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quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Resumindo e Botando a Tampa no Carnaval 2016





Pronto, chega! O carnaval acabou e já fiz vários posts sobre um monte de coisas que vi, vivi e pensei antes, durante e depois dessa festa tão presente em nossas vidas, mesmo que você não goste dos blocos e das festas nas ruas.



Sobre os blocos que acompanhei foram quatro postagens, com fotos e vídeos.


Parte 1: Vou Treinar e Volto Já / Quinta da Boa Vista - Maracutaia e Céu na Terra / Bloco da Ansiedade / Escravos da Mauá / Brejeiro


Parte 2: Desce Mas Não Sobe / Puta Que Paris / Prata Preta / Boi Tolo (♥)


Parte 3: Quero Exibir Meu Longa / Bloco Vem Cá Minha Flor / Moita / Trombetas Cósmicas do Jardim Elétrico / Vamo ET / G.R.E.S. Ratos e Urubus


Parte 4: Mulheres Rodadas / Me Enterra Na Quarta / OBA - Organização Bons Amigos - Portugal no Porto Maravilha / Ressuscita no Sábado



Sobre a violência estatal contra ambulantes e os blocos não-oficiais, falei aqui.



Aproveitei para analisar como tem sido o papel do poder público durante o carnaval. Nem um pouco bom.



Uma playlist com vídeos que gravei em alguns blocos:





Meu Top 5 de 2016:


1 - Boi Tolo

2 - Ansiedade

3 - Escravos da Mauá

4 - Brejeiro

5 - G.R.E.S. Ratos e Urubus


Com menções honrosas aos grandes momentos do Moita em cima da laje na Antônio Carlos, Vem Cá Minha Flor no vão do MAM e Mulheres Rodadas na Barão do Flamengo.



O que mais eu posso dizer? Vejamos...



Apesar de ter descrito este carnaval como tranquilo e favorável, achei que o hit de MC Bin Laden ("Tá Tranquilo, Tá Favorável") não pegou tão forte nas ruas, quando a impressão que dava era que repetiria a insanidade que foi cantar "aaaaaahhhhhhhh leleke lek lek" para qualquer desconhecido na rua e imediatamente criar uma catarse a cada dez passos no carnaval de 2013. Já o "Baile de Favela" chegou um pouco mais perto, com blocos tocando o refrão demente (eu só entendia "baile de favela", depois, infelizmente, fui ouvir o que mais o cara canta. Apesar disso, ótima produção).



Os sucessos do carnaval continuaram sendo as marchinhas clássicas. A elas, soma-se cada vez mais o axé dos anos 80, começo dos 90, Caetano Veloso ("Luz de Tieta" e "Não Enche") e, muito surpreendentemente, tenho ouvido "Emoriô" de João Donato cada vez mais. Só sinto ter perdido mais uma vez a Fanfarra Black Clube e não ter ouvido no carnaval "Essa é Pra Tocar no Baile" do BNegão e Seletores de Frequência.



Mas hit de carnaval vindo do carnaval de rua do Rio de Janeiro nesta década mesmo é "Amigo da Onça", dos, adivinhem só, Amigos da Onça. O bloco ainda emplacou forte também "A Cobra", uma "marchinha balcânica", tá valendo chamar assim? Amigos da Onça é ponta-de-lança e mais radical representante de uma onda cada vez maior de blocos noturnos que privilegiam a noite em seus desfiles.







Temos o Noites do Norte, que já é notívago no nome e cujo desfile este ano, dizem, acabou lá pelas duas da manhã. Os Siderais já tem feito há um tempo seu baile sideral atrás do IFCS até depois da meia-noite. O Agytoê este ano acabou cedo, mas também trabalha com a escuridão para contrastar com as fantasias e purpurinas cheias de dourado. Agytoê é um bloco que surgiu de outro bloco noturno, porém eletrônico, que é o Viemos do Egyto.



Assim como o Viemos, outros dois blocos eletrônicos (ou sem música ao vivo) também gostam da noite, o Minha Luz é de Led e o Caetano Virado, todo mundo enfrentando os perigos da noite semi-deserta no Centro e no Aterro do Flamengo, lugar este onde o Boi Tolo também passa nas suas quase 24 horas de desfile. Mas blocos noturnos não são novidade. Já tivemos o Charanga 3D, comandado pelo Kassin no começo deste século em Copacabana depois de meia-noite, e o Boa Noite Cinderela, a encarnação "sonâmbula" de 2013 da turma que fez o Se Melhorar Afunda, Exalta Rei, Oh Ménage, etc. Nenhum deles supera o Amigos da Onça em termos "madrugadeiros", já que o bloco começa seu desfile pelo Centro de madrugada e atravessa a manhã.



É uma outra forma de encarar o carnaval. E quanto mais formas, melhor. Já falei outras vezes sobre isso, mas o que me interessa no carnaval é ter novos olhares sobre a cidade, ruas e lugares que, em geral, tratamos de outra forma na rotina do dia-a-dia. E melhor ainda, fazer isso ouvindo música, vestindo fantasias, encontrando amigos e interagindo com desconhecidos. Mas o melhor carnaval do mundo é o folião quem faz, já diziam BaianaSystem e Lucas Santtana, seja no Rio, Recife, Salvador, Ouro Preto, Parati, São Paulo, Belo Horizonte, algum retiro espiritual, ou no sofá da sala.



Ou seja, no final é você quem faz um ótimo carnaval. Não dependa somente dos blocos, sejam eles secretos ou excessivamente anunciados, parados ou verdadeiras maratonas, fanfarra ou bateria de escola de samba, de marchinhas ou de música eletrônica. Vá para a rua e descubra um batuque bom, ou ruim mesmo, e deixe-se levar. E não esqueça da lição dos criadores do Boi Tolo que há dez anos atrás eram apenas desconhecidos enganados pela mudança do dia do desfile do Boitatá e, em vez de só lamentar e reclamar, criaram um dos melhores blocos do Rio de Janeiro.



Pronto, chega! Até 2017 (ou a qualquer momento, em edição extraordinária).


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