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quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

Vídeos: a homenagem a Gilberto Gil e ao disco Refavela no Circo Voador (25/01/2018)





A palavra que pode melhor definir a noite da última sexta-feira no Circo Voador é celebração. "Óbvio, né, seu Cumbuca", o leitor pode pensar sobre o que escreve este cansado resenhista com tantos anos de shows no lombo. E é por esses anos todos que a gente acaba usando algumas palavras que consigam, de forma sintética, definir o que aconteceu.







Tentando expandir o que "celebração" quer dizer, vamos com algumas explicações. Há dois anos atrás começou a circular o expresso 2222 pelo país uma turnê onde artistas tocavam e cantavam as faixas do disco Refavela, de Gilberto Gil, o segundo da trilogia Refazenda-Refavela-Realce. Como o álbum foi lançado em 1977, o show foi naturalmente batizado de Refavela 40.







E quem são esses músicos? Um dos principais idealizadores do projeto foi o filho Bem Gil, guitarrista e um dos vocalistas da banda Tono. Junto com ele no palco está o restante da banda: a esposa e vocalista Ana Claudia Lomelino, hoje em dia também chamada de Mãeana, o baixista Bruno di Lullo e o baterista-vocalista Rafael Rocha.







Mas essa quantidade de músicos teria estofo o suficiente para recriar um clássico da discografia de Gil? Provavelmente não, então tem muuuito mais gente lá em cima do palco do Circo. Na área da bateria, Rafael Rocha se concentra mais na percussão junto com Rodrigo Maré, enquanto Thomas Harres e Domenico Lancellotti ocupam mais tempo o instrumento, se revezando.







Nos sopros há até mais comedimento, Thiago Queiroz e Mateus Aleluia Filho, mas que dão muito conta do recado. Além de Mãeana, nos vocais de apoio também está outra das filhas de Gil, a Nara, além da ala infantil com os netos Flor e Dom ajudando aqui e ali.








Pela quantidade de familiares no palco já dá para entender que o quanto o lance todo envolve celebração, certo? Pois ainda não está nem na metade do time presente. Moreno Veloso é quase da família e também está lá cantando e se movimentando por todos os lados.







Essa turnê do Refavela 40 começou no Circo Voador e dois anos depois encerra atividades na lona da Lapa (já pode ser chamado de Refavela 42?). O show inicia com uma gravação da época, com Gil explicando sobre o disco, e a essa turma logo se juntam dois convidados que já levantam o público de cara com "Ilê Ayê", que ganho novo folêgo nos anos 90 com a regravação d'O Rappa: Mestrinho (que pelo tamanho e altura deveria se chamar Mestrão), cantor e sanfoneiro, e, principalmente, a pianista, cantora e vulcão Maíra Freitas.







A filha de Martinho parecia que ia roubar o show e foi um dos grandes destaques sempre que esteve à frente de alguma das músicas, mas ela sabe dar espaço para as outras mulheres convidadas que aos poucos vão dominando a frente do palco.







Tem a pernambucana Sofia Freire nos vocais e teclados, tem a italiana Chiara Civello, tem a cabo-verdiana Mayra Andrade e você já está estatelado com as músicas e com os arranjos bem festeiros mesmo nas partes mais calmas, resultado talvez de Thiago Queiroz e Thomas Harres tocarem também na Abayomy Afrobeat Orquestra e a música africana é presença imprescindível para entender o Refavela. Com essa energia toda, entram mais duas convidadas de São Paulo: Céu e Anelis Assumpção!







A essa altura todo mundo sabe que essa noite será difícil de ser esquecida por um bom tempo. Como ficaria muito curto para tanta gente tocar somente as faixas que formam o Refavela, outras músicas de Gil da época que não entraram no álbum fazem parte do show e até de outros artistas do mesmo ano, de Caetano Veloso ("Two Naira Fifty Kobo") a Bob Marley ("Jammin'").







Algumas das exceções ficaram por conta de Anelis com "Tristeza Não", feita pelo seu pai Itamar Assumpção e Céu cantando sua própria "Arrastar-te-ei", mas que compuseram bem o repertório. Anelis aproveitou seu momento para fazer apropriada e necessária homenagem a Jean Wyllys, que recentemente desistiu de seu mandato de deputado federal por conta das ameaças de morte que tem recebido. Celebrar também é exaltar aqueles que lutam contra as dificuldades e injustiças deste mundo.







Chegamos no décimo-segundo parágrafo desta resenha e o cumbuqueiro já deve estar desesperado querendo saber onde está o Gilberto Gil nessa história toda. Ele demora a entrar, é verdade, mas é tanta coisa acontecendo que chega um tempo em que você começa a achar tudo bem se for assim até o final.







Aí quando ele entra, a partir de "Sandra", cantada junto com Mayra Andrade, o que estava num altíssimo nível ganha novos patamares. Primeiro Gil parece levemente perdido (eu ficaria), mas quando ele encontra o rumo é uma montanha-russa de emoções, com o cantor dançando, buscando o público, pulando e, em especial, cantando muito bem, algo que não se poderia imaginar há poucos anos atrás, quando Gil teve problemas de saúde.







Um dos destaques após a entrada de Gil é "Balafon", com Thomas Harres tocando o pouco conhecido instrumento africano que dá nome à música. Como se fosse pouco tudo isso, Gil ainda chama ao palco dois músicos que fizeram o Refavela com ele, o percussionista Djalma Corrêa e o baixista Rubão Sabino, para que eles também possam celebrar essa noite incrível.







Fora, mas não tanto assim, das músicas do Refavela estão o "Maracatu Atômico" de Jorge Mautner, que assim como O Rappa fez com o "Ilê Ayê", neste caso foi Chico Science & Nação Zumbi que trouxeram às novas gerações; e "Sítio do Pica-Pau Amarelo", esta da mesma época do disco de 1977, com vários dos convidados cantando uma das estrofes do tema que abria a série inspirada na obra de Monteiro Lobato.







O final foi com um dos arrasa-quarteirões de Gil, "Toda Menina Baiana", uma das raras que não fizeram parte da safra '77, e sim do disco seguinte, Realce, de 1979. Será uma pista que teremos a partir deste ano o Realce 40? A conferir, desde que tenhamos tempo para nos recuperar dessa noite.







As fotos são de Dine Araujo. Gravei várias músicas dessa noite comemorativa. Veja aí:







Músicas:

- Áudio Refavela Original (trecho)

- "Ilê Ayê"

- "Aqui e Agora"

- "Tristeza Não"

- "Norte da Saudade" / "Arrastar-te-ei"

- "Jamming" (trecho) / "Master Blaster"

- "Sandra" (citação de "Arrivederci")

- "Balafon"

- "Refavela"

- "Maracatu Atômico"

- "Sítio do Pica-Pau Amarelo"


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