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quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

14 Discos Nacionais de 2014 - 01: Juçara Marçal - Encarnado (por Otaner)

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14: Naurêa - Na Dansanteria
13: Tonto - Aliança Hostil
12: Zé Vito - Já Carregou
11: Superlage - Superlage
10: Nação Zumbi - Nação Zumbi
09: Rubinho Jacobina - Andando no Ar
08: Marcia Castro - Das Coisas que Surgem
07: Anelis Assumpção - Anelis Assumpção e os Amigos Imaginários
06: Leandro Joaquim - Sobre as Cores e o Nosso Tempo
05: Russo Passapusso - Paraíso da Miragem
04: Ruído/mm - Rasura
03: Stéphane San Juan - Système de Son
02: Ratos de Porão - Século Sinistro








01. Velho Amarelo
02. Damião
03. Queimando a Língua
04. Pena Mais Que Perfeita
05. Odoya
06. Ciranda do Aborto
07. Canção Pra Ninar Oxum
08. E o Quico?
09. Não Tenha Ódio No Verão
10. A Velha Da Capa Preta
11. Presente de Casamento
12. João Carranca



Ah vá, essa todo mundo sabia.

Unanimidades são um problema, ainda mais nos nossos tempos atuais. Há, de forma até natural, a reação. "Ah, não é isso tudo". "Não sei porque falam tanto desse disco" (ou série, ou filme, ou pasta de amendoim). Gostos. Mas, caso você se depare com alguém se arriscando a dizer algo assim sobre Encarnado, desconfie.


Quer dizer, será mesmo que o sujeito começou ouvindo "Velho Amarelo"? Cordas distorcidas de Kiko Dinucci e Rodrigo Campos na guitarra e cavaquinho se entrelaçando e fazendo a rede para entrar a voz de Juçara, linda daqui até o fim do disco, falando sobre a morte, tema recorrente nas músicas seguintes. E logo em seguida "Damião", composição de Douglas Germano e Everaldo Ferreira da Silva, sax de Thiago França, a história do paciente de uma instituição psiquiátrica assassinado por enfermeiros. E "Queimando a Língua", de Romulo Fróes e Alice Coutinho. E "Pena Mais Que Perfeita", de Gui Amabis e Regis Damasceno.


"Odoya", música de Juçara, é a preparação para um dos momentos mais importantes e emocionantes da música brasileira neste século. É difícil sair incólume depois que "Ciranda do Aborto" acaba, com a destruição sonora produzida por Kiko, Rodrigo e a rabeca de Thomas Rohrer. O mais incrível é que Juçara ainda consegue nos mostrar mais meia dúzia de canções atordoantes, entre regravações de Tom Zé ("Não Tenha Ódio no Verão") e Siba ("A Velha Da Capa Preta"), até chegar com a história de "João Carranca", inventada por Kiko. E nos deixar de olhos arregalados com o que ouvimos nos últimos 40 minutos.


Este não é só o melhor disco nacional do ano. Este é o melhor disco produzido no planeta Terra este ano. Este não é só o melhor disco produzido no mundo em 2014. É o melhor disco da década, até agora, ainda na sua primeira metade. Esperemos o que os próximos anos nos reservam.




Juçara Marçal - Encarnado

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