Novidades musicais de todos os tempos. Também estamos em:

Flickr : Youtube : Twitter : Facebook

Destaques do site:

quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

Vídeos: Built to Spill, Blastfemme e Oruã no Parque Madureira (12/01/2019)





O Rio de Janeiro é uma cidade incrível, com um potencial enorme de ser a melhor cidade do mundo, ao mesmo tempo que é uma das cidades mais decepcionantes que se pode encontrar, justamente por conta desse potencial não realizado. Aqui no La Cumbuca uma grande quantidade de nossas resenhas sobre shows, sobre o carnaval e até sobre manifestações políticas versam sobre isso.



Imagine então que maravilha saber que a banda americana Built to Spill vem tocar pela segunda vez ao Brasil, sendo esta a primeira anunciada oficialmente no Rio de Janeiro. E aí considere que misto de emoções é saber que o show seria numa Arena no Parque Madureira.



Rápidas explicações antes de falar mais sobre o Rio e o parque: o Built to Spill sempre teve formação fluida, mas hoje em dia firmou-se como banda de um homem só, o vocalista e guitarrista Doug Martsch. Para turnê latino-americana realizada ano passado ele recrutou Lê Almeida e sua turma que faz o selo/gravadora Transfusão Noise Records. Não tinha show oficial no Rio, mas Doug fez um acústico no Solar de Botafogo e um show "informal" no Escritório, sede da Transfusão.







Pelo visto Martsch gostou muito da experiência e a Transfusão, comemorando 15 anos de atividades, conseguiu trazê-lo de volta para esse show na Arena Fernando Torres. O local tem oferecido espaço para boas e diferentes atrações como Djangos, a Batalha do Real e Gerson King Combo.



E chegar à arena e ao parque, mesmo para quem não mora tão perto de Madureira, não é tão difícil vindo de trem (quando funciona direito, claro), com pelo menos umas três estações de diferentes ramais te deixando próximo de uma das mais importantes obras feitas no Rio de Janeiro neste século. Não posso falar pelos moradores das redondezas, mas é uma beleza ver, em um local bem cuidado, quiosques cheios rolando samba, zumba e charme ao lado de concorridas pistas de skate, com a criançada se divertindo mais à frente com uma pequena cascata d'água e casais e grupos de amigos ocupando os gramados em piqueniques e tirando selfies enquanto o sol começava a ir embora.







Poucos problemas para chegar, mas quando lembramos que temos que ir embora fica um pouco mais complicado. O trem para de funcionar algo em torno de 9 da noite (é difícil saber a hora exata) e os shows começariam a partir das 19:00, sendo que além de Built to Spill se apresentariam Blastfemme e Oruã. E a história do potencial não realizado chega quando os shows iniciam bem mais tarde que o previsto, levando os shows fatalmente a terminarem muito tarde.







Enquanto isso a passagem de som dentro da arena era a trilha-sonora do começo da noite. Quando os shows finalmente começaram, deu para ver que não tinha ajuste que salvasse as caixas de som da casa, mas se posicionando no meio do palco e ouvindo mais o retorno a coisa ficava mais agradável. Responsável pela abertura, Oruã, um dos muitos projetos do "chefe" Lê Almeida e um dos mais legais, sempre (pelo menos nas vezes que vi) com formações distintas.







Já vi com duas baterias e teclado, com bateria e percussão, com duas guitarras e duas baterias fazendo trilha de filme... Desta vez foi com baixo guitarra, bateria percussão e um ocasional saxofone meio perdido. Acho melhor com duas baterias, ou pelo menos uma que acompanhe com mais contundência as por vezes longas viagens (viagem no tempo, direto pros anos 90) que a guitarra de Lê vai construindo. Mas bateu legal uma ida mais distante no tempo com a participação da cantora Laura Lavieri mandando "Vou Recomeçar", Roberto & Erasmo via Gal Costa.







A presença feminina aumenta ainda mais com o conjunto seguinte. Já falei de Blastfemme aqui, Fábio postou um show inteiro do grupo aqui e aqui incluí a banda no que tenho ouvido mais voltado ao pós-punk ano passado, embora pondere que elas no somatório geral sejam mais punks do que qualquer outra coisa. Mas aqueles traços de Gossip, Savages e Mercenárias estão ali se você prestar atenção.







Elas e ele. A vocalista Dani Vallejo e o guitarrista Igor de Assis se encarregam da parte "aeróbica" pulando, se contorcendo e se jogando no chão, enquanto a baixista Jhou e em especial a baterista Vladya mostram competência para ditar o ritmo. Já que falávamos de potencial, de se notar também que a troca de palco pro Blastfemme tocar foi bem rápida e tocaram pouco mais de meia hora, num profissionalismo pouco comum para padrões de nossa cidade.







Quem também acompanhava o show da Blastfemme com aparente interesse, bem ali na frente do palco, era o Doug Martsch. Built to Spill finalmente entrou, passando das dez e meia, para um público em número menor que a arena poderia abrigar, mas entusiasmado com a presença do ídolo. Acompanhado dele estava parte do Oruã, com Lê Almeida indo da guitarra para a bateria e o baixista João Luiz assumindo uma guitarra com o uso quase constante de slide. João Casaes no baixo completou o time.



Deu para perceber que os músicos brasileiros se esmeraram para tocar as músicas do Built to Spill de uma forma que talvez nunca tenham se dedicado aos próprios projetos. E isso iluminou ainda mais a presença de Martsch, que fala pouco e se concentra em suas músicas e na guitarra que toca com uma mesinha do lado onde manipula os efeitos do instrumento que ecoou bonito, fazendo as distorções dos anos 90 fincarem bandeira no Parque Madureira.







Tentando explicar de forma bem reduzida aquilo que vocês podem conferir nos vídeos abaixo, o Built to Spill poderia ser o som que Neil Young tentaria fazer se ouvisse Dinosaur Jr e Pavement. Em especial nas músicas do disco Keep It Like a Secret de 1999, provavelmente o melhor de sua discografia. E que foi tocado na íntegra sem ter sido anunciado previamente. Grata surpresa, iniciando as comemorações dos 20 anos do lançamento do álbum (mas em 2018 já tinha rolado nesse show).







Uma excelente performance que abandonei após "Carry The Zero", deixando de assistir covers de Kinks e R.E.M., o que não seria necessário se os shows tivessem começado no horário, pois ainda era preciso chegar à estação de metrô mais próxima antes de meia-noite (*). Enquanto saía de uma memorável apresentação de um grupo de indie rock em Madureira, dentro do metrô estava um contingente da região, com quase a mesma quantidade que estava na Arena, em direção a alguma praia da Zona Sul fazer uma espécie de lual-pagode-funk que já começava ali mesmo no vagão. Com potencial, decepcionante, perigosa, maravilhosa, mais que tudo o Rio é uma cidade muito doida.


Vídeos.


Oruã



Músicas - "Sem Bênção / Sem Crença" e a outra não sei o nome





Blastfemme



Músicas

- "Devora-Me"
- "Ela Não Quer"
- "Vem Vem"





Built to Spill



Músicas:

- "You Were Right"
- "The Plan"
- "Time Trap"
- "Carry The Zero"





(*) Agradecimentos à cantora Laura Lavieri pela salvadora carona até o Metrô e ao curador Calbuque por resistir comigo ao "Lual do Metrô".

Nenhum comentário: