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sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Resenha de Shows que eu não fui: Dia da Rua, Vulgo Qinho & Os Cara

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Um dia eu estava a caminho do Baratos da Ribeiro, no metro, quando tive uma súbita vontade de ler um texto do Joaquim(no qual ele falava do momento em que ouviu no radio o Sgt Peppers e do choque que aquilo lhe causara) que estava colado no meu caderno, li. Quase em lágrimas depois, comecei a refletir sobre aquilo... ‘Será que hoje eu encontro alguma coisa especial no Vespeiro?’. Não! Eu não tinha expectativa nenhuma para aquele dia. Acabou que cheguei muito cedo no sebo, o som ainda estava sendo arrumado, alguns minutos pro show começar... E começou, boa a banda, mas nada de mais, a surpresa minha seria a segunda da noite. Já começaram no pesado, só o olhar aqueles quinhentos pedais me fez bem, mas o que viria depois, o show... Sim tinha valido a pena! Como era bom aquilo! Entrei em transe ouvindo. Que banda legal! Acabou que eu puxei papo com Qinho e fui em mais agluns shows.
Eu nem desconfiava das estórias que eu ia ganhar com isso, aqui está a melhor delas:
“Qual é essa do dia da rua?” “Me passa o teu tel pra mim te explicar melhor”. OK, o impacto não seria o mesmo trocando scrap no orkut, saber de 15 shows ao mesmo tempo na rua foi sureal, nunca tinha imaginado algo assim! Do jeito que a banda é ligada com essa coisa de perder o medo e sair de casa, isso era um indicio de um puta show! Falei que ia, e também ia dar um jeito de gerar conteúdo no blog.
E o dia demorou pra chegar... Mas chegou, era cerca de 6horas da noite e eu estava lá no ponto esperando o ônibus atrasado... Demorou porem cheguei vivo na rodoviária, mas o que me complicou mesmo foi o tempo até o Leblon... Velocidade máxima = 40km/h, centenas de sinais vermelhos, inúmeros carros ficavam bloqueando alguns acessos, ou seja, deu tudo errado e eu demorei mais de uma hora nisso. Chegando na rua, correndo, já ouvia o pessoal se despedindo... Já era, cheguei no final do show.
- Mil desculpas cara...
- Que isso cara! Tá triste porquê?
Tava todo mundo muito feliz por lá e eu chateado por ter perdido o show, preferi marchar de volta... Depois peguei o ônibus errado, andei a beça...E ainda chateado...
Lembra daquele metro no qual eu tinha lido o texto do Joaquim e talz? Voltei pra lá, mas com outra cara, totalmente diferente daquela de outra vez. Com direito a musica fúnebre no som! Abri o caderno e comecei a escrever isso aqui pra melhorar, duvida? Pergunta só pra minha mãe! Ela viu tudo!
Esse ia ser o quarto show a qual eu marcaria presença, e com certeza foi o melhor.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

15 shows simultâneos hoje no Dia da Rua!

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Não é todo dia que se vê 15 bandas tocando ao mesmo tempo, muito menos na rua! Essa é a proposta do Dia da Rua, evento que pretende surpreender os moradores do Leblon e Ipanema! Hoje acontecerá um dos mais incríveis eventos da cena independente carioca. E não é qualquer um que vai tocar não! Muitíssimo pelo contrário...
O evento conta com a participação dos já veteranos de rua: Binário e Vulgo Qinho & Os Cara, este ultimo fará um show com o poeta Freddy Ribeiro sob o nome de Bonitos & Paranóicos. Além deles, também participam: Montanha Russa, Matheus Von Kruger, Bhang, Vulkano, Do Amor, 3a1, Lacuna, Bonde Som, Rafael Inácio (performance plástica), Solana Star, Os Outros, Ronin, Rodrigo Bittencourt e Zarvoleta Blues Band. Os shows estão marcados para 19h 30m.
Clique aqui para ver aonde cada um vai tocar

Te vejo lá então =p

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Playlist #2

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Como sugerido pelo Lismar, vamos aqui falar sobre o gosto musical de quem faz esse blog =)


SeeqPod - Playable Search

Peguei um pouco do gosto de cada um e bati junto, tem de banda indie desconhecida à banda alemã israelense estranha, passando por pop da Irlanda e Cartola.
Então, o Bruno eu sei que ele gosta de música alemã, da qual eu não entendo nada... Espero ter acertado, já a Gabi parece que gosta de U2, entrou na lista. O Otaner gosta de uma banda lá do sul que ninguém conhece...
No caso do Lismar eu lembro de gostar do pessoal do Pavement (juro que procurei aquela música do Arnaldo, mas não achei).
Já Dine tem o Franz como um dos mais tocados lá no Last.fm dela, então coloquei uma dasminhas apostas pra ver se ela curte: The Wombats - Lets Dance To Joy Division, aliás quem gosta muito de Joy Division é a Tatia...na(?) que ganhou Love Will Tell Tear Us Apart, música que todo mundo gosta =p. O Renato curte aquela galera da eletrônica, dedico a música do cara-que-não-faz-show à ele. O Rodrigo eu não sei... Mas acho que tem alguma coisa pra ele ai!
Eu com certeza esqueci de alguém, ou não soube o que colocar... Mas tenho certeza que o pessoal pelo menos gosta muito de alguma coisa ai! Desculpa qualquer coisa...

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Piada sem graça

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Ah Brit Award! Não sei como eu ainda depositava um esperança em ti. Acabou. O Brit Awards agora tenta competir com a MTV na categoria melhores premiações de musica... Tanta coisa acontecendo e quase nada valorizado... 'Melhor artista feminino internacional - Kylie Monogue'. Piada né? Só pode... a Feist(mesmo com toda a sua preguiça) e a Cat Power tão ai!
Eu gostei do ultimo disco do Monkeys, mas de longe não é o melhor do ano passado... O mesmo vale para tudo que o Foo Fighters faturou, não merecia tanto. Pelo menos rolou uma homenagem ao Paul McCartney... Cadê a Amy?(tá certo que ela só recebeu uma indicação, mas 'Valerie' é sensacional)

Pra quem não sabe:

Melhor cantor britânico - Mark Ronson
Melhor cantora britânica - Kate Nash
Melhor grupo britânico - Arctic Monkeys
Melhor álbum britânico- Arctic Monkeys, por "Favourite worst nightmare"
Melhor canção britânica - Take That, por "Shine"
Revelação do ano britânica - Mika
Melhor performance ao vivo britânica - Take That
Escolha da crítica britânica - Adele
Melhor artista masculino internacional - Kanye West
Melhor artista feminino internacional - Kylie Monogue
Melhor álbum internacional - Foo Fighters, por "Echoes, silence, patience & grace"
Melhor grupo internacional - Foo Fighters
Prêmio especial - Paul McCartney

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Juno - Trilha Sonora do Filme

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Em todos os comentários que passaram nos meus ouvidos sobre o filme, aquela frase estava sempre lá: 'a trilha é muito legal'. Acabei achando a trilha antes do filme, e realmente vale apena.
A maioria são canções bobas sobre amor, só com voz e um violão nada trabalhado no fundo, o que dá todo um charme pra musica e quando ela acaba fica uma sensação de vazio, que só acaba quando se ouve de novo... de novo... O disco, cheio dessas pepitas, tem um ar muito indie(sinônimo de bom?Talvez...), com direito a Velvet Underground; a linda voz da Cat Power; clássicos como Kinks e Velvet Undergound e até aquela turminha que andou organizando um disco pra crianças, o Belle & Sebastian.
É de se espantar como Ellen Page (a Juno, e também quem ajudou na escolha das faixas) é fã do Moldy Peaches, Kimya Dawson aparece no inicio-meio-fim do disco.
Depois de uma audição apurada logo se entende o porque do disco ser um sucesso de vendas, com direito a primeiro lugar lá nos States.
No mínimo o disco serve pra te render um bom sono caso você não seja chegado no pessoal que deixa a guitarra de lado. Agora tenho que ir porque o ronca tá começando, Sweet Dreams

[ps: A ultima faixa do disco é um cover do Moldy Peaches feito pela Ellen Page e o Michael Cera, protagonistas do filme, que não deve nada pra original além de dar vontade de agarrar o violão e ir correndo fazer outra versão com a namorada]

domingo, 17 de fevereiro de 2008

Uma música por dia do novo CD do Violins

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A banda goiana Violins resolveu lançar seu novo álbum "A Redenção dos Corpos" de forma curiosa: desde semana passada está disponibilizando no seu site www.violins.com.br uma música nova por dia, sendo que ao término de um dia (na verdade às 8 da noite) a música é retirada para colocarem a seguinte. Hoje eles já estão na décima das 14 faixas que compõem o disco. Comecei a ouvir Violins a partir de seu trabalho anterior, o pesado "Tribunal Surdo", do ano passado (comentarei sobre esse disco mais pra frente) e já dá pra dizer que as novas letras continuam com a contundência e força do que vinham fazendo. Desta vez, porém, optaram por dividir o disco em duas partes: uma mais calma, com violões e efeitos eletrônicos, até chegar em "Manobrista de Homens" onde a banda volta a entrar pesada, não tanto quanto foi em "Tribunal Surdo" (até agora), mas o suficiente pra fazer boa companhia aos temas escritos por Beto Cupertino. Até agora, com as peças quase todas juntas, está impressionando.
Vocês podem ler as letras na comunidade da banda.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Playlist

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A partir dessa semana vou começar a colocar toda sexta um playlist aqui no blog, todas elas devem seguir algum tema e ter no minimo umas 15 faixas. Mas como essa é a primeira...



Já vou avisando tem de tudo ai, Neil Young, Ac/Dc, Rock Rocket, Jaco Pastorius...
Mande sua sugestão nos comentários ou pelo email.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Radiohead Revisited

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Um Radiohead versão cafetão (com 'street credit')... Foi lançado nesta terça-feira, para download gratuito, uma versão hip-hop do novo disco do Radiohead, 'In Rainbows'. Capitaneado pelo DJ Amplive, o disco reúne nomes importantes do alternative rap, como o ex-membro do Gorillaz MC Del Tha Funky Homosapien (que integra os grupos Hieroglyphics e Deltron 3030), Chali2na, do Jurassic 5, Too Short e Zion.

Inicialmente previsto para 10 de janeiro, o lançamento não tem autorização de Thom Yorke & cia. Inúmeros problemas legais devem surgir daqui pra frente, já que o disco seria disponibilizado apenas para aqueles que conseguissem provar que fizeram o download do disco oficial do Radiohead pelo site da banda, mesmo que não tivessem pago nada por ele... Balela pura para silenciar os advogados da banda, pois o mesmo pode ser baixado sem problemas ou qualquer questionamento.


segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Brasov + Canastra - Humaitá pra Peixe (27/01/08)

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Tal como apóstolos, os 12 integrantes das bandas Brasov e Canastra entravam juntos para a Última Ceia do HPP 2008 na Sala Baden Powell. Cada qual com suas vestimentas usuais (Brasovs de terno e gravata, Canastras de topetes nas cabeças que ainda podem e camisas com estampas floridas), começam de forma solene, tocando o Hino Nacional, que se transforma numa fanfarra dixieland e dá início ao passeio musical por vários cantos do planeta, com o Canastra dando sua ênfase ao rockabilly, swing e briansetzerices em geral e Brasov passeando pelo pouco comum, seja na Macedônia, na Romênia ou na TV no começo dos anos 80.



Brasov e Canastra - humaitá pra peixe - 27/01/08







O cenário era composto, em parte, pelo cenário que costuma florear os shows do Canastra, acrescido de sofás, uma arara para pendurar roupas e uma mesinha com muitas bebidas, limão, gelo e açúcar. As bandas alternavam seus repertórios, com poucas participações dos músicos de uma banda nas músicas da outra, mas quando elas aconteciam eram especiais, como por exemplo o banjo de Fernando Goma, do Canastra, dando um acento country/bluegrass ao agito bucólico de "Morangos Silvestres", do Brasov.



Entre um set e outro de músicas de cada banda haviam também aquelas compartilhadas por todos, como Além do Horizonte onde no final eles acharam por bem ficar subindo e descendo o tom da música. Ou seja, a diversão era tão grande pros artistas quanto pro público.











Como se já não tivesse muita gente no palco, começam a surgir as participações especiais, primeiro de Silvia Machete, com seu número circense com o bambolê e seu ótimo tempo pra comédia nas poucas vezes que fala no microfone. Marcelo Callado, ex-baterista do Canastra também aparece com boas piadas e aulas sobre a origem do forrogode.



Já o baixista Alberto Continentino sobe ao palco não pra fazer graça e sim para mostrar sua habilidade com as quatro cordas em "Masculino Feminino". A última participação foi de Erika Martins, cantando duas canções em inglês: a lânguida "Why Don't You Do Right?" e a clássica "These Boots Are Made For Walking".



Brasov e Canastra - Humaitá pra Peixe - 27/01/08











Como ninguém que entrava saía do palco já eram 16 pessoas, que quando não tocavam ficavam por lá conversando, bebendo ou fazendo graça. Era praticamente impossível conseguir captar tudo que acontecia ali em cima, mas dá pra lembrar que: Fabiano Krieger (guitarrista do Brasov) fazia malabarismo com limões. Renato Martins (vocalista do Canastra) preparava e oferecia caipirinhas. Daniel Vasques (saxofonista e dançarino do Brasov) testava todos os microfones em Masculino Feminino. Silvia Machete avisava que ia ao banheiro. Felipe Rocha (vocalista, modelo e atriz do Brasov) mastigava um limão. Lucas (baixista do Brasov) estava vestido com o vestidinho da Silvia Machete.



Brasov e Canastra - Humaitá pra Peixe - 27/01/08







Brasov e Canastra - humaitá pra peixe - 27/01/08



A gente às vezes deixa passar o que está na frente e não se vê, mas dar a oportunidade para 16 pessoas em cima de um palco com um som excelente não é pouca coisa.


Bruno Levinson falou em entrevista aqui para o La Cumbuca que gostaria de ver artistas eruditos no Festival. Não sei se era brincadeira dele, mas uma orquestra, por exemplo, ali em cima, já não parece tão absurdo depois desse show.











E não há muito mais o que dizer e sim o que ver:













(vídeos por Dine. As fotos que não são minhas, são da Dine também)

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Humaitá pra Peixe + Circo Voador (25 e 26/01/08)

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Ainda não era carnaval, mas o samba já dominava a cidade e não foi diferente no Festival Humaitá pra Peixe e no Circ... Bom, no Circo Voador foi diferente sim. Mas comecemos com a noite de sexta-feira na Sala Baden Powell.



Fino Coletivo fez um show bem melhor que o anterior que tinha visto, se aproximando da qualidade do CD de estréia, lançado ano passado. Tocando praticamente todo o CD, mais um cover de Lucas Santtana (a indefectível "Lycra-limão") e músicas como "Se Vacilar O Jacaré Abraça", de Wado, ex-integrante do grupo e ao mesmo tempo a presença mais constante do Fino, que é uma conjunção de seus sambas-disfarces com a melancolia das melodias de Marcelo MoMo Frota e a inventividade do violão cheio de efeitos de Alvinho Cabral.


Wado ainda aparece nas ótimas projeções do telão enquanto a banda toca "Uma Raiz, Uma Flor". O trabalho vocal da banda impressiona, com revezamento entre os vocalistas e o show fica menos cansativo por alternar as músicas mais dançantes no estilo quase-samba-quase-funk com músicas mais calmas, que funcionaram muito bem na Sala Baden Powell.



Apesar de chegar na metade final do show de Diogo Nogueira, no mesmo festival, no dia seguinte, foi possível constatar algumas coisas:
Diogo Nogueira tem a voz mais interessante do samba atual. O tom grave é muito semelhante ao do pai, João Nogueira, e Diogo não parece ter medo das comparações pois a usa quase sempre. Quando tenta algo diferente é que acaba sendo um problema, pois acaba fazendo gracejos vocais típicos de pagodeiros melosos. Felizmente, poucas vezes.







Mas isso não pareceu ser um problema para o público presente, que deu a impressão de ser o maior do Humaitá pra Peixe, com a terceira idade em peso no local para ver, afinal, um artista mais popular do que a média das apresentações do Festival, terminando com todo mundo em pé cantando "Vou Festejar", de Jorge Aragão.



Mais tarde, no Circo Voador, entrava o Cidadão Instigado. Nos dois shows anteriores que vi deles ainda não tinha batido bem as influências do brega de estirpe nordestina e do progressivo com timbragens típicas dos anos 70. Desta vez tudo pareceu mais conciso, e as longas passagens instrumentais, necessárias.







A melhor música sempre acaba sendo "O Pobre Dos Dentes De Ouro", que não é nem brega, nem progressivo. Na verdade começa como uma rumba e no meio se transforma numa batida hip-hop anos 80, sem mudar andamento ou melodia. Voltando às timbragens, impressiona o som que Fernando Catatau tira de sua guitarra.



Não à toa, ele já contribuiu em trabalhos de Los Hermanos e Hurtmold, por exemplo. Mas para mim o destaque da banda continua sendo o baterista Clayton Martins, especialmente nos momentos mais barulhentos nas músicas.







Tom Zé deve ter feito um roteiro muito bem construído para o show com as músicas do disco Danç-Eh-Sá (cd já comentado aqui no blog). É de se supor que um dia ele cumpriu à risca o que fora ensaiado, mas parece que a cada show ele vai acrescentando novas improvisações e esquecendo outros números, numa senilidade empática agradável para quem já havia visto o show da turnê desse disco anteriormente.



É verdade que o show que ele trouxe desta vez para o Rio de Janeiro se chamava Turistofagia - O Turista Comendo o Rio (que ele confunde e chama da turistologia, para um tempo depois corrigir), mas tudo não passa de algumas novas explicações para algumas das mesmas músicas que ele toca no Danç-Eh-Sá. E para cada música há uma história para contar, uma teoria, uma preparação para o que o público vai ouvir.







Como já virou praxe, ele entra e sai do palco com os versinhos que fez especialmente para o lugar: "Foi no Circo Voador, voador, voador / Que encontrei o meu amor, meu amor, meu amor".



Além das músicas do disco novo e alguns clássicos que ele parece gostar de tocar sempre ("Politicar", "2001", "Augusta...", "Fliperama"), Tom Zé ainda apresenta no início de improviso enquanto a banda se ajeita no palco a música "Tô" e lá pelo fim a música "Hein", duas canções do cultuado disco "Estudando O Samba", um samba bem diferente do Fino Coletivo e do Diogo Nogueira. Um samba feito para cidadãos instigados.



Festival Serafin Araujo II

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O Serafin Araujo chama atenção por ser de graça, dar cachorro quente e ter um porrilhão de bandas, mas dessa vez ninguem sabe quem vai tocar na sexta ou no sábado/domingo. Por isso decidi organizar a coisa aqui, eu to procurando na internet o dia certo que cada banda vai tocar, pouco a pouco eu venho atualizar aqui.

Vão tocar:
Os Azuis [Sexta]
Homens do Pântano [Sexta]
Consciência Tranqüila [Sábado]
Super Hi Fi [Sábado]
Jogo do Bixo [Sábado]
Fuzzcas [Domingo]
Tapete Red [Domingo]
Projeto Drenna [Domingo]
El Efecto [Domingo]
Auica
Diatribe
Paraíso Hotel
Ultima
U.S.I.N.A
Neo
Cardióides
Monstros do Ula Ula
--------
Sexta 8/2 - Casa abre às 18hs
Sabado 9/2 - Casa abre às 16hs + Churrasco de graça
Domingo 10/2 - Casa abre às 16hs + Cachorro Quente de graça
Fontes : Homens do Pântano e Orkut

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Titãs e Paralamas - 25 Anos de Rock

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TEXTO POR LISMAR E TÚLIO - FOTOS[1][2]
Fim de semana chuvoso e todos apreensivos quanto ao momento do show (pela cidade, notícias de alagamentos e caos no transito). Chegando à Marina da Glória (um lugar aberto e sujeito às intempéries daquela noite), sentia-se que a capacidade do local não lotaria nem a pau – e numa gravação de um DVD e, mais ainda, sob o temor de uma chuva torrencial. Mas com o passar das horas, a natureza deu uma generosa trégua (como se São Pedro fosse um verdadeiro amante do rock).
Depois de algumas vaias ao DJ (o público já estava bastante pilhado pela expectativa das duas bandas juntas) que, inclusive, terminou com um ótimo set de clássicos do puro ska two-tone – uma das referências músicas das estrelas da noite (mais notada no som dos Paralamas), as bandas surgem para a satisfação da galera, que começa a urrar. Urros esses que só param quando as caixas de som distribuem para o publico da Marina 25 anos de experiência musical. E a festa começa com todos fazendo literalmente “do jeito que a banda toca”: “Diversão”, que ficou mais divertida ainda com um coro exclusivo do RJ (nascido no último show dos Titãs no Circo Voador, em 2005), que acompanha em solfejo a melodia do riff principal (algo como no estilo do "ôooô... ôooo..." que rola em "Fear of The Dark" do Iron Maiden, versão do Rock in Rio 3). E se tinha alguém duvidando que aquele não seria um grande show...
As bandas realmente chegaram mostrando do que são capazes. Sergio Britto foi com certeza um dos que mais brilharam naquela noite, com sua notável articulação com o público, contornando qualquer coisa que viesse a atrapalhar. Cada frase era acompanhada de uma histeria coletiva. Histeria essa que só aumentou na presença de Arnaldo Antunes que, antes de sair, arrancou gritos de “Pulso! Pulso!” – “O Pulso”, uma das músicas mais impressionantes dele. E demorou para as bandas se renderem e tocarem a tal música: só aconteceu na hora em que Arnaldo retornou para repetir sua participação no show. Depois de alguns segundos parados, ouvindo as súplicas dos verdadeiros fãs (que acabaram por contagiar os demais mortais), Herbert vira para trás, na direção de Bellotto, que começa a arrancar a música numa versão voz-guitarra-teclado. Depois de encerrado o improviso, este talvez entrara na história das duas bandas como sendo um dos melhores momentos daquele show [momento este que deixou um dos autores que vos escreve – Lismar, na iminência de lágrimas :-)].
Fora as notáveis participações de Andréas Kisser (que, relativamente, não recebeu muita atenção dos presentes, em comparação aos outros convidados), dando mais peso principalmente aos Paralamas e de Samuel Rosa (que veio como mais um convidado e acabou por levantar toda a platéia), sendo aplaudido todas as vezes em que era chamado ao palco (assim como aconteceu com Arnaldo Antunes), mesmo no momento das repetições, quando já estava meio sem gás.
O show chega ao fim e, com ele, os gritos de “Mais um!”. Eis que surge Branco melo, dizendo que sim, viria mais! No caso, foram refeitas em torno de três músicas. Mas nada que chegasse a atrapalhar ou cansar (muitíssimo pelo contrário!) aquela multidão que deixou a Marina da Glória completamente desorientada.

sábado, 2 de fevereiro de 2008

Songoro Cosongo e Z'Africa Brasil no Humaitá Pra Peixe (19/01/08)

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Sábado cinzento no Rio de Janeiro. Deslocava-me até a Baden Powell para conferir o penúltimo grande show (pelo menos pra mim) do Humaitá Pra Peixe. Além da chuva chata, uma desagradável invasão de tricolores no metrô vinda do Maracanã parecia o prenúncio de uma noite não muito interessante. Chegando lá, uma surpresa: já imaginava que teria pouca gente, mas não tanto. Provavelmente não tinha mais de cinqüenta pessoas assistindo. Bruno Levinson desconversa dizendo que foi a chuva que espantou o público, mas a verdade é que quase ninguém conhece ou bota fé em Songoro Cosongo e Z’Africa Brasil, as estrelas da noite. Como eu era o único membro de La Cumbuca presente ao evento, posicionei-me rapidamente na primeira fila para aguardar o início do show.



Pra mim o Songoro Cosongo era a atração principal. A banda composta por músicos do Brasil, Argentina, Venezuela, Colômbia e Chile, com base em Santa Teresa, tem uma sonoridade que mescla o melhor da música latina: samba, salsa, merengue, cumbia, frevo e muitos outros. O que mais se destaca no grupo é a qualidade dos músicos, todos multi-instrumentistas. Chega a ser injusto citar um em particular, mas naquela noite se destacava o baixista René Rossano que, junto com percussão e tantã, criava uma cozinha muito poderosa que reverberava fundo no coração de quem ouvia.

Depois que o Songoro é anunciado por Bruno Levinson, surge, caminhando em direção ao palco, a figura de Jairo Waxinton da Silva, personagem morador de rua, vendedor de frutas e quase presidente da República (forte candidato para 2010). Abrem com Aipim e Sancocho, entre as melhores deles do primeiro e, até o momento, único disco deles, Misturado com cachaça fica muito bom. Depois vem Songoro Cosongo, momento em que a banda parece ficar mais à vontade no palco e a coisa começa a engrenar de vez, com uma salsa maravilhosa. No final de Yorunga, parecia que havíamos sido transportados para um terreiro de umbanda. Depois vem uma seqüência de três músicas do novo disco, que ainda não foi não gravado, não tem nome nem tem previsão, da qual se destaca Nunca digas nunca. O ponto alto do show viria com Maracujá, catártica, com uma percussão ainda mais forte do que o habitual, seguida de Começa a valer a partir de agora, com um solo espetacular de René Rossano na guitarra (embora em alguns pontos lembrasse de longe axé).

No bis tivemos um longo e sublime solo de baixo e percussão, seguido de outros solos também incríveis e entrecortado por gritos de "hey!", que ficaram no vácuo, pois a maior parte do público morno não acompanhou.



No intervalo, minha expectativa pelo Z’Africa Brasil caiu ainda mais. Imaginava algo bem clichê e cheio de "atitude", algo que não me agrada muito. Mas tive uma grande surpresa. O Z’Africa é impressionante, têm letras bem interessantes e uma preocupação com a musicalidade rara de se encontrar no hip hop. Prova maior disso é o fato do grupo ter se apresentado com uma banda completa, os Z’Africanos, incluindo um irreconhecível Theo Werneck (do H, lembram?) na guitarra; além dos "efetivos", os mc’s Funk Buia, Pitcho e Gaspar, e o DJ Tano.

A primeira coisa que chamava a atenção era o logo da banda no telão, um trabalho gráfico muito bom, além da competência e forte afinidade dos mc’s. O show começa com Somos todos brasileiros e A cor que falta na bandeira brasileira, que falam sobre a diversidade étnica do Brasil e agressões contra negros e índios. Depois de Tô ligeiro, a sala fica às escuras e passa no telão um trecho de um filme do Mazzaroppi onde ele e a polícia chegam na casa de uma senhora e interrogam se ela ouviu tiros e a resposta é a clássica "não vi nada, não sei de nada", que faz um paralelo muito interessante com Eu não vi nada, música seguinte que fala sobre abuso policial. Em Da quebrada a vida é rara a sintonia com o público finalmente se estabelece. Sapo na banca mostra uma outra faceta do Z’Africa, o reggae; trazendo várias referências à Jah, Preto Velho, umbanda, maconha e redução de danos ("quem usa não abusa, quem não usa não acusa"), além de uma percussão maravilhosa e interação com a platéia. Do reggae para o dub cascudo, Hip hop rua, mostrando todo o talento de todos os integrantes, principalmente baixo e scratches.

No bis (muito mais longo que a primeira parte) "solo" de DJ Tano, com muitos scratches, samples e Funk (o legítimo). Em seguida os outros voltam ao palco e mandam Quilombo invencível sem a banda, só com DJ e mc’s, rap puro e vigoroso. Após isso vem o já o tradicional "salve", ao Capão Redondo, Taboão da Serra e morros do Rio; Mantenha a guarda, com a banda de volta e mais um salve, dessa vez ao Sabotage. A partir daí eu já estava extasiado demais para registrar, mas teve uma longa série de músicas, performances quase teatrais dos mc’s, fanfarronices de Theo Werneck no violão e finalizando com dose dupla de Tem cor age, cantada por um público já contagiado. O show terminou às 23h em ponto, e a meia dúzia de oito ou nove pessoas que ficou até o final teve a certeza de assistir uma das três melhores noites do HPP 2008.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Macaco Bong no Humaitá pra Peixe (20/01/08)

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Descarrilhando na rota certa

Só consegui assistir às duas últimas músicas que valeram por um show inteiro, desse grupo instrumental vindo de Cuiabá. Os caras são extremamente ligados à movimentação cultural que acontece por lá, buscando desenvolver uma cena musical forte na região.



E parece que estão conseguindo, já que tanto eles quanto os conterrâneos do Vanguart estão por aí, em tudo que é publicação (virtual) alternativa e em quase todos os festivais do circuito independente. No caso deles é até mais interessante, já que bandas instrumentais não costumam ter tanto apelo.



A primeira (e penúltima) música que vi deles, felizmente era minha favorita do EP Objeto Perdida, chamada "Bananas For You All".







O público assistia sentado, comportadamente e compenetrado. A grande maioria estava ali para assistir Jay Vaquer, que se apresentaria logo após, mas parece que o Macaco Bong teve a chance de ganhar novos e até improváveis fãs. Pelo menos as reações eram boas a um som que não chega a se encaixar nem no post-rock, nem no progressivo e ao mesmo tempo não descarta nada disso, aliado a um peso absurdo de uma guitarra que não se utiliza de nenhum pedal durante o show inteiro (apesar da guitarra sempre distorcida) e uma pegada de bateria muito boa, tornando a longa duração da música algo muito menos monótono.



Em certos momentos chegam a me lembrar do excelente Dub Trio, de Nova Iorque. Só que sem o dub.





"Bananas For You All" entra em um momento onde a repetição da linha do baixo é hipnotizante, ainda mais com as quebradas da bateria e a experimentação sônica de Bruno Kayapy na guitarra, que afinava o instrumento enquanto tocava! E sem fazer disso algo que atrapalhasse a música, o que é ainda mais inexplicável.


Antes de apresentar a última música, Kayapy apresenta a banda e avisa que vão tocar a "música do trem" e explica que é "como se fosse um trem, saca?" Não saquei. A música começa num clima bem leve, quase progressivo, lembrando algo de Weather Report, talvez (ok, não entendo nada de progressivo), mas as mudanças na música variam velozmente, indo de descidas fulminantes a andamentos de jazz e climas para solos de heavy metal em formato lounge e voltando para um caos sonoro com guitarra ao chão e guitarrista emulando Jimi Hendrix. Não era trem, afinal: era montanha-russa.


terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Janeiro Sem Fim

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Montes de shows, de assuntos e até o fim de janeiro do carnaval da páscoa de 2008 La Cumbuca crew mostra fotos, vídeos e textos sobre tudo isso. E chega de falsas promessas!

Enquanto isso, algumas fotos:




Nas fotos: Tom Zé no Circo Voador, Brasov (e Canastra fora da foto) no Humaitá pra Peixe e Macaco Bong também no Humaitá pra Peixe.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Old Men On The Block

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Quando eu tinha 11 anos de idade (no longínquo 1991) assim que descia do ônibus que me trazia da escola, ia direto pra banda de revista. O objetivo era comprar mais figurinhas e todas as revistas possíveis que tivesse sequer uma fotinha dos meus amores, ou seja, New Kids on the Block. As fotos e matérias iam para a minha pasta de recortes e os pôsters iam para a parede de meu quarto.

Criado em 1984 pelo produtor musical Maurice Starr, era para ser uma versão de garotos brancos, originários de Boston, do New Edition. Demorou 4 anos e 2 álbuns para estourarem, mas quando aconteceu, se tornou um fenômeno que conseguiu durar por mais 4 anos, deixando os rapazes milionários. Vários produtos foram lançados com os cinco rostinhos bonitinhos, entre eles revistinha em quadrinhos, que no Brasil teve 18 edições. No total foram 6 álbuns lançados, sendo: 4 de inéditas, 1 de natal e 1 com os sucessos do grupo. No total foram vendidos mais de 50 milhões de discos no mundo. Foram os precursores das boys bands que viria depois como Backstreet Boys, N’Sync, Five, e porque não dizer, as Spices Girls.

Tudo muito lindo, tudo muito maravilhoso, tudo muito nostálgico!

Até que me deparo com a notícia que o grupo pretende voltar, passados mais de 10 anos da separação. Será que, depois de ser a versão branca do New Edition, agora querem ser a versão masculina das Spices Girls??? Na época, um dos fortes do grupo eram as coreografias, mas fico imaginando como seria hoje eles dançando, afinal estão beirando os 40. Se bem que são capazes de tocarem instrumentos ou ficarem só cantando mesmo, mas ai não seria mais o New Kids on the Block.

Tendo em vista que ainda existem comunidades de orkut e blogs dedicados ao grupo por fãs que sonham com Jordan Knight, acho que se retornarem terão um bom retorno financeiro e alguma projeção na mídia, coisa que não têm há algum tempo, conseguindo alavancarem suas carreiras individuais.

Quanto à mim, pretendo ver os vídeos no Youtube por curiosidade, torcendo para que não passem nenhum vexame muito grande. Se bem que eu vou rir e muito! Ah, quem sabe, também vendo minha pasta de recortes por alguma pequena fortuna???

É... passaram-se 17 anos... Quem diria?




P.S. Texto postado também na Lasanha de Abobrinha. Conheça!!!

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Superguidis no Humaitá pra Peixe (18/01/08)

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Texto por OTANER. Vídeos e Fotos por DINE.



Talvez seja melhor voltar alguns meses para começar a falar sobre Superguidis. Um ano, na verdade. Foi o tempo necessário para se criar um histórico de identificação e admiração com esses quatro guris de Porto Alegre/Guaíba. Em janeiro de 2007 o site da Tramavirtual elegia os dez melhores discos nacionais do ano anterior e o primeiro colocado era o disco de estréia deles. Havia também o (ótimo) Supercordas na lista e outros grupos "super" por aí, o que talvez tenha criado uma certa confusão até que eu conseguisse ouvir o super que era o primeiro lugar na lista. Ouvi sem expectativas, sem saber como era, quais as influências. Talvez o impacto tenha sido maior por conta disso.



As guitarras de introdução de O Raio Que O Parta já mostram que o som que eles tiram não é igual a NADA feito no Brasil. E a letra? O cara tá te mandando ir pro raio que o parta, pro diabo que te carregue (antes que o diabo mordesse alguém). Logo depois vem Malevolosidade, que tem todo jeito de hino (no sentido "cantar junto" da coisa), com poucas frases, onde cada sílaba parece ter uma importância enorme.



Reparem que, quando o vocalista/guitarrista Andrio Maquenzi canta "um objeto onde você possa despejar", ele praticamente cospe a primeira sílaba de "possa". Não é todo dia que se ouve alguém cantando assim. Vai ficando claro com o passar das faixas que ali está um som vindo dos anos 90, com diálogos entre as duas guitarras e base agitada, talvez algo de Foo Fighters, Superchunk, muito de Guided By Voices, mas em O Banana uma influência fica clara: Pavement. A forma como as frases vão saindo ("um complé-é-to bun-dão") lembram o jeito de Stephen Malkmus cantar, a guitarra sujona que parece intrusa mas segundos depois já é amiga da canção, tudo nessa faixa faz recordar o clima do clássico disco Slanted & Enchanted.









O disco de estréia do Superguidis realmente era o melhor nacional de 2006, o melhor que eu ouvia desde o Ventura do Los Hermanos. Conversando com amigos, que descobri que também gostam de Superguidis, soube que eles estavam planejando pedir na comunidade do Ruído Festival para que convidassem a banda para o festival. E deu certo! Após alguns desencontros, eles acabaram trazendo o grupo, que fez um show espetacular e... curto. Mesmo curto, foi ótimo ver os caras tocando e ainda poder ver os pedais artesanais criados pelo guitarrista Lucas Pocamacha.









Alguns meses e um novo disco depois, era hora de tentar trazê-los de novo, desta vez para o Humaitá pra Peixe. Em que pese ter sido importante pedir a banda no Festival, ninguém acataria o pedido se não houvesse qualidade ali; claro que a sensibilidade dos produtores em perceber isso também ajudou. Então, mesmo sem tocar em rádio, mesmo poucas pessoas da cidade conhecendo, Superguidis estava novamente no Rio de Janeiro se apresentando para um público não tão grande, mas tão ou mais entusiasmado que o de outros dias mais populares do HPP.



Assim que entraram, Lucas já começa a falar e a primeira coisa que faz é perguntar pelo Guerra, um dos fãs que pediu pela banda. Um garoto de 14/15 anos que é praticamente uma lenda virtual por conta de sua participação insistente em comunidades de bandas no Orkut, como Ecos Falsos e Rockz. Com a banda pronta, Andrio começa a cantar os versos de "Por Entre As Mãos", música que abre o segundo disco A Amarga Sinfonia do Superstar.



E quando o resto dos instrumentos entram, nota-se que a música cresce muito ao vivo, mais do que no disco. Lucas e Andrio não param de se mexer enquanto vão tocando suas melodias bem trabalhadas na guitarra. Lucas é um caso à parte: quase sempre de cabeça baixa, tornando possível ver somente sua cabeleira, que cobre todo o rosto. Já o baixista Diogo Macueidi mantém um estilo sóbrio, sempre próximo da bateria de Marco Pecker, como que demonstrando o contraste/complemento: são eles dois que criam uma base sólida o bastante para permitir aos outros dois enlouquecerem com as guitarras.









Alternando canções de seus dois álbuns - e todas as do Amarga ficam mais potentes ao vivo - e com o som da Sala Baden Powell contribuindo positivamente, percebia-se que os caras esbanjavam confiança e tranquilidade para tocar, especialmente na resposta dos fãs às músicas do primeiro CD, como "Malevolosidade" e "O Véio Máximo". Andrio anuncia a nova, ainda não gravada, "Não Fosse o Bom Humor", e uma garota do meu lado se espanta com minha empolgação antes mesmo deles apresentarem uma música nunca tocada no Rio, como se o youtube não estivesse aí pra isso (vide o post anterior). Assim como Frank Jorge havia feito na semana anterior trazendo músicas novas como "Pilhas de Livros", "A Historiadora" e "Obsessão Pelos Anos 60", os guidis comprovam que por mais legal que seja ouvir músicas já conhecidas, a novidade, quando acompanhada de qualidade, tem um sabor especial. É como assistir o parto de um hit, ali, na tua frente.









Entre piadas sobre tênis furado preenchido com a areia de Copacabana, desejos de ter mais uma guitarra pra não perder tempo com afinação (e acabar com o tempo que o Lucas tem pra fazer piada entre as músicas) e agradecimentos aos fãs, os guidis tocam a música chamada "Riffs", com Lucas encarnando um Chuck Berry/Angus Young versão Matador Records. É quase natural que as mãos se ergam quando chega o refrão e a palavra-razão-de-viver "riffs" é gritada. Ainda dava tempo para mais uma, o povo queria, então eles religam os instrumentos, sob os avisos de Andrio que a música a ser tocada não é música de final de show e pro pessoal aguentar. Poderia ser "O Raio Que O Parta" ou "Os Erros Que Ainda Irei Cometer", duas canções que ficaram fora do show. Mas a escolhida por eles é a também ótima e nonsense "Ainda Sem Nome", terminando definitivamente uma apresentação de sorrisos nos rostos.









É fácil perceber que conseguir ver a banda que pedi, tocando a música nova que sugeri que tocassem, ao lado de bons amigos, com um som perfeito, faz deste o melhor show do Humaitá Pra Peixe pra mim e um início de 2008 excepcional.

Dia 27 no HPP teremos...

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Ontem, o blog Urbe (já comentado aqui pelo Otaner) divulgou a provável escalação do dia 27, o show de encerramento do Humaitá Pra Peixe! E como o Bruno Levinson avisou, teremos duas bandas tocando junto! Brasov e Canastra! Imaginou a farra que vai ser? Pois é, quanto você pagaria por esse show? Vai pensando, porque a produção do festival decidiu seguir o modelo Radiohead, você que sabe quanto vai pagar.
Boa sorte, quando chegar numa resposta comenta aí.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Conheça: Velho Joe e 3a1

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Antes de apresentar as bandas, só queria lembrar que eu são duas bandas medianas, nada muito importante, mas vale pra você perceber que tem muita coisa de qualidade [não necessariamente original] sendo produzida aqui no Rio. Uma coisa que falta nas duas é a questão da originalidade, tudo que as bandas fazem já foi feito de uma forma muito semelhante antigamente.
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Velho Joe
www.myspace.com/velhojoe
Sendo uma das ultimas bandas a tocar no Vespeiro, a banda da ilha do governador faz um trabalho que lembra muito daquilo que o Barão Vermelho fazia lá no inicio de tudo. Lembra mesmo, até demais... A banda não é ruim, mas falta alguma coisa que dê uma identidade a banda, quase tudo lembra alguma coisa... Nada de plágio, e nada de novo. O vocal parece o Axl Rose cantando em perfeito português e exagerando nos gritos. As composições não apresentam nada de especial, os gritos acabam por aparecem mais, a banda tem que ver como tratar isso, ou esquece ou profissionaliza a coisa [como o Kaiser Chiefs fez]. Devo ressaltar a qualidade dos musicos da banda que fazem muito bem o trabalho, até sai uns solinhos legais!

::Então... A banda é boa, o show é bem legal, mas não apresenta nada de novo

3a1

www.3a1.com.br
No Hpp tem aquela barraquinha de cds, uma beleza, cheio de coisa difícil de achar, tem até o CD do Binário! Que me animei todo e comprei. Chegando em casa eu decido ver os Cds.... É, o cd do Binário não estava lá, e sim um tal de 'Pop Rock Tropical', da banda 3a1, pensei em nem abrir e depois trocar, mas logo deixei isso de lado e fui ouvir o disco que o destino me mandou! Olhando os compositores das faixas deu a impressão de se tratar de apelidos usados nos MMORPG[jogos online de rpg], 'Dimitri BR'.
No cd tem uma faixa muito maneira 'Pilha Errada', que se presta a falar daquela pessoa amada que só te bota em furada! Uma das melhores faixas do cd. Vale destacara faixa 'No Carnaval' que tem a participação do Jorge Mautner. A banda não trás muita coisa nova, eles até colocam no CD, 'Música Incidental' artificio que foi muito bem utilizado, mas faz um trabalho de qualidade que chamou atenção do selo Bolacha Discos, a qual eles são filiados.
O CD em si não apresente nenhuma novidade, várias citações a clássicos da MPB e da música mundial[Oye Como Va- na faixa 2] e que as vezes lembra Jorge Ben, resultando num disco mediano, onde falta um pouco de originalidade.
[nota flamenguista: Eu acho que o nome da banda vem daquele histórico 3a1 Flamengo... Numa final, aonde o Petkovit fez um gol de falta no final do jogo e deu o titulo ao Mengão!]
::Então... A banda faz parte daquela galera nova da MPB que não gosta de arriscar muito

domingo, 20 de janeiro de 2008

Estréia e Frank Jorge no HPP

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É com muita honra (e um pouco de atraso) que inicio os meus trabalhos aqui no La Cumbuca. E pra começar com pé direito eu vou falar um pouco do show que considerei o melhor do Humaitá pra Peixe até o presente momento: o do Frank Jorge.

Bom, quando fui ao show do Frank eu resolvi levar a minha câmera, coisa que não costumo fazer. Então gravei um video pra fazer um teste. Esse primeiro vídeo ficou bem tosco, mas acabei tomando gosto pela coisa e os vídeos seguintes foram melhorando. E depois de toda essa historinha sem graça vejam com seus próprios olhos o resultado.


Clássico da Graforréia Xilarmônica, "Amigo Punk", cantada por Frank Jorge


Pedro Veríssimo, da banda Tom Bloch, fez participacão no show cantando duas músicas. Uma delas foi "Pilhas de Livros", que estará presente no novo disco de Frank, que vai ser lançado este ano. A outra é essa aí, "Vida de Verdade", que faz parte e dá nome ao segundo disco solo do Frank.


Já no bis, Frank manda outro clássico, dessa vez de Roberto e Erasmo Carlos. Eu tava tão entretida que só lembrei que poderia gravar essa belezura no finalzinho. Mas tudo bem, já tá valendo.


Aos poucos vou colocando os outros vídeos lá na minha página no YouTube (http://www.youtube.com/profile?user=dininhaaaa). Além disso tudo tem as fotos que publiquei no Flickrstfrrbhb (www.flickr.com/photos/dininha). Ufa! Tá bom já, né?

Em breve será publicada a resenha juntamente dos vídeos que fiz daquele que considerei o segundo melhor show do HPP: Superguidis.

E, por fim, acabo de me auto-declarar cinegrafista oficial do La Cumbuca. =P

sábado, 19 de janeiro de 2008

Radiohead live at 93 ft east

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Li no excelente blog URBe que o Radiohead ia fazer um show dentro da loja de discos Rough Trade, mas a notícia se espalhou e tocaram num lugar um pouco (mas não muito) maior, perto da Rough Trade. À distância de quatro cliques encontrei um playlist no youtube com a gravação da transmissão pelo webcast do Radiohead do tal show, dividido em 15 vídeos, um para cada música tocada.

Playlist dos vídeos do show: http://www.youtube.com/view_play_list?p=DFA0A65681B7036D

A transmissão segue a linha que o Radiohead costuma fazer quando o assunto é a imagem de seus shows: ângulos diferentes, formas mais "artísticas" de mostrar a banda, digamos assim. Não é por qualquer motivo que hoje em dia o Radiohead é considerado a maior banda do mundo, por mais estranho que superlativos possam ser considerados em tempos tão fragmentados e urgentes.

O show acabou não acontecendo na Rough Trade, mas não deixa de dar uma lembrança do evento que acontecia em alguns sábados no sebo de livros e vinis Baratos da Ribeiro, guardadas as devidas proporções.

Mas então, e no Brasil? Será que alguma banda, hoje, teria a manha de dizer "olha, vamos fazer um show ali na Baratos da Ribeiro (ou qualquer outro lugar merecedor de culto por celebrar uma cultura alternativa) amanhã" e no dia seguinte ter mais de 2 mil fãs enlouquecidos? Alguma banda emo? Os finados Los Hermanos talvez? É algo que dificilmente saberemos, pois bandas e artistas de cá não costumam se dar a essas aventuras...

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Superguidis sexta-feira no Humaitá pra Peixe

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Hoje (18/01/08) toca uma das melhores bandas em atividade no Brasil. Superguidis toca no Humaitá Pra Peixe (que esse ano é na sala baden powell, copacabana) às 19hs. É o tipo de show que, se o som estiver bom, o pessoal vai ver os vídeos e vai pensar: puxa, eu queria estar ali! Seus dois primeiros discos figuram em listas de melhores do ano de lançamento de cada disco. E pelo menos a música nova que têm tocado mostra que eles estão num caminho bom. Veja e leia:

Queria ter muita coragem nessas horas
Poder dizer-te coisas antes de ir embora
Me dá um desespero, um nó em minha garganta
Não expressar opiniões não adianta
Um psiquiatra cairia bem
Não fosse o bom humor
Meu estômago todo iria fritar
Meu estômago todo iria fritar
Desculpa se por um acaso eu te aborreça
Mas o pior sempre está em minha cabeça
Um psiquiatra cairia bem
Não fosse o bom humor

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Humaitá pra Peixe + Circo Voador (11/01/08)

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Categorias: Performance Individual e Em Grupo


Móveis Coloniais de Acaju - Circo Voador



Foi uma sexta-feira onde o humor, em diferentes intensidades, dominou as apresentações pela cidade, mais especificamente nos dois performáticos artistas que se apresentaram no Humaitá pra Peixe, Silvia Machete e João Brasil, e nas duas bandas que tocaram no Circo Voador.



Curiosamente, Brasov e Móveis Coloniais de Acaju, as tais bandas, há um ano atrás se apresentavam no Humaitá pra Peixe, dando início a uma série de apresentações com shows lotados pela cidade, que os credenciaram a ter uma noite só deles, pela primeira vez juntos, na mais charmosa e anárquica casa de shows do Rio de Janeiro.



Mas voltemos brevemente à Sala Baden Powell, onde começavam pontualmente os shows do Humaitá pra Peixe e a sexualidade desastrada era usada para render risos.



Silvia Machete - Humaitá pra peixe



Silvia Machete pergunta quem quer chupar o dedão do pé dela para ganhar seu CD. Diante do silêncio da platéia que, se não lotava o teatro como nos dias anteriores, também não deixava muitos lugares vazios, Sílvia revela que "dedão do pé" é como ela chama seu peito direito.



Imagina o que deve designar quando ela falar do mindinho do pé, não é mesmo? Silvia Machete é o que a Vanessa da Matta poderia ser se Vanessa da Matta não fosse um saco: tem uma belíssima voz, amigos-músicos talentosos que participam do disco e do show – no show de sexta-feira a banda foi composta por metade do Do Amor e três integrantes do mesmo Brasov que tocaria horas depois no Circo Voador – com duas diferenças fundamentais, que são as boas músicas e o grande diferencial e todo o mote deste texto, a performance.



Silvia rebola com seu bambolê enquanto confecciona um cigarro de palha, fuma e passa a bola pros músicos da banda, Silvia sobe no trapézio e se enrosca nas cordas, e gira e fica de ponta cabeça, como se estivesse num circo – atividade já exercida por Silvia, enquanto esteve na França.



Brasov - Circo voador



Mais tarde, no outro circo, o Voador, o Brasov conquistava novos fãs com suas versões de músicas do leste europeu, temas de séries antigas e sucessos hoje obscuros de Roberto Carlos. Mais uma vez a performance marca o show, com a coreografia ensaiada que vão executando durante casa música.



No final da execução do jingle Piscinas Tone (sim, eles tocam uma música de propaganda antiga) resolvem levantar garrafinhas de água e jogam a água toda das garrafinhas nas próprias cabeças. Nem todas as piadas funcionaram tão bem, especialmente no intervalo entre as músicas, já que muitas vezes nesses momentos o público estava mais interessado em botar a conversa em dia ou dar aquela cantada fatal para conquistar a gatinha ao lado. É a música romena contribuindo para o social. Os pedidos para que retornassem após deixarem a (quase) sempre inconclusa versão dançante de O Show Já Terminou não surtiram efeito.



João Brasil - Humaitá pra peixe



Já os pedidos de João Brasil para que, em vez de aplausos, as pessoas o chamem de pau molão ao final de cada música são atendidos por parte da platéia. João havia começado sua apresentação com "Cobrinha Fanfarrona" – ou Fanfarrona Snake, ou Cuebrinha Fanfarruena – basicamente um funk carioca, e aí reside algo que ajuda muito para que o show não seja somente um amontoado de letras engraçadinhas e auto-referentes, que é o fato das bases pré-gravadas por João serem muito boas, com pressão e graves funcionando bem, perfeitas para João cantar em cima de bases não só de funk como de disco music, rap das antigas e tecnopop, além de mandar uma balada no teclado, lembrando Elton John (ou Piano-Bar dos Engenheiros do Hawaii), a etílica "O Carnaval Acabou Com Meu Fígado".



Guns'n'Roses, que já havia estado presente no show de Silvia Machete numa versão bossa nova para "Sweet Child O'Mine", ressurge com uma tradução em português para "Paradise City", que vira "Cidade Paraíso". Na já citada "Pau Molão", João vai contando suas peripécias flácidas no Erótica Bar, na mesma Copacabana onde estava se apresentando, e com algumas improvisações e mudanças na letra, a canção praticamente o alça à categoria de gênio.



Não dá pra dizer que a performance de João é individual, já que ele conta com a ajuda vocal da altíssima Letícia e de PCatran que comanda os gadgets eletrônicos de onde saem as músicas e se transforma em "Mônica Vauvoguel", na canção homônima onde João revela seu desejo de despir a apresentadora do Saia Justa de seu tailleur.



Ainda que canse um pouco, após ouvir tantas vezes, "Baranga" continua sendo o hit do cara, cantada por todos os presentes e levando João para o meio da Sala Baden Powell, em seu uniforme amarelo de aeróbica.



Móveis Coloniais de Acaju - Circo Voador



E aeróbica é um fator vital na performance conjunta do Móveis Coloniais de Acaju. Do móveis e do bom público que encheu o Circo Voador para ver a primeira apresentação dos candangos este ano. Enquanto nove dos dez integrantes não param de se mexer, com um naipe de metais que se recusa a ficar parado um minuto sequer, o público é conduzido através das ordens do vocalista André, que pede pro povo bater palmas, abaixar, pular, cantar e leva os fãs como se fosse um maestro.



O humor também vem em forma de sacrifício, quando André canta o trecho "E quando a pedra despencou da ribanceira / Eu também quebrei a perna" da versão que fizeram para "Eu Nasci Há Dez Mil Anos Atrás", de Raul Seixas, e aponta para o baixista Fábio Pedroza, que havia rompido os ligamentos e estava ali tocando com uma das pernas imobilizadas e pulando com a outra perna boa parte do show.



Entre as músicas que usualmente geram momentos catárticos no show, como "Cego", "Perca Peso" e "Aluga-se Vende" foram inseridas músicas do próximo álbum a ser lançado pelo grupo, o que gerou alguns momentos mais frios na apresentação, talvez não tanto pela novidade e mais pelas músicas serem menos agitadas mesmo, já que quando "Lista de Casamento" fora apresentada pela primeira vez em terras cariocas, naquele show do Humaitá pra Peixe de um ano atrás, já dava para perceber a força que a canção ska-punk possuía e o refrão grudento de fácil assimilação também ajudava.



Mas chega o momento de "Copacabana" e a esperada hora em que se abre uma roda no meio do público para que alguns membros da banda estejam ali e comece a farra grega-judaica-bárbara onde tudo entra em ebulição. Nessa hora o espírito anárquico do Circo baixa nos presentes e até mesmo tem um espírito de porco cuspindo cerveja pro alto para espanto dos músicos.



Quando se vê já tem gente em cima do palco, moshes e, principalmente, muita felicidade estampada nos rostos dos que participavam daquela celebração às 3 da manhã de uma lapa ainda movimentada.

domingo, 13 de janeiro de 2008

enquanto a trégua não vem...

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como todos sabem ,o conceito de álbum musical como conhecemos dá mais um sinal de mudança de rumo... a despeito da queda nas vendas de disco nos últimos anos , o fato é que a indústria ainda não conseguiu encontrar uma nova forma de tornar vendável a música como nós conhecemos - o conceito de disco com um determinado número de músicas amarrado a um título, arte gráfica temática e tal... também ajudou nesta mudança as facilidades que o mundo da internet oferece - downloads gratuitos, a consequente pirataria, consentida ou não - mas ,queira ou não, o formato 'álbum' foi o tornou a música pop (no sentido de popular, que pode atingir muitas pessoas, independente da qualidade artística ou não) o grande monstro que é hoje.
'1001 discos para ouvir antes de morrer' está longe de apresentar uma lista definitiva dos melhores álbuns da história. passa bem longe disso... mas é um bela aquisição que ajuda a mostrar o quebra-cabeça que foi a história da indústria do disco e suas obras desde a criação da bolacha de 12 polegadas e 33 1/3 rotações, o popular LP , em 1948.
copilado por robert dimery, jornalista britânico de revistas como time-out e vogue, e colaborador eventual do semanário NME, a partir de textos enviados por 90 colaboradores ingleses e americanos, o livro começa não por acaso com o lançamento que é considerado o marco-zero no conceito 'álbum' ,'in the wee small hours of the morning' de frank sinatra, lançado em 1955.
abrangente musicalmente (a diversidade de estilos é um dos pontos altos da obra), os álbuns estão organizados em ordem cronológica, contextualizando datas de lançamento, lista das músicas , foto da capa e detalhes da ficha técnica...álbuns brazucas também marcam presença, com gente do quilate de um sepultura, joão gilberto ,chico buarque. com tanto disco junto não raro quem lê se depara com uma (re)descoberta musical e se dispõe a adquirir /baixar a pérola.

sábado, 12 de janeiro de 2008

Die Apokalyptischen Reiter (parte I)

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Minha estréia em La Cumbuca não poderia ser sobre outro assunto que não fosse a minha obsessão há quase um ano: a maior banda do mundo (sim senhor!), o Die Apokalyptischen Reiter. Para quem não conhece aviso logo: é totalmente impossível rotular ou definir o som da banda. Para facilitar poderíamos nomear como heavy/thrash/death/qualquercoisa metal devido ao peso, velocidade e brutalidade (principalmente nos primeiros discos). Mas chamá-los assim seria uma cretinice sem tamanho, porque eles são muito, muito loucos, e cada faixa dos discos deles traz uma surpresa diferente, com muitas mudanças de andamento e uma maravilhosa e espontânea profusão de estilos diferentes. Eles são capazes de alternar trechos muito pesados e brutais com outros limpos, etéreos, de ópera, salsa, ou o que der na telha, sem aviso prévio e muitas vezes de forma irônica. Esse é bem o tipo de mistura explosiva que soaria estranha e forçada nas mãos de uma banda qualquer, mas não nas do Die Apokalyptischen Reiter. Não dá para explicar aqui o que eles fazem exatamente, só ouvindo para saber, mas vou tentar da melhor maneira possível. Vamos começar pelo começo.

A banda foi formada em 1995, na Alemanha, por Fuchs (vocal e guitarra), Volk-man (baixo e berros), Dr Pest (teclados) e Skelleton (bateria e mais berros). Em Maio de 1996 eles lançaram a demo "Firestorm". No ano seguinte já assinam contrato e lançam o primeiro disco.


O Soft & stronger (1997), talvez por ser o primeiro, é o mais fraco e menos original da banda, e quase todas as letras são em inglês. À primeira audição parece um disco padrão de metal, mas prestando atenção nos detalhes dá para notar as sutilezas que se escondem em cada faixa. Os destaques aqui são Dragonheart, com o maravilhoso teclado de Dr Pest (o verdadeiro destaque do disco), parecendo um órgão; Iron fist e Execute, com suas bases de teclado quase infantis, como se viessem de um desenho animado ou joguinho antigo de videogame, contrastando com a gritaria ao fundo; Dostulata, uma das podreiras mais interessantes que eu já ouvi; Human end, linda do início ao fim, principalmente do meio em diante; e Der arme kunrad, que além de barroca, grandiosa e belíssima, é cantada em um irresistível tom de chacota (e em alemão, a única). The hit e Eye of a rose são passáveis; Downfall, Instinct, Metal will never die, Slaves of hate, To live is to die, e Enslaved são boas músicas, mas que poderiam estar em qualquer disco de metal e não têm o toque mágico do DAR; The almighty e V.A.D.E.R., além disso, são beeem chatas mesmo, dentre as piores da banda.



O segundo disco Allegro Barbaro (1999) é quase uma versão evoluída do primeiro. O mais pesado da discografia deles, com uma bateria muito potente e precisa que não decepciona em momento algum, e um teclado sempre competente e criativo. Destaco logo de cara a poderosíssima Dschinghis Khan, de longe a melhor; Perfect without mercy, Heavy metal e Total human end, bons exemplos da alternância de climas que eles fazem; Game of violence, com os bumbos dilacerando os ouvidos o tempo todo; Dance with me, a volta dos teclados "infantis e bobinhos" (não é a toa que o clipe dessa música é um show de marionetes; pena que Dr Pest não faz mais essas coisas atualmente); No questions e The smell of death, com solos lindos de Dr Pest (já disse o quanto ele é genial?) e Fuchs; e Price of ignorance, indescritivelmente maravilhosa. As demais, como eu disse anteriormente, são músicas meio sem brilho, comuns de se encontrar no metal.

Esses discos marcam a primeira fase da banda, muito pesada e calcada no basicão do metal, com alguns exotismos aqui e ali; muito longe de ser ruim, mas sinto que nessa época eles ainda estavam construindo a sonoridade única e inconfundível que caracteriza o Die Apokalyptischen Reiter. Na segunda parte da matéria a chapa começa a esquentar de verdade e os clássicos aparecerão.

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

La Cumbuca Entrevista: Lúcio Maia (Nação Zumbi)

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Entrevista por TÚLIO

Depois de seguir por um verdadeiro labirinto, finalmente acho o camarim, e ele estava lá, Lúcio Maia em pessoa. Seus olhos vermelhos chamam a atenção, mesmo que pareçam querer se esconder embaixo do chapéu, talvez se escondendo de um chato fazendo perguntas momentos antes da estréia no Rio de Janeiro do show de seu projeto solo, o Maquinado. Mesmo assim ele responde com tranqüilidade, entre amigos de longa data que entram lhe desejando feliz ano novo e pressão para sair dali e ir para o palco, e revela o seu lado de antropólogo musical, olhando pra trás para trazer e fazer seu próprio futuro.
Capa do projeto Maquinado, de Lúcio Maia

La Cumbuca: Seu projeto solo foi feito como uma forma de sair da monotonia da turnê da Nação Zumbi?
Lucio Maia: É sim, foi feito como uma forma de sair da rotina normal com a banda. E também para aproveitar aquilo que eu tinha produzido e estava sem uso. Mas de uma forma foi sim, mudar um pouco o hábito, fazer alguma coisa nova.

La Cumbuca: Como é o seu relaciomento com o produtor do disco?
Lúcio Maia: Em primeiro lugar o cara tá ali porque eu chamei, então eu tento tirar o maior proveito disso. A gente leva o trabalho pronto e o produtor vai e trabalha em cima daquilo, procurando sempre melhorar, seja na escolha de timbres ou no modo de gravação de algum instrumento que deve ser diferente de uma música pra outra, sempre procurando o melhor.

La Cumbuca: Como que ocorreu o processo criativo para o desenvolvimento do disco?
Lúcio Maia: Eu produzi um material sozinho, de influências diversas, e quando eu percebi, eu tinha 30 músicas, decidi pegar 10 e fazer um disco.

La Cumbuca: Como você separou o material que você veio a aproveitar no projeto solo e o que deveria ser levado para a Nação?
Lúcio Maia: Tudo que é feito na Nação é feito em grupo, sempre, eu nunca cheguei com um material pronto e disse "vamos fazer isso". Não. Na Nação tudo é feito em conjunto com o pessoal da banda.

La Cumbuca: Você tem influência de alguma banda nova?
Lúcio Maia: Bem, cara... Eu acredito que o passado é insuperável, nenhuma banda nova vai conseguir atingir aquilo que foi feito antes. Porque o passado tem alguma coisa que... só ele tem, que faz soar melhor do que o novo. As minhas influências sempre são de coisas passadas, que parecem atuais, tem disco que eu ouço e penso: "Como que eu não tinha ouvido isso antes? Esse disco tem 30 anos e é tão atual...". Eu sempre busco no passado as influências, eu sempre pesquisei a música antiga, sempre fui uma espécie de 'antropólogo musical'. Sempre busquei coisas antigas. Então, não, nenhuma banda nova me influencia hoje.





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Humaitá Pra Peixe - Cabeza de Panda e Maquinado
Por OTANER


Bolinhos Tóxicos e Retratos sem Concessões

Cabeza de Panda
Tendo feito somente um show antes de tocar no HPP, Cabeza de Panda é formado por músicos que atualmente tocam com D2, que estava lá prestigiando o trio. O show começa com bons rocks, mas que não chegam a empolgar nem ficam na memória, o que melhora um pouco quando apresentam "Café e Pasta de Dente", que gera sorrisos pelo curioso título ao ser anunciada e uma claustrofóbica versão de "Psycho Killer", do Talking Heads.



No final o show, que estava morno, esquenta com a presença de Thalma de Freitas, linda num curto vestidinho branco, dançando loucamente e cantando "Toxic" de Britney Spears, num daqueles momentos que já ficam na história do Festival. Para completar, distribuição de bolinhos com carinhas de panda, que, diga-se, estava uma delícia!



Maquinado
O melhor guitarrista atualmente no Brasil faz um show e toca versões de músicas dos seguintes artistas:
- Jorge Ben
- Kraftwerk
- Mamelo Soundsystem
- Nelson Cavaquinho
- Serge Gainsbourg
- Nação Zumbi
- Bad Brains



Muito mais que a apresentação do melhor guitarrista do Brasil, vimos um retrato de um sujeito em sintonia com uma paixão pela música, toda música, que a gente não encontra em muitos lugares, talvez só no programa/festa Ronca Ronca do MauVal, aliás, presente no recinto.



Ninguém resolve fazer, ao vivo, músicas desses artistas num mesmo dia para parecer moderno. Tem que haver amor ali e Lúcio Maia mostra todo esse amor enquanto toca e dança como se fosse levado pela música, com muito mais paixão que a maioria da platéia, aboletada em suas cadeiras, demonstra.







Fizeram falta muitas das músicas do CD, intitulado Homem-Binário - só umas três foram apresentadas - mas Lúcio deve ter optado por deixar de mostrar aquelas que tinham o auxílio valioso de gente como Felipe S. do Mombojó, Siba e Speed, pois talvez não funcionassem tão bem sem os convidados.



O que não justifica a ausência de "Arrudeia", faixa que abre o CD e é tema de algumas vinhetas do programa de TV Tramavirtual, que costuma passar em horários ingratos no Multishow. A banda que o acompanha é formada por seus companheiros de Nação Zumbi: Dengue tocando num clima de banquinho e contrabaixo e Toca Ogan mandando batuques afrobeats valiosos na percussão.



Completa o time o DJ PG, do Mamelo Soundsystem, nas pickups e soltando bases para os zumbis mostrarem a competência habitual. Do Mamelo Soundsystem também surge a participação de Rodrigo e Lourdes da Luz, repetindo a participação deles no CD.



A interação de Lúcio com a platéia mostra que o guitarrista parece estar numa constante viagem consigo mesmo, às vezes filosofando de forma tão profunda que talvez nem ele entenda, às vezes sendo extremamente sem-noção, mandando um abraço "por trás" para todos os presentes ou dizendo que quando garoto não ficava com essa viadagem, logo após alguém nos fundos da sala dar gritinhos esquisitos.



A maioria da platéia parece reagir bem, apesar que de forma contida, mostrando que lhe sobra carisma para conduzir o show, mesmo que ele busque constantemente desafiar o público, ao no bis pedir um "pau no cu do papa". Não costuma me apetecer a prática de sodomia com nazistas, mas de qualquer forma foi mais uma pincelada do retrato cubista de Lúcio Maia.