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quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

25 shows nacionais de 2010 - 9: Móveis Coloniais de Acaju

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9 - Móveis Coloniais de Acaju
26/02/10 - Circo Voador, Festival Grito Rock RJ
12/08/10 - UFF Gragoatá, Niterói


Móveis Coloniais de Acaju - 12/08/10
Móveis Coloniais de Acaju - 12/08/10
Móveis Coloniais de Acaju - 12/08/10



São os Móveis Coloniais de Acaju. Preciso contar algo mais?

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

25 shows nacionais de 2010 - 10: Cabruera

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10 - Cabruera
16/05/10 - Virada Cultural, São Paulo


Cabruera - 16/05/10


Com a decisão de ir à Virada Cultural tomada, assim que sai a programação completa, faço um ou mais roteiros para aproveitar ao máximo as dezenas de boas opções que se apresentam. Nesse roteiro, o palco dedicado a mostrar o cenário independente nacional tinha vários ótimos shows, mas que muitas vezes aconteciam simultaneamente a um outro desejo de consumo.



Não lembro se o Cabruera esteve sempre no meu roteiro. Afinal, o show deles ia começar em um horário bem próximo ao do Cantoria, projeto que envolve Geraldo Azevedo, Elomar, Xangai e Vital Farias, cada qual com seu violão. Mas estava entre as possibilidades.



No fim das contas, era ali que eu estava, depois de assistir de longe um trecho do show da Mallu Magalhães, tão injustamente criticada por uns e tão exageradamente superestimada por outros. É uma garota legal que está aprendendo como funciona a vida artística um pouco na marra e um pouco em público.


Mallu Magalhães - 16/05/10


O grande problema é que o show dela estava atrasado e com isso atrasava também a atração seguinte que tocaria no palco que ficava no outro extremo da rua, justamente a Cabruera. Estava quase desistindo de ver a Cabruera, mas decidi, já que estava lá, dar o crédito de ouvir uma música pelo menos, uma vez que gostei da única vez que havia os assistido e estava ouvindo bastante o cd lançado este ano.


Cabruera - 16/05/10


Já estávamos no surgir da noite e a iluminação no palco dos independentes não era das melhores, mas o começo do show da Cabruera foi como uma explosão de luz. Pode parecer um exagero, mas fica aqui na memória a postura incendiária do vocalista Artur Pessoa frente a um trio de rock mais básico possível, com baixo, guitarra e bateria, fazendo um som que transformava a Paraíba de onde vieram na Pernambuco do Mangue Beat e tudo que veio depois.



Mas com um caminho próprio, que passa por repentes embolados de deixar qualquer um sem fôlego e a destreza em conduzir, como se fosse uma rabeca, um violão tocado com caneta esferográfica.


Cabruera - 16/05/10


Fora isso, em dado momento Artur escala a lateral do palco e passa a cantar lá de cima, deixando todo mundo de pescoço torto. De uma música que eu ia assistir acabei testemunhando até o fim a força da Cabruera. Perdi o começo da Cantoria, mas foi por um ótimo motivo.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

25 shows nacionais de 2010 - 11: Instituto

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11 - Instituto
29/08/10 - Oi Futuro Ipanema


Instituto - 29/08/10


O ano de 2010 foi de muitas perdas para a cultura no Rio de Janeiro. Nos últimos meses vimos o anúncio do fim da loja de discos Modern Sound; o definitivo fechamento do Canecão depois de anos de brigas judiciais com a UFRJ; o adeus do Rio Fanzine, página do jornal O Globo que há mais de duas décadas falava sobre cultura fora do mainstream; e o mais doloroso para mim, o óbito do Cinematheque, um dos poucos lugares para assistir bandas que realmente interessam, conforme já expliquei por aqui.



Mas uma certa lei de compensação universal pairou sobre nossa cidade, pelo menos no caso do Cinematheque. Durante vários meses o Oi Futuro de Ipanema, inaugurado no fim de 2009, recebeu alguns dos melhores grupos desse cenário alternativo que nos importa.



Siba e a Fuloresta, Mombojó, o já citado show do BNegão e Seletores de Frequência, Canastra, Songoro Cosongo, Los Sebosos Postizos, Eddie, Abayomy Afrobeat Orquestra, Cérebro Eletrônico, Del Rey. Esses e muitos outros tiveram direito cada um a um fim de semana em um lugar com excelente som e iluminação e show na maioria das vezes lotado. A capacidade máxima é de umas 150 pessoas, ok, mas fica bonito mesmo assim.



E dentre esses shows no Oi Futuro Ipanema acho que o que causou mais impacto foi do Instituto. O coletivo paulistano só trouxe o multinstrumentista e produtor Daniel Ganjaman como representante do trio fundador, que inclui Tejo Damasceno e Rica Amabis.






Detrás da tecladeira, Ganjaman comanda um time de músicos que inclui o onipresente baixista Rian Batista, criando grooves e bases muito boas. Mas eles são "só" a rede de apoio para três reis da rima paulista. O Instituto começa com os rappers Kamau e Funk Buia.


Instituto - 29/08/10


Kamau, autor de uma das músicas mais bonitas da década passada (“Poesia de Concreto”), além de ex-integrante do coletivo Quinto Andar, e hábil improvisador. Funk Buia faz parte do grupo Z’África Brasil e não precisa de muito mais do que seu bordão “vai vai vai vai vai vai” para empolgar geral.


Instituto - 29/08/10


Um pouco depois, se junta aos dois a grande revelação dos últimos anos no rap nacional. Emicida chega tentando fazer cara de mau, com o gorro do casaco escondendo parte da cabeça, mas isso não dura muito tempo; os três juntos não pararam de rir a maior parte do show, um curtindo com a cara do outro, tudo na camaradagem.


Instituto - 29/08/10


Os três, em especial Kamau e Emicida, mostram alguns dos seus raps de própria autoria, com os arranjos elegantes do Instituto. Mas os melhores momentos são nas improvisações. É na rima pensada na hora que eles acabam o show de forma espetacular.


Instituto - 29/08/10


Usando objetos que pediram que o público tirasse do bolso e mostrassem, eles iam jogando nos versos o Ipod de um, o isqueiro do outro, o chaveiro mais à frente, enquanto desciam do palco e se misturavam no meio da turma embasbacada com a performance deles. Que o Oi Futuro resista muito mais tempo para nos proporcionar esses momentos.


Instituto - 29/08/10

domingo, 16 de janeiro de 2011

25 shows nacionais de 2010 - 12: Desengonçalves

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12 - Desengonçalves
15/05/10 - Virada Cultural, São Paulo


Desengonçalves - 15/05/10


Vez ou outra fico me perguntando porque cometo a mesma loucura, há três anos seguidos. Desde 2008, em um fim de semana em volta de abril e maio, alguma coisa acontece no meu coração que me faz cruzar a Ipiranga e a Avenida São João. E a Praça da República, o Teatro Municipal, a Praça da Sé, a Estação da Luz, a Cásper Líbero, o Largo do Arouche...



Atravesso todos esse lugares e mais uns outros por mais de 24 horas durante a Virada Cultural de São Paulo. Um final de semana, de 18:00 de sábado às 18:00 de domingo, com programação cultural ininterrupta, no centro histórico da capital paulista. Dezenas de shows espalhados em diversas palcos, com uma curadoria que – milagre! – entende do que faz.



Da primeira vez que fui fisgado o motivo era a programação do Teatro Municipal, com artistas tocando discos clássicos na íntegra. Mas acabei nem ligando muito pra isso no fim das contas quando soube que em outros palcos ia ter a Banda de Pífanos de Caruaru. E Siba e a Fuloresta. E também Superguidis, Do Amor e mais uma dúzia de shows bacanas. Era impossível não ir.



Em 2009 havia um pouco menos de atrações interessantes, comparando com o ano anterior, mas se tornou irresistível por dois motivos. Um dos motivos era a chance de ver Leno tocar o clássico cultuado Vida e Obra de Johnny McCartney na íntegra, no palco dedicado a toda a discografia de Raul Seixas, que foi o produtor do disco.



De “brinde” assisti em dois dias Nação Zumbi, Benito di Paula, Trio Mocotó, Reginaldo Rossi, Comadre Fulozinha, Arrigo Barnabé e o segundo motivo para fazer essa maratona, que era uma reunião quase completa dos Novos Baianos.



Infelizmente, apesar do alto nível das escolhas musicais, dessa vez a produção da prefeitura deixou muito a desejar, com poucos banheiros e muita, mas muita sujeira, me deixando em dúvidas sobre vir novamente em 2010. Então a programação sai. Nota-se que o investimento diminuiu em relação aos anos anteriores, apesar da organização continuar com vários acertos na escalação dos palcos.



Mesmo assim não havia muito que me tirasse do Rio de Janeiro. É quando eu vejo a descrição de um dos shows no Largo do Arouche que começo a balançar mais forte pela Virada. André Abujamra fazendo versões de Nelson Gonçalves? O nome do lance é Desengonçalves, e somado aos outros shows potencialmente legais (Booker T., Karina Buhr, Cantoria) determinou o veredicto: vamos a São Paulo.



Depois de ver a OBMJ e umas poucas músicas de Lupicínio Rodrigues cantadas por Arrigo Barnabé (ouvir “Esses Moços” foi simplesmente fantástico) e o final do Caldo de Piaba, saí do show do Detetives para voltar ao Largo do Arouche (onde tinha sido o Arrigo) para o Desengonçalves.


Desengonçalves - 15/05/10


Cantar o repertório de Nelson Gonçalves, um dos maiores intérpretes que o Brasil já teve, é cantar boa parte da História da música brasileira. “Amélia” e “Naquela Mesa”, por exemplo, foram sucessos em muitas outras vozes.



Aí é que Desengonçalves mostra a que veio: enquanto André Abujamra se ocupa com a guitarra e programações eletrônicas e ser o mestre de cerimônias, a tarefa de cantar cabe a Guilhermoso Wild Chicken (!), com uma voz empostada bem ao estilo do eterno cantor da (e de) boemia.


Desengonçalves - 15/05/10


Porém, além da semelhança vocal, o resto todo é desconstruído. Vestidos como empregados de um restaurante, o grupo, que ainda tem como destaque o guitarrista Mano Bap, faz de gato e sapato canções como “Nem Às Paredes Confesso”, “Boneca de Pano” e “Normalista”.



Tudo vira aquilo que menos se pode esperar, entre rock com elementos eletrônicos e hardcore demencial. “Negue” vira um reggae-dub-noisy e mostramos um vídeo aqui na época. Ou seja, além de emocionar ouvir tantos clássicos, faz rir pra cacete, ainda mais com o jeito empolado de falar de Guilhermoso e as intervenções entre as músicas feitas pelo aniversariante Abujamra.


Desengonçalves - 15/05/10


No melhor deles, André vai vertendo para o inglês os versos declamados por Guilhermoso na música “Boneca de Pano”, criando frases absurdas. Não sei se vou na Virada Cultural 2011, mas atrações como essa respondem a pergunta do início do texto.

sábado, 15 de janeiro de 2011

25 shows nacionais de 2010 - 13: Caldo de Piaba

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13 - Caldo de Piaba
07/02/10 - Boomerangue, Grito Rock Salvador
12/03/10 - Caixa Cultural, Mostra Instrumental Contemporânea
13/03/10 - Baratos da Ribeiro, Copacabana
15/05/10 - Virada Cultural, São Paulo


Caldo de Piaba - 07/02/10


A piadinha de que o Acre não existe já é bem manjada e sempre foi boba. Afinal de contas, se as pessoas acreditam no Espírito Santo, por que não no Acre? Com a iniciativa e empreendedorismo de produtores como o pessoal do coletivo Fora do Eixo, os anos 00 viram despontar nomes de cidades fora do Rio-São Paulo (o “eixo”, para eles, e me pergunto se eles incluem aí Salvador, Porto Alegre e Recife) que não costumavam ter muita chance de projeção.



Um grande exemplo disso foi Cuiabá. Duas bandas de lá conseguiram tocar em vários festivais pelo país e tiveram os nomes comentados pelo menos por quem se interessa por música um pouco além do que é veiculado pelo grandes grupos de mídia.


O primeiro a aparecer foi o Vanguart. Com os hits alternativos “Semáforo” e “Cachaça”, muita gente acreditava que eles pudessem ser os “próximos Los Hermanos”. Não foi exatamente o que aconteceu. A banda cuiabana que impressionou e continua impressionando até hoje com seus shows é o trio instrumental Macaco Bong, que já apareceu nessa lista de shows nacionais de 2010.



O Acre seguiu essa história quase no formato de fotocópia, não muito tempo depois. Muito utilizando o mote de haver algum ineditismo em uma banda de pop rock brasileira que surgisse em terra tão distante, Los Porongas começava a frequentar sites e espaços virtuais especializados nesse segmento alternativo, conseguindo alcançar suplementos culturais do “eixo”.



Falam bem dos shows, mas os registros em estúdio e demos nunca me sensibilizaram. Hoje em dia não ouço falar muito deles. Mas no final de 2009 e começo deste ano o que se falava do Acre era – repare como a história se repete – um trio instrumental. O nome deles: Caldo de Piaba. Rock, ska e ritmos do norte, a nova onda do momento, os caras certos no lugar certo para mim, já que eu estava em Salvador quando eles iam se apresentar no Grito Rock realizado um semana antes do carnaval.


Contei sobre isso aqui, eis um trecho:


"Então chega a vez do trio instrumental do Acre. E sem complicar muito, misturando guitarrada, ska, blue e funk, mostrando desde músicas próprias a recriações de Tim Maia e Beatles, Caldo de Piaba faz o grande show da noite. Dentro do universo instrumental brasileiro eles não se aproximam do virtuosismo do Macaco Bong ou do som experimental de boa parte dos grupos desse gênero. Estariam mais próximos de uma mistura entre os gaúchos do Pata de Elefante e os paraenses do La Pupuña.


Caldo de Piaba - 07/02/10


Tenho uma certa preocupação com esse excesso de música instrumental no circuito independente, mas na hora que grupos como o Caldo de Piaba começam a tocar, fica difícil ter outra coisa em mente além de curtir o som."



Pouco tempo depois, no Rio, aconteceu um festival de música instrumental e lá estavam eles. O show agradou, tinha até turma acreana presente, mas o ambiente frio e meio distante do Teatro Nelson Rodrigues, da Caixa Cultural, não demonstrava o que eles são de verdade.


Caldo de Piaba - 12/03/10


Brinco com meu comparsa Túlio que eles deveriam tocar no dia seguinte no sebo da Baratos da Ribeiro. Digo pra ele ligar para o Mauricio da Baratos e de repente a brincadeira fica séria. No dia seguinte o trio consegue justificar sua recente fama, entre livros e discos antigos, para um seleto público conhecer melhor o que três caras conseguem fazer quando pegam tecnobrega, guitarrada, blues e ska numa talagada só. Tudo isso faltando uma hora para o vôo deles de volta pra casa.


Caldo de Piaba - 13/03/10
Caldo de Piaba - 13/03/10


Na loucura de shows da Virada Cultural em São Paulo, corri para pegar pelo menos um pedacinho do show deles e só cheguei a tempo de ouvir “I Want You (She's So Heavy)”, que John, Paul, George e Ringo não poderiam imaginar se transformar em várias levadas entre a surf music e o carimbó. Como desde então não ouvi falar mais do Caldo de Piaba, valeu a pena correr por uma única música.


Caldo de Piaba - 15/05/10

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

25 shows nacionais de 2010 - 14: Cabaret tocando Nick Cave

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14 - Cabaret tocando Nick Cave
26/08/10 - Espaço Sérgio Porto


Cabaret tocando Nick Cave - 26/08/10


Difícil de lembrar quando exatamente eu soube que, para promover o livro A Morte de Bunny Monroe, o Cabaret mais convidados iria tocar composições do escritor do livro, o australiano Nick Cave. Foi no twitter? No orkut? Alguém me contou? Não tenho certeza.



Mas me lembro exatamente da sensação que tive quando fiquei ciente dessa possibilidade. Não que essa sensação seja fácil de explicar. Misto de frio na barriga com vontade de comemorar gol estilo Pelé. Sei lá.



Nick Cave, seja ao lado de seu grupo oficial, os Bad Seeds, ou com seu novo projeto Grinderman, é o tipo de artista que não tem o reconhecimento do mesmo tamanho que seu talento. Lá fora seu culto de seguidores é enorme, mas ele merecia mais. Aqui no Brasil, onde viveu por um tempo no fim dos anos 80, ele já deve encher um Circo Voador ou ser aquela atração do Rock In Rio que ninguém bota fé e no final sai consagrado (fica a dica, Medina).



O Cabaret, já comentado por aqui, talvez até entrasse nessa lista por tocar antes de Velhas Virgens e saírem vivos e por cima no confronto “fãs sexistas” versus “últimos heterossexuais sensíveis”, como costuma se descrever Márvio dos Anjos, o inacreditável vocalista do Cabaret, sempre capaz de garantir a diversão com sua performance afetada tanto de rockstar glam decadente quanto a de romântico incurável procurando redenção.


Cabaret tocando Nick Cave - 26/08/10


Mas o que marcou mesmo foi a banda tocando de uma forma bem fiel o cancioneiro de Nick Cave and The Bad Seeds, acompanhados de um trio de backing vocals e do escritor João Paulo Cuenca, que um dia foi guitarrista da banda de surf music Netunos.


Cabaret tocando Nick Cave - 26/08/10


Para promover o livro, ainda tínhamos direito a uma cerveja, e é com ela em mãos que entramos no Sérgio Porto com Márvio mimetizando gestos e a voz de tom extremamente grave de Nick Cave na plácida “Into My Arms”.



O começo calmo e lento é substituído pela tensão mal assombrada e claustrofóbica de “Red Right Hand” e o ritmo vai crescendo em “Today’s Lesson” e “Get Ready”. Essa dinâmica entre as músicas mais nervosas e as baladas pungentes é a tônica do show.


Cabaret tocando Nick Cave - 26/08/10Cabaret tocando Nick Cave - 26/08/10


Os convidados estiveram nesses momentos de maior delicadeza. Dado Villa-Lobos acrescentou um violão à “The Ship Song” e Amora Pera fez a voz que era de Kylie Minogue em “Where The Wild Roses Grow”, do disco Murder Balladas. Mas foi Letícia Novaes (do Letuce) que brilhou no dueto de outra canção desse disco, chamada “Henry Lee” e originalmente cantada por PJ Harvey.


Cabaret tocando Nick Cave - 26/08/10


O setlist conseguiu fazer um bom apanhado da carreira de Cave com os Bad Seeds, com algumas escolhas ótimas e pouco óbvias, sendo “Thirsty Dog” o melhor exemplo. A ausência mais sentida foi “The Mercy Seat”, canção que já foi regravada por Johnny Cash.

Cabaret tocando Nick Cave - 26/08/10


Márvio foi aos poucos se soltando do papel de Nick Cave e mesclando sua persona Marvel Deluxe, pseudônimo que usava antes no Cabaret. No final já estava cantando no meio do público que, sabe-se lá como, assistia sentado músicas que dão vontade de voar virado do avesso. Já Márvio não fez menos do que isso e terminou jogado ao chão. Agora bem que 2011 podia ser o ano de ver a versão original, hein...


Cabaret tocando Nick Cave - 26/08/10

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

25 shows nacionais de 2010 - 15: Silvia Machete

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15 - Silvia Machete
24/09/10 - Teatro Rival
27/10/10 - Circo Voador, Festival Mola


Silvia Machete - 24/09/10


Silvia Machete, entre as muitas proezas que é capaz de fazer, conseguia manter uma piada ou gag interessante e engraçada mesmo depois de repeti-la diversas vezes. La Cumbuca já registrou e comentou em várias oportunidades o que acontecia durante suas performances.


Silvia Machete - 24/09/10


O “quadro” mais comentado é quando ela, rebolando com um bambolê, prepara um cigarrinho caseiro, tirando os ingredientes debaixo de suas diminutas peças de roupa. Ao final, com uma taça de líquido colorido, combinado com a fumaça do cigarro, bolinhas de sabão saem de sua boca.


Silvia Machete - 27/10/10Silvia Machete - 24/09/10



E assim foi acontecendo por uns três anos, tocando as músicas do seu primeiro cd independente, Bomb of Love, depois repaginado no cd/dvd ao vivo Eu não Sou Nenhuma Santa. Este ano, ao lançar o disco novo, muita coisa mudou.


Silvia Machete - 24/09/10


A banda, de formação meio flutuante, se fixou. O figurino e o cenário foram modificados e agora os cabelos são curtos e sem a indefectível pomba empalhada que adornava sua cabeça. Quase todas as músicas do primeiro disco deram lugar a faixas de Extravaganza, o novo cd.


Silvia Machete - 27/10/10


As brincadeiras durante as músicas, como consequência, também mudaram. Há, agora, o momento em que cada músico tem a oportunidade de mostrar sua habilidade. Subvertendo a lógica de que cada um faria um solo com seu instrumento, o guitarrista Fabiano Krieger imita um trompete com a boca, o baixista Bruno di Lulo pega uma traquitana tecnológica para fazer barulho, o trombonista Roberto Silva mostra seu dom no sapateado, o baterista João Di Sabatto revela seus dons de cantor de bolero e o vibrafonista (!) Artur Dutra declama um trecho de um livro.


Silvia Machete - 24/09/10


Em “Underneath The Mango Tree”, cada um deles recebe de Silvia uma peruca representando um animal da selva cenográfica e vão para frente se transformar em um harmonioso grupo vocal. Faz sentido para você até agora? Não? Que bom. O humor cada vez mais nonsense pontuado pelas brincadeiras e falas improvisadas / decoradas de Silvia me fazem pensar que ela se encaminha cada vez mais perto de um híbrido entre Monty Python e Carmen Miranda.


Silvia Machete - 24/09/10Silvia Machete - 24/09/10Silvia Machete - 24/09/10
Silvia Machete - 27/10/10


Nos dois shows, tanto do Teatro Rival quanto no Circo Voador, o novo número de maior sucesso é durante a música “Baixo”. Nele, Silvia contracena com um contrabaixo de forma sensual, lânguida e... epa, a coisa fica mais quente e ao mesmo tempo ridiculamente engraçada.


Silvia Machete - 24/09/10Silvia Machete - 27/10/10Silvia Machete - 24/09/10


A atuação digna de Cine Privê junto ao instrumento foi o momento mais divertido... mas e as músicas? Fica claro que elas funcionam muito melhor ao vivo que em estúdio mesmo que elas não sejam somente uma desculpa para o circo macheteano. As escolhas são acertadas e o destaque fica por conta da animada “Manjar de Reis”.


Silvia Machete - 24/09/10


“Toda Bêbada Canta”, uma das poucas (ou única) sobreviventes de Bomb of Love, também continua agradando. Como velhos hábitos são difíceis de largar, Silvia Machete recorre ao velho amigo bambolê e ao cigarrinho caseiro com bolinhas de sabão. Um caso de vício saudável.


Silvia Machete - 27/10/10Silvia Machete - 27/10/10Silvia Machete - 27/10/10Silvia Machete - 24/09/10


Dedico o texto aos maiores machetólicos anônimos, Fábio Fernandes e sua namorada Helena.