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terça-feira, 29 de março de 2016

Vídeos, fotos, resenha: Tinariwen na Fundição Progresso (26/03/2016)






A notícia veio em fevereiro, como uma tremenda surpresa, diretamente da página do grupo no Facebook. Tinariwen na Fundição Progresso e um monte de perguntas sem respostas, até que, faltando pouco menos de três semanas, descobriu-se que eles fariam o show no Rio como parte de uma edição extra do festival Back2Black, que já tinha trazido o grupo em 2011, para a Leopoldina naquela ocasião.









A desconfiança, diante de tão fraca divulgação até poucos dias antes do show acontecer, continuava grande entre aqueles que estavam empolgados em ver o grupo. Afinal de contas, o palco principal da Fundição Progresso era grande demais para um show anunciado de forma tão tímida.









A solução, sabe-se lá se já decidido desde o início ou não, foi colocar um palco na área de passagem antes da entrada para o palco principal da Fundação. Já tinha conferido shows naquela configuração. Certa vez foi o Cícero, enquanto a Céu tocava no palco principal. Outra ocasião foi no excelente Lapa Jazz Festival que rolou no final de 2013 onde pude ver o maestro Spok em formato quinteto, apresentação raríssima dos Ipanemas (grupo "para exportação" de Wilson das Neves) e sempre certeiro Azymuth.









Em todas essas vezes o som nesse palco menor, onde o público fica em volta dos músicos, correspondeu muito mais do que no temível palco principal. Então no fim das contas ficou tudo certo. O público que conseguiu descobrir a existência do show foi o suficiente para não ficar feio (lembrando que em São Paulo foram duas noites com ingressos esgotados no Sesc Vila Mariana, com capacidade para 600 lugares) e pudemos efetivamente ouvir o Tinariwen ao vivo.









Ok, cheguei mais ou menos ao quinto parágrafo deste texto e não falei absolutamente nada sobre o grupo de músicos tuaregues da região do Mali onde se encontra parte do deserto do Saara. Tinariwen chamou a atenção pela geografia e pelas lutas políticas que travaram (guerras, na verdade - literalmente) nas árduas condições do deserto do Saara, mas conquistaram e consolidaram admiradores pelo mundo todo foi pela música de alto nível que produziram, apesar e por causa de tudo que passaram e passam.









No Rio de Janeiro, esses admiradores pareciam ser maioria no show. Um ou outro desavisado, alguns confiando na chancela da sempre ótima curadoria do Back2Black, um bêbado que ficou gritando "Vai Habib" ao final de algumas músicas (felizmente acabou sossegando, eventualmente), mas o que marcou era a felicidade de quem podia vê-los tão de perto, até mesmo segurando cartazes celebrando o grupo e suas lutas na conturbada região do Saara.









Admiradores de longa data, pessoas que caíram de paraquedas na Fundição e artistas como Marcelo Jeneci e alguns músicos da Abayomy Afrobeat Orquestra, todos foram tragados para o mantra hipnótico do Tinariwen. A formação do grupo tem variações a cada turnê e viagem. No show de sábado é Abdallah Ag Alhousseyni que começa cantando e tocando violão. É também o mais animado e que se comunica mais com os presentes.









Junto dele está Eyadou Ag Leche como baixista, que iria mostrar durante o show com seu baixo sem inverter as cordas, mesmo sendo canhoto, que muitas vezes comanda de forma pulsante o som da banda. Já o percussionista Said Ag Ayad faz sozinho o trabalho de muitos e de forma bem sutil é quem direciona as diferenças de andamento entre uma música e outra, evitando que a sequência de canções se torne algo maçante. Já o guitarrista que fazia uma base discreta não sei quem era, já que em nenhum momento tirou do rosto os panos que só permitiam ver seus olhos.









Após a primeira sequência de músicas cantada por Abdallah é que entra Ibrahim Ag Alhabib, fundador do Tinariwen, com uma guitarra (Les Paul? guitarrista leitores podem ajudar?) toda estilosa, cheia de desenhos em relevo. Os dois cantores se revezam a cada sequência e às vezes cantam juntos. Enquanto Abdallah dança vai para a frente do palco, Ibrahim, único do grupo que não usa turbante, tem um carisma próprio sem precisar fazer muito. Ambos impressionam pelas vozes e pela habilidade no violão e na guitarra.









A música, a simplicidade dos músicos (solícitos após e até mesmo durante o show com os fãs) e o clima de mormaço transportou o público para um outro lugar, um outro tempo. Se esse é um dos objetivos do Tinariwen, um combustível para enfrentar um mundo hostil, a madrugada de sábado serviu para atravessarmos este ano turbulento por um bom tempo.









Fotos do show, por Dine Araújo, podem ser vistas aqui. Já os vídeos podem ser vistos aqui ou aí embaixo:


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