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quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Passado: HPP 2009 - 19

Resenha dos shows de João Ferraz e Momo no Humaitá Pra Peixe do ano passado.


23/01/2009
De Mansinho

João Ferraz Grupo, MOMO e a timidez que vira estilo



Os dois líderes das bandas que tocaram na terceira sexta-feira do HPP na Baden Powell têm alguns pontos em comum. Fazem uma música calma com momentos grandiosos, para se admirar, são influenciados pelo Clube da Esquina, parecem tímidos no contato com o público, tocam violão, cada qual a seu modo.



E a partir daí os caminhos de um levam a uma mistura de jazz e mpb e de outro levam ao folk e à psicodelia (e mpb também, porque não?) que talvez expliquem como soam tão diferentes o projeto MOMO e João Ferraz Grupo.



Só de ver o palco antes da entrada do João Ferraz Grupo, com o contrabaixo acústico e o piano Rhodes, já dava para imaginar que viria música sofisticada. O som é de jazz, mas com molho brasileiro, samba.



O que fica claro até no nome da primeira música, "Samba Pra T", com mudanças de andamento e solos de bateria de Rike Frainer e do Rhodes de Marco Tommaso. Na música seguinte, "Rochedão" o solo fica por conta do sax soprano de Yuri Villar.



"Rochedão" é apenas um dos títulos dados por João Ferraz que remonta às suas memórias. Ele explica que rochedão é um prato-feito de Belo Horizonte, "muito bom" segundo João, na primeira vez que fala com a platéia. Depois viriam "Formiga" e "Ponte Vila", nomes de músicas e de lugares de sua Minas Gerais, que fica presente nos nomes das músicas, no sotaque e também na timidez de João.



Mas é uma timidez bem mineira mesmo, daquele jeito de chegar de mansinho, de fazer charme, e de repente já estar ali, íntimo de todos. Funciona bem, até quando ele parece se esconder atrás do violão em alguns momentos em que dedilhava o instrumento.



No show do Grupo, a música instrumental é predominante. Mesmo a voz de Marcela Velon está ali para servir de instrumento, emitindo sons sem palavras, com exceção de "Carta à Saudade" e no apoio no refrão de "Praga de Ex", esta cantada pelo percussionista Fael Mondego.



Marcelo Frota, o MOMO, tem uma relação diferente com a platéia, falando no máximo o nome dos músicos que o acompanham no intervalo entre uma canção e outra. Talvez seja timidez também. A comunicação de MOMO é mesmo através da melancolia das suas melodias.



Mesmo quando canta "Eu / Me sinto tão feliz / A ponto de explodir" em "Tão Feliz", o que se ouve é um canto de tristeza, que só vai sendo diluído quando a sonoridade folk da música vai ganhando cores psicodélicas e densidade que remetem a Syd Barret (líder da fase inicial do Pink Floyd) em um arranjo a ponto de explodir, realmente.



A entrada do convidado especial "diretamente de Ceará, São Paulo" Régis Damasceno (Cidadão Instigado, Mr. Spaceman), para tocar em algumas músicas um violão de 12 cordas, acrescenta um pouco mais de brejeirice no caldo, que torna o MOMO parente ainda mais próximo de outra banda que tocou duas semanas atrás no HPP, o Supercordas.



Mas MOMO busca os efeitos nos teclados Casiotone tocados por Fabio Pizzo e na guitarra com slide de Adriano Barros, em especial em "Preciso Ser Pedra", que cresce em barulhos até ficar suave e ganhar um solo de guitarra de blues, arrancando aplausos entusiasmados de quem reconhece a preocupação e cuidado com os sons apresentados.



E som, letra e melodia é o principal mesmo, tanto que além de Marcelo pouco falar com o público, o telão só foi usado para apresentar um clipe feito por Ricardo Moreira para a música "O Espinho Desaguou". Não precisou de muito mais para fazer o tempo passar rápido naquela sexta-feira de chuvinha fina lá fora, que bem combinava com o que se ouviu.

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