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sábado, 27 de dezembro de 2008

2008 - Parte 03

Listas de melhores discos/shows/músicas são ao mesmo tempo interessantes e despropositadas. Não tanto pela listagem, mas pela colocação. A não ser que esteja ali nascendo um clássico atemporal, como definir que um disco é melhor do que outro? Às vezes dá, mas às vezes não é fácil e nem faz sentido, já que o objetivo das listas (imagino eu) é ver se a) os gostos da pessoa que listou coincidem com os seus e b) descobrir coisas novas que você nem sabia que existia e estão figurando por aí como o supra-sumo da produção musical daquele ano.


E por falar em produção musical, 2008 lá fora não me pareceu dos melhores. Pelo menos lá no meio do ano eu já não tinha paciência para os discos cada vez piores que apareciam. Ao mesmo tempo isso é bom, porque dá para você escutar melhor e mais vezes o que se gostou. Outro problema desses tempos urgentes é a pessoa ouvir um disco uma vez e cravar como um dos melhores discos do ano. Se é um dos melhores, mais um motivo para ouvir de novo e de novo e... Foi o que aconteceu comigo em relação a esses discos internacionais:


Mudhoney - The Lucky Ones
Stooges + MC5. Pode parecer que tô somando seis com meia dúzia nessa operação, mas tem lá suas sutilezas que estão bem impressas nesse disco do Mudhoney. O resultado é um punk-blues dançante cheio de riffs barulhentos. A distorção fuzz é despejada em cima de faixas como "The Lucky Ones" e a bodiddleyana "Next Time". "I'm Now" e "The Open Mind" também são fantásticas, dentro de um disco cheio de boa música.


Mudhoney - 11/10/08


R.E.M. - Accelerate
Por ser o álbum mais rock'n'roll da banda desde Monster, pode parecer que quem comanda o show neste disco é o guitarrista Peter Buck. O riff dedilhado e distorcido nos 6 segundos iniciais de "Living Well Is The Best Revenge" faz crer que essa tese vai se confirmar, até que entra o baixo de Mike Mills nos seis segundos seguintes e aos 12 segundos quem surge é a voz de Michael Stipe cuspindo palavras. E o disco é isso, com destaque também para os muitos vocais de apoio de Mike Mills. Três caras brilhando, com músicas rápidas, surpreendentemente barulhentas e ao mesmo tempo pop. Às vezes lembra bandas que foram influenciadas pelo R.E.M. como Live, mas R.E.M. está sempre um passo a frente, seja no peso, na melodia, ou na mistura de talentos do trio que finalmente se acertou, dez anos após a saída do baterista Bill Berry.


Nick Cave and The Bad Seeds - Dig!!! Lazarus, Dig!!!
E assim completamos a tríade de 2008. Tanto Mudhoney, como R.E.M. e Nick Cave com seus Bad Seeds são grupos de caras de meia-idade que estão fazendo muito mais barulho do que se esperava deles a essa altura. Mais barulho do que a molecada que gosta de Paul Simon e disco music, sem sombra de dúvidas. Nick Cave então, vinha de alguns discos cadas vez mais feitos de baladas calmas, guiadas por pianos, violinos e sua voz, desculpem o trocadilho, cavernosa. Até que ano passado ele lançou seu projeto Grinderman, que poderia parecer destinado a expurgar demônios através de microfonia e gritos, mas trouxe Cave a seus dias de Birthday Party e foi incorporado a seu trabalho "oficial". Dig!!! Lazarus, Dig!!! não é tão musicalmente violento como Grinderman ou o passado pós-punk de Nick Cave, mas tem um vigor inimaginável para alguém com 50 anos de idade e 30 anos de carreira.



Foals - Antidotes
Para ser bem contraditório, eis aí uma banda que gosta de Paul Simon e disco music. Bom, talvez não gostem de Paul Simon, mas tem ali uns toques de música africana providenciado pelo pessoal que cuida dos sopros no Antibalas. As notas são repetidas de forma insistente, quase mântrica, assim como as frases cantadas pelo vocalista Yannis Philippakis. O ritmo começa devagar, suave, até explodir em batidas que fazem o corpo sentir uma vontade automática de dançar. Ouça "Two Steps, Twice" e comprove, mas esse disco foi feito para ser ouvido inteiro, da primeira à última faixa. Em resumo, o disco é fodão e sabe o que é mais engraçado? Não é nem metade do que é o show.


Foals - 08/11/08


The Last Shadow Puppets - The Age Of Understatement
Você tem que reconhecer: Alex Turner é um cara impressionante. Fez três discos em pouco mais de três anos, fora alguns ep's e singles soltos por aí. Talvez você não goste de nenhuma das músicas de sua banda principal, o Arctic Monkeys, e nem deste projeto em conjunto com o carinha de uma banda chamada The Rascals. Mas a quantidade de frases e rimas cheias de referências que Alex vai criando em tão pouco tempo como artista são de se espantar, especialmente dada a qualidade do disco de estréia dos Arctic Monkeys e agora do Last Shadow Puppets. As resenhas sobre o disco falam quase sempre das referências bem claras de Ennio Morricone, Scott Walker e Burt Bacharach. Mas poucos comentam a provável influência da dupla Nancy Sinatra & Lee Hazlewood nesse álbum com sabor de trilha-sonora de filmes dos anos 60 e orquestrações pop que só servem para realçar a incrível capacidade que Alex Turner tem em escrever boas canções.



Vale a menção para os lançamentos de Racounters, Girl Talk, Jackson Browne, Lucinda Williams, Kings Of Leon, Stephen Malkmus, Tindersticks e Vampire Weekend. Hum, mais de dez discos, fora um monte de coisa que eu não ouvi e outros que devo ter esquecido. Talvez os lançamentos de 2008 pareçam bem melhores em 2009.

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