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sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Bert Jansch não vai mais tocar violão


Raro dedilhar na corda, virtuosismo. Bert não canta tão bem, mas tem talento imenso nas cordas sem compassos de pretensão para ser o maior. Ela era um cantor folk de habilidoso, delicado e diferente. Nunca foi tratado reverenciado como um ouvinte sensível pode achar necessário, e talvez nunca seja. Bert partiu no dia cinco junto com outro gênio, Steve Jobs (esse bem conhecido).

Bert Jansch tinha 67 anos e era músico folk. Fez parte do incrível Pentangle e lançou muitos álbuns solo. Produziu canções esmeradas como poucas, calmas cheias de aconchego, dramático na ponta da sobriedade quando preciso e apaixonado se o dia lhe desse chance. Seu lirismo simples e bonito retrata um jeito de entender direito o tempo e quando o tempo é o único assunto pra aproximação entre dois. Sem o apoio das palavras, conseguia transmitir igual mensagem em contato direto com o violão em instrumentais absolutos.

Deveria ouvir mais suas mensagens. Fora dois discos do Pentangle, eu basicamente ouvi seu debut. Datado de 65, o LP leva seu nome numa capa azul que divide espaço com uma foto em preto e branco. "Strolling Down the Highway" nos primeiros acordes chama o ouvinte para ouvir uma saga. Passa por quanto um amor é forte ("Oh How Your Love Is Strong"), e três temas de apenas violão logo no lado A. Segunda música, o tema instrumental "Smokey River" do jazzista americano Jimmy Giufre, dá o passo para transferência do jazz ao folk, que segue em "Alice's Wonderland" no meio do disco, dita como inspirada por Charles Mingus.



A perda de um amigo pelas drogas em "Needle of Death" (play acima) é um choque razão em melodia contra as alegorias do falso prazer numa das mais belas composições que já ouvi. Calma e triste fala do fim da amizade por razão de morte inconsequente pelo abuso de drogas. A penúltima estrofe arremata: "Through ages, man's desires / To free his mind, to release his very soul / Has proved to all who live / That death itself is freedom for evermore". Que seja.

Mesclando instrumentais singelos com argumentos delicados e precisos, o seu primeiro disco é propício para a repetição. Dura pouco e pega como um abraço merecido por qualquer carência.  Estou longe de ser o ouvinte exemplar, só queria chamar atenção de mais um ídolo que vai. E mais um que eu não vou ver tocar violão por aí.

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