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quarta-feira, 9 de abril de 2014

Lollapalooza Brasil 2014: um domingo bonito e escaldante em Interlagos - Parte 1






Com início em 31 de janeiro deste ano, a exposição itinerante David Bowie está no Museu da Imagem e do Som de São Paulo, mostrando toda a preocupação do artista com o som e com a imagem, o visual, a estética que cerca sua música, e vice-versa.








David Bowie é um grande fã do Arcade Fire, banda que também tem toda uma preocupação estética-sonora-visual, e que foi a principal atração do festival Lollapalooza, que reuniu mais de 100.000 pessoas no Autódromo de Interlagos no último final de semana. Mas o representante desta página virtual no festival optou por assistir outra banda que se apresentava no mesmo horário e acha que fez a escolha certa.




Assim como parece ter sido acertada a escolha do Autódromo de Interlagos para a edição brasileira deste ano do festival, criado por Perry Farrel em 1991. O Jockey Club de São Paulo, onde o festival foi realizado no passado, recebeu muitos comentários positivos, mas o espaço do autódromo não fez feio, uma vez que você tenha um certo preparo físico, caso esteja disposto a assistir os shows dos três palcos maiores (havia ainda uma tenda eletrônica e um espaço para crianças, o Kidzapalooza). Porque a distância entre os palcos era enorme, o que permitiu que o som não vazasse de um palco para o outro e isso funcionou muito bem quase sempre.




Além da distância entre os palcos, havia um considerável trajeto a subir da estação de trem mais próxima até a entrada do Lollapalooza. Mesmo sem fila para entrar, toda essa caminhada fez com que só fosse possível conferir “Que Sería”, a última música tocada por Francisca Valenzuela, boa cantora-compositora chilena que começou a se apresentar antes do meio-dia.




Então de volta ao palco mais próximo da entrada, onde o Apanhador Só fazia um show bastante concorrido, se levarmos em conta o horário. É possível notar o quanto uma banda atrai de fãs e iniciados em seu trabalho quando vemos o quanto de pessoas estava lá aplaudindo e assistindo mesmo debaixo de um sol inclemente.









Os gaúchos tocaram muitas músicas do disco novo lançado ano passado, Antes Que Tu Conte Outra, mas a mais aplaudida, daquelas assistidas, foi "Prédio", do primeiro disco da banda.









"Despirocar" pareceu menos pesada nos momentos mais barulhentos do que costuma ser e o final foi um pouco estranho, com "Cartão Postal", uma das melhores do disco do ano passado, mas que com toda sua melancolia não é exatamente o melhor registro de encerramento que se quer deixar para aqueles que não conheciam a banda, uma das melhores do rock nacional, mas que precisa se atentar a detalhes que outras bandas ensinariam em shows ao longo do dia.








De todo modo, foi um bom motivo para sair dali correndo (já que andando demoraria muito mais) para o palco que ficava mais distante da entrada, onde já estava se apresentando a dupla de hip-hop-soul-rock argentina Illya Kuryaki And The Valderramas, outro grande acerto latino do festival (no sábado também se apresentou o maior de todos, os mexicanos do Café Tacvba, que tocou no Circo Voador ano passado).









Ao vivo, uma mega banda acompanha Dante Spinetta e Emmanuel Horvilleur em músicas tanto do começo da carreira quanto do retorno, há poucos anos atrás. O público chegava a ser menor do que do show do Apanhador Só, mas já dava para notar a boa disposição do palco, em frente a um terreno em declive que permitia que até os baixinhos pudessem ter uma visão completa do palco. E com um bom som, embora relatos do dia anterior indicassem o contrário para este palco.









Tudo isso jogou a favor dos Valderramas, todos vestidos de branco como se fosse réveillon e com uma pegada firme e suingada, com grande destaque para "Abarajáme", muito mais interessante que na versão de estúdio. Só não fez mais sucesso porque boa parte da audiência buscava refúgio nas poucas sombras que existiam naquele horário, esvaziando o espaço à frente do palco. Quem escolheu suar e fritar, aproveitou bem. Veja aí a latinidade funky de "Coolo".









Havia um espaço entre Illya Kuryaki e a próxima atração, a não ser que o objetivo fosse se aventurar nos Raimundos (que até fizeram algumas músicas interessantes no disco novo). Mas foi preferível descansar, se alimentar e permanecer por ali no palco mais distante para aguardar a chegada de Johnny Marr.









O ex-guitarrista dos Smiths chegou veloz, mostrando logo "The Right Thing Right" uma das músicas do seu ótimo disco The Messenger, lançado ano passado, mas na segunda faixa já quis ganhar logo o público que começava a se avolumar, tocando uma das quatro músicas dos Smiths que seriam executadas durante o show, "Stop Me If You Think You've Heard This One Before".









Tanto as dos Smiths, quanto as do disco solo, além de "I Fought the Law do The Cl... do The Crickets e até mesmo uma música do Electronic, grupo que Marr fez com Bernard Sumner, eram bem upbeat, animadas e tocadas de forma impecável. Se, dos outros três hinos dos Smiths, Johnny Mar tocasse todos com sua banda, já estaria ali cravado como um dos melhores shows do dia bem fácil.





Afinal, ver tocando e cantando o guitarrista que criou/ajudou a criar músicas como "Bigmouth Strikes Again" e "There is a Light That Never Goes Out", responsável pelo encerramento, com coro forte da plateia, já seria mais do que suficiente.




Mas aí ele resolve chamar um "amigo de infância" para tocar "How Soon Is Now": o ex-baixista dos Smiths, Andy Rourke. Provavelmente a maior surpresa de todas as três edições do Lollapalooza no Brasil. Uma grande emoção para o público, muito embora para Andy Rourke não parecesse ser grande coisa. Ou é o jeito de ingleses de demonstrarem emoção, não demonstrando, vai saber.









De qualquer forma foi provavelmente o mais próximo que poderemos ver no Brasil do maior número possível de integrantes dos Smiths juntos no mesmo palco, já que reunião da banda é algo que não deve acontecer "ever, ever, ever, ever", como um representante do cantor Morrissey escreveu certa vez.




Com isso, Johnny Marr garantiu o alto investimento feito em vir ao festival, mas ainda teríamos muitas outras alegrias até o fim do domingo. Na próxima postagem, falamos sobre como foram os shows de Ellie Goulding, Vampire Weekend, Pixies, Soundgarden e New Order.

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