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quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

O Carnaval 2016 no Rio de Janeiro: Tranquilo e Favorável - Parte 2





Na primeira parte falei do pré-carnaval até chegarmos na sexta, que já é carnaval, mas é a partir do sábado que a cidade para totalmente. E desta vez um sábado diferente, que costumava ser dedicado ao Céu Na Terra e ao Multibloco (particularmente, anos antes da ideia de fazer o bloco mais cheio do mundo para competir com o Galo da Madrugada em Recife, era imperdível ir no Bola Preta) e desta vez subimos ladeira na Glória.



06/02 - Desce Mas Não Sobe





O Desce Mas Não Sobe em uns seis anos nunca saiu em listas oficiais de prefeitura, mas a informação de um bloco animado descendo a escondida (e longa) Barão de Guaratiba foi sendo transmitida de folião para folião, e a cada ano mais e mais gente ia segunda-feira de manhã bem cedo para conferir se as lendas eram reais. Pois este ano eles mudaram o dia de segunda para sábado, supostamente na tentativa de não superlotar a ladeira, mas Whatsapp está aí para inviabilizar essa estratégia.





E é totalmente compreensível essa procura pelo bloco, considerando o local, a bateria e os sopros, as fantasias criativas, etc. Chegando umas 7 da manhã deve ser agradável, mas a partir das 8 já complica. Felizmente foi possível encontrar um "camarote / barricada de ambulante" e deu para acompanhar com tranquilidade o bloco fazendo sua "descida final", tocando marchinhas e músicas que iam de Mutantes a... Mamonas Assassinas. Depois de um certo trecho, não sei se pela superlotação, os músicos pararam de tocar e foram para Rua do Catete, onde se transformam no...






06/02 - Puta Que Paris





Não tem o charme das ladeiras e das senhoras nas janelas das casas saudando o bloco e jogando confete. Em compensação é muito menos apertado, mesmo competindo com o trânsito aberto, e muito mais divertido. O objetivo, como o nome já mostra, é chegar na Praça Paris. E isso é feito colorindo a Glória com fantasias, marchinhas, Caetano Veloso e axé anos 80. Na Praça Paris o bloco fica um bom tempo parado e muitos foliões aproveitam para relaxar no gramado, enquanto outros vão caçar outros blocos ou repor energias para a próxima parada, que no caso de muitos provavelmente foi a Gamboa.






06/02 - Cordão do Prata Preta





Já faz um tempinho que o carnaval da zona portuária está em ritmo de "revitalização" muito mais intenso do que o prometido pela prefeitura para a região. Museus e Praça Mauá à parte, o que se vê na Gamboa, por exemplo, é falta de transporte e excesso de poeira, com ruas inteira ou parcialmente fechadas em obras que já duram anos. O carnaval vira um alento ainda maior para quem mora ou transita por lá nas outras épocas do ano, momento de extravasar a alegria necessária para suportar os problemas.



Mas não deixa de ter um gosto amargo pensar no potencial ainda a ser realizado por ali. De qualquer forma é bonito ver tanta gente vindo para o bairro e ocupar suas ruas e a Praça da Harmonia, local onde começa e termina o cortejo da Prata Preta. Nos últimos quatro, cinco anos, os foliões foram abraçando não só o Prata, que começou em 2005, como a região, então o desfile foi bonito, animado, colorido, etc, mas o que dá para imaginar é o quanto pode ser incrível quando (ou se) todas as obras prometidas forem finalmente concluídas. Mas deixemos toda essa pensata de lado. Era hora de mais uma vez terminar o sábado de carnaval cedo pois o domingo seria, como tem sido nos últimos anos, muito especial.







07/02 - Cordão do Boi Tolo





Não é um bloco, é uma saga, uma ópera em muitos atos. E este ano contou com novidades até mesmo intricadas, como a separação do bloco em dois na Praça Mauá. Mas não nos antecipemos. Por mais que o Boi Tolo tenha algum minimíssimo direcionamento e até mesmo uma diretoria, é verdadeira a diretriz que o bloco possui: ele é feito pela espontaneidade do folião. Foi assim que ele nasceu em 2006, com seguidores do Boitatá perdidos pela mudança não-anunciada da data do desfile, e assim, na tolice, fazendo brotar um novo bloco nas ruas do Rio.





E é esse espírito espontâneo que inspira aqueles que hoje seguem este que se tornou um dos principais eventos do carnaval carioca. Se você chegou na Candelária um pouquinho depois da saída do bloco pela Presidente Vargas, isso já fica bem claro com uma comissão de frente informal, feita por um grupo fantasiado de peças de Tetris. Difícil superar o impacto de ver o Tetris acontecendo ao vivo, com as pessoas se movendo e se encaixando, mas tinha muito mais.








Tinha outros grupos, como uma turma fantasiada de "revolução francesa" com bandeirão da França e um deles segurando a cabeça de Maria Antonieta; tinha outra turma fantasiada de "instagram da Vera Holtz" (pesquisem); Belas Gil, mais mulheres de Pedro Paulo e personagens do Mad Max também eram frequentes, além de personagens de filmes do Wes Anderson, como Richie Tenenbaum (dos Excêntricos Tenenbaums) e os marinheiros da Vida Marinha de Steve Zissou. E em dado momento um Freddie Mercury teve seu momento de ribalta em um telhado na Rua Camerino. Ah sim, e o famoso "Gif do Travolta".





A criatividade das fantasias é só um aspecto do Boi Tolo. Tem os músicos incansáveis, as marchinhas clássicas e os trajetos e percursos que o Boi Tolo faz. Como já disse acima, este ano o bloco começou na Candelária, pegou a Presidente Vargas e se dirigiu para a Praça Mauá pela Rua do Acre. Lá, uma parte do boi desgarrou. Uma parte veio para as ruas da Saúde em direção à praça Tiradentes, enquanto, pelo que relatam, outra parte foi para a Alerj, local importante para a história do bloco. De lá também foram para a Praça Tiradentes, aparentemente junto com a Sinfônica Ambulante, vinda de Niterói. O que não há dúvidas é que na Praça Tiradentes aconteceu uma fantástica "pororoca de Boi Tolos", com direito até mesmo a um Bezerro Tolinho representando a ala infantil do bloco. De lá, o bloco foi todo para o começo da Avenida Chile e atravessou mais ruas do Centro, mas este cumbuqueiro foi se alimentar e descansar, para encontrar o Boi Tolo horas depois no MAM, como é tradição.





E do MAM é uma peregrinação pelo Aterro, vendo a noite cair e folião atrás de folião também cair de cansaço. Depois das 21:00 (ou seja, umas 12 horas depois do início do bloco) ainda havia um pelotão bem resistente na Praia do Flamengo, e a partir daí o que contam é que depois do passeio pelo Aterro quase todo, foram para a Praça São Salvador e na madrugada teriam chegado a Botafogo! Isso por volta das 5 da manhã, o que parece empolgar aqueles que pensam ano que vem em fazer um Boi Tolo de 24 horas. Claro, sempre há aqueles que afirmam que o Boi Tolo neste momento ainda está acontecendo e se aproxima da fronteira do Brasil com a Bolívia. E quem há de duvidar? Boi Tolo é eterno.



Os blocos a partir da segunda-feira de carnaval até continuam na parte 3. E ainda temos muito a falar do carnaval, aguenta.


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