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domingo, 30 de maio de 2010

A Cena Independente BR em 2010

Um roteiro para tentar entender o que estão falando por aí sobre bandas e festivais.

Desde o começo do ano estão rolando discussões acaloradas dentro da internet sobre o atual modelo de festivais de bandas independentes, que têm se fortalecido e, hoje em dia, possuem uma visibilidade maior do que "grandes" gravadoras. Pelo menos é isso que muitos artistas, produtores culturais e jornalistas estão demonstrando. Abaixo, alguns links com os sites onde alguns dos principais personagens dessa história expõem suas opiniões.




11 de janeiro de 2010 - O Inimigo
http://www.oinimigo.com/blog/?p=3634


Pablo Capilé,
falando sobre panelinhas
Tem uma tríade aí que delimita essa coisa da banda e do festival: o público, o jornalista e o produtor. O público satisfeito com aquilo que está vendo, o jornalista que é o juiz dessa história, e o produtor é o que tem menos poder no fim da história. Se o cara tentar emplacar uma banda dele durante um ano e ela for ruim, no outro ano não anda para lugar nenhum.



E como fluiu esse diálogo com as majors?

Foi um diálogo muito mais interessante do que eu imaginava. Eu esperava mais resistência de ambos os lados, mas a gente viu que todo mundo está disposto a entender que não adianta tensionar apenas para um lado, senão a gente não arranja pactos comuns. É óbvio que em questões específicas, determinados movimentos acreditam naquilo e ponto. Enquanto o Fora do Eixo e o Música Para Baixar são intransigentes em relação ao jabá, outras entidades entendem que eles precisam legalizar a iniciativa. Então precisa achar um meio disso, uma revisão do direito autoral, uma repactuação com as emissoras de rádio comerciais e as públicas. Então a gente tenta escoar em outros debates que estão acontecendo no país algumas situações que não vão chegar a consenso. Eu respeito muito quem é intransigente com seus princípios, mas com as propostas e construções conjuntas, o processo de coalizão é sempre muito mais bacana.



E aqui a parte que de certa forma desencadeou a discussão que começou a surgir:

A gente sempre questiona muito porque as bandas daqui não vão mais ao Centro Oeste, ao Sudeste. Há uma pressão de vocês, do Circuito Fora do Eixo, para as bandas daqui “descerem” mais?

É um caminho conjunto. Não adianta ter a plataforma se a banda não tem força de vontade. Vamos pegar os exemplos locais, de Natal. Você pega o Camarones e o Sinks, um tempo atrás. O tempo todo tocando, articulando shows, rotas para se apresentar, chegando até aos produtores e não esperando que a coisa caísse do céu. Só que a grande parte das bandas do Nordeste ou só tocam na região ou no máximo vão até São Paulo. A dificuldade está muito mais no hábito de achar que é muito difícil, que não vai dar. Eu sempre faço essa crítica as bandas do Recife. Agora que a gente percebe o AMP circulando mais. O Sweet Fanny Adams tentando circular um pouco mais. Tem banda de Recife muito bacana, com mais tempo de estrada que o Macaco Bong, e o Macaco Bong já tocou em 23 estados. Nessa mesma perspectiva, Cuiabá também é tão longe quanto é Natal. Só que o Macaco Bong se preocupa em fazer um planejamento. Comprar passagens aéreas em promoção, acrescentar outros trabalhos além do show para sensibilizar o contratante. Muita banda ainda não saiu do sistema analógico. Se alguma banda falar que não tem condição de ser do tamanho do Macaco Bong, se mata. É uma banda muito bacana do cenário independente, mas que aqui em Natal tem público de 80 pessoas. É um público conquistado no laço. Em pegar e-mail após o show, em participar da comunidade e conversar com o público, em avisar quando vai voltar a cidade, em sempre cavar matérias bacanas, se bancar para ir a shows legais. E entender os festivais mais como mostra do que como plano de sustentabilidade financeira. Eu sou dentro da ABRAFIN um defensor de que não se deveria pagar cachê as bandas. Festival é uma mostra. É entender que uma banda só vai ter um público de 6000, 7000 pessoas em Cuiabá no Festival Calango. Se a banda não entender que o principal lastro dela é público, se mata também. Tem um exemplo forte disso que é o Cidadão Instigado. O Cidadão Instigado vai numa revista e fala que a ABRAFIN é uma máfia. Só que o Cidadão está acostumado com o padrão SESC de cachê. Aí acredita que aquilo que o SESC banca para ele, é o que ele tem que receber. Só que lá em Cuiabá o Cidadão Instigado não leva 30 pessoas. Essas 30 pessoas pagando R$ 20.0 dá R$ 600.00. E o meu festival é praticamente gratuito. Mas se pagassem R$ 20.00, dava R$ 600.00. Aí a gente triplica isso pelo valor agregado, a banda esteticamente é bacana. Então além da bilheteria, vamos dar uma triplicada nisso aí. Dá R$ 1.800,00. Só de cachê o cara me pede R$ 4.000,00. Então só de cachê saímos em um déficit de R$ 2.200,00, sem contar as passagens. Então se ele não consegue equilibrar isso, entender que o festival forma público e que para ele voltar e ter público teve que construir esse lastro, fica difícil estabelecer uma negociação.



Como Capilé comentou sobre a declaração de Fernando Catatau, líder do Cidadão Instigado, vamos fazer um flashback:

Setembro de 2009 - Rolling Stone Brasil
http://www.rollingstone.com.br/edicoes/36/textos/cidadao-independente

Mas, pra quem pensa que os festivais independentes serão o foco, o Cidadão mostra seu lado indignado: "Acho esses festivais e a entidade que os organiza [Abrafin] uma máfia. São sempre as mesmas bandas e toda vez que nos chamam é pra fazer show quase de graça. Não tenho mais idade pra desvalorizar a minha música. Até brincamos entre a gente que vamos fazer a Abramim - Associação Brasileira dos Músicos Independentes".



Enquanto a discussão esquentava através da seção de comentários da entrevista de Pablo Capilé até meados de fevereiro, na mesma época surgiu um portal dedicado a falar sobre os festivais independentes e as bandas que mais participam desse circuito. Criado por Anderson Foca, responsável também pelo festival DoSol, de Natal, o Nagulha mostrava suas intenções logo nos primeiros textos.


22 de fevereiro de 2010 - Portal Nagulha

http://nagulha.com.br/circuito-de-festivais-independentes-no-brasil

Foi-se o tempo em que os festivais independentes de rock espalhados pelo Brasil eram uma trincheira de resistência adolescente local, cheios de bandas obscuras e movidos a rock barulhento e testosterona esguichando. Tudo bem, ainda há esses festivais “machos”, dos quais o veterano Goiânia Noise, que chegou em novembro à sua 15ª edição, ainda é o melhor exemplo - apesar do notável amadurecimento. O fato é que o circuito de festivais têm se transformado aos poucos em um roteiro variado e inteligente, com uma produção profissional e esmerada, e também um celeiro das melhores bandas do Brasil.



http://nagulha.com.br/portal-nagulha-surge-para-mostrar-a-nova-musica-brasileira

Iniciativa do circuito Fora do Eixo, que reúne coletivos culturais de todo o país, o Nagulha quer ser referência para a informação e discussão sobre a nova música jovem produzida no Brasil.



E alguns dias depois ressurge o site Laboratório Pop, do Rio de Janeiro, com forte ligação ao Festival Mada, também de Natal, assim como o Festival DoSol e o site O Inimigo. Mas em vez de elogios, este traz pesadas críticas e acusações aos festivais independentes e seus produtores. O alvo principal das reportagens costuma ser o movimento Fora do Eixo de Pablo Capilé.



começo de março de 2010 - Portal Laboratório Pop



http://www.laboratoriopop.com.br/combustao/o-racha-dos-indies/6

Os independentes estão oficialmente rachados. Criada em 2005, a Abrafin surgiu como organizadora dos eventos de música no Brasil, ganhou o apoio dos grandes, como Abril Pro Rock (Recife), Mada (Natal), Porão do Rock (Brasília) e Eletronika (Belo Horizonte), embora sua influência nunca tenha chegado a Rio e a São Paulo. Hoje inchado (contabiliza-se 44 festivais, a maioria sem expressão e com pouco público), a associação, que se move entre Goiânia e Cuiabá, está sendo duramente contestada. É acusada de favorecimento a festivais de amigos para permanecer no poder, de fazer listas negras com bandas que se recusam a tocar nos eventos de seus diretores e agora estão no centro da maior das polêmicas: uma verba de R$ 10 milhões que estaria sendo negociada com a Funarte, cuja divisão ainda não foi definida. Já se fala nos corredores até em desfiliação dos grandes em retaliação às manobras da entidade, o que a enfraqueceria.

(...)

Discussões públicas numa lista fechada na internet mostram o nível de divergência de seus associados. Criador do festival Eletronika (Belo Horizonte/MG), diretor regional da Abrafin e empresário da banda mineira Pato Fu, Aluizer Malab anunciou sua saída da entidade na própria lista na semana passada. Ao LABORATÓRIO POP, lamenta que o nome Fora do Eixo apareça bem mais do que o da própria Abrafin em algumas empreitadas. "Entidades podem colaborar umas com as outras, mas nem todos os que estão na Abrafin são Fora do Eixo. Quando começa a haver uma unificação dentro da entidade não acho saudável, em alguns momentos os interesses se confundem", afirma Malab. "Essa estrutura de só se voltar para a articulação política não dá. Não dá para ter essa lógica de trabalho, do ofício pelo ofício".


http://www.laboratoriopop.com.br/combustao/abrafin-no-foco/8

http://www.laboratoriopop.com.br/combustao/abrafin-no-foco/9

Mario Marques

Sou do tempo em que festivais independentes eram independentes mesmo. Uma época em que tudo que eles queriam era, ora bolas, serem dependentes. De patrocínio, de apoio, de verba. Claramente, sem delongas. Nada de blá blá blás. Nos anos 90, empunhei meu bloquinho pelos principais – e ainda hoje são os principais. Abril Pro Rock (Recife), Mada (Natal), Humaitá Pra Peixe (RJ) e Porão do Rock (BSB).
(...)
Isso foi no tempo em que não existiam Pablo Capilé - rapaz politizado que conheci nos bastidores do Mada e do Porão do Rock no começo dos anos 2000 aprendendo como se fazia aquilo tudo – e Fabricio Nobre – esse eu nunca ouvira falar. Foi importante a chegada desses rapazes, sim senhor. Eles pegaram o rabo do bicho e criaram regras para a coisa andar. E andou. E imagino que, adeptos de debates longos em listas pela internet, defensores de uma chatíssima tese de cadeia produtiva, ambos não queiram, como Hugo Chávez, se perpetuar no poder, né? (Vamos ver no fim do ano). A Abrafin não tem nenhuma reverberação. Isso é um fato. Não se pode, numa doce ilusão indie, afirmar que Goiânia Noise ou Bananada sejam relevantes para o crescimento de qualquer cena brasileira. Absolutamente não são.


http://www.laboratoriopop.com.br/combustao/abrafin-no-foco/13


Em abril o palco da discussão se desloca (ainda que tudo virtualmente) para São Paulo, através do site Scream & Yell do volta-e-meia-mencionado-aqui Marcelo Costa. Primeiro com uma entrevista antológica feita com Romulo Fróes, outro nome habitual no La Cumbuca. A entrevista dele toda é obrigatória pra quem quer entender um pouco sobre o que está acontecendo na música (e alguns comentários também), mas separei abaixo o trecho que tem mais relação com os textos anteriores.

Primeiro de abril de 2010 - Site Scream & Yell

Entrevistão com Romulo Fróes
http://screamyell.com.br/site/2010/04/01/entrevista-do-mes-romulo-froes

Você nunca pensou em tocar nos festivais ao redor do país?
Você tem que pagar. É simples assim. Não estou nem criticando, as regras são claras. Ano passado eu tive um probleminha com o Fabrício (Nobre), que sempre falava em entrevista que me adorava, e é verdade, ele gosta mesmo. Fui falar com ele pra eu tocar, e ele perguntou se eu tava a fim mesmo e sabia como era o esquema. Então ele me escalou pro Bananada (em Goiânia), e me mandou um e-mail longo dizendo o que eles não davam, que é nada. Basicamente era um cachorro quente e um translado. Mas era claro o e-mail dele, e eu não entendi, achei que nada não incluía a passagem. Então combinei cachê com a minha banda. Eu ia perder mil reais, dar R$ 300 pra cada um mais um rango que eu ia pagar pra eles, mas ia tocar no Bananada. Massa. Falei com o Curumin e ele perguntou: “Os caras vão dar passagem? Pra mim não deram”. Falei com o Tatá e a mesma coisa. Falei com o Bubu e a mesma coisa. Só então me liguei que tinha entendido errado. Voltei no e-mail e estava lá em maiúscula. Liguei pro Fabrício e pedi desculpa, não dava pros caras irem de ônibus, disse que entendia eles não terem dinheiro, mas pedi o da passagem. Ele me disse que não podia e arrematou: “Mas está claro no e-mail?”. “Está claro, super claro, mas eu não entendi”. Pior é que saiu na revista Bravo que eu ia tocar. Não fico puto com o Fabrício, porque as regras estavam claras. Mas se as regras são essas eu não vou tocar, não tem como eu ir tocar. Como vou pagar passagem pra minha banda ir pro Acre? Eu não sou uma banda de rock de moleque. Eu vi o Pablo Capilé numa entrevista (para o site O Inimigo – leia aqui), e estava todo mundo um pouco com razão, mas só fiquei puto de neguinho falar que o China era estrela. Isso é ridículo. Ele é um puta cara que agita as paradas dele, vai atrás. O foda dessas discussões é que neguinho daqui fica puto achando que o Fabrício e o Capilé tão comendo camarão (na beira da praia), o que não é verdade. Os caras agitaram um negócio importantíssimo. Tem problemas como todo mundo tem, mas não é verdade que eles estão enriquecendo. Agora, eles também acharem que o China é estrela não dá. O China se fode. Tem estúdio, grava o disco dele. Ele só não quer e não pode pagar (pra tocar). Está todo mundo certo e todo mundo errado. Mas eu não vou tocar em festival nenhum, porque não tenho dinheiro.


Mas a entrevista não repercutiu nem a metade do que o barulho que o desabafo de João Parahyba, do Trio Mocotó, que saiu de uma lista de discussão e foi publicada no Scream & Yell. Mais do que a carta de João Parahyba, a discussão entre os comentários, chegando às vezes ao nível de bate-boca é que se tornou o ponto mais relevante, com desdobramentos para outros sites, como o Nagulha com bons textos do Fabrício Nobre expondo suas opiniões, no twitter com alfinetadas entre vários produtores, jornalistas e bandas e alguns meses depois no Laboratório Pop praticamente comemorando pouco comparecimento de público na edição do Festival Fora do Eixo realizada no Cinematheque, no Rio de Janeiro (!).


13 de abril de 2010 - Site Scream & Yell

Carta aberta aos músicos e artistas, por João Parahyba
http://screamyell.com.br/site/2010/04/13/carta-aos-musicos-e-artistas

E honestamente, depois de 40 anos de carreira e de ter tocado no mundo todo, não venham me dizer que festival e mostra de música é única e exclusivamente uma vitrine para quem está começando ou para quem está um pouco sumido da mídia, ou ainda, uma forma de formar público novo. Pois isso é o óbvio. Mas isso também hoje é uma vitrine para o nome do festival, para os produtores e entidades organizadores, para o marketing das grandes empresas e principalmente para o governo. E esses proponentes muitas vezes obtêm fonte de renda que mantêm toda a estrutura de suas empresas através desses editais públicos, estaduais, municipais e federais. Principalmente com dinheiro público e quase 100% sem investimento privado, digo dos pequenos empresários, os proponentes, não das grandes empresas que utilizam esses editais e leis para fazer somente marketing, e não cultura.



Dentro do que se chama "grande mídia", a Folha de São Paulo talvez tenha sido a única a se meter no assunto, mais recentemente. As matérias eram todas somente para assinantes do jornal, mas foram sendo repercutidas principalmente através do twitter. Achei um site chamado Music News que contém os três textos que fizeram.

17 e 19 de maio de 2010. Folha de São Paulo

Se o governo cismar, o indie acaba no Brasil - Por Alvaro Pereira Júnior

(in)dependente? - Por Thiago Ney

Atualmente, 44 festivais de música de todas as regiões do Brasil estão filiados à Associação Brasileira de Festivais Independentes (Abrafin).
Segundo Pablo Capilé, vice-presidente da Abrafin, apenas seis festivais ligados à associação receberam dinheiro via Petrobras neste ano.

"Sem apoio estatal, conseguiríamos fazer os festivais, mas não seria possível fazer circular muitas bandas", diz.
A opinião é compartilhada por Rodrigo Lariú, dono do selo Midsummer Madness, do festival Evidente (RJ) e integrante da Abrafin. Para Lariú, a questão que reúne os festivais indies e o dinheiro público se encaixa dentro de uma discussão mais ampla: a que envolve o uso das leis de incentivo no país.

"Hoje é quase impossível conseguir que um empresário privado patrocine diretamente um festival. Se ele pode deduzir o investimento do imposto de renda, por que ele botaria dinheiro sem leis de incentivo?"

Um dos eventos que fazem parte da Abrafin, o Goiânia Noise é dos mais conhecidos festivais indies do país. Em novembro de 2009, fez sua 15ª edição, com cerca de 60 bandas e público de 12 mil pessoas.
Segundo Leonardo Razuk, um dos organizadores do Goiânia Noise, o evento teve custo de R$ 700 mil em 2009. Eles captaram R$ 200 mil com a Petrobras via Lei Rouanet; R$ 200 mil com uma empresa de eletrodomésticos via lei de incentivo estadual; R$ 20 mil por meio de patrocínio municipal; R$ 8 mil de uma empresa de calçados; e R$ 6 mil do Sebrae.

"O resto veio com dinheiro de bilheteria e com os bares", afirma Razuk. "Nos nossos festivais, ainda dependemos de bilheteria para pagar custos."


Artista quer ser bem amado e pago - Por André Forastieri




Acho que a discussão meio que se fecha com a análise minuciosa e acho que a mais imparcial que eu li sobre a imensa discussão gerada pela carta de João Parahyba feita por Rogério Skylab.

27 de maio de 2010 - Godard City, blog de Rogério Skylab
http://godardcity.blogspot.com/2010/05/joao-parahyba-e-o-fora-do-eixo.html

O texto, ou melhor dizendo, a reportagem feita por Rogério Skylab é excelente como um todo, mas destaco aqui o final:


Nada disso, no entanto, tira o brilho da nova filosofia. “Fora do Eixo” tem o significado do que rola a margem. Não é mais alimentar antigas dicotomias do eixo, mas uma lógica que insere, ao invés de excluir.

Um sinal de que as coisas estão mudando parte das próprias empresas. O selo OI FM, ao invés de optar por nomes consagrados, iniciou seu cast com a banda “Sobrado 112”, absolutamente desconhecida. E pelos resultados de vendagem, tudo indica um novo espaço de mercado. 200 mil pessoas pagaram R$ 4,00 para o download do disco (os consumidores estão principalmente nos celulares), o que gerou uma receita de R$ 800 mil, que cobre a produção do disco, o trabalho de marketing e gera lucro. Os próximos discos serão do Fino Coletivo e da compositora paulistana Luiza Maita.

Se pensarmos no circuito de bares e universidades, aliados aos festivais e às empresas, a cadeia produtiva e criativa da música independente passa a ter sustentabilidade. Sem esquecermos que nas 12 emissoras da OI FM esse cast de artistas independentes já começam a ser tocados, destruindo uma antiga resistência. O próprio disco do Macaco Bong, pertencente ao Álbum Virtual da Trama, é um bom exemplo do quanto a antiga dicotomia já não tem mais razão de ser.




Devem existir muitos outros sites onde essa discussão está acontecendo. Para quem se interessa sobre o assunto, é importante ler os textos aí indicados e mesmo que nem todo mundo traga informações corretas (o título do texto de Álvaro Pereira Jr. da Folha, por exemplo, é um absurdo de quem finge desconhecer que os festivais, façam-se críticas a eles ou não, existem há muitos anos sem apoio do governo) é importante até para saber onde cada um se situa nessa discussão.


Da minha parte acho que quem se posiciona de forma radical nessa história está fazendo todo mundo perder. Festivais, imprensa, bandas e principalmente o público, perde quando as pessoas passam a se digladiar em vez de buscarem uma forma de fazer bandas legais tocarem pra cada vez mais pessoas e ganharem para isso.

6 comentários:

Túlio disse...

Belo resumo Otaner. Excelente parecer sobre a cena do Brasil.

Hominis Canidae disse...

Ficou sinistro malandro!

Bleffe disse...

Participe da campanha "Música em troca de Fraldas", que visa ajudar às crianças desabrigadas pelas chuvas no RJ:

Saiba como no link Música em troca de Fraldas

r4f4 disse...

Demais, belo compêndio, temos que avançar nessa discução, o discurso dos produtores está muito estático e planificado e os artistas sendo atacados por não terem visão, de que serve um movimento de difusão de artistas cuja a posição em relação aos artistas é rasa assim?

Lion disse...

Belo texto... pra fazer a galera começar a pensar em alternativas e soluções...

Bleffe disse...

Rolaram outros capítulos depois desses?