na boa Vier reiter stehen bereit; e o filé mignon continua com as grandiosas Sehnsucht, Terra Nola e Seid willkommen; We will never die e Du kleiner wicht reforçando o tosco rótulo de folk metal; Ride on, nervosa e com um teclado que parece deslocado, mas cai como uma luva; Master of the wind, apesar de cover do Manowar, é bem interessante; Komm é pura melodia e Fatima é algo que desafia qualquer descrição. Warum? seria melhor se não tivesse aqueles "uivos" no meio. Das paradies e Wo die geister ganz still sterben são as mais fracas; a primeira só não chamo de lounge porque seria muita humilhação, e a segunda, além dos mesmos "uivos" irritantes de Warum?, dá a impressão de estar sobrando no disco. Mas há quem goste, claro...
Mas nada disso teria importância se não existisse Baila cónmigo. Obra-prima do DAR, é o tipo de música que, a menos que você tenha o hábito de ouvir coisas exóticas, surpreende. Incrível como tango/flamenco/??? e metal se mesclam de forma perfeita, natural e espontânea (dois anos depois o Rammstein copiaria na cara dura o espírito da música e batizaria de Te quiero puta). É brega, lenta, bateria forte e arrastada, além de um refrão que gruda na cabeça.
Esses álbuns, além de muito melhores que os dois primeiros, funcionam como um aperitivo para as maravilhas que viriam depois. Como? Você quer saber que maravilhas são essas? Então não perca o próximo capítulo da saga do Die Apokalyptischen Reiter.
Os Cavaleiros do Apocalipse estão de volta na segunda parte da matéria. Em 1999, pouco depois do Allegro Barbaro ser lançado, ocorrem duas mudanças importantes: a saída da Ars Metalli (minúsculo selo underground) e entrada na Hammerheart (selo de médio porte); e o baterista Skelleton deixa a banda, sendo substituído por Sir G (difícil dizer qual deles é mais incrível, mas é inegável que Sir G é muito mais versátil e se encaixa melhor no caminho que eles trilhariam daí em diante).

Em 2000 eles lançam o terceiro disco, All you need is love. Depois de se perguntar o que o nome de uma singela música dos Beatles faz em uma típica capa de um disco de metal, você lembra que trata-se de uma banda completamente atípica, para quem estranheza e contradição são ossos do ofício. Esse é o disco mais sombrio, sinistro e melancólico de todos, com um toque de piano clássico, além da brutalidade costumeira. Ou seja, se você precisa de amor não é aqui que vai encontrar.
Dentre as melhores estão Licked by the tongues of pride, com riff grudento e refrão de tom sinfônico; Unter der asche, com sua montanha russa de andamentos e climas; a lindíssima Erhelle meine seele, para os dias em que a tristeza invadir sua alma; Gone, o que se habituou chamar de death melódico, com o teclado sempre presente e solo viajante; Reitermania, matadora, rápida, agressiva e com um inusitado riff de gaita-de-fole; Hate, principalmente o trechinho mais lento no meio; Rausch só não é impecável por não ser totalmente instrumental; Die schonheit der sklaverei é uma música que eu costumo passar batido, mas tem gritaria, bateria maravilhosa, e teclado/piano clássico. Regret é uma boa música, mas nada me chama a atenção nela além do solo, que também não tem nada de excepcional. Uma música como Peace of mind, depois de uma seqüência bem pesada, é mais uma das boas sacadas do DAR, mas ela me irrita profundamente. Geopfert é meio insossa e ...Vom ende der welt é longa e chatíssima.
All you need is love abriu muitas portas para o DAR, arrebanhou uma legião de fãs na Europa Central e Oriental, e chamou a atenção da Nuclear Blast, uma das maiores (senão a maior) gravadora de metal no mundo. Assim, deixam a Hammerheart e se preparam para gravar pela Nuclear Blast.

Have a nice trip (2003) é um marco na história do Die Apokalyptischen Reiter. A partir daqui eles deixam definitivamente de ser uma simples banda de metal para virar algo inclassificável; o som continua extremo, mas sempre com alguma coisa diferente que deixa o ouvinte surpreso e maravilhado. Se tem uma palavra que ajuda a definir o Have a nice trip é "classe"; tudo aqui é muito elegante, mesmo as mais pesadas soam sem a grosseria dos trabalhos anteriores e com o teclado cristalino.
Começa com a habitual alternância de climas na boa Vier reiter stehen bereit; e o filé mignon continua com as grandiosas Sehnsucht, Terra Nola e Seid willkommen; We will never die e Du kleiner wicht reforçando o tosco rótulo de folk metal; Ride on, nervosa e com um teclado que parece deslocado, mas cai como uma luva; Master of the wind, apesar de cover do Manowar, é bem interessante; Komm é pura melodia e Fatima é algo que desafia qualquer descrição. Warum? seria melhor se não tivesse aqueles "uivos" no meio. Das paradies e Wo die geister ganz still sterben são as mais fracas; a primeira só não chamo de lounge porque seria muita humilhação, e a segunda, além dos mesmos "uivos" irritantes de Warum?, dá a impressão de estar sobrando no disco. Mas há quem goste, claro...
Mas nada disso teria importância se não existisse Baila cónmigo. Obra-prima do DAR, é o tipo de música que, a menos que você tenha o hábito de ouvir coisas exóticas, surpreende. Incrível como tango/flamenco/??? e metal se mesclam de forma perfeita, natural e espontânea (dois anos depois o Rammstein copiaria na cara dura o espírito da música e batizaria de Te quiero puta). É brega, lenta, bateria forte e arrastada, além de um refrão que gruda na cabeça.
Esses álbuns, além de muito melhores que os dois primeiros, funcionam como um aperitivo para as maravilhas que viriam depois. Como? Você quer saber que maravilhas são essas? Então não perca o próximo capítulo da saga do Die Apokalyptischen Reiter.
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