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quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Passado: HPP 2009 - 18

Resenha dos shows de Nayah e Stereo Maracanã no HPP2009.

20/01/2009
Rimas Coloridas

A mistura de ritmos botando todo mundo pra dançar



20 de janeiro de 2009, além de ser feriado no Rio de Janeiro (dia do padroeiro da cidade), marca também o histórico dia da posse do primeiro presidente negro dos Estados Unidos. No Espaço Sérgio Porto foi realizada uma festa em celebração à música negra com os grupos Stereo Maracanã e Nayah, sem que fosse muito lembrado o que acontecia ao norte do planeta.



Aqui, o papo era: reggae, ragga, dub, dancehall (resumindo: sons da Jamaica), rap, capoeira, samba-rock, funk carioca e o de James Brown. Música de gueto, à margem, feita por negros, brancos e tantas outras cores existentes entre elas.



E não faltaram cores no reggae-rap do Nayah. Cores vermelhas nas esculturas montadas no palco e nas penas colocadas em alguns dos microfones. O branco e o preto salpicados em painéis montados nas laterais. E outras tantas cores pintadas no rosto e no corpo dos três vocalistas e no baterista, fantasiados como se fossem reis de uma tribo existente em um universo paralelo, baseado na concepção do artista plástico Bernardo Ramalho.



Nayah fez tudo a que tinha direito, até mesmo lançamento do clipe da música "Esse Som É Pra Você" e participação de três garotinhos com cartolas brilhante e óculos, com "amor" escrito no peito e de pés descalços dançando uma mistura de break, dança de rua e samba.



Entre os três reis-vocalistas, Kid Mumu é o responsável por cantar as melodias, enquanto JPunk e Renzo Goldoni se encarregam de rimas no formato rap. Desde o começo, com "É Isso", dá para notar que a banda imprime um peso de rock ao reggae e ao ragga que é executado. Mas isso sem deixar de sentir a energia do pop bem executado, resultando o equilíbrio necessário para fazer o povo balançar.



O Rappa certamente é uma grande influência na banda, assim como Manu Chao, Damian Marley e Chico Science, o último com uma versão muito boa de "Banditismo Por Uma Questão de Classe" e citações de "Etnia".



Stereo Maracanã também tem sua mistura de etnias, culturas e sons. Aqui o rap continua, mas o reggae vai se afastando e em seu lugar entra um elemento inusitado: o berimbau tocado pelo mestre capoeirista Bruno Pé-de-Boi.



A miscigenação dentro da cultura negra ainda comporta tanto os bailes black dos anos 70 (com o funk , soul e disco da época) quanto os bailes funk de hoje. Os convidados Garnizé na percussão e Marlon Sette no trombone trazem melodia e suíngue ao rap pesadão de "Firme No Blindão", com bateria potente de Ruvício. Enquanto isso Maurício Pacheco cuida das programações que são lançadas por um laptop ao mesmo tempo em que se alterna entre baixo e guitarra.



Mas o destaque da banda é o rapper Jovem Cerebral. Comunicativo, com boas frases ("O Rio precisa de cultura", "vamos dançar, vamos queimar caloria!") , bons improvisos e ótimas rimas, ele conquista fácil o pessoal, que entra em sintonia com o Stereo.



Entre citações ao combatente Bob Marley, à Katia Flávia de Fausto Fawcett e ao Sossego do Tim Maia, chega a hora da capoeira ter seu lugar. Jovem Cerebral desacelera um pouco (mas não muito) as rimas para começar a cantar o maculelê e a resposta do público é imediata.



Logo era o mestre Pé-de-Boi a assumir os vocais, o que se transforma em senha para uma roda se abrir e algumas pessoas praticarem a luta em forma de dança, movimentos de braços no chão e pernas ao ar, tudo isso com o som pesado da banda ao fundo, o que parece dar mais velocidade e energia aos capoeiristas.



Com uma platéia já mais do que ganha depois disso, Maurício Pacheco chama Tonho Crocco, ex-vocalista do Ultramen e aí fica fácil demais, para todo mundo dançar com o samba-rock "Dívida", sucesso de autoria do gaúcho convidado, enquanto no telão aparecem imagens de Obama chegando e Bush indo.



Tonho fica na guitarra e vocais até o fim do show, com a fantástica "Braço", música do Stereo com potencial enorme de hit, e "Freestyle Love", que abriu as portas para o grupo na Europa. Nesta noite, abriu sorrisos de quem curtiu tudo até o fim.

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