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terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Retrospectiva 2015: Planet Hemp na Fundição Progresso (19/12)







O Planet Hemp está de volta, e em boa hora. Quer dizer, não leve a palavra "hora" literalmente neste caso, já que o horário previsto para o começo do show foi ingrato. Aproveitando, o local, a Fundição Progresso, não costumar ser bem reconhecido pela qualidade do som.









Mas já era hora do Planet voltar com vontade e mais (e más, porque não?) intenções do que apenas passar a carreira a limpo e, embora nossa preferência aqui na Cumbuca em termos de som seja o Circo Voador, não existia outro lugar na Lapa capaz de abrigar os milhares de fãs que esgotaram os ingressos dos dois shows agendados para o último final de semana, o penúltimo final de semana deste 2015.










É por conta desse 2015 tão complicado em tantos termos que parece tão oportuno a volta do Planet Hemp, que sempre foi além do assunto que dá nome ao grupo e pelo qual ficou conhecido. "Tem muita coisa errada, temos que reclamar", já diziam eles em 2005, em "Phunky Buddha", uma das primeiras do show e 20 anos depois ainda há muito a se reclamar.







Embora a "desculpa oficial" para esse novo retorno seja a comemoração de 20 anos do álbum Usuário, é com "Procedência CD", do terceiro disco, A Invasão do Sagaz Homem Fumaça, que o show começa, com frases ainda muito atuais e cicatrizes ainda não fechadas, como "pergunte a procedência dos juros extorsivos" e "filho da puta que comprou a eleição".









Não que seja possível sempre entender tudo que Marcelo D2 e BNegão estão cantando, graças ao som sempre deficitário da Fundição, que também dá uma embolada nos instrumentos.









Mas ao mesmo tempo dá uma sensação maior ainda de agressividade, que é a tônica da maior parte do show, e tem sido assim nessa volta, com rock pesado e hardcore bem mais presente que o rap e outros ritmos, o que torna as rodas de pogo simplesmente insanas. Pelo visto D2 e BNegão deixaram a variedades de ritmos e estilos para seus respectivos trabalhos solo.









A escolha de colocar Nobru Pederneiras como guitarrista no lugar de Rafael Crespo acentua isso, uma vez que Nobru e o baterista Pedro Garcia tocavam juntos na lendária banda carioca de hardcore Cabeça. Não que com o Rafael, que não se sabe porque não está participando desse novo retorno, fosse muito diferente, mas não deixa de ter algum simbolismo 2/3 do Cabeça no palco como Planet Hemp. Só faltou o baixista Fábio Kalunga fazer alguma participação.











Mas participação hardcore não faltou, com o pessoal da banda Serial Killer tocando a porrada deles, "Seus Amigos", que o Planet regravou no disco Os Cães Ladram mas a Caravana Não Pára, auxiliados pelo vocalista Paulão, ex-Gangrena Gasosa, atual vocal-gutural-de-apoio nos Seletores de Frequência do BNegão. Antes de "Seus Amigos" Paulão também participou na maior novidade desse show, que foi uma versão de "Crise Geral" do Ratos de Porão.










A participação mais contundente desta noite, no entanto, foi de Marcelo Yuka durante "Samba Makossa" de Chico Science e Nação Zumbi, com discurso inflamado e terminando com pedidos para o público gritar "Fora Cunha!" no que foi pronta e sonoramente atendido. Antes mesmo da entrada de Yuka o público já tinha mandado seu recado veemente contra o presidente da câmara dos deputados, e BNegão e D2 usaram vários momentos entre as músicas para falar sobre a podridão da política (em "A Culpa é De Quem" o telão mostrava o nome de todos os partidos políticos) e da polícia, em especial no caso recente dos cinco jovens executados pela PM do Rio com mais de 100 tiros.









E é por isso que é importante essa volta do Planet Hemp, muito mais do que tocar "Mão Na Cabeça", com D2 sentado para ler a letra ou, depois de muito tempo, cantar "Não Compre, Plante", que antes dessa nova leva de shows só estava aparecendo com o começo da música instrumental. Tudo isso é muito legal, em especial para os fãs mais detalhistas, mas o que vale mesmo é ter pessoas talentosas em cima do palco apresentando ótimas composições, com aqueles "algo mais" que fazem um show de verdade, como o telão interagindo com cada música e uma iluminação impressionante, com jatos de luz se cruzando e, principalmente, com vontade e esperança de tentar mudar o mundo, nem que seja por um pouco mais de duas horas de barulho e fumaça.









A única coisa a se lamentar das duas noites foram os diversos relatos de furtos de carteiras e celulares durante o show. Há algum tempo tenho preferido não ir aos shows na Fundição Progresso por questões técnicas (tipo, quero ouvir o que o artista está tocando), então não sei se isso tem sido algo recorrente, mas de qualquer modo, espera-se que a casa redobre a atenção com esse tipo de acontecimento, já que a maioria das pessoas está lá para se divertir e a impressão pelos relatos é que se tratava de uma gangue agindo lá dentro, de forma livre.




Veja nossa galeria com fotos do show clicando aqui.



Seis vídeos do show podem ser vistos clicando aqui ou abaixo:






Músicas gravadas:


- Phunky Buddha

- Mary Jane

- Porcos Fardados

- Mão Na Cabeça

- Crise Geral

- Seus Amigos

- Queimando Tudo



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