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sábado, 19 de janeiro de 2019

Adeus, Yuka. Dois momentos: participando do show do Planet Hemp em 2015 e lançando o disco solo no Circo Voador em 2017





Escrever algo sobre o Yuka é tentar ser redundante diante de alguém que verdadeiramente tinha o dom da palavra. Da palavra e das ideias, de percepção sobre quais sons combinavam com outros, quais ritmos seriam os possíveis a deixar o ouvinte mais instigado e qual o discurso que se adequava melhor. E se não se adequava, foda-se, pois a mensagem era importante demais para não ser passada.



Vi O Rappa poucas vezes ao vivo, mas uma delas, na época do Lado B Lado A, foi de graça sabe-se lá o porquê, na Fundição Progresso. De repente durante uma das músicas, salvo engano "Hey Joe", o som a casa toda falhou. Não se ouvia vocal, baixo, guitarra. Apenas a bateria de Yuka, que continuou tocando como se nada estivesse acontecendo. E o público acompanhou e continuou cantando a música e pulando até que, também de forma súbita, o som voltou e a catarse foi geral.







Anos se passando e vi Marcelo Yuka em diversas outras situações, quase sempre muito fortes e contundentes. Uma delas foi em um show do Planet Hemp no final de 2015, onde ele faz um discurso durante "Samba Makossa" de Chico Science & Nação Zumbi, que o Planet toca nos shows. Os assuntos eram Eduardo Cunha (terminando com um "vai tomar no cu") e a cada vez mais atual escalada do fascismo acontecendo no Brasil. A gravação, por motivos tecnológicos, estava avariada, mas dei um jeito de recuperar porque o curto discurso e a presença do Yuka foi emocionante demais e importante demais para ser perdido para agruras da informática.







Outro momento importante foi quando Yuka lançou o disco Canções Para Depois do Ódio no Circo Voador. Mesmo com problemas de saúde ocorridos enquanto o disco foi sendo produzido, lá estava Yuka conduzindo o espetáculo junto com A Entidade, como ele denominou o grupo que o acompanhou, que teve participações de Cibelle e Black Alien. Em um dos momentos em que se dirigiu ao público, a mensagem foi de esperança:

"É difícil correr por fora.
É difícil não ser o que eles planejaram que você seria.
É por isso que é bonito não ser o que eles queriam.
Vamos juntos, ainda tem muita coisa pra fazer."















Abaixo, os vídeos desse show. Infelizmente a pobre máquina registradora da Cumbuca nem sempre teve capacidade de captar os graves poderosos imaginados por Yuka sem sofrer com distorções.





Músicas:

- "Por Pouco" (trecho)

- "O Dia em que o Homem se Cansa"

- "Dali" (participação Black Alien)

- "Myto"

- "Confusão"

- "Um Minuto Antes do Fim" (participação Cibelle)


E mais um redundante clichê, porém verdadeiro: Yuka se foi, mas Yuka permanecerá por muito e muito tempo, permeando o que acontece na nossa cidade, inspirando cada ação de transformação e resistência. Vamos juntos, ainda tem muita coisa pra fazer.

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