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domingo, 20 de novembro de 2011

Lobão X Lollapalooza: Quem tem razão?

Se ainda não assistiu a declaração de Lobão sobre a proposta que ele teria recebido pelo Lollapalooza no Brasil, em abril de 2012, veja aí embaixo:





Para dar mais substância ao que vou escrever, veja a suposta escalação para o festival, em uma imagem que "vazou" na internet nos últimos dias:





Uma vez que você já fez isso posso começar a comentar então, a começar pela imagem, que é suspeitíssima mesmo que seja verdadeira (e deve ser mesmo), principalmente por causa da inclusão do nome do Pavilhão 9, que encerrou atividades em 2007.



Ok, bandas vem e vão, taí o Los Hermanos que não me deixa mentir. Mas sério, quem pediu pela ressurreição dos caras? Até gosto de várias músicas do grupo (ah, a adolescência), mas somando com os nomes de Veiga & Salazar, Plebe Rude e o Rappa, isso está mais com cara de Lollapalooza 2002 e não 2012!



Ou Rock in Rio 2001, onde tocaram Pavilhão, Plebe e Foo Fighters. E o Rappa só não tocou por causa de um boicote que as bandas nacionais mais populares daqueles tempos fizeram. Na verdade o boicote aconteceu em solidariedade ao Rappa, conforme essa matéria feita na época.



Vou colar alguns trechos da matéria, de 30/10/2000, que acabam mostrando que essa discussão do Lobão, feliz ou infelizmente, é a mesma de mais de 10 anos atrás, inclusive com alguns personagens se repetindo, se incluirmos o entrevero do Ultraje a Rigor com a produção do Peter Gabriel no SWU 2011.



"O clima não era dos melhores entre os produtores do Rock in Rio 3, depois que cinco grupo nacionais de prestígio – Skank, Raimundos, Jota Quest, Cidade Negra e Charlie Brown Jr – decidiram abandonar o festival em solidariedade ao Rappa, que tinha desistido do evento por falta de entendimento com os organizadores."



"Acompanhado o Rappa numa turnê pelo Nordeste, o produtor e empresário Carlos Henrique também parecia pouco disposto a negociar com a organização do festival. "Não acho justo o Rappa tocar de dia, antes de um grupo como o Deftones. Isso sem falar no cachê que é ridículo (U$ 20 mil para cada atração nacional) perto de bandas internacionais não muito conhecidas, que estão pedindo no mínimo R$ 150 mil", afirmou."



"Para Roger Moreira, líder do Ultraje a Rigor, grupo confirmado no festival, a atitude das bandas brasileiras foi uma demonstração de "falta de experiência". "Acho bacana essa união e idealismo dos grupos nacionais, mas já tenho um bom tempo de carreira para não cair na mesma ingenuidade. O público, queira ou não, vai para estes festivais para ver artistas internacionais, que não dão as caras todo dia por aqui", diz Roger, que no Hollywood Rock de 1987, no auge da carreira, tocou ainda de dia e teve de se contentar com metade do palco oferecido pelos organizadores a grupos estrangeiros como Duran Duran e Simply Red. "A atitude deles não vai mudar nada. Eu sei que vou parecer cínico demais, mas é até bom que sobra um tempinho para a gente"."




A Folha, em 06/11/2000, dizia que a "confusão começou depois que O Rappa decidiu não aceitar a proposta de abrir um show às 18h30." Como resultado disso tudo, tivemos o Surto tocando no palco principal, um dos erros mais lamentáveis da história do universo. Se bem que pelo menos nos livramos do Jota Quest... Mas o final poderia ter sido um pouco mais feliz.



Lobão tem razão, já dizia Caetano, a razão dele em defender a sua carreira e, do jeito dele, com suas próprias intenções, a carreira das bandas independentes que ele usualmente cita quando elabora suas teorias sobre o mercado da música, da forma que acha melhor.



Dá pra sacar no vídeo, por mais confuso que às vezes seja, que ele não quer tocar depois do Foo Fighters. Mas realmente, vê-lo antes do, sei lá, Cage The Elephant (ouve uma música aí, eu gostei), é tão estranho quanto seria o Rappa abrir pro Deftones em 2001, e para mim também a lógica de um festival deveria incluir o quanto a banda é conhecida na hora de definir os horários e não somente a nacionalidade.



Mesmo que eu já não achasse isso antes e concordasse que as pessoas vão mesmo é para ver as bandas internacionais, o Rock in Rio e o Planeta Terra deste ano me mostraram justamente o contrário e foi a mesma banda nos dois festivais que me mostrou isso. A Nação Zumbi fez um show arrasador no Terra e um show no RiR meio quebrado no ritmo por tocar junto com a Tulipa alternando canções da banda com músicas dela, mas que trouxe muita gente para o palco menor, que pulava e cantava junto a despeito das inúmeras falhas de som daquele palco.



No Terra eu pelo menos considerei um bônus muito maior Nação Zumbi e Criolo como atrações do que Toro Y Moi ou White Lies. Embora, lógico, o ingresso só foi comprado por conta a) do anúncio do Strokes como atração principal e b) a organização e estrutura do festival. Jorge Du Peixe, vocalista da Nação, cantou, mas deixou seu recado lá mesmo sobre o que acha dos horários das bandas.



Tenho também minha ingênua esperança que essas coisas mudem um pouco, como por exemplo ingressos mais baratos, mas aí a gente se depara com um tweet desses e... Bem, o anúncio oficial do Lollapalooza Brasil acontece esta segunda, às 11 da manhã.

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