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domingo, 26 de dezembro de 2021

Melhores 2021: séries e filmes sobre música





Nosso costume aqui no La Cumbuca é de colocar os melhores discos e shows de cada ciclo anual e já começamos a fazer isso. Raramente falamos sobre filmes e séries ou outras formas artísticas que não envolvam tanto a música como eixo central. Mas neste segundo ano pandêmico tivemos uma surpreendente enxurrada de produções audiovisuais, em especial via barões da pisadinha do streaming, que colocaram artistas, grupos musicais, ritmos, festivais e outros tantos que orbitam por esse mundinho da arte sonora como as estrelas.

Então acho que vale a pena recomendar e comentar algumas dessas produções vistas por aqui. Antes de mais nada, um fato inescapável: nessa área, a dupla Lennon & McCartney é a que melhor representa o 2021 cinemtográfico-musical. Mais de 40 anos após a morte de John Lennon e mais tempo desde que a dupla havia sido desfeita, cá estamos aprendendo mais sobre eles, reavaliando acontecimentos do passado e descobrindo aspectos até então pouco explorados de ambos.

Um está do lado do outro mesmo quando Paul McCartney está sozinho falando sobre seu trabalho solo ou quando revemos Lennon em estúdio gravando com George Harrison uma música... sobre Paul. Parecia improvável que tivéssmos Beatles como assunto hoje em dia, mas a qualidade do que foi apresentado se torna justificável. Então vamos começar pelos mais óbvios que os amigos-leitores, se não viram ainda, já colocaram na fila para assistir.







Get Back - Disney Plus

Era para ser um filme de muitas horas, foi dividido em três capítulos e aqui em casa vimos em 6 partes de mais de uma hora e pouco cada. Porque é muito para absorver. São os Beatles em momento muito importante para a história da música, para a história da banda e para a história individual de cada um deles. Cada momento que o diretor Peter Jackson decidiu incluir na edição "final" (enquanto não vier um director's cut) de Get Back tem repercussões futuras que nem sempre são mostradas no documentário, por isso a gente aqui parava antes da conclusão de cada episódio.

O menos comentado é Lennon conversando com Harrison sobre o primeiro encontro que teve com Allen Klein, mas aquilo é um momento crucial para os Beatles e, o mais incrível, foi documentado, assim como outros momentos felizes, raivosos, empolgantes e de puro tédio, pelas câmeras e gravadores de Michael Lindsay-Hogg para o documentário Let It Be. Dezenas de horas de material que, 50 anos depois, nas mãos competentes do diretor de Senhor dos Anéis e do mais moderno que existe para tratamento de imagem e som que temos hoje em dia, contam uma história um pouco menos tensa do que se imaginava, mas com todos os ingredientes para uma grande história.







McCartney 3, 2, 1 - Hulu

Como podem ver, o que falei mais acima não é exagero. Outra série imprescindível de 2021 é estrelada por Paul McCartney, contando para o produtor Rick Rubin (Beastie Boys, Johnny Cash) o processo de composição e gravação de dezenas de músicas compostas por ele tanto nos Beatles quanto com o Wings e em carreira solo.

Como eu disse, lógico que tem muito Lennon (e Harrison e Ringo) na história. Mas tem também músicas mais obscuras e experimentos como "Check My Machine", uma música de 1980 que poderia perfeitamente ter sido feita pelo Gorillaz.

Tudo isso com um tratamento de som absurdo e Rick Rubin e Paul mexendo nos botões da mesa de som para realçar instrumentos, vocais e partes que te fazem ouvir canções icônicas e curiosidades de uma forma que você provavelmente nunca ouviu antes. Seis episódios de meia hora que passam voando e demandam repetecos.







1971: The Year That Music Changed Everything - Apple TV+


Sim, nessa série também tem Beatles! Ou pós-Beatles, já que a banda terminou no ano anterior... Desta vez se concentrando em dado momento em John Lennon, curiosamente em uma das cenas mostrando para George Harrison "How Do You Sleep?", feita para desancar McCartney.

Harrison também aparece na série documental de seis partes, organizando o concerto para Bangladesh, mas a rapaziada de Liverpool é uma fração pequena de 1971, que tenta ao máximo mostrar todos os destaques que ocorriam no mundo pop ocidental do período. Marvin Gaye, Gil Scott-Heron, Elton John, Lou Reed, Tina Turner e uma variedade infindável de nomes emblemáticos são mostrados e contextualizados com os problemas sociais e políticos da época.

Tantos momentos importantes poderiam tornar a série sem rumo, mas no geral é tudo muito bem amarrado e, assim como as outras duas séries acima, com som e registros acima da média. Mesmo cenas já conhecidas ganham novos contornos da forma que são apresentadas. E até nomes naquele momento um pouco à margem do pop anglo-saxão, como o reggae jamaicano e o krautrock alemão recebem espaço, lembrando que essa é a visão do pessoal lá de cima do globo terrestre.







Watch the Sound With Mark Ronson - Apple TV+, e This Is Pop - Netflix
(Olhaí o Macca de novo!)


Vou falar sobre as duas séries ao mesmo tempo já que ambas possuem um episódio falando dando uma aula "histórica" sobre o auto-tune. Mas o produtor Mark Ronson segue um padrão de apresentar em cada uma das seis partes de seu Watch The Sound um elemento musical, seja de timbres (distorção, reverb) e/ou possibilidades tecnológicas (samples, sintetizadores, bateria eletrônica), acompanhado de convidados que apresentam suas opiniões ou o auxiliam no estúdio a criar uma música nova, com resultados que variam de qualidade, mas certamente recomendável de assistir.

Já a série da Netflix sobre o Pop embica para as mais diferentes direções com episódios sem relação entre si. Música sueca, Country, boy bands? Os assuntos são diferentes, mas em geral eles costumam apresentar curiosidades que talvez você não conhecesse, ao mesmo tempo em que deixam de mencionar outros aspectos importantes dos tópicos apresentados. O mais chocante é sobre o britpop, onde o Pulp não consegue ser mencionado (aparece uma imagem da banda em um segundo), enquanto Echobelly e Kenickie (?) recebem um espaço desproporcional. Mesmo com defeitos, vale ver o episódio "Brill Building em 4 músicas".







ICON – Music Through The Lens - PBS


Deixando por último a recomendação dessa série sobre a fotografia no mundo da música apenas porque ela não é "fácil" de assistir pelos canais oficiais existentes no Brasil, mas tem sempre um jeito.

Fotógrafos e artistas comentam sobre o uso da fotografia na indústria musical, seja em capas de discos, revistas, fotos em turnês, ensaios, livros e galerias de arte, além da aituação atual, com o advento das máquinas fotográficas digitais e dos smartphones.

Não é sempre que acerta, mas é muito difícil que você deixe de ficar impactado por diversos cliques, hum, icônicos, contados por quem estava lá do outro lado da lente. Tem Beatles, tem Lennon, como não poderia deixar de ser em 2021 (!) e tem todo mundo, de Madonna a Iggy Pop, mas tem alguns dos principais profissionais da fotografia nas últimas décadas em ótimos depoimentos.





Documentários e séries sobre música já estão aí há muito tempo, e é sempre um deleite as edições do festival de documentários musicais In Edit (este ano com ótimos filmes sobre Suzi Quatro, a rumba congolesa e Phil Lynott), mas um novo degrau foi alcançado com essas séries e filmes bancados por gente graúda. E ainda faltou falar sobre os documentários do Velvet Underground, dirigido por Todd Haynes, e do festival cultural do Harlem em 1969 (Summer of Soul, dirigido pelo Questlove, baterista do The Roots)... Vejamos o que será produzido em 2022.





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