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sábado, 20 de setembro de 2008

Famintos

Ontem, no Recife, aconteceu o primeiro show da turnê solo de Marcelo Camelo. Tocando no excelente Festival No Ar Coquetel Molotov (nome longo...), que tem trazido a cada ano bandas legais da Suécia e outros artistas bacanas, ele era o nome mais aguardado pelo público, que lotou sua apresentação.


E não se limitaram a isso, como podemos ver nos vídeos do show que começam a pipocar no youtube, como por exemplo esse em que ele canta "Janta", com Mallu Magalhães (a melhor do seu cd "sou", junto com "Menina Bordada") e depois tenta cantar "Morena" com a menina folk, mas era impossível, já que não dava para competir com milhares de pessoas cantando muito mais alto. A imagem está um pouco longe, mas Mallu Magalhães não para de chorar. Vamos admitir que ouvir um coro de milhares de pessoas cantando uma música que você gravou com alguém que até 9 meses atrás era somente um ídolo distante não seria fácil para ninguém, a idade que tivesse. Sei lá se foi por isso que ela desatou em choro, mas enfim... Melhor ver o vídeo.



A histeria que tomou conta do teatro assim que Camelo tocou os primeiros acordes de "Janta" (e suponho que tenha sido assim em todas as músicas) é algo que não acontecia há muito tempo para um artista (fora os próprios Los Hermanos) que não busca as vias normais para um sucesso comercial. Não importa se é proposital ou se são meras escolhas artísticas, mas disco com título de poesia concretista ("sou", na verdade é um "nós" escrito de cabeça pra baixo), foto de terrorista de Al-Qaeda para divulgação, além do tal "sou" ser um disco de MPB onde mal se entende o que ele canta e uma das músicas tem o verso "e as gordinha (sic)/ um alvoroço" seria chamado por muitos de suicídio artístico e/ou comercial.


Não para Marcelo Camelo, e realmente há muitos anos nos desacostumamos a ver um artista assim. Minha lembrança de algo parecido é a Legião Urbana, onde Renato Russo desafiava o público, de forma mais agressiva e contestatória, bem diferente do que Camelo faz, mas que gerava o mesmo tipo de reação: gritos, choros e músicas cantadas a plenos pulmões, sem se render a fórmulas fáceis. Ou justamente por isso. Às vezes cria efeitos bonitos, essa devoção do público. Às vezes constrange. Mas no fim das contas, que bom que um artista assim consiga alcançar tanta gente desse jeito.


PS.: Nesse vídeo dá pra ver melhor os dois cantando "Janta" e especialmente a reação da Mallu: http://www.youtube.com/watch?v=n4AmQFIXQXc

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