Novidades musicais de todos os tempos. Também estamos em:

Flickr : Youtube : Twitter : Facebook : Bluesky : Instagram

Destaques do site:



quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

25 shows nacionais de 2010 - 16: Macaco Bong

| 1 comentário
16 - Macaco Bong
22/10/10 - Rock'n'Drinks


Macaco Bong - 22/10/10


Será que eles são desse planeta?, andei me perguntando. Olha os nomes deles. Kayapy, Ynaiã... nomes indígenas? Sei não. É difícil de acreditar que pessoas nascidas na Terra fossem capazes de fazer o que o Macaco Bong fez em uma sexta-feira no Rock’n’Drinks em Copacabana. Lugar que um dia se chamou Drinkeria Maldita. Que por sua vez um dia foi em Botafogo e não tinha espaço para shows.



Já o espaço da Rock’n’Drinks é o que alguns poderiam chamar de intimista, devido ao contato muito próximo com a banda. Mas o nome certo é pequeno mesmo. E a premissa do contato é verdadeira. Muitos das dezenas de fãs do Macaco Bong se espremiam à frente do palco para observar em detalhes a ação do guitar hero (não o jogo) dos nossos tempos, Bruno Kayapy.


Macaco Bong - 22/10/10Macaco Bong - 22/10/10


Ele dá aquilo que o público pede, e entre caras, bocas e contorcionismo há um tremendo guitarrista que faz muito mais do que solos e demonstrações inúteis de virtuosismo. Faz música. A proximidade com o trio, porém, mostra que Kayapy tem alguém com quem dividir as atenções.


Macaco Bong - 22/10/10


O baterista Ynayã Benthroldo, do seu lado, praticamente rouba a cena nos momentos mais pesados e rápidos das cacetadas instrumentais do Macaco Bong. Parecia que algumas pessoas procuravam, assim como eu, o segundo bumbo que os pés de Ynaiã pisavam, porque não era possível que uma única canela fina como a de um queniano em maratona de São Silvestre estivesse fazendo aquilo.


Macaco Bong - 22/10/10


Diante desses dois músicos fora de série, cabia ao baixista Ney Hugo (o único terráqueo?) a árdua missão de manter uma base para a dupla fazer as coisas andarem com uma intensidade de causar sorrisos espontâneos no rosto, diante de olhares incrédulos.


Macaco Bong - 22/10/10


Em um certo momento achei que aquele ali era o melhor show do ano. Porém, problemas técnicos com a guitarra, mais para o fim, deram uma esfriada na apresentação. Ainda assim, uma performance estonteante.


Macaco Bong - 22/10/10

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

25 shows nacionais de 2010 - 17: Letuce

| 2 comentários
17 - Letuce
22/07/10 - Oi Futuro Flamengo, Projeto Multiplicidade


Letuce - 22/07/10


Acontece às vezes de se ouvir falar bem de um artista, você ter certeza que o que vai encontrar é coisa boa e por um motivo ou outro acaba não baixando as músicas ou indo nos shows. E, como vocês devem reparar, eu vou em uma quantidade considerável de shows.



Meus desencontros com Letuce foram vários, acho que a maioria causados por horários incompatíveis em dias de semana. Quiseram os acontecimentos que o primeiro encontro fosse no evento Multiplicidade, no Oi Futuro Flamengo.



E o que costuma acontecer lá na última quinta-feira do mês? Um show, às vezes com um setlist especialmente para a ocasião, às vezes não, combinado com um trabalho artístico combinando com a música (mas não necessariamente). Assim foi com Arnaldo Antunes, Sonic Junior, Fausto Fawcett, Tom Zé, Flu, Turbo Trio, Hurtmold, Walter Alfaiate e tantos outros.



Então você entra no minúsculo teatro do reformado e moderno prédio que antigamente era o Museu do Telephone e o espaço está ainda menor, porque colocaram uma piscina de bolinhas de isopor de frente para o palco. Uma piscina de porte pequeno, porém funda o bastante para que duas cabeças brotassem de lá enquanto as pessoas entravam no teatro.


Letuce - 22/07/10


Essas cabeças eram (e creio que continuam sendo) do casal Letícia Novaes e Lucas Vasconcellos, enquanto a iluminação e o jogo de imagens projetadas na piscina e no palco ficavam a cargo de Paulo Camacho. Esses três personagens se ligam ao que eu dizia no início do texto, sobre ter certeza de encontrar coisa boa.



Paulo e Lucas eram (ou são?) do Binário, grupo de post-rock carioca e o “carioca” aí logo depois de post-rock é uma necessidade até para explicar o som da banda. Afinal, seria difícil imaginar o Tortoise ou o Hurtmold tocando Raça Negra no fim da tarde de domingo na praia de Ipanema.



Já a Letícia eu só tinha conhecido como sidekick da até agora breve incursão do João Brasil como cantor-comediante. Com 1,83 m de altura, Letícia também sabe usar bem do humor na frente do público, mas já era possível de notar na época que também sabia usar seu tom de voz ao cantar.



De volta ao show. As duas cabeças se mexem na piscina de isopor. Brincam, sopram bolinhas no rosto do outro e se divertem até que o lugar já está cheio e decidem que é hora de se levantar e acompanhar os dois músicos discretamente posicionados no baixo e bateria. Letícia e Lucas estão um tanto quanto menos discretos, com miniaturas de cavalos.


Letuce - 22/07/10


No Letuce, até o nome da banda meio que mostra isso, é Letícia que toma a frente, mas é a sintonia da dupla que faz o pop rock (com bossa, soul, funk, etc) de arranjos e idéias bem originais, ainda mais comparado com o que se vê por aí. Talvez influência, por parte de Lucas, dos anos de Binário, tem sempre um barulhinho para dar um molho às ótimas composições, como “Piscina Hai Kai”, “Potência” e “Baliza”. E uma base de fãs capaz de já cantar várias músicas.


Letuce - 22/07/10


Letícia dá a senha: se vocês quiserem, podem entrar na piscina... é o suficiente para o pessoal começar a nadar nos pedaços de isopor, passando a fazer parte das projeções que apareciam em um telão, criando um efeito incrível enquanto a banda aliava às suas canções originais versões de Rita Lee em francês (parecia francês), Yeah Yeah Yeahs (“Maps”), Queens Of The Stone Age (“I Wanna Make It Chu”) e termina com... Des’ree e a música “You Gotta Be”.


Letuce - 22/07/10


Letícia no meio da piscina com a água-isopor voando para todo lado, um momento memorável de 2010. Não voltei a ver um show da Letuce desde então, mas se for no mesmo nível desse, eles serão um dos grandes nomes de 2011. Mesmo sem a piscina.


Letuce - 22/07/10

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

25 shows nacionais de 2010 - 18: BNegão e Seletores de Frequência

| Nenhum comentário
18 - BNegão e Seletores de Frequência
22/08/10 - Oi Futuro Ipanema


BNegão e os Seletores de Frequência - 22/08/10


Existe alguém que representa o Rio de Janeiro melhor do que Bernardão Erótico, um dos muitos codinomes adquiridos por BNegão em quase 20 anos de participação incessante da música nesta/desta cidade?



Desde figuração na primeira matéria que a MTV havia feito com Gabriel, o Pensador, passando pelo grupo de rap-rock/black music Juliete, Funk Fuckers, Planet Hemp, Turbo Trio, projeto de soundsystem, participações em dezenas de shows, de Nação Zumbi a Curumin, comparecimento como espectador entusiasmado de bandas em outras centenas de ocasiões... e o seu Seletores de Frequência.



Você até consegue compreender a relutância de Bernardo em uma turnê revival com o Planet Hemp depois de sair de um show dele com os Seletores. Mesmo que não seja esse o motivo, sair de um show desses te faz pensar que a força dele está agora concentrada ali.


BNegão e os Seletores de Frequência - 22/08/10


Com o reforço de Marlon Sette no trombone , BNegão manteve a formação que já o acompanha há pelo menos uns dois anos. Um baita time de músicos, como o baixista hardcore-dub Fábio Kalunga (da banda Cabeça) e Pedrão Selector, que toca trompete, guitarra e às vezes divide vocais com Bê.


BNegão e os Seletores de Frequência - 22/08/10


Dividir e distribuir espaço para cada um dos músicos ali parece ser natural para BNegão, embora ele permaneça o tempo todo como a carismática função central de líder da gangue. Ele também é habilidoso em construir um show onde você ouve dub, funk, hardcore, samba, afrobeat, rock, pancadão, tudo amarrado com uma unidade inexplicável.


BNegão e os Seletores de Frequência - 22/08/10


Depois de passar anos tocando basicamente as músicas do primeiro disco, desde o ano passado começaram a surgir novas canções, como "Reação" e a afro-instrumental "Juju". Na mini-temporada no Oi Futuro, como o ótimo som da casa, elas já causam expectativa pelo demorado processo de feitura do próximo trabalho. Como diria BNegão, “o processo é lento”. Mas pelo visto compensa.


BNegão e os Seletores de Frequência - 22/08/10

domingo, 9 de janeiro de 2011

25 shows nacionais de 2010 - 19: Gabriel Muzak

| Nenhum comentário
19 - Gabriel Muzak
01/09/10 - Casa da Gávea
27/10/10 - Circo Voador, Festival Mola


Gabriel Muzak - 27/10/10


Tive a sorte de ver não só um, mas dois shows do Gabriel Muzak ano passado. O primeiro, na Casa da Gávea, leva um repeteco do texto que escrevi aí embaixo. O segundo, durante o MoLA no Circo Voador, confirma o que escrevi antes, com Muzak ainda mais confortável em seu desconforto com o papel central numa banda. E vice-versa.


Gabriel Muzak - 01/09/10


Entre o final de 2005 e ontem (01/09/10) eu assisti a três shows de Gabriel Muzak. Se ele fez algum outro show além desses três nesse período deve ter sido algo bem secreto e pouco divulgado, caso contrário eu estaria lá. Porque é bom ouvir um artista que consegue condensar e extrair o melhor do som daquilo que orbita em torno dele.



É como se ele respirasse o som das ruas no caminho da casa para o estúdio, do estúdio para a casa. E o que existe nas ruas do Rio de Gabriel Muzak? Tem samba que é tudo menos samba, falatório em boteco, o Rogério Skylab e o Zumbi do Mato, prateleira de supermercado, o DomênicoMorenoKassin, engarrafamento, o rap com palavras que ultrapassam a métrica, Jimi Hendrix, Funk (Fuckers), Rock(z), bossa nova, DJ e o escambau.



Gabriel Muzak - 01/09/10



Ele respira tudo isso (e no caso do Muzak, antigamente conhecido como Nareba - não somos parentes -, há espaço ali para respirar isso tudo) e quando solta o ar pela boca o que aparece é, como ele mesmo faz referência, um sistema de som tropical orgulhoso de uma condição terceiro mundista hoje em dia nem tão mais em voga assim, mas extremamente relevante.



E é com essas intenções, muito mais do que pós-tropicalistas e sim, intenções de um "pós-maldito", que, assim como os artistas "malditos" dos anos 70, lutavam contra suas inadequações para mostrar sua genialidade em cima de um palco, Muzak entra em conflito com as próprias palavras e sua própria presença física entre uma música e outra. Mas quando é a hora do show é que sua missão de entreter e mostrar o seu mundo se consagra.


Gabriel Muzak - 01/09/10


Outro fato curioso é que os três shows que vi do Gabriel Muzak nos últimos cinco anos foram com formações totalmente diferentes. Desta vez quem o acompanhou foi Rafael Rocha na bateria, Alberto Continentino no baixo e Fábio Lima na outra guitarra. O que não fica alterado mesmo é a qualidade.



Gabriel Muzak - 01/09/10

sábado, 8 de janeiro de 2011

25 shows nacionais de 2010 - 20: Velhas Virgens

| Nenhum comentário
20 - Velhas Virgens
27/02/10 - Circo Voador, Festival Grito Rock
16/05/10 - Virada Cultural, São Paulo


Velhas Virgens - 16/05/10


Quem poderia imaginar? Bom, eu já tinha ouvido muito elogio, mas não botava fé. Uma banda caricata tocando músicas que só falavam de putaria, putaria, putaria... Falam também de álcool, mas só como pretexto para mais putaria. Foi isso que falei sobre o show deles no Circo Voador e vale o mesmo para quando eles tocaram numa fria madrugada na cracolândia de são Paulo, onde foi a Virada Cultural. Mas confira comigo no replay.


Velhas Virgens - 27/02/10


Não achei que, conhecendo o pouco que conhecia do Velhas Virgens o resultado seria algo legal, mas... olha, que show. Com cenários e figurinos a banda entrega aos fãs que lotaram a tenda um rock pesado e dançante com toques de blues, punk (até cantando "Surfista Calhorda" dos Replicantes no meio de uma das músicas) e hardcore (com uma versão do samba "Eu Bebo Sim").


Velhas Virgens - 27/02/10


A temática se resume a falar 95% do tempo de putaria, como já transparece no título das músicas: "Siririca Baby", "Abre Essas Pernas", "Ninguém Beija Como As Lésbicas". O restante do tempo é pra falar sobre álcool, o que acaba levando para a putaria de qualquer forma.


Velhas Virgens - 27/02/10


E acreditem, essa equação funciona bem com rock'n'roll, ainda mais se você levar isso pelo lado humorístico da coisa, o que é facilitado pela performance do vocalista Paulão, cheio de discursos hilários entre as músicas, onde "minha rola" é a expressão mais comum. Isso quando ele não desce no meio da galera e ensina uma loirinha a pegar na rola do namorado em uma demonstração, hum, prática de como fazer isso (isto é, ele mesmo segura o pau do cara).


Velhas Virgens - 27/02/10


Juliana, a outra vocalista, não fica muito atrás ao beijar na boca uma fã mais exaltada que subiu ao palco. Cenas desse nível foram se repetindo ao longo do show que, assim como no Móveis Coloniais de Acaju no dia anterior, o carnaval aconteceu, dessa vez em forma de marchinhas depravadas e de duplo sentido ou de único sentido pervertido mesmo.


Velhas Virgens - 27/02/10


Velhas Virgens - 27/02/10

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

25 shows nacionais de 2010 - 21: Acabou La Tequila

| 4 comentários
21 - Acabou La Tequila
13/06/10 - Oi Futuro Ipanema
06/09/10 - Teatro Odisséia


Acabou La Tequila - 06/09/10


Uma característica comum em vários grupos cariocas dos anos 90 era que o show dava certo mais por alguma força divina do que por um esforço conjunto dos seus integrantes. Não me levem a mal, o pessoal do Planet Hemp mesmo dizia, com um certo orgulho, que eles praticamente não ensaiavam e que muitas coisas iam acontecendo de improviso em cima do palco.


Acabou La Tequila - 06/09/10


Verdade ou não, seria realmente motivo de felicidade, considerando os elogios do público cada vez maior que iam arrastando nas apresentações que não eram proibidas pela justiça. Outros grupos, como o Rappa e Funk Fuckers (integrantes de uma auto-denominada Hemp Family, por coincidência ou não) também iam pelo mesmo caminho: um bando de malucos que se junta, sabe o que fazer, mas só descobre na hora como fazer.


Acabou La Tequila - 13/06/10


Talvez eu pudesse dizer o mesmo do Acabou La Tequila, sendo que este não era integrante da “Hemp Family”. Talvez eles se comportassem assim na época, mas a única vez que os assisti, fiquei mais interessado em um telão apresentando acidentes em provas de motovelocidade.



Era 1997, em um dos Expo Alternatives que aconteciam de vez em quando. O destaque da noite foi o Resist Control, de Curitiba. Havia também uma banda que tocava uma versão porrada de “Pra Não Dizer Que Não Falei de Flores” e o Baba Cósmica acabando tudo antes do tempo porque o então baterista e hoje produtor Rafael Ramos furou a caixa da bateria.



A percepção sobre o show do Tequila, com a qual meus amigos concordaram, era: foi bom, só que o telão foi mais legal. Mas conhecia a boa fama dos caras e em 2004 tive a chance de conferi-los no Curitiba Rock Festival, abrindo para o Weezer e fizeram um showzaço, um grande bônus para uma viagem que, graças à atração principal, eu faria de qualquer maneira.



Essa foi uma das esporádicas apresentações do ALT nos anos 2000, onde havia um clima de “encontro da classe de 95”, além de poder divulgar as músicas do seu segundo disco, O Som da Moda, lançado em 2004, anos depois de ter sido gravado.



Ok, voltemos a 2010. Show do Canastra, um final de semana em temporada no teatro Oi Futuro Ipanema. Como convidados no domingo, o Acabou La Tequila, sendo que as duas bandas possuem o mesmo vocalista, Renato Martins, outrora Venatinho Renenoso. Da formação original, lá estava o Kassin com uma guitarra ultra barulhenta, Léo Monteiro na sua bateria-coadjuvante, e Nervoso, que deixou as baquetas para se dedicar a teclados e samplers.


Acabou La Tequila - 13/06/10



Nos novos parceiros da encarnação 2010 do Tequila a bateria “principal” fica por conta de Rodrigo Barba e o baixo fica a cargo de Melvin Ribeiro, ambos com bandas (Los Hermanos e Carbona) surgidas nos anos 90. E como eu disse, não cheguei a perceber isso na época, mas hoje eles parecem um bando de malucos que sabe bem o que fazer, mas só descobre na hora o que fazer.


Acabou La Tequila - 06/09/10


No Oi Futuro havia um clima de amigos saudosistas aproveitando um domingo vazio. A reação de um público bem mais jovem no show “pra valer” deles, que aconteceu no Teatro Odisséia, dançando e se empolgando com o hardcore-country-ska-brega-rock-swing-e-o-que-mais-vier do grupo mostra que não é preciso muito ensaio quando estamos falando de músicas como “Ferina”, “Autocombustão”, “Deus Abençoe Pitágoras”, “Lá em Tijuana”, “Som da Moda”, “Flamming Moe”, “O Fim”, etc. As músicas muitas vezes falam por si só.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

25 shows nacionais de 2010 - 22: Orquestra Brasileira de Música Jamaicana

| 2 comentários
22 - Orquestra Brasileira de Música Jamaicana
15/05/10 - Virada Cultural, São Paulo
04/06/10 - Oi Futuro Ipanema


Orquestra Brasileira de Música Jamaicana - 15/05/10


A Orquestra Brasileira de Música Jamaicana... nossa, cansei só de escrever isso... A OBMJ é a solução mais certeira para um conjunto de músicos de São Paulo que adoram ska poder mostrar esse maravilhoso ritmo para os fãs de standards da música brasileira. E, bem importante dizer, vice-versa.



Um clima de orquestra, daquelas bem comportadas, com ternos que se confundem entre a sisudez erudita de tempos inalcançaveis e a rudeza festiva da Londres de dois tons do fim dos anos 70, quebrado pelos círculos de várias cores espalhados pelos apoios para partituras.


Orquestra Brasileira de Música Jamaicana - 04/06/10



É assim que a OBMJ leva essa proposta mpb-ska para os palcos, iniciando de forma solene, como se tivessem tomado conta do nefasto programa de rádio obrigatório A Voz do Brasil e anunciar que em Brasília é hora de ska. Essa é a deixa para tocar (em São Paulo na Virada Cultural e no Oi Futuro Ipanema do Rio) o tema clássico “O Guarani” de Carlos Gomes.



A partir daí seguem-se um punhado de pedras fundamentais da música brasileira transformadas em um som de bailão jamaicano, como se tivessem sido feitas sempre para isso. O fato de as melodias estarem cravadas em nosso inconsciente também ajuda, e dá-lhe bossa nova (“O Barquinho”), Tom Jobim (“Águas de Março”), Jorge Ben / Mutantes (“Minha Menina”), Chico Buarque (“Cotidiano”) com direito a coreografia, Pixinguinha e uma volta surpreendente ao universo clássico, com Villa Lobos e “Trenzinho do Caipira”.


Orquestra Brasileira de Música Jamaicana - 04/06/10


Eles ainda conseguem espaço para colocar duas músicas originais: “Ska Around The Nation” e “Revolution Ska”. Como é ano do centenário de Adoniran Barbosa, foram muito oportunos em tocarem “Trem das 11” no show da Virada Cultural.



Aquele era um dos primeiros dos quase vinte shows que eu veria até o dia seguinte na capital paulista e não poderia haver início melhor.


Orquestra Brasileira de Música Jamaicana - 15/05/10

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

25 shows nacionais de 2010 - 23: Maquinado

| Nenhum comentário
23 - Maquinado
27/04/10 - Teatro Odisséia


Acontece em um daqueles finais de semana com farto cardápio musical, onde os glutões não se contêm e querem experimentar todos os pratos. Na mesma noite em que Jonathan Richman encantava os seus pouquíssimos fãs no Circo Voador, havia a opção de um Lúcio Maia ali do lado, mais tarde, no Teatro Odisséia, lançando seu segundo disco solo sob a alcunha de Maquinado. Escrevi sobre isso na época e reproduzo aqui novamente.


Maquinado - 17/04/10



Depois de acabar de assistir ao show de uma figura lendária e das mais influentes (e desconhecida por aqui) na música internacional, será que valeria a pena assistir ao projeto paralelo de Lúcio Maia da Nação Zumbi? Essa pergunta deveria ser retórica, afinal estamos falando do maior guitarrista do mundo na atualidade.


Então, depois de sair extasiado com o que Jonathan Richman havia feito no Circo Voador e passar na hora que o Maquinado iniciava seus trabalhos no Teatro Odisséia, não havia outra opção.


Nesse mesmo fim de semana aconteceu o Coachella, festival americano incensado por jornalistas e blogueiros ligados em música. Isso porque traz dezenas de shows bacanas e numa dessas você pode assistir um Pavement e logo depois um Public Image Ltd. Ou um LCD Soundsystem e no palco do lado está começando o Them Crooked Vultures. Não sei se a ordem dos shows lá foi essa. Mas ter a oportunidade de ver Jonathan Richman e logo depois Maquinado é sequência digna de um Coachella.


Maquinado - 17/04/10


Apesar de não só eu, mas muita gente considerar o Lúcio Maia o maior dentro das 6 cordas da guitarra hoje em dia, isso não significa que veremos um show de virtuosismo com solos intermináveis. Acompanhado do baixista (Rian Batista) e do guitarrista (Regis Damasceno) do Cidadão Instigado, mais Gustavo da Lua (Nação Zumbi) na percussão, PG (Mamelo Soundsystem) nas programações e pickups e Beto Apnéia na bateria, a onda aqui é mostrar as possibilidades sonoras de uma guitarra dentro de um som feito em parte para dançar e em parte para mostrar que, fora Jimi Hendrix, os heróis de Lúcio estão quase todos longe do instrumento com o qual é identificado.


Maquinado - 17/04/10


A galeria de ilustres que Lúcio expõe nas versões que faz é composta desde Nelson Cavaquinho e Baden Powell ("Juízo Final" e "Canto de Ossanha", respectivamente), Jorge Ben ("Zumbi"), Bad Brains ("I and I"), Mundo Livre S/A ("Super Homem Plus"), Kraftwerk ("Computer Love") e João Donato ("Cala Boca Menino").


Maquinado - 17/04/10


Releia os nomes acima e pense em alguém capaz de tocar tudo isso numa mesma noite. Melhor ainda, criar uma unidade e costurar um baile ao mesmo tempo cadenciado e barulhento. As composições próprias, presentes nos dois discos do Maquinado, acabam perdendo muito espaço dentro do setlist, mas no final tudo isso parece ser material de uma mesma banda.


Maquinado - 17/04/10


Na volta para o bis, Lúcio puxa vários riffs clássicos de rock (Led Zeppelin, Black Sabbath) e os encaixa dentro de uma batida eletrônica / orgânica e desemboca em "Rational Culture" do Tim Maia. "Vendi a Alma" condensa muitas das influências do guitarrista, começando pesada, se transformando em um samba retorcido de tão torto e entrando em um discurso com jeito de ficção científica. Termina apocalíptico com o peso de volta onde aí sim os solos de guitarra surgem, que só mostram o quanto elas servem à música, e não o contrário. E exatamente por isso hoje Lúcio Maia é o maior guitarrista do mundo.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

25 shows nacionais de 2010 - 24: Porcas Borboletas

| Nenhum comentário
24 - Porcas Borboletas
13/05/10 - Teatro Odisséia, Festival Fora do Eixo



Porcas Borboletas - 13/05/10


Donos de um espírito cuidadosamente anárquico em cima do palco e apreciadores do movimento de vanguarda dos anos 80 conhecidos como Lira Paulistana, os mineiros do Porcas Borboletas fizeram em maio um dos melhores momentos do Festival Fora do Eixo no Teatro Odisséia e certamente o que teve maior presença e participação do público (embora o melhor show daquela noite ainda apareça mais pra frente nessa lista). O que escrevi sobre o show na época foi:


E quem agradou mais, pra minha surpresa, foi o Porcas Borboletas, a banda seguinte a se apresentar. Aparentando ser o grupo que tinha mais fãs esperando por eles, os mineiros lembram um pouco a vanguarda paulistana dos anos 80 (não é à toa que há referência a Arrigo Barnabé aqui e ali em suas músicas).


Porcas Borboletas - 13/05/10


Performáticos, estranhos, fazem uma tremenda bagunça e caos no palco. Um percussionista denominado como preto véio sai destruindo latas de tinta que golpeia furiosamente, um dos vocalistas fica jogando água em si mesmo e plantando bananeira enquanto outro se arrasta pelo chão do palco.


Porcas Borboletas - 13/05/10


Isso tudo seria uma enorme bobagem se não fosse a eficiência das suas canções, que, por mais que também tragam uma boa dose de estranheza, tem uma cativante verve pop e original, como "Super-Herói Playboy", "Menos", "Beijo Menta", "Nome Próprio" e "Estrela Decadente". Com o público extasiado pedindo bis, apesar do horário e de ainda ter mais uma banda a tocar, voltaram para tocar "Cerveja", dos ótimos versos "É melhor dizer / 'amor, acabou a cerveja' / do que chorar / 'cerveja, acabou o amor'". Bobo e eficiente.


Porcas Borboletas - 13/05/10

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

25 shows nacionais de 2010 - 25: Otto

| Nenhum comentário
Começo a partir de hoje a colocar os nomes que formam a lista de 25 shows de artistas nacionais (entre mais de uma centena que assisti em 2010) que para mim representam o que foi o ano. Vamos lá.



25 - Otto
03/07/10 - Circo Voador
27/11/10 - Evento Brasilidade, Arcos da Lapa


Otto - 03/07/10


Embora tenha sido em 2009 o lançamento de Certa Manhã Acordei de Sonhos Intranquilos, foi em 2010 que Otto e seu disco ganharam notoriedade. Primeiro, pela música “Crua” – sem o palavrão que consta na versão original – presente em trilha de novela global.



Segundo, pelos shows feitos por todo o Brasil com sua banda batizada de Jambro Band, que conta com os suspeitos de sempre: Pupilo (Nação Zumbi) na bateria, Régis Damasceno (Cidadão Instigado) no baixo, Junior Boca (3 Na Massa) em uma guitarra, Bactéria (ex-Mundo Livre S/A) nos teclados e uma dupla de percussionistas que faz o ajuntamento ter a medida certa de peso e molejo.


Otto - 03/07/10


A outra guitarra é ocupada pelo líder do Cidadão Instigado, Fernando Catatau, e é tratado com tanta reverência por Otto que é possível imaginar que Catatau se iguale em importância no show. No mínimo, quando a música “6 Minutos” é tocada, cheia de frases de guitarra que disputam espaço ferozmente com a voz de Otto. Mas nos dois shows que pude conferir ao vivo isso não aconteceu. A banda é muito forte como um todo para que alguém consiga se sobressair.



Além de Otto, claro. É ele que energiza a platéia, tomando um banho de água mineral já na segunda música e tirando a camisa repetidas vezes, mostrando sua volumosa barriga. O carisma de Otto é algo até difícil de explicar, já que os fãs se empolgam até com suas palavras balbuciadas, que mal conseguem formar uma frase com qualquer significado.


Otto - 03/07/10


Mas é impossível negar que o pernambucano, cada vez mais parecido com o Will Ferrell no esquete “more cowbell” do Saturday Night Live, defende suas canções com uma paixão muito acima da média de outros cantores por aqui. E é aí que reside a admiração do público por suas loucuras.


Otto - 03/07/10


A base do repertório é o disco Certa Manhã..., sem deixar de esquecer alguns dos momentos emblemáticos dos seus trabalhos anteriores. O que não é garantia que “Bob”, “TV a Cabo” ou “Renault / Peugeot”, alguns dos pontos altos do primeiro disco, sejam cantadas. Já “Ciranda de Maluco” e “Cuba” são constantes no setlist.


Otto - 03/07/10


Os dois shows que vi de Otto em 2010 foram bons, mas em duas ocasiões que pude vê-lo online (no SWU e em um Conexão Vivo em algum canto do Brasil) é que mostraram a catarse que ele anda espalhando por onde passa. More cowbell!


Otto - 03/07/10

sábado, 1 de janeiro de 2011

Feliz Ano Novo!

| 1 comentário
Então começamos 2011.


Estou escrevendo para você que porventura entrou agora ou durante o primeiro dia do novo ano.


Talvez hoje seja um dia como outro qualquer, mas por conta de calendários e tradições, acabamos por dar uma olhada no que passamos e criar expectativas para o que está para acontecer.


Temos medo e dúvidas sobre o que queremos e como fazer para dar tudo certo.



Mas chegou a hora de ser feliz e nada a ver isso de deixar ela ali na porta esperando.







Isso é só o começo.