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sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Muse - Vivo Rio - 30/07/2008

Sabbath-Head

30/07/08 - Muse

Em mais de oito meses de blog, essa é somente a terceira apresentação internacional sobre o qual La Cumbuca contará (e mesmo assim, de forma bem pouco detalhada). Antes já falamos sobre o show da Jane Birkin e sobre a festa de Eugene Hutz do Gogol Bordello, ambos momentos maravilhosos na cidade que supostamente possui o mesmo adjetivo. E o trio inglês Muse não ficou atrás não. Vocês querem as boas ou más notícias?

Começando pelos problemas: o som do Morto-Vivo Rio continua muito fraquinho, apesar de alguma melhoria desde o último show que vi ali, dos Mutantes. Mesmo assim, o som poderoso do Muse merecia um pouco mais de potência. De onde eu estava a voz de Mathew Bellamy não era muito nítida. A pista do Vivo Rio é péssima para ver o palco, mesmo que você tenha 1,80m de altura. Ou aumenta o palco ou faz o chão da pista inclinado, igual aquela casa de shows da Barra que muda de nome.


Mas o que mata mesmo é essa gananciosa invenção recente, um curral que separa o público que paga "somente" a meia-entrada de 60 reais de uma pista vip, com pessoas que ou pagaram o dobro disso ou (em muitos casos) não pagaram nada. Estamos falando de um show de rock! Os mais fanáticos pela banda costumavam ficar cedo na fila, antes da abertura dos portões, para garantir o seu lugar na frente do palco, para ver seu artista preferido de perto. Você ainda pode fazer isso, se tiver 120 ou 240 reais. Se não, vai ver a banda lá longe mesmo. Não faço questão de ficar colado no palco, mas gosto de enxergar a banda que estou ouvindo. E haver uma barreira me separando das carnes mais nobres me faz sentir como gado. Carne de segunda ainda por cima. Não pretendo pagar tão caro para ter essa sensação outra vez, apesar do show desmanchar todo esse meu mimimi acima (e nem falei do calor que fazia).

Então vamos a parte boa.


30/07/08 - Muse


Para quem não sabe como é o som do Muse, talvez o mais simplista seja dizer que é como se o vocalista do Black Sabbath fosse o Thom Yorke, do Radiohead, e não o Ozzy Osbourne. Mas existe muito mais do que isso num - ai, clichês - turbilhão de referências que o trio possui. Passam por ali, além de influências do metal - que acaba sendo aquilo que faz a diferença deles para outras tantas bandas inglesas com cantos lamuriosos - programações eletrônicas, música clássica, ópera, punk rock, brit pop, progressivo e até funk-metal. E até Prince! Vide Supermassive Blackhole. Mas a textura de guitarras, numa revisitação do hard rock dos anos 70 os tornam próximos de contemporâneos como Smashing Pumpkins, Silverchair, Wolfmother e até o neo-grunge do The Vines, tanto quanto passam por ali os medalhões em que todos esses se inspiraram, Led Zeppelin, Beatles, Deep Purple, Queen, etc. Todas essas influências que estão nos discos são passadas pelo grupo no show com extrema competência.


30/07/08 - Muse


O vocalista Mathew Bellamy não fala com o público, mais preocupado em apresentar bem o som cheio de nunances e sutilezas que poderiam ser melhor apreciados num lugar que não fosse o Vivo Rio. Logo na primeira música, "Knights of Cydonia", bem mais potente que no disco, mais próxima da gravação ao vivo contida em HAARP - Live at Wembley Stadium, com sua mistura de surf music, Iron Maiden, Ennio Morricone e Queen. A galera atrás do curral pula e entoa a melodia da música. No telão, quando os instrumentos se calam e ficam só as vozes, aparece a letra da música, uma espécie de auto-ajuda para hooligans ("Você e eu devemos lutar para sobreviver"), da mesma forma que mais tarde "Invincible" seria entoada ("Esta noite nós podemos realmente dizer / Que juntos somos invencíveis").

30/07/08 - Muse


Quando Bellamy começa a dedilhar velozmente sua guitarra um nome surgiu para mim e quase compulsivamente gritei: Satriani! O virtuoso e careca guitarrista ficaria orgulhoso do baixinho inglês naquele momento. E eu fico muito mais orgulhoso de ele não ter feito aquele solo por 5 minutos. Essa é uma das diferenças do Muse: usar todos esses elementos, muitos deles quase bregas, na hora certa, na quantidade certa. Não sei qual a real intenção do Muse com os canhões de luzes e fumaça, com as gigantes bolas brancas com papel picado dentro e com o telão mostrando fogos de artifício. Creio que seja brincar levando a sério com os velhos truques do Rock de arena. Afinal de contas a banda não é caricata, eles não se vestem igual o cara do Darkness, por exemplo. Todos são muito discretos, com exceção do desfile de cartolas do baterista, mesmo assim, mais por farra do que uma preocupação de figurino. Eles não pedem para o público "cantájunto", no máximo o baterista (ele de novo) faz sinal para o povo bater palma. Ou seja, tudo muito divertido, sem a sisudez-humor-involuntário ou galhofa declarada dos grupos de metal. Se a intenção era divertir e deixar esse show guardado na memória de quem foi, conseguiram.

30/07/08 - Muse


Lista do show, de acordo com o http://musepress.blogspot.com:


Intro - Dance Of The Knights
01 - Knights Of Cydonia
02 - Hysteria + The Groove*
03 - Dead Star
04 - Map Of The Problematique + Outro
05 - Supermassive Black Hole
06 - Butterflies And Hurricanes
07 - Sunburn
08 - Jazz Intro + Feeling Good (Com "Confetes" da Platéia)
09 - Osaka Jam
10 - Invincible**
11 - New Born + Riff 1 + Riff 2
12 - Starlight
13 - Bossa Nova Intro*** + Time Is Running Out
14 - Plug In Baby (Com Balões)

-bis-

15 - Stockholm Syndrome + Riff 1 + Riff 2 + Riff 3
16 - Take A Bow

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*Cerca de 2 minutos de Jam Session
**Meio tom abaixo.
***Talvez alguma obra de Villa-Lobos.

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