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terça-feira, 22 de março de 2016

Quatro vídeos de Siba em formato trio no Oi Futuro Ipanema (18/03/2016)






É uma noite estranha, de uma semana estranha. De um ano estranho, de um Brasil estranho. Siba está não só ciente disso, ele parece também ansioso, preocupado, desconfiado. Talvez esperançoso, assim como muitos de nós. Os agradecimentos por termos escolhido estar lá naquela noite talvez indiquem que nem Siba tem certeza se queria estar lá. Também não há certeza sobre o que dizer.









Na falta de certezas, Siba escolhe falar pelas músicas. A que reflete melhor os tempos atuais é "Marcha Macia", do mais recente trabalho, De Baile Solto. Precisaria falar nada mais se já está dito, de forma irônica e de alerta, "Não custa nada se ajustar às condições / Estes senhores devem ter suas razões / Além do mais eles comandam multidões / Quem para o passo de uma maioria?". Mais cedo, na Praça XV, milhares puderam mostrar que esse "passo da maioria", feito de modo arbitrário e para beneficiar senhores que buscam atalhos para a volta ao poder pleno perdido no começo deste século, encontrará resistência.









Curiosamente, não são as músicas com letras mais políticas do último disco que dão o tom desta noite no Oi Futuro de Ipanema, dentro do festival Veraneio. É o disco anterior, Avante, que domina o repertório. Com letras de enfoque mais pessoal, mas, em todo caso, dotadas de soluções poéticas que às vezes pode nos levar a refletir sobre os tempos atuais.









Siba está em formato de trio, ele cantando e na guitarra, Mestre Nico no apoio vocal, variadas percussões e um flugelhorn, Leandro Gervázio na tuba, efeitos e um sintetizador versátil (versátil como o músico, que tocava tudo ao mesmo tempo). A formação, por um lado, permite que ouçamos com muita clareza algo que tem sido muito comum nas músicas do Siba: duas ou três linhas melódicas instrumentais que se entrelaçam, criando um arranjo que é ao mesmo tempo engenhoso e simples, boas conduções para suas letras. Os timbres do sintetizador casam bem com o dedilhado da guitarra, enquanto a tuba faz a base.









Por outro lado, por mais que Mestre Nico se desdobre em atabaque, tambor, caixa, garrafa, cowbell, entre outros instrumentos, fica um espaço no ritmo das músicas que pode ter sido a causa da plateia ter demorado um pouco para se empolgar com o show. Mas com uma sequência de três músicas da época em que Siba era acompanhado da Fuloresta, a coisa muda de figura.









No bis, ainda vai mais longe, com "Poeta Sambador" do primeiro disco da Fuloresta e o encerramento com o improviso de rimas característico de Siba. Para dias estranhos, mais do que sua parcela de reflexão para o que estamos vivendo, Siba nos trouxe alento.









A fotos foram tiradas por Dine Araújo, assim como essas outras no Flickr. Quatro vídeos foram gravados e podem ser vistos aqui ou clicando aí embaixo.








Músicas gravadas:

- Qasida

- Bravura e Brilho

- A Brisa

- A Velha da Capa Preta

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