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domingo, 10 de maio de 2009

Virada Cultural 2009 - Parte 09 - Introdução

Virada Cultural - 03/05/09 - Nação Zumbi


Sempre que eu penso na Virada Cultural em São Paulo, ou desde que no ano retrasado eu tomei conhecimento que existia uma Virada Cultural em São Paulo (o que teve o quebra-quebra no show do Racionais), eu penso no cara que produz o evento e decide que bandas vão tocar. Deve ser um tiozinho (expressão tipicamente paulista para designar pessoas de meia-idade) que ouviu muitos discos de hard rock, punk e heavy metal nos anos 70/80, e deve terminar as frases falando "bicho".



Deep Purple, Kiss e Ozzy Osbourne (no Black Sabbath e em carreira solo) devem ser seus preferidos e deve ter ido a muitos shows de bandas progressivas brasileiras. Nem quero conhecer o sujeito de verdade, para não macular minha imaginação. Infelizmente o site da Virada não disponibiliza (até agora) a programação dos anos anteriores, mas de cabeça e procurando aqui e ali vejo os grupos e artistas que já estiveram por lá: Sérgio Dias (solo e com o Mutantes (d)(r)eformado), Tutti Fruti, Patrulha do Espaço, Made In Brazil, Som Nosso de Cada Dia, O Terço, Casa de Máquinas, Harpia, Paul Di'anno, e indo um pouco mais longe dessa geração (e mais perto no tempo), o Camisa de Vênus...



A galera sobrevivente do início do punk em SP toda já tocou: Ratos de Porão, Cólera, Garotos Podres e Inocentes. O pessoal da mpb, entre malditos e benditos, grande parte com início de carreira ou auge nos anos 70, já tocaram também: João Bosco, Tom Zé, Jards Macalé, Luiz Melodia, Sá, Rodrix e Guarabyra, Alceu Valença, Moraes Moreira, Pepeu Gomes...



Leia novamente os nomes acima. Talvez você tenha asco de todos eles, mas para mim, imaginar vê-los tocando de graça na rua ou no máximo dentro do Teatro Municipal de lá já seria um atrativo e tanto. O pulo do gato foi saber que alguns deles tocavam discos clássicos de sua carreira. Acho que foi soube disso por causa do Farinha do Desprezo, de Jards Macalé, tocado inteirinho em 2007 no Municipal, com Lanny Gordin no violão e tudo. Uau.



Aí veio a programação de 2008, com tantos discos legais sendo tocados na íntegra, como noticiamos na época, e com atrações tão legais, em especial a Banda de Pífanos de Caruaru e Siba e a Fuloresta, que me obrigaram a fazer o esforço de ir a São Paulo, a cidade com o horizonte predominantemente vertical. Esforço mais do que recompensado, um evento incrível para quem é fissurado em música, especialmente a quem se dispõe a ficar 24 horas acordado vendo o máximo de atrações possível, de surpresas como Bocato a shows raros de acontecer no Rio, como o Superguidis.



É inegável que a programação de 2009 era inferior a do ano anterior. Inferior em quantidade e em qualidade, mesmo com idéias bem sacadas, como a do Palco Toca Raul! e da consolidação do Largo do Arouche como o Palco Brega, que no ano anterior já havia tido um show hilariante de Antonio Carlos e Jocafi, com uma versão de uns 19 minutos de "Você Abusou".



Além disso, mesmo não sendo tão boa quanto a de 2008, este ano haviam shows bons o bastante para me manter acordado durante as 24 horas da virada. E havia os Novos Baianos, que mesmo sem Moraes Moreira, prometiam um show emocionante. Dos shows que queria muito ver, só não consegui ver Tom Zé tocando seu primeiro disco, de 1968, mas por ótimo motivo. No fim das contas, se foi menos emocionante do que 2008, a Virada Cultural foi gratificante. 14 shows que valeram a pena, com exceção de um.


Virada Cultural - 03/05/09 - Teatro Municipal 6 da manhã


Fora da parte musical, o evento mostrou que o corte do orçamento que teve este ano não se limitou à diminuição de quantidade de palcos. Apesar de não ter visto problemas relacionados a furtos e roubos por onde andei, também não vi praticamente nenhum policial rondando os lugares. Me lembrou a forma como o carnaval é feito no Rio de Janeiro, onde o poder público deixa a cargo da população prover não só a diversão como a infra-estrutura, a segurança, o controle do trânsito, a urbanidade e a limpeza, o que é uma outra forma de chamar de abandono completo.



Por falar em limpeza, nesse quesito realmente o investimento foi nulo. Lembro de ano passado, no Pátio do Colégio ao meio-dia, ou seja, 18 horas depois do início da Virada e tudo estar limpo como se estivesse começando o evento naquele instante. Assim era pela maioria das áreas próximas, com exceção do Palco Rock, localizado na Praça da República. Este ano o cenário era desolador, com montanhas de lixo espalhadas em todos os lugares. E, ei, se um carioca está reclamando da quantidade de lixo em um lugar é sinal de que o lugar REALMENTE está imundo. A sensação era de estar nas locações do filme Ensaio Sobre A Cegueira, que teve algumas cenas rodadas em São Paulo. Quem sabe em 2010, ano eleitoral, a coisa melhore.



Mas já chega de falar dos problemas politicurbanístcos de cidades alheias. Em breve, os shows.

Um comentário:

Anônimo disse...

35 anos e camiseta do Black Sabbath, bicho

http://anapaulasousa.blog.terra.com.br/2009/04/29/%E2%80%9Cvirada-cultural-faz-sucesso-porque-nao-vende-nada%E2%80%9D-diz-o-responsavel-pela-escolha-dos-800-artistas-do-evento/