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quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Tem LCD Soundsystem hoje

Edit: O show já passou, depois leia a resenha aqui.


O LCD Soundsystem foi uma das melhores atrações da década passada. Poucas bandas ilustram tão bem a perspectiva que os anos 00' deixaram para a música. Na batida eletrônica de James Murphy e companhia cabem em doses estudadas de pop, rock, cotidiano e detalhes sobre viver a música. Saber calibrar o bpm para agitar a pista justifica o destaque no nome dele, mas quando a gente lembra que além disso ele é um dos maiores letristas de sua época dá um certo orgulho de ter acompanho alguém que realmente é incrível, foda.



"Losing My Edge" foi a primeira manifestação. Numa letra puxada pro spoken word, seduzida pelo rap, o protagonista desabafa sobre as "crianças com internet" que sabem de tudo. Mas sua diferença é que ele esteve lá. Emenda uma cadeia de pensamentos sobre episódios hoje significativos para a música - como um show do Can, e colocar Daft Punk num DJ set - conjugado numa batida silenciosa e constante, incisiva e sedutora para virar o corpo com o fluxo do som e cantar junto. No final, entra um "you don't know what you really want" até tudo se acabar. Argumentado por efeitos de sintetizadores, que ficam ecoando até o botão de "repeat".



"Daft Punk Is Playing At My House" foi o cartão de visitas do LCD para boa parte da ouvintada. Hit perfeito. Faz uma pré-noite perfeita: combina gritos histéricos e tem aquele andamento da fila quando tem uma multidão empurrando atrás e você quer mais é se misturar com a galera (e roçar a gatinha da frente). Todo mundo junto e se acabando.

As duas faixas supracitadas ficam para a eternidade no primeiro disco do grupo. Um duplo que ainda contém narcóticos sonoros como "Yr City Is A Sucker", dotada de um ringtone matador incorporado num refrão esquizofrênico.

E a prova do segundo disco? Não pareceu tão difícil assim. Fiz uma proto-resenha do "Sound of Silver" há um ano, minha posição continua a mesma. Esse talvez seja o melhor álbum dos anos 00'. A mesma mão que soube moldar o ritmo para as pistas, fez clássicos para serem entoados dentro e fora delas.

"All My Friends" é a justificativa da sentença que James Murphy e poucas pessoas especiais foram condenadas, a de viver da música. O sintetizador recorrente nas mesmas notas é o fluido para o destempero e emoção carregados na letra e viciados num trauma sensível e intenso na questão "where are your friends tonight?".

As batidas são muito bem encontradas "Get Innocuous". Elas chegam no ouvido como se fossem uma linguagem de programação instruindo o movimento, homicídio da apatia. "Us vs Them" age nessa linha, porém guarda um baque profundo após a aceleração ascendente para o ápice no refrão "Us v. Them / Over and over again".

Por último, "This Is Happening" foi astro da maioria das listas de 2010, e deve sair daí boa parte do repertório de logo mais. Reserva um pouco da fórmula usada e reeditada nos dois discos anteriores, com uma paixonite por David Bowie. Destaque para "Dance Yrself Clean", "Home" e "You Wanted A Hit". É o disco mais perdido dos três, tem momentos insossos (culpa do cansaço?) que poderiam ser evitados.

Às 22h a banda deve começar uma apresentação, que segundo as projeções otimistas, passará de 3 horas de duração. Essa é a última turnê da banda, acho bom você desconsiderar possíveis desavenças e ir curtir o show. O resto é história pra contar.

LCD Soundsystem
Quinta, 17/02/2011
R$120 na lista amiga
Vivo Rio

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