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domingo, 3 de abril de 2016

Resenha, fotos e vídeos: Nação Zumbi celebrando 20 anos de Afrociberdelia no Circo Voador (02/04/2016)






Poucas bandas no mundo alcançam o status que a Nação Zumbi alcançou após a morte de seu cantor, líder e principal força criativa. Estamos em mais uma noite onde o grupo pernambucano esgotou os ingressos disponíveis para assisti-los no Circo Voador. Normalmente são noites com músicas dos discos mais recentes e grandes sucessos de antes e depois da partida precoce de Chico Science. Músicas pós-Chico como "Blunt of Judah" e "Meu Maracatu Pesa Uma Tonelada" costumam ter a mesma receptividade que aquelas vinda dos discos com Chico, como "A Praieira" e "Manguetown".




Mas esta noite é especial. É a estreia da turnê que, comemorando os 20 anos do Afrociberdelia, mostra o disco na íntegra. Não é a primeira vez que a Nação Zumbi faz algo do gênero. Em 2009, comemorando os 15 anos do primeiro disco (Da Lama ao Caos), também apresentaram no Circo Voador, mas fora de ordem, as faixas do seu debut. Estivemos lá.









Esses momentos são de celebração a Chico Science, que faria 50 anos em 2016. E em todo o show da Nação ele está lá. Neste sábado ele estava mesmo, falando, dançando e cantando no documentário que foi apresentando antes do show. Caranguejo Elétrico. Imagens raras das turnês na Europa e de shows em Nova York no festival SummerStage e no CBGB e em programas de TV no Brasil mostram o incrível carisma que o cantor tinha, artífice não só da Nação Zumbi como do movimento Manguebeat.





Além disso, vemos a força percussiva insana e temos uma boa ideia do espanto que três alfaias e uma caixa de bateria causavam em quem conferia Chico Science & Nação Zumbi pela primeira vez. O documentário encerra dando um pulo para os dia atuais mostrando a Nação Zumbi ao vivo e é logo isso que vemos ao vivo de verdade.









Quando Jorge Du Peixe começa a primeira frase de "Mateus Enter" somos arrancados das lembranças e trazidos ao agora, e aos pulos da plateia quando vem em seguida "O Cidadão do Mundo". A partir daí, presente e passado se misturam, talvez não para todos, mas no mínimo para quem "viveu" aquele disco há 20 anos atrás, seja indo aos shows, como o que Chico e Nação fizeram no Circo Voador, ou passando tardes e mais tardes ouvindo o Afrociberdelia no quarto de casa.









Para ajudar nessa nostalgia-para-alguns, as músicas vinham na sequência do disco, com razoável fidelidade às versões originais, aproveitando de bases pré-gravadas em algumas ocasiões. Algumas frequentam o setlist habitual da Nação ("Manguetown", "Maracatu Atômico", "Macô") e tiveram a resposta mais animada. Outras ("Etnia", "Corpo de Lama", "Sangue de Bairro") são menos frequentes.









Mas a maioria das músicas, como "Samba do Lado", "Um Passeio no Mundo Livre", "Sobremesa", "Baião Ambiental", "O Encontro de Isaac Asimov com Santos Dumont no Céu", entre outras, ou deixaram há muito tempo os shows do Nação ou sequer tinham sido tocadas ao vivo antes, o que torna tudo ainda mais especial.









Somente nas músicas mais rápidas da metade final do disco ("Um Satélite na Cabeça", "Sangue de Bairro", "Enquanto o Mundo Explode") é que, no show, talvez o ritmo tenha sido menos acelerado do que aquele impresso no estúdio. "Criança de Domingo" e "Amor de Muito" são faixas que dão um clima mais leve no Afrociberdelia, mas ao vivo sobem um pouquinho o tom para encerrar o show para cima.









Com exceção dos incompreensíveis remixes que estão no final de Afrociberdelia, incluídos sem a concordância da banda, a única ausência é a vinheta "Interlude Zumbi", cantada no disco pelo percussionista Gilmar Bola Oito. E é a saída de Gilmar da Nação Zumbi (os motivos podem ser lidos aqui e aqui da parte de Gilmar e aqui na visão da Nação) a única coisa a se lamentar desse grande show que celebra uma parte da história da banda. Um dos responsáveis pelas alfaias da máquina percussiva desde o início, sua falta não é sentida só pela força com o instrumento, uma vez que os que hoje estão com as alfaias não fazem feio. Mas sua participação e seu carisma também tinham importância. Num momento de comemoração como esse, mais ainda.




De qualquer forma, desde que decidiram seguir em frente após a morte de Chico, o que observamos não é uma entidade que faz sombra ao potencial do grupo. Chico, talvez por conta de sua partida prematura e do que parecia tão claro que ainda tinha a realizar, dá a impressão para muitos de ser maior do que o movimento que ajudou a criar. Mas no caso da Nação Zumbi, parece mais iluminar a banda, que é reverente às suas origens, mas com a impulsão de não deixar de buscar ideias novas e originais.









E é isso que temos no bis, que começa com suas músicas do álbum autointitulado de 2014. "Defeito Perfeito" e "Foi de Amor" não falam de baião, Lampião ou a mistura da tecnologia com as tradições, com o barro, com o mangue. Ao mesmo tempo está tudo lá, nas batidas, na forma que o Lúcio Maia impõe sua guitarra e na construção das letras. O público, que responde de forma bem empolgada com o bis, há de concordar.









Como catarse final depois disso tudo, duas porradas para não deixar dúvidas do que é a Nação Zumbi: "Meu Maracatu Pesa Uma Tonelada" e "Quando a Maré Encher". Todo mundo encharcado e satisfeito de tanto pular, Circo Voador incendiado, Chico Science devidamente homenageado, tanto com o que fez quanto com o que inspirou a ser feito.









Gravamos cinco vídeos, que podem ser vistos aqui ou aí embaixo:






Músicas gravadas:


- "Mateus Enter" / "O Cidadão do Mundo"

- "Um Passeio no Mundo Livre"

- "Samba do Lado"

- "Sobremesa"

- "Criança de Domingo"

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