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segunda-feira, 27 de julho de 2009

Depois de uma semana ela voltou para casa

Cat Power na HSBC Arena (19/07/2009)

txt Jeferson Farias Calazans
fts
HSBC Arena


Ao acordar na manhã do dia 20 de julho de 2009, eu esperava estar radiante de felicidade com o fato de ter ido ver a Cat Power. Esse momento era muito aguardado por mim desde a última passagem dela pelo Rio de Janeiro, no Tim Festival de 2007, quando eu ainda cursava o Ensino Médio e não tinha dinheiro para comprar o ingresso.

Ela só viria ao Brasil para se apresentar em São Paulo, mas na última hora apareceu uma data no Rio de Janeiro, no dia o 19 de julho na HSBC Arena, a maior casa de shows do Rio, e que costuma cobrar caro pelos ingressos. Comprei o meu e fiquei aguardando o tão sonhado dia chegar. Também tive de montar um esquema sinistro para poder me deslocar de Campo Grande num domingo, manja? A HSBC “longe” Arena tem uma baita de uma estrutura, mas fica num lugar com uma localização péssima e acaba dando uma inviabilizada no processo.

O grande dia chegou e o clima era de pura felicidade, saí de casa bem cedo para chegar com tranqüilidade até a arena. Ao chegar, confesso que fiquei meio espantado ao ver pouquíssimas pessoas aguardando a abertura dos portões. Eu sei que foi marcado num domingo e o tempo não estava ajudando muito, mas encontrar menos de 30 pessoas não foi nada animador. Os portões foram abertos por volta de 18h45min e outros poucos entramos. Com o tempo a casa começou a ser infestada pelos "vips". Eles eram maioria nas cadeiras, e como sempre, só aparecem pra fazer uma social. Vi muitas pessoas chegarem depois do início e na metade. Fora quem levantava toda hora para ir ao banheiro, fumar, etc.

Até as luzes se apagarem foram momentos de muito apreensão, e tudo o que eu fazia não parecia ajudar muito, até a pizza não ajudou (muito pelo contrário...). Só quando entraram Judah Bauer (guitarra), Gregg Foreman (teclado), Erik Paparazzi (baixo), Jim White (bateria) e a musa Chan Marshall... Já não lembrava mais da pizza. Com apenas um figurino básico e uma banda coesa ela criou uma atmosfera única.


O palco era bem simples, sem nenhuma parafernália, o destaque era a banda e a musa. A banda dava suporte para a Cat e crescia em alguns momentos das músicas, principalmente devido a performance avassaladora do baterista Jim White, um dos destaques da noite ao lado da Chan e sua voz. Seu jeito de cantar me intriga, como um marinheiro nas estórias das sereias eu fiquei hipnotizado com sua voz, completamente embasbacado. Qualquer música que ela cantasse seria linda, com o repertório afiado então, foi incrível.

A maioria das músicas na setlist são covers, grande parte presente no disco “Jukebox” e no EP “Dark End Of The Street”, que ganham uma nova dimensão pela interpretação da Cat Power. Principalmente ao vivo, graças a sua voz músicas atingem alturas diferentes e conhecem novos ares. As versões de “Silver Stallion” e “Ramblin’ (wo)man” ficaram especialmente emocionantes.

O intervalo foi alucinógeno, com a apenas o tecladista e o guitarrista no palco iniciou-se uma apresentação totalmente diferente do habitual. Que começou interessante, mais hei de confessar, ao olhar pro relógio e ver que eles estavam tocando a mesma coisa há 10 minutos... Bem, quando a Cat surgiu no palco, já cantando “Blue”, foi libertador.


Ela, muito tímida, evitava encarar o público e ensaiava várias caras e coreografias. Quase nada foi dito ao público durante o show, tudo compensado com música. Os clássicos empetrepados por ela com o apoio da Dirty Delta Blues (sua banda) agradam a qualquer amante da boa música. Quem se interessou, viu uma apresentação encantadora, pena que a maioria não entrou nessa sintonia. O que causou um certo incomodo em parte do público, por não ver muita gente correspondendo a energia.

Vários momentos fizeram o show ótimo, mas mesmo assim, desgastante. Não havia eco em grande parte das pessoas presentes na arena, que visivelmente não se interessavam pela música, e pouco a pouco o poder da voz da Cat foi se perdendo, caindo. Junto disso a insuportável equipe da casa que a ignorava, só queriam mesmo saber de te empurrar uma bela pizza.

Desculpas e mais desculpas marcaram o fim do show que nem teve bis. Chan não parecia bem, percebeu que não tinha dado o melhor de si e que o público “frio” não estava nem aí para ela. A mim só restou ir para um restaurante próximo, e afogar minhas mágoas em... Pizza. Acabou em pizza, assim como tudo no Brasil.

Acordei com a sensação de que poderia ter sido melhor, será que teremos outra chance?

Um comentário:

ɐuıɹpuɐxǝlɐ disse...

Que pena que o público reagiu assim...
Concordo que agora, fica mais dificil de ela ir ao Rio denovo ;/
que pena