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terça-feira, 25 de março de 2008

Hey Universal, vai comer chuchu!

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Acho que não há um ser que não veja capacidade que o 50 cent tem de escrever belas canções, e a Universal sabe disso e sempre deixa o artista falar o que bem entende, pois é tudo lindo.
Agora quando os animais do Be Your Own Pet resolveram tocar na ferida da violência... O que aconteceu?
Merda o mamute... Alguns dias antes do lançamento do Cd da banda eles decidiram tirar fora do disco três musicas da banda, mandaram avisar que é assim que o mercado fonográfico vai voltar a 'bombar'.
Os artistas mais independentes merecem mais respeito, afinal uma boa parte do público deles ainda compram Cds, e nenhum artista gosta de ver seu trabalho picotado por ai, duvido que alguem que goste comprar cds irá ficar feliz por ter um trabalho incompleto ali.
Belo modo de incentivar a venda de Cds, parabéns! Continue assim!
Obs: Aonde o disco for lançado pela XL Records o disco virá inteiro

domingo, 23 de março de 2008

Fotolog La Cumbuca

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Às vezes falta tempo de escrever um texto decente para o blog (o que não tá faltando é assunto). Então a melhor solução tem sido postar fotos de alguns shows bacanas que tem acontecido, no fotolog La Cumbuca.

O endereço é http://www.fotolog.com/lacumbuca

Sempre acompanhado de curtas impressões sobre o show. Ou não.



(Quito Ribeiro no show do Humaitá pra Peixe)

quinta-feira, 20 de março de 2008

Jack White e a industria fonográfica

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O garoto que agitava a cena de Detroit, seja pelas brigas com o pessoal do Von Bondies ou por seus infinitos projetos, hoje é do mundo. John Anthony Gillis, mais conhecido como Jack White, vem fazendo historia e é com certeza um dos musicos mais importantes da sua geração.
O menino que quase virou um padre e teve como seu principal mentor um vizinho hoje comanda o duo White Stripes com a 'cool' Meg White, se arrisca numa carreira solo que rendeu algumas faixas na trilha do filme Cold Mountain, além do Racounteurs.
Esse Jack White é o mesmo que se deu o trabalho de ligar para uma radio só para trocar um dedo de prosa com uma DJ que decidiu passar o ultimo disco do White Stripes antes de ser lançado e vazar por ai, acusando ela de 'estragar tudo'. Hoje isso está explicado.
Ele queria que tudo aparecesse ao mesmo tempo, nada de exclusivas para a midia, "We wanted to get this record to fans, the press, radio, etc., all at the EXACT SAME TIME so that no one has an upper hand on anyone else regarding it's availability, reception or perception"¹. Fato é que pouca gente sabe que o novo álbum do Racounteurs vai ser lançado dia 25 agora.
Com a internet isso fica difícil, mas eu curto essa iniciativa de tirar os privilégios dos críticos que recebem o disco antes de todo mundo, podendo liberar para os fãs.
E isso também me fez lembrar algo que foi dito por um executivo da Universal(?): Pagar uma grana preta para poder escutar o disco antes do lançamento (essa foi a solução dele para arrecadar mais grana para as indústrias, nem sei se isso entrou em ação...). E ainda vem aquela historia do Radiohead, que liberou pros fãs o disco antes... E agora o Muse falando que talvez nunca mais lance algum disco, e sim músicas em seu site.
Viva! A indústria fonográfica está em crise!
Façam suas apostas senhoras e senhores

____________
¹ Is Jack White trying to kill music journalism?

segunda-feira, 17 de março de 2008

Jane Birkin - 13/03/08

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"Chovia muito naquela quinta-feira..."


Seria bom não ter que começar mais um texto sobre um show falando sobre o tempo, mas é difícil não lembrar da tempestade que caía no Rio de Janeiro. Na praia de botafogo era impossível ver alguma coisa através da janela do ônibus. A passagem subterrânea que levava até o Canecão estava com várias poças d'água suja do esgoto, como é de praxe com qualquer chuva em vários pontos no Rio de Janeiro, que dirá com a chuva forte que desabava.



Chegando no Canecão a situação parecia desoladora. A casa vazia, especialmente nos lugares mais caros, onde no máximo uma dúzia de mesas eram ocupadas, enquanto que os lugares mais, hm, populares tinham metade das cadeiras ocupadas. O mais provável é que, mesmo que estivesse fazendo sol às 9:30 da noite a situação não seria tão diferente, mas com certeza muitos desanimaram em se aventurar pelas ruas caóticas e alagadas para presenciar o show da diva Jane Birkin.




A solução da produção foi liberar as mesas para as pessoas que estavam nos lugares mais distantes, o que acabou deixando-as quase que totalmente ocupadas, pelo menos ali na frente do palco, criando um ambiente intimista, o que nem é tão próprio do tamanho do Canecão.



Com o público devidamente rearranjado, entram os músicos. Primeiro Frederick Jacquemin se encaminha para a bateria, para acompanhar a programação eletrônica que inicia quando ele se senta atrás do bumbo. Logo depois ele deixa as discretas batidas cool jazz pré-programadas e passa a tocar uma espécie de mini-xilofone. Enquanto isso entram Christophe Cravero, tocando um belo piano de cauda que ficava à esquerda no palco, e Thomas Coeuriot, com cabelos a la Wolverine, no teclado.




Jane Birkin - Canecão - 13/03/08




Eles fazem a trilha para a entrada de Jane Birkin. Assim como Bob Dylan, que esteve por esses dias aqui, só a presença dela é algo impactante. Afinal, é uma artista com história, estamos diante de alguém que viveu muita coisa antes de cantar em Botafogo as canções que se seguiriam.



Atriz que participou de um momento histórico do cinema (primeiro nu frontal num filme, Blow Up), mulher, parceira, inspiração e voz de Serge Gainsbourg, mãe da também cantora-atriz Charlotte Gainsbourg, musa de muitos artistas novos... Tudo isso está ali, em cima do palco. Mas há muito mais. Há uma beleza especial, mesmo estando ela em trajes completamente informais: uma calça cargo, verde bem escuro, com compridas e finas fitinhas de cores verde e roxa saindo da altura do bolso e um pullover preto, com uma blusa cinza por baixo.




Ela se dirige ao microfone caminhando levemente, como se estivesse ali por acaso e começa a cantar "My Secret", escrita por Beth Gibbons (Portishead). Sua voz é doce e ao mesmo tempo áspera, porém toda a casualidade e simplicidade que ela exala não conseguem se impor diante da hipnose produzida pela música e pelo seu canto. A canção é triste e dolorida, e ao mesmo tempo leve, quase etérea.



Jane Birkin - Canecão - 13/03/08



Nos números seguintes vamos aprendendo que aquele trio de músicos tinha algo de especial: cada um se dedicava a, no mínimo, três instrumentos diferentes. E em todos executados de forma magistral. O jovem pianista Christophe vai para a frente e pega um violino, Thomas "Wolverine" ruma para a direita do palco e passa a comandar cordas, começando com violão e depois indo para o bandolim e até para uma mini-harpa. Já Frederick Jacquemin segura um baixo enquanto pisa o pedal do prato de contra-tempo da bateria. Uma excelente banda, econômica e precisa, com belos arranjos que estão tão bons ou até melhores do que nos discos.




Jane Birkin canta com um sorriso largo e os olhos dela se fecham e desaparecem quando ela sorri. Ela desce ao público em "Sans Toi" e vai cantando enquanto passa por entre as mesas, circundando as mesas ocupadas, para a alegria dos presentes, fazendo a volta completa até se sentar na borda do palco, criando o tal ambiente intimista dito mais acima.




Entre as músicas, Jane conversa bastante, o que ajuda no momento em que os músicos estão trocando de insturmentos - e isso acontece durante todo o repertório. Pergunta se gostaríamos que ela falasse em inglês ou em francês e uma maioria ruidosa pede que seja em francês. Felizmente ela tenta falar sempre nas duas línguas.



Jane Birkin - Canecão - 13/03/08



Em uma das vezes onde o francês predominou, era possível entender quando ela disse Magic Numbers, e então ela canta uma música que a banda dos gordinhos fizeram para ela, "Steal Me a Dream". Jane Birkin fica praticamente imóvel, com os braços pra baixo, junto ao corpo, mostrando as palmas da mão. Não dava para desvencilhar do olhar dela, sofrido, contido, assim como sua voz, e logo seu sorriso novamente se abre, como se ela estivesse querendo traduzir em expressões o sentimento da música.



A partir mais ou menos da sexta música, Jane começa a falar de Serge Gainsbourg, e não pararia mais até o final. Ela age como uma embaixadora e porta-voz da chanson de Gainsbourg. Se derrete ao dizer que ele é o maior poeta que a França já teve. Conta que quando esteve na República Tcheca, para explicar a importância de Serge Gainsbourg, disse que, assim como existe antes e depois de Kafka, na França existe o antes e o depois de Serge Gainsbourg.



E assim ela segue a parte storytellers do espetáculo, onde ela explica canções de Serge como "Le Moi et Le Je" e conta que não sabia antes como pronunciava "Laetitia", a canção seguinte. Após "Laetitia", dois dos músicos saem de cena, ficando somente Christophe ao piano. Jane Birkin começa a declamar o poema Image Fantôme, de Hervé Guibert, interpretando-o, com expressões doloridas. Na música seguinte voltam os músicos multitarefas.



Frederic Jacquemin segura cada nota do baixo por um longo tempo, fazendo-o reverberar por todo o salão, preenchendo o silêncio, enquanto a mini-harpa e o piano funcionam como um realejo. A voz de Jane Birkin está magnífica, no seu ápice naquela noite, emocionante.



Jane Birkin - Canecão - 13/03/08



Chega a hora dela voltar a relaxar, ao anunciar que vai cantar Leãozinho, de Caetano Veloso. Ela explica que como não sabe falar português, teve que aprender a cantá-la através dos fonemas das palavras. Segura algumas folhas de papel para auxiliá-la e canta de forma um tanto quanto desastrada e adorável. Mas logo ela muda o tom, passa para a contestação, ao lembrar dos problemas que ocorrem na Birmânia (hoje Myanmar), em especial na prisão da ativista e líder da oposição Aung San Suu Kyi, há mais de 15 anos em prisão domiciliar em seu próprio país.



Jane Birkin diz que não podemos nos esquecer, que nós não temos idéia do que acontece por lá. Suas mãos chegam a tremer, e ela se entrega à canção feita por ela, com o nome da líder oposicionista. Ela continua segurando os papéis e lê alguns trechos, como se fossem declarações de manifestos.



Jane Birkin - Canecão - 13/03/08



Da indignação para a tristeza, com mais uma música escrita por Beth Gibbons, "Strange Melody", cortante em versos como "No one else can hear / No one else can save her now". Em "Je M'apelle Jane" surge uma voz do meio da platéia. Era um rapaz de nome Christophe fazendo dueto com Jane, no lugar que, no disco "Rendez-Vous" pertence a Mickey do grupo francês Mickey 3D, com a diferença que o cantor que estava no Canecão era bem menos soturno que os vocais graves registrados por Mickey 3D.



Não demora muito para Jane Birkin voltar a falar de Serge Gainsbourg e de sua importância e ilustrar isso com "La ballade de Johny Jane". "C'est Comme Ça" é cantada novamente só com o piano acompanhando. Mas a melhor música vem numa cover de Tom Waits, a linda, linda, linda "Alice", que fica exponencialmente melhor nos arranjos e na voz de Jane.



O sorriso volta ao rosto dela ao explicar a genialidade de mais uma letra de Serge, onde "ele diz que veio para dizer que se vai" e canta "Je Suis Venu Te Dire Que Je N'en Vais". "Ex-fan des Sixties" é um divertido index de nomes de alguns astros de rock dos anos 50 e 60. E do T. Rex.



Jane Birkin - Canecão - 13/03/08



Na volta para o bis Jane Birkin se despede nos deixando na memória "Manon" e fechando com "L'aquoboniste". Os aplausos não paravam, assim como a chuva lá fora, que já não castigava mais. Fazia todo sentido do mundo sorrir entre os longos espaços sem marquises; as gotas haviam virado conforto na alma.

domingo, 9 de março de 2008

Bob Dylan e o público indomável

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Antes de mais nada: eu não fui no show do Bob Dylan e não me arrependo, apesar de achar Blonde on Blonde e Blood On The Tracks discos clássicos que dão gosto de ouvir sempre.



Achei o mais recente, Modern Times, excelente e os dois anteriores também muito bons, em especial uma música do Time Out Of Mind me emociona, chamada "Highlands". Ela tem mais de 15 minutos e letra quilométrica. Em uma certa noite, há alguns anos atrás, Marcelo Nova (Camisa de Venus), grande fã de Bob Dylan, tinha um programa de rádio e ele resolveu tocar essa música.



Como a cada frase cantada (ou declamada) havia um bom espaço de tempo, ele foi fazendo uma tradução simultânea da canção. Foi algo inacreditável, ouvir aquela deliciosa história sem fim, daquela forma, e é o primeiro pensamento positivo que me recordo ter sobre Dylan.



Ontem à noite, lendo a comunidade do orkut mais populosa dedicada a Bob Dylan, achei graça de um rapaz que achava errado o cantor não conversar com o público (!). Ele completava o raciocínio dizendo o seguinte: "Todo artista que se preze deve bater um papo com o publico."



Atenção, artistas agora possuem REGRAS de como se portar em um show! Uau!



Mas, falando um pouco sério, a visão do rapaz não é exceção. Muitas pessoas esperam que o seu artista preferido aja da forma como eles acham que ele deve agir, da forma como é comum ver artistas pop agindo. Com simpatia, humildade e alegria. E essa nunca foi, pelo menos nos últimos 40 anos, a onda de Bob Dylan.



Talvez não seja o pioneiro, mas Dylan é certamente um dos mais importantes artistas populares a transgredir essa lógica do que se espera de um artista popular, nem sempre para alegria de todos.



Num primeiro momento pode-se justificar esse comportamento argumentando que a arte foi feita para transgredir. Poderíamos pensar também que nem toda arte transgride, às vezes ela busca simplesmente a conformação.



Mas não haveria, numa conformação, num artista que fizesse a mesma coisa por 40 anos, justamente a transgressão do que se espera de um artista que busque sempre inovar e siga como uma pedra rolando, garganta estropiada abaixo?



Aí é que tá: quem define isso é VOCÊ. Bob Dylan não foi o primeiro, mas com ele podemos observar que não existe certo e errado para arte. As pessoas têm a tendência de adotar "movimentos de manada" com a lógica "se eu gostei, logo todos gostam e quem não gosta é uma besta".



Isso já seria errado com qualquer artista, mas há 40 anos, mais do que muitos outros, Bob Dylan gera paixões, ódios, decepções e surpresas. Ele não vai trocar o folk pelo rock ou pelo country porque você quer, ele não vai conversar com o público porque você quer, ele não vai não vai cantar "aquela" porque você quer.



E nem porque você não quer! Hoje em dia temos um pouco mais de artistas que não fazem concessões ao público. Mas igual Bob Dylan, capaz de manter a fé em tantos por tantos anos de que ele vai tocar do jeito que eles querem, ou mesmo de manter a fé em tantos de que vai ser bom mesmo que ele escarre palavras desconexas em melodias conhecidas, ainda não existe.



Então não adianta julgar quem venera cegamente ou se decepciona facilmente com o artista: o mais provável é que todos estejam certos. E errados.



Claro que com os preços abusivos dos ingressos para os shows no Brasil fica um pouco mais difícil ter opção de entrar ou não nessa brincadeira. Bob Dylan pode até valer mais, mas nem todo fã tem mais, ou até menos, para fazer seu auto-de-fé. No final das contas também estamos decidindo o quanto vale a arte.



De modo ilustrativo, seguem vídeos retirados do youtube. Os dois primeiros são "Blowin' in the Wind", começando ontem no Rio de Janeiro e chegando a 1971, no Concerto Para Bangladesh.











E, por último, a versão bastante fiel à original de "Tangled Up in Blue", em São Paulo, que se tivesse sido tocada no Rio talvez tivesse feito eu me arrepender de não ter ido:



sexta-feira, 7 de março de 2008

Die Apokalyptischen Reiter (parte II)

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[Parte I]
Os Cavaleiros do Apocalipse estão de volta na segunda parte da matéria. Em 1999, pouco depois do Allegro Barbaro ser lançado, ocorrem duas mudanças importantes: a saída da Ars Metalli (minúsculo selo underground) e entrada na Hammerheart (selo de médio porte); e o baterista Skelleton deixa a banda, sendo substituído por Sir G (difícil dizer qual deles é mais incrível, mas é inegável que Sir G é muito mais versátil e se encaixa melhor no caminho que eles trilhariam daí em diante).



Em 2000 eles lançam o terceiro disco, All you need is love. Depois de se perguntar o que o nome de uma singela música dos Beatles faz em uma típica capa de um disco de metal, você lembra que trata-se de uma banda completamente atípica, para quem estranheza e contradição são ossos do ofício. Esse é o disco mais sombrio, sinistro e melancólico de todos, com um toque de piano clássico, além da brutalidade costumeira. Ou seja, se você precisa de amor não é aqui que vai encontrar.

Dentre as melhores estão Licked by the tongues of pride, com riff grudento e refrão de tom sinfônico; Unter der asche, com sua montanha russa de andamentos e climas; a lindíssima Erhelle meine seele, para os dias em que a tristeza invadir sua alma; Gone, o que se habituou chamar de death melódico, com o teclado sempre presente e solo viajante; Reitermania, matadora, rápida, agressiva e com um inusitado riff de gaita-de-fole; Hate, principalmente o trechinho mais lento no meio; Rausch só não é impecável por não ser totalmente instrumental; Die schonheit der sklaverei é uma música que eu costumo passar batido, mas tem gritaria, bateria maravilhosa, e teclado/piano clássico. Regret é uma boa música, mas nada me chama a atenção nela além do solo, que também não tem nada de excepcional. Uma música como Peace of mind, depois de uma seqüência bem pesada, é mais uma das boas sacadas do DAR, mas ela me irrita profundamente. Geopfert é meio insossa e ...Vom ende der welt é longa e chatíssima.

All you need is love abriu muitas portas para o DAR, arrebanhou uma legião de fãs na Europa Central e Oriental, e chamou a atenção da Nuclear Blast, uma das maiores (senão a maior) gravadora de metal no mundo. Assim, deixam a Hammerheart e se preparam para gravar pela Nuclear Blast.



Have a nice trip (2003) é um marco na história do Die Apokalyptischen Reiter. A partir daqui eles deixam definitivamente de ser uma simples banda de metal para virar algo inclassificável; o som continua extremo, mas sempre com alguma coisa diferente que deixa o ouvinte surpreso e maravilhado. Se tem uma palavra que ajuda a definir o Have a nice trip é "classe"; tudo aqui é muito elegante, mesmo as mais pesadas soam sem a grosseria dos trabalhos anteriores e com o teclado cristalino.

Começa com a habitual alternância de climas na boa Vier reiter stehen bereit; e o filé mignon continua com as grandiosas Sehnsucht, Terra Nola e Seid willkommen; We will never die e Du kleiner wicht reforçando o tosco rótulo de folk metal; Ride on, nervosa e com um teclado que parece deslocado, mas cai como uma luva; Master of the wind, apesar de cover do Manowar, é bem interessante; Komm é pura melodia e Fatima é algo que desafia qualquer descrição. Warum? seria melhor se não tivesse aqueles "uivos" no meio. Das paradies e Wo die geister ganz still sterben são as mais fracas; a primeira só não chamo de lounge porque seria muita humilhação, e a segunda, além dos mesmos "uivos" irritantes de Warum?, dá a impressão de estar sobrando no disco. Mas há quem goste, claro...

Mas nada disso teria importância se não existisse Baila cónmigo. Obra-prima do DAR, é o tipo de música que, a menos que você tenha o hábito de ouvir coisas exóticas, surpreende. Incrível como tango/flamenco/??? e metal se mesclam de forma perfeita, natural e espontânea (dois anos depois o Rammstein copiaria na cara dura o espírito da música e batizaria de Te quiero puta). É brega, lenta, bateria forte e arrastada, além de um refrão que gruda na cabeça.

Esses álbuns, além de muito melhores que os dois primeiros, funcionam como um aperitivo para as maravilhas que viriam depois. Como? Você quer saber que maravilhas são essas? Então não perca o próximo capítulo da saga do Die Apokalyptischen Reiter.

quarta-feira, 5 de março de 2008

Dia da Rua - 28/02/08

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Por Bruno Silva, Otaner e Rodrigo Nunes

Duas ruas com música, mendigos, travestis, gente bebendo, malucos em geral, polícia e religiosos protestando. Não, não era a Rua do Riachuelo e a Mem de Sá na Lapa!



Conforme já andamos dizendo aí embaixo, a rapaziada do Vulgo Qinho & Os Cara resolveu organizar uma série de shows pelas esquinas de Ataulfo de Paiva e Visconde de Pirajá, onde ficam os bairros do Leblon e Ipanema, respectivamente.



La Cumbuca andou na contra-mão para contar sobre alguns dos shows.



Os Outros - Dia da Rua - 28/02/08



Os Outros tocavam em uma ponta da Praça Nossa Senhora da Paz com o baixista Vitor Paiva por vezes assumindo os vocais, como na divertida Jovem Guarda de "Um Leão Está Solto Nas Ruas", do repertório de Roberto Carlos.



Tocaram ainda "Agora ninguém chora mais" de Jorge Ben, quando ainda se chamava Jorge Ben. Um mendigo circundava o grupo, fazendo altas performances. Apesar do som do lugar meio fraco, Os Outros causaram uma boa impressão no público que parava por ali.



Solana Star - Dia da Rua - 28/02/08



Enquanto isso, na outra ponta da praça, o vocalista e guitarrista do Solana Star anunciava que iam tocar uma música que gostam muito e ali, em frente ao Bradesco, despejam uma versão muito competente e suja de Fire, do Jimi Hendrix.



Na esquina seguinte o artista plástico Rafael Inácio pintava um quadro, enquanto alguém batucava em cima de uma música vinda de uma caixa de som. Próxima parada: Binário.



Rafael Inácio - Dia da Rua - 28/02/08



Binário - Dia da Rua - 28/02/08



O Binário já tem literalmente "anos de praia" no quesito shows ao ar livre: até o início deste ano eles se apresentavam nos domingos de sol entre os postos 9 e 10 em Ipanema. Mas isso não impediu que eles quase sofressem o maior revés da noite.



Logo nas primeiras músicas chega a polícia mandando parar com o "barulho", por conta de reclamações de vizinhos (embora certamente os ônibus fizessem mais barulho). Alguns moradores acompanham atentos o desenrolar da história.



O vocalista e guitarrista Lucas Vasconcellos, com sua serenidade habitual tira de letra e no final "ozôme" pedem somente para baixar o som, o que serve de pretexto para Lucas pedir para o público chegar mais perto (umas 30 pessoas nos momentos de ápice).



Com um time reduzido a "só" um baterista, mandavam no sapatinho mais uma versão nessa noite, o mela-pagode "É Tarde Demais" do Raça Negra (aquela que o cara de língua presa ficava cantando sem parar "Que pena, amor, que pena") transformado em um dub-rock, com riff marcante. Vocês podem ver essa versão tocada em 2006 aqui. Mais tarde terminariam a apresentação de forma apoteótica com "Balinha".



Bonde Som - Dia da Rua - 28/02/08



Mas deixando os caras ao som da excelente "Romântico 2" para ir para a próxima fase, que é o Bonde Som, tocando ali na Henrique Dumont, fronteira entre Ipanema e Leblon. Das bandas que este blog presenciou era o espaço com mais gente assistindo, e deve ajudar o fato de ser em frente a alguns bares.



Também foi a banda com o som mais redondo e bem equalizado. Suas levadas dançantes com misturas de ritmos latinos levaram uma dupla de travestis a protagonizar cenas inusitadas de dança e movimento oriundos d'Os Trapalhões.



O "próxima fase" escrito acima se justifica com a versão do tema de Super Mario World que eles mandam logo em seguida, onde cada musiquinha do game é costurada aqui em vários ritmos, sem perder aquela sensação de familiaridade com os temas originais.



Bonde Som - Dia da Rua - 28/02/08



Do Amor - Dia da Rua - 28/02/08



Atravessando o canal e chegando no Leblon, já não haviam muitas bandas nos locais indicados, até começar a ouvir "Shop Chop/ I Picture Myself" meia quadra antes de chegar à Bibi Sucos, onde Do Amor se encaminhava ao fim de seu show.



Show que de início teve problemas com a Igreja Santa Mônica, que fica a poucos metros da esquina da Ataulfo de Paiva com José Linhares, onde o quarteto se apresentava: uma senhora saiu de lá e simplesmente desligou a tomada que plugava os instrumentos.



Resolvido o contratempo eles mandaram suas músicas com Marcelo Callado apertando teclas de um teclado casio no lugar de uma bateria de verdade. Surpreendentemente funcionou muito bem, em especial em "Meu Coração", e considerando as adversidades o som estava coeso.



Silvia Machete - Dia da Rua - 28/02/08



Do Amor - Dia da Rua - 28/02/08



Desde que La Cumbuca chegou por lá já havia a participação de Silvia Machete com seu número de bambolê (e seus inúmeros bambolês), em um uniforme de fazer Jane Fonda morrer de inveja.



Para finalizar, chamam Flu, outrora integrante do De Falla, para tocar um hit de sua ex-banda "Não me mande flores", numa versão guitar acelerada, com intervenções de Flu no teclado casio de Callado.



Flu estava com o mesmo "figurino" da banda mais despojada desse dia: todos de chinelo e bermuda, como se tivessem acabado de sair do praia (o que talvez tenha sido o caso).



Voltando para Ipanema ainda foi possível ver 3 a 1 na Farme de Amoedo, cantando sobre o carnaval ("No Carnaval") enquanto o vocalista e um dos guitarristas pegavam instrumentos de percussão e aproveitavam o sinal fechado para tocá-los do outro lado da rua.



3 a 1 - Dia da Rua - 28/02/08



A maior parte das bandas estava vendendo seu cd (ou melhor, smd) por 5 reais. A compra era quase sempre feita diretamente com a banda. Uma senhora idosa comprou o cd Do Amor. O nome simpático da banda deve ter ajudado.



O evento foi uma iniciativa muito inspiradora e que possibilitou para cada uma das bandas no mínimo uma história inusitada pra contar. Esperamos que aconteçam outras edições ou outras intervenções dessa natureza pelo Rio de Janeiro tão cultural e tão carente de cultura acessível ao mesmo tempo. Quem sabe um dia da praça?



Enquanto não acontece, fiquem com um trecho da apresentação de Silvia Machete, sem áudio infelizmente:


segunda-feira, 3 de março de 2008

Dia da Rua

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O Gabriel Mellin colocou no vimeo os videos que ele fez lá no dia da rua, quem se logar tem até como fazer download.
"Bandas: (em ordem de aparição)
Montanha Russa, Vulgoqinho&OsCara + Freddy Ribeiro, Reverse, Matheus Von Kruger, Vulkano, Bhang, Do Amor, Lacuna, Bonde Som, Binário, Rafael Inácio, Solana Star, Os Outros, Robin, 3 a 1, Panamérica, Zarvoleta Blues Band."



Tá rolando uma discussão sobre uma coisa que o Joaquim Ferreria dos Santos publicou sobre o dia da rua, procurado por algumas bandas ele disse apoiar a iniciativa, amanhã deve sair uma nota em apoio ao evento. Mais detalhes em breve

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Resenha de Shows que eu não fui: Dia da Rua, Vulgo Qinho & Os Cara

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Um dia eu estava a caminho do Baratos da Ribeiro, no metro, quando tive uma súbita vontade de ler um texto do Joaquim(no qual ele falava do momento em que ouviu no radio o Sgt Peppers e do choque que aquilo lhe causara) que estava colado no meu caderno, li. Quase em lágrimas depois, comecei a refletir sobre aquilo... ‘Será que hoje eu encontro alguma coisa especial no Vespeiro?’. Não! Eu não tinha expectativa nenhuma para aquele dia. Acabou que cheguei muito cedo no sebo, o som ainda estava sendo arrumado, alguns minutos pro show começar... E começou, boa a banda, mas nada de mais, a surpresa minha seria a segunda da noite. Já começaram no pesado, só o olhar aqueles quinhentos pedais me fez bem, mas o que viria depois, o show... Sim tinha valido a pena! Como era bom aquilo! Entrei em transe ouvindo. Que banda legal! Acabou que eu puxei papo com Qinho e fui em mais agluns shows.
Eu nem desconfiava das estórias que eu ia ganhar com isso, aqui está a melhor delas:
“Qual é essa do dia da rua?” “Me passa o teu tel pra mim te explicar melhor”. OK, o impacto não seria o mesmo trocando scrap no orkut, saber de 15 shows ao mesmo tempo na rua foi sureal, nunca tinha imaginado algo assim! Do jeito que a banda é ligada com essa coisa de perder o medo e sair de casa, isso era um indicio de um puta show! Falei que ia, e também ia dar um jeito de gerar conteúdo no blog.
E o dia demorou pra chegar... Mas chegou, era cerca de 6horas da noite e eu estava lá no ponto esperando o ônibus atrasado... Demorou porem cheguei vivo na rodoviária, mas o que me complicou mesmo foi o tempo até o Leblon... Velocidade máxima = 40km/h, centenas de sinais vermelhos, inúmeros carros ficavam bloqueando alguns acessos, ou seja, deu tudo errado e eu demorei mais de uma hora nisso. Chegando na rua, correndo, já ouvia o pessoal se despedindo... Já era, cheguei no final do show.
- Mil desculpas cara...
- Que isso cara! Tá triste porquê?
Tava todo mundo muito feliz por lá e eu chateado por ter perdido o show, preferi marchar de volta... Depois peguei o ônibus errado, andei a beça...E ainda chateado...
Lembra daquele metro no qual eu tinha lido o texto do Joaquim e talz? Voltei pra lá, mas com outra cara, totalmente diferente daquela de outra vez. Com direito a musica fúnebre no som! Abri o caderno e comecei a escrever isso aqui pra melhorar, duvida? Pergunta só pra minha mãe! Ela viu tudo!
Esse ia ser o quarto show a qual eu marcaria presença, e com certeza foi o melhor.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

15 shows simultâneos hoje no Dia da Rua!

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Não é todo dia que se vê 15 bandas tocando ao mesmo tempo, muito menos na rua! Essa é a proposta do Dia da Rua, evento que pretende surpreender os moradores do Leblon e Ipanema! Hoje acontecerá um dos mais incríveis eventos da cena independente carioca. E não é qualquer um que vai tocar não! Muitíssimo pelo contrário...
O evento conta com a participação dos já veteranos de rua: Binário e Vulgo Qinho & Os Cara, este ultimo fará um show com o poeta Freddy Ribeiro sob o nome de Bonitos & Paranóicos. Além deles, também participam: Montanha Russa, Matheus Von Kruger, Bhang, Vulkano, Do Amor, 3a1, Lacuna, Bonde Som, Rafael Inácio (performance plástica), Solana Star, Os Outros, Ronin, Rodrigo Bittencourt e Zarvoleta Blues Band. Os shows estão marcados para 19h 30m.
Clique aqui para ver aonde cada um vai tocar

Te vejo lá então =p

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Playlist #2

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Como sugerido pelo Lismar, vamos aqui falar sobre o gosto musical de quem faz esse blog =)


SeeqPod - Playable Search

Peguei um pouco do gosto de cada um e bati junto, tem de banda indie desconhecida à banda alemã israelense estranha, passando por pop da Irlanda e Cartola.
Então, o Bruno eu sei que ele gosta de música alemã, da qual eu não entendo nada... Espero ter acertado, já a Gabi parece que gosta de U2, entrou na lista. O Otaner gosta de uma banda lá do sul que ninguém conhece...
No caso do Lismar eu lembro de gostar do pessoal do Pavement (juro que procurei aquela música do Arnaldo, mas não achei).
Já Dine tem o Franz como um dos mais tocados lá no Last.fm dela, então coloquei uma dasminhas apostas pra ver se ela curte: The Wombats - Lets Dance To Joy Division, aliás quem gosta muito de Joy Division é a Tatia...na(?) que ganhou Love Will Tell Tear Us Apart, música que todo mundo gosta =p. O Renato curte aquela galera da eletrônica, dedico a música do cara-que-não-faz-show à ele. O Rodrigo eu não sei... Mas acho que tem alguma coisa pra ele ai!
Eu com certeza esqueci de alguém, ou não soube o que colocar... Mas tenho certeza que o pessoal pelo menos gosta muito de alguma coisa ai! Desculpa qualquer coisa...

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Piada sem graça

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Ah Brit Award! Não sei como eu ainda depositava um esperança em ti. Acabou. O Brit Awards agora tenta competir com a MTV na categoria melhores premiações de musica... Tanta coisa acontecendo e quase nada valorizado... 'Melhor artista feminino internacional - Kylie Monogue'. Piada né? Só pode... a Feist(mesmo com toda a sua preguiça) e a Cat Power tão ai!
Eu gostei do ultimo disco do Monkeys, mas de longe não é o melhor do ano passado... O mesmo vale para tudo que o Foo Fighters faturou, não merecia tanto. Pelo menos rolou uma homenagem ao Paul McCartney... Cadê a Amy?(tá certo que ela só recebeu uma indicação, mas 'Valerie' é sensacional)

Pra quem não sabe:

Melhor cantor britânico - Mark Ronson
Melhor cantora britânica - Kate Nash
Melhor grupo britânico - Arctic Monkeys
Melhor álbum britânico- Arctic Monkeys, por "Favourite worst nightmare"
Melhor canção britânica - Take That, por "Shine"
Revelação do ano britânica - Mika
Melhor performance ao vivo britânica - Take That
Escolha da crítica britânica - Adele
Melhor artista masculino internacional - Kanye West
Melhor artista feminino internacional - Kylie Monogue
Melhor álbum internacional - Foo Fighters, por "Echoes, silence, patience & grace"
Melhor grupo internacional - Foo Fighters
Prêmio especial - Paul McCartney

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Juno - Trilha Sonora do Filme

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Em todos os comentários que passaram nos meus ouvidos sobre o filme, aquela frase estava sempre lá: 'a trilha é muito legal'. Acabei achando a trilha antes do filme, e realmente vale apena.
A maioria são canções bobas sobre amor, só com voz e um violão nada trabalhado no fundo, o que dá todo um charme pra musica e quando ela acaba fica uma sensação de vazio, que só acaba quando se ouve de novo... de novo... O disco, cheio dessas pepitas, tem um ar muito indie(sinônimo de bom?Talvez...), com direito a Velvet Underground; a linda voz da Cat Power; clássicos como Kinks e Velvet Undergound e até aquela turminha que andou organizando um disco pra crianças, o Belle & Sebastian.
É de se espantar como Ellen Page (a Juno, e também quem ajudou na escolha das faixas) é fã do Moldy Peaches, Kimya Dawson aparece no inicio-meio-fim do disco.
Depois de uma audição apurada logo se entende o porque do disco ser um sucesso de vendas, com direito a primeiro lugar lá nos States.
No mínimo o disco serve pra te render um bom sono caso você não seja chegado no pessoal que deixa a guitarra de lado. Agora tenho que ir porque o ronca tá começando, Sweet Dreams

[ps: A ultima faixa do disco é um cover do Moldy Peaches feito pela Ellen Page e o Michael Cera, protagonistas do filme, que não deve nada pra original além de dar vontade de agarrar o violão e ir correndo fazer outra versão com a namorada]

domingo, 17 de fevereiro de 2008

Uma música por dia do novo CD do Violins

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A banda goiana Violins resolveu lançar seu novo álbum "A Redenção dos Corpos" de forma curiosa: desde semana passada está disponibilizando no seu site www.violins.com.br uma música nova por dia, sendo que ao término de um dia (na verdade às 8 da noite) a música é retirada para colocarem a seguinte. Hoje eles já estão na décima das 14 faixas que compõem o disco. Comecei a ouvir Violins a partir de seu trabalho anterior, o pesado "Tribunal Surdo", do ano passado (comentarei sobre esse disco mais pra frente) e já dá pra dizer que as novas letras continuam com a contundência e força do que vinham fazendo. Desta vez, porém, optaram por dividir o disco em duas partes: uma mais calma, com violões e efeitos eletrônicos, até chegar em "Manobrista de Homens" onde a banda volta a entrar pesada, não tanto quanto foi em "Tribunal Surdo" (até agora), mas o suficiente pra fazer boa companhia aos temas escritos por Beto Cupertino. Até agora, com as peças quase todas juntas, está impressionando.
Vocês podem ler as letras na comunidade da banda.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Playlist

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A partir dessa semana vou começar a colocar toda sexta um playlist aqui no blog, todas elas devem seguir algum tema e ter no minimo umas 15 faixas. Mas como essa é a primeira...



Já vou avisando tem de tudo ai, Neil Young, Ac/Dc, Rock Rocket, Jaco Pastorius...
Mande sua sugestão nos comentários ou pelo email.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Radiohead Revisited

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Um Radiohead versão cafetão (com 'street credit')... Foi lançado nesta terça-feira, para download gratuito, uma versão hip-hop do novo disco do Radiohead, 'In Rainbows'. Capitaneado pelo DJ Amplive, o disco reúne nomes importantes do alternative rap, como o ex-membro do Gorillaz MC Del Tha Funky Homosapien (que integra os grupos Hieroglyphics e Deltron 3030), Chali2na, do Jurassic 5, Too Short e Zion.

Inicialmente previsto para 10 de janeiro, o lançamento não tem autorização de Thom Yorke & cia. Inúmeros problemas legais devem surgir daqui pra frente, já que o disco seria disponibilizado apenas para aqueles que conseguissem provar que fizeram o download do disco oficial do Radiohead pelo site da banda, mesmo que não tivessem pago nada por ele... Balela pura para silenciar os advogados da banda, pois o mesmo pode ser baixado sem problemas ou qualquer questionamento.


segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Brasov + Canastra - Humaitá pra Peixe (27/01/08)

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Tal como apóstolos, os 12 integrantes das bandas Brasov e Canastra entravam juntos para a Última Ceia do HPP 2008 na Sala Baden Powell. Cada qual com suas vestimentas usuais (Brasovs de terno e gravata, Canastras de topetes nas cabeças que ainda podem e camisas com estampas floridas), começam de forma solene, tocando o Hino Nacional, que se transforma numa fanfarra dixieland e dá início ao passeio musical por vários cantos do planeta, com o Canastra dando sua ênfase ao rockabilly, swing e briansetzerices em geral e Brasov passeando pelo pouco comum, seja na Macedônia, na Romênia ou na TV no começo dos anos 80.



Brasov e Canastra - humaitá pra peixe - 27/01/08







O cenário era composto, em parte, pelo cenário que costuma florear os shows do Canastra, acrescido de sofás, uma arara para pendurar roupas e uma mesinha com muitas bebidas, limão, gelo e açúcar. As bandas alternavam seus repertórios, com poucas participações dos músicos de uma banda nas músicas da outra, mas quando elas aconteciam eram especiais, como por exemplo o banjo de Fernando Goma, do Canastra, dando um acento country/bluegrass ao agito bucólico de "Morangos Silvestres", do Brasov.



Entre um set e outro de músicas de cada banda haviam também aquelas compartilhadas por todos, como Além do Horizonte onde no final eles acharam por bem ficar subindo e descendo o tom da música. Ou seja, a diversão era tão grande pros artistas quanto pro público.











Como se já não tivesse muita gente no palco, começam a surgir as participações especiais, primeiro de Silvia Machete, com seu número circense com o bambolê e seu ótimo tempo pra comédia nas poucas vezes que fala no microfone. Marcelo Callado, ex-baterista do Canastra também aparece com boas piadas e aulas sobre a origem do forrogode.



Já o baixista Alberto Continentino sobe ao palco não pra fazer graça e sim para mostrar sua habilidade com as quatro cordas em "Masculino Feminino". A última participação foi de Erika Martins, cantando duas canções em inglês: a lânguida "Why Don't You Do Right?" e a clássica "These Boots Are Made For Walking".



Brasov e Canastra - Humaitá pra Peixe - 27/01/08











Como ninguém que entrava saía do palco já eram 16 pessoas, que quando não tocavam ficavam por lá conversando, bebendo ou fazendo graça. Era praticamente impossível conseguir captar tudo que acontecia ali em cima, mas dá pra lembrar que: Fabiano Krieger (guitarrista do Brasov) fazia malabarismo com limões. Renato Martins (vocalista do Canastra) preparava e oferecia caipirinhas. Daniel Vasques (saxofonista e dançarino do Brasov) testava todos os microfones em Masculino Feminino. Silvia Machete avisava que ia ao banheiro. Felipe Rocha (vocalista, modelo e atriz do Brasov) mastigava um limão. Lucas (baixista do Brasov) estava vestido com o vestidinho da Silvia Machete.



Brasov e Canastra - Humaitá pra Peixe - 27/01/08







Brasov e Canastra - humaitá pra peixe - 27/01/08



A gente às vezes deixa passar o que está na frente e não se vê, mas dar a oportunidade para 16 pessoas em cima de um palco com um som excelente não é pouca coisa.


Bruno Levinson falou em entrevista aqui para o La Cumbuca que gostaria de ver artistas eruditos no Festival. Não sei se era brincadeira dele, mas uma orquestra, por exemplo, ali em cima, já não parece tão absurdo depois desse show.











E não há muito mais o que dizer e sim o que ver:













(vídeos por Dine. As fotos que não são minhas, são da Dine também)

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Humaitá pra Peixe + Circo Voador (25 e 26/01/08)

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Ainda não era carnaval, mas o samba já dominava a cidade e não foi diferente no Festival Humaitá pra Peixe e no Circ... Bom, no Circo Voador foi diferente sim. Mas comecemos com a noite de sexta-feira na Sala Baden Powell.



Fino Coletivo fez um show bem melhor que o anterior que tinha visto, se aproximando da qualidade do CD de estréia, lançado ano passado. Tocando praticamente todo o CD, mais um cover de Lucas Santtana (a indefectível "Lycra-limão") e músicas como "Se Vacilar O Jacaré Abraça", de Wado, ex-integrante do grupo e ao mesmo tempo a presença mais constante do Fino, que é uma conjunção de seus sambas-disfarces com a melancolia das melodias de Marcelo MoMo Frota e a inventividade do violão cheio de efeitos de Alvinho Cabral.


Wado ainda aparece nas ótimas projeções do telão enquanto a banda toca "Uma Raiz, Uma Flor". O trabalho vocal da banda impressiona, com revezamento entre os vocalistas e o show fica menos cansativo por alternar as músicas mais dançantes no estilo quase-samba-quase-funk com músicas mais calmas, que funcionaram muito bem na Sala Baden Powell.



Apesar de chegar na metade final do show de Diogo Nogueira, no mesmo festival, no dia seguinte, foi possível constatar algumas coisas:
Diogo Nogueira tem a voz mais interessante do samba atual. O tom grave é muito semelhante ao do pai, João Nogueira, e Diogo não parece ter medo das comparações pois a usa quase sempre. Quando tenta algo diferente é que acaba sendo um problema, pois acaba fazendo gracejos vocais típicos de pagodeiros melosos. Felizmente, poucas vezes.







Mas isso não pareceu ser um problema para o público presente, que deu a impressão de ser o maior do Humaitá pra Peixe, com a terceira idade em peso no local para ver, afinal, um artista mais popular do que a média das apresentações do Festival, terminando com todo mundo em pé cantando "Vou Festejar", de Jorge Aragão.



Mais tarde, no Circo Voador, entrava o Cidadão Instigado. Nos dois shows anteriores que vi deles ainda não tinha batido bem as influências do brega de estirpe nordestina e do progressivo com timbragens típicas dos anos 70. Desta vez tudo pareceu mais conciso, e as longas passagens instrumentais, necessárias.







A melhor música sempre acaba sendo "O Pobre Dos Dentes De Ouro", que não é nem brega, nem progressivo. Na verdade começa como uma rumba e no meio se transforma numa batida hip-hop anos 80, sem mudar andamento ou melodia. Voltando às timbragens, impressiona o som que Fernando Catatau tira de sua guitarra.



Não à toa, ele já contribuiu em trabalhos de Los Hermanos e Hurtmold, por exemplo. Mas para mim o destaque da banda continua sendo o baterista Clayton Martins, especialmente nos momentos mais barulhentos nas músicas.







Tom Zé deve ter feito um roteiro muito bem construído para o show com as músicas do disco Danç-Eh-Sá (cd já comentado aqui no blog). É de se supor que um dia ele cumpriu à risca o que fora ensaiado, mas parece que a cada show ele vai acrescentando novas improvisações e esquecendo outros números, numa senilidade empática agradável para quem já havia visto o show da turnê desse disco anteriormente.



É verdade que o show que ele trouxe desta vez para o Rio de Janeiro se chamava Turistofagia - O Turista Comendo o Rio (que ele confunde e chama da turistologia, para um tempo depois corrigir), mas tudo não passa de algumas novas explicações para algumas das mesmas músicas que ele toca no Danç-Eh-Sá. E para cada música há uma história para contar, uma teoria, uma preparação para o que o público vai ouvir.







Como já virou praxe, ele entra e sai do palco com os versinhos que fez especialmente para o lugar: "Foi no Circo Voador, voador, voador / Que encontrei o meu amor, meu amor, meu amor".



Além das músicas do disco novo e alguns clássicos que ele parece gostar de tocar sempre ("Politicar", "2001", "Augusta...", "Fliperama"), Tom Zé ainda apresenta no início de improviso enquanto a banda se ajeita no palco a música "Tô" e lá pelo fim a música "Hein", duas canções do cultuado disco "Estudando O Samba", um samba bem diferente do Fino Coletivo e do Diogo Nogueira. Um samba feito para cidadãos instigados.



Festival Serafin Araujo II

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O Serafin Araujo chama atenção por ser de graça, dar cachorro quente e ter um porrilhão de bandas, mas dessa vez ninguem sabe quem vai tocar na sexta ou no sábado/domingo. Por isso decidi organizar a coisa aqui, eu to procurando na internet o dia certo que cada banda vai tocar, pouco a pouco eu venho atualizar aqui.

Vão tocar:
Os Azuis [Sexta]
Homens do Pântano [Sexta]
Consciência Tranqüila [Sábado]
Super Hi Fi [Sábado]
Jogo do Bixo [Sábado]
Fuzzcas [Domingo]
Tapete Red [Domingo]
Projeto Drenna [Domingo]
El Efecto [Domingo]
Auica
Diatribe
Paraíso Hotel
Ultima
U.S.I.N.A
Neo
Cardióides
Monstros do Ula Ula
--------
Sexta 8/2 - Casa abre às 18hs
Sabado 9/2 - Casa abre às 16hs + Churrasco de graça
Domingo 10/2 - Casa abre às 16hs + Cachorro Quente de graça
Fontes : Homens do Pântano e Orkut

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Titãs e Paralamas - 25 Anos de Rock

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TEXTO POR LISMAR E TÚLIO - FOTOS[1][2]
Fim de semana chuvoso e todos apreensivos quanto ao momento do show (pela cidade, notícias de alagamentos e caos no transito). Chegando à Marina da Glória (um lugar aberto e sujeito às intempéries daquela noite), sentia-se que a capacidade do local não lotaria nem a pau – e numa gravação de um DVD e, mais ainda, sob o temor de uma chuva torrencial. Mas com o passar das horas, a natureza deu uma generosa trégua (como se São Pedro fosse um verdadeiro amante do rock).
Depois de algumas vaias ao DJ (o público já estava bastante pilhado pela expectativa das duas bandas juntas) que, inclusive, terminou com um ótimo set de clássicos do puro ska two-tone – uma das referências músicas das estrelas da noite (mais notada no som dos Paralamas), as bandas surgem para a satisfação da galera, que começa a urrar. Urros esses que só param quando as caixas de som distribuem para o publico da Marina 25 anos de experiência musical. E a festa começa com todos fazendo literalmente “do jeito que a banda toca”: “Diversão”, que ficou mais divertida ainda com um coro exclusivo do RJ (nascido no último show dos Titãs no Circo Voador, em 2005), que acompanha em solfejo a melodia do riff principal (algo como no estilo do "ôooô... ôooo..." que rola em "Fear of The Dark" do Iron Maiden, versão do Rock in Rio 3). E se tinha alguém duvidando que aquele não seria um grande show...
As bandas realmente chegaram mostrando do que são capazes. Sergio Britto foi com certeza um dos que mais brilharam naquela noite, com sua notável articulação com o público, contornando qualquer coisa que viesse a atrapalhar. Cada frase era acompanhada de uma histeria coletiva. Histeria essa que só aumentou na presença de Arnaldo Antunes que, antes de sair, arrancou gritos de “Pulso! Pulso!” – “O Pulso”, uma das músicas mais impressionantes dele. E demorou para as bandas se renderem e tocarem a tal música: só aconteceu na hora em que Arnaldo retornou para repetir sua participação no show. Depois de alguns segundos parados, ouvindo as súplicas dos verdadeiros fãs (que acabaram por contagiar os demais mortais), Herbert vira para trás, na direção de Bellotto, que começa a arrancar a música numa versão voz-guitarra-teclado. Depois de encerrado o improviso, este talvez entrara na história das duas bandas como sendo um dos melhores momentos daquele show [momento este que deixou um dos autores que vos escreve – Lismar, na iminência de lágrimas :-)].
Fora as notáveis participações de Andréas Kisser (que, relativamente, não recebeu muita atenção dos presentes, em comparação aos outros convidados), dando mais peso principalmente aos Paralamas e de Samuel Rosa (que veio como mais um convidado e acabou por levantar toda a platéia), sendo aplaudido todas as vezes em que era chamado ao palco (assim como aconteceu com Arnaldo Antunes), mesmo no momento das repetições, quando já estava meio sem gás.
O show chega ao fim e, com ele, os gritos de “Mais um!”. Eis que surge Branco melo, dizendo que sim, viria mais! No caso, foram refeitas em torno de três músicas. Mas nada que chegasse a atrapalhar ou cansar (muitíssimo pelo contrário!) aquela multidão que deixou a Marina da Glória completamente desorientada.

sábado, 2 de fevereiro de 2008

Songoro Cosongo e Z'Africa Brasil no Humaitá Pra Peixe (19/01/08)

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Sábado cinzento no Rio de Janeiro. Deslocava-me até a Baden Powell para conferir o penúltimo grande show (pelo menos pra mim) do Humaitá Pra Peixe. Além da chuva chata, uma desagradável invasão de tricolores no metrô vinda do Maracanã parecia o prenúncio de uma noite não muito interessante. Chegando lá, uma surpresa: já imaginava que teria pouca gente, mas não tanto. Provavelmente não tinha mais de cinqüenta pessoas assistindo. Bruno Levinson desconversa dizendo que foi a chuva que espantou o público, mas a verdade é que quase ninguém conhece ou bota fé em Songoro Cosongo e Z’Africa Brasil, as estrelas da noite. Como eu era o único membro de La Cumbuca presente ao evento, posicionei-me rapidamente na primeira fila para aguardar o início do show.



Pra mim o Songoro Cosongo era a atração principal. A banda composta por músicos do Brasil, Argentina, Venezuela, Colômbia e Chile, com base em Santa Teresa, tem uma sonoridade que mescla o melhor da música latina: samba, salsa, merengue, cumbia, frevo e muitos outros. O que mais se destaca no grupo é a qualidade dos músicos, todos multi-instrumentistas. Chega a ser injusto citar um em particular, mas naquela noite se destacava o baixista René Rossano que, junto com percussão e tantã, criava uma cozinha muito poderosa que reverberava fundo no coração de quem ouvia.

Depois que o Songoro é anunciado por Bruno Levinson, surge, caminhando em direção ao palco, a figura de Jairo Waxinton da Silva, personagem morador de rua, vendedor de frutas e quase presidente da República (forte candidato para 2010). Abrem com Aipim e Sancocho, entre as melhores deles do primeiro e, até o momento, único disco deles, Misturado com cachaça fica muito bom. Depois vem Songoro Cosongo, momento em que a banda parece ficar mais à vontade no palco e a coisa começa a engrenar de vez, com uma salsa maravilhosa. No final de Yorunga, parecia que havíamos sido transportados para um terreiro de umbanda. Depois vem uma seqüência de três músicas do novo disco, que ainda não foi não gravado, não tem nome nem tem previsão, da qual se destaca Nunca digas nunca. O ponto alto do show viria com Maracujá, catártica, com uma percussão ainda mais forte do que o habitual, seguida de Começa a valer a partir de agora, com um solo espetacular de René Rossano na guitarra (embora em alguns pontos lembrasse de longe axé).

No bis tivemos um longo e sublime solo de baixo e percussão, seguido de outros solos também incríveis e entrecortado por gritos de "hey!", que ficaram no vácuo, pois a maior parte do público morno não acompanhou.



No intervalo, minha expectativa pelo Z’Africa Brasil caiu ainda mais. Imaginava algo bem clichê e cheio de "atitude", algo que não me agrada muito. Mas tive uma grande surpresa. O Z’Africa é impressionante, têm letras bem interessantes e uma preocupação com a musicalidade rara de se encontrar no hip hop. Prova maior disso é o fato do grupo ter se apresentado com uma banda completa, os Z’Africanos, incluindo um irreconhecível Theo Werneck (do H, lembram?) na guitarra; além dos "efetivos", os mc’s Funk Buia, Pitcho e Gaspar, e o DJ Tano.

A primeira coisa que chamava a atenção era o logo da banda no telão, um trabalho gráfico muito bom, além da competência e forte afinidade dos mc’s. O show começa com Somos todos brasileiros e A cor que falta na bandeira brasileira, que falam sobre a diversidade étnica do Brasil e agressões contra negros e índios. Depois de Tô ligeiro, a sala fica às escuras e passa no telão um trecho de um filme do Mazzaroppi onde ele e a polícia chegam na casa de uma senhora e interrogam se ela ouviu tiros e a resposta é a clássica "não vi nada, não sei de nada", que faz um paralelo muito interessante com Eu não vi nada, música seguinte que fala sobre abuso policial. Em Da quebrada a vida é rara a sintonia com o público finalmente se estabelece. Sapo na banca mostra uma outra faceta do Z’Africa, o reggae; trazendo várias referências à Jah, Preto Velho, umbanda, maconha e redução de danos ("quem usa não abusa, quem não usa não acusa"), além de uma percussão maravilhosa e interação com a platéia. Do reggae para o dub cascudo, Hip hop rua, mostrando todo o talento de todos os integrantes, principalmente baixo e scratches.

No bis (muito mais longo que a primeira parte) "solo" de DJ Tano, com muitos scratches, samples e Funk (o legítimo). Em seguida os outros voltam ao palco e mandam Quilombo invencível sem a banda, só com DJ e mc’s, rap puro e vigoroso. Após isso vem o já o tradicional "salve", ao Capão Redondo, Taboão da Serra e morros do Rio; Mantenha a guarda, com a banda de volta e mais um salve, dessa vez ao Sabotage. A partir daí eu já estava extasiado demais para registrar, mas teve uma longa série de músicas, performances quase teatrais dos mc’s, fanfarronices de Theo Werneck no violão e finalizando com dose dupla de Tem cor age, cantada por um público já contagiado. O show terminou às 23h em ponto, e a meia dúzia de oito ou nove pessoas que ficou até o final teve a certeza de assistir uma das três melhores noites do HPP 2008.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Macaco Bong no Humaitá pra Peixe (20/01/08)

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Descarrilhando na rota certa

Só consegui assistir às duas últimas músicas que valeram por um show inteiro, desse grupo instrumental vindo de Cuiabá. Os caras são extremamente ligados à movimentação cultural que acontece por lá, buscando desenvolver uma cena musical forte na região.



E parece que estão conseguindo, já que tanto eles quanto os conterrâneos do Vanguart estão por aí, em tudo que é publicação (virtual) alternativa e em quase todos os festivais do circuito independente. No caso deles é até mais interessante, já que bandas instrumentais não costumam ter tanto apelo.



A primeira (e penúltima) música que vi deles, felizmente era minha favorita do EP Objeto Perdida, chamada "Bananas For You All".







O público assistia sentado, comportadamente e compenetrado. A grande maioria estava ali para assistir Jay Vaquer, que se apresentaria logo após, mas parece que o Macaco Bong teve a chance de ganhar novos e até improváveis fãs. Pelo menos as reações eram boas a um som que não chega a se encaixar nem no post-rock, nem no progressivo e ao mesmo tempo não descarta nada disso, aliado a um peso absurdo de uma guitarra que não se utiliza de nenhum pedal durante o show inteiro (apesar da guitarra sempre distorcida) e uma pegada de bateria muito boa, tornando a longa duração da música algo muito menos monótono.



Em certos momentos chegam a me lembrar do excelente Dub Trio, de Nova Iorque. Só que sem o dub.





"Bananas For You All" entra em um momento onde a repetição da linha do baixo é hipnotizante, ainda mais com as quebradas da bateria e a experimentação sônica de Bruno Kayapy na guitarra, que afinava o instrumento enquanto tocava! E sem fazer disso algo que atrapalhasse a música, o que é ainda mais inexplicável.


Antes de apresentar a última música, Kayapy apresenta a banda e avisa que vão tocar a "música do trem" e explica que é "como se fosse um trem, saca?" Não saquei. A música começa num clima bem leve, quase progressivo, lembrando algo de Weather Report, talvez (ok, não entendo nada de progressivo), mas as mudanças na música variam velozmente, indo de descidas fulminantes a andamentos de jazz e climas para solos de heavy metal em formato lounge e voltando para um caos sonoro com guitarra ao chão e guitarrista emulando Jimi Hendrix. Não era trem, afinal: era montanha-russa.