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quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Passado: HPP 2009 - 16

Resenha um pouco longa demais sobre o talk show do Leoni no Humaitá Pra Peixe 2009:



As Histórias de Joy Flemming

Leoni canta e conta sua vida no Talk Show do HPP



Uma das idéias mais legais do Humaitá Pra Peixe do ano passado, os Talk Shows este ano se mudaram para as almofadas vermelhas do Oi Futuro, aumentando o conforto e o clima intimista com ingressos esgotados para a primeira entrevista musical de 2009 com o cantor Leoni. E o que não faltaram foram histórias e revelações sobre sua vida, sua carreira e sua relação com o mundo digital, em mais de duas horas de bate-papo.



Leoni relembrou do que ouvia na infância ao lado da mãe: o Dois na Bossa, de Elis Regina e Jair Rodrigues, Frank Sinatra e na televisão assistiam os Festivais Internacionais da Canção. Enquanto isso, no telão apareciam fotos dele quando menino, fantasiado de Batman, e a cada foto as meninas (maioria absoluta da platéia, de várias idades) faziam um "ooohh" de admiração. A parte materna da família era mais musical - a mãe chegou a gravar em inglês o Hino do Iriri, uma praia do Espírito Santo –, enquanto o pai era contra a carreira de músico. Mesmo depois dos muitos sucessos e discos de ouro, quando nos anos 90 ficou 8 anos sem gravar, o pai falou: "Se tivesse estudado direito..."



Ao falar sobre suas primeiras influências já no começo da adolescência, contou da época que descobriu o Rock'n'Roll. Gostava de Crosby, Stills, Nash & Young, Yes, Black Sabbath, Slade, um roqueiro dos anos 70 de cabeça aberta. Do Black Sabbath ele ouvia muito o álbum Vol. 4 e essa foi a deixa para mostrar uma balada desse disco que ele aprendeu a tocar exclusivamente para o HPP, a linda "Changes", ajudado por Bruno Levinson que segurava para ele a letra não-decorada. Das influências do rock brasileiro Leoni cita bandas como Vímana e Made in Brazil, que tinham bons discos, mas shows mal produzidos, o que fazia o sonho de uma carreira na música parecer muito distante. Então enquanto não vinha a carreira, era tudo uma brincadeira: a primeira banda chamada Crisma, os ensaios na "sala de som" de casa e a ida do violão para o baixo, já que a banda tinha quatro guitarristas. Na falta de habilidade de tocar músicas do outros começou a compor: "foi por isso que virei compositor. A gente não tinha o que tocar".



O primeiro show aconteceu em um sarau no colégio e pouco tempo depois começava a surgir os pilares para o rock brasileiro dos anos 80: a Blitz, o Circo Voador, a rádio Fluminense, o que fez Leoni começar a levar mais a sério essa história. Entre idas e vindas dentro da banda, George Israel chegando, e um show histórico onde sua colega das aulas de francês Paula Toller fez a arte do cartaz onde dizia que o Crisma ia tocar seus maiores sucessos "e músicas de Kid Abelha & os Abóboras Selvagens", um nome esdrúxulo (para chamar a atenção mesmo), mas que pegou. Quando surge no telão foto da primeira formação do Kid Abelha, Leoni de barba e todo aquele visual da época, novamente a platéia reage. Para ilustrar essa época, de primeiro cachê gasto em pizza, Leoni toca uma música do primeiro disco do Kid Abelha, "Por que não eu?", cantada por todos.



Sobre os artistas mais recentes que estão lhe interessando, o nome de Elliott Smith é trazido, assim como os discos The Bens e Ok Computer do Radiohead: "cheguei a passar noites ouvindo e chorando", para mais "ooohhs" das meninas. Perguntado por Bruno Levinson se ele se considera um artista influenciável, Leoni começa a falar das vantagens que uma certa deficiência em imitar suas influências lhe trouxe. Os exemplos são vários e ditos sem pudor pelo cantor: "Pintura Íntima" é baseada em "Dreams", do Fleetwood Mac e "Como Eu Quero" ele "chupou" a linha de baixo de "Save a Prayer" do Duran Duran. "Alice (não escreva aquela carta de amor)" foi inspirada em "(I Don't Want To Go To) to Chelsea" de Elvis Costello. Nessa hora ele mostra a linha de baixo das duas canções, e honestamente, não pareceu uma cópia, no máximo uma inspiração mesmo. "Mas é que foi mal copiado", ele explica. Aproveita esse momento para tocar "Alison", a primeira música do Elvis Costello que ouviu e o deixou chapado (por coincidência no mesmo dia que fumou maconha pela primeira vez).



O papo agora muda para a poesia e o curso que fez com Waly Salomão e Antônio Cícero, onde convidados como Caetano Veloso, Galvão (Novos Baianos) e Jorge Mautner com seus estranhos ensinamentos e lições o ajudaram a saber escolher a carreira de compositor, até por conta do desencorajamento dos professores Waly, Antônio e de Fernando Sabino que preferiam que ele fosse compositor. No telão é exibido um poema de Leoni, "Oh Sara" de autoria de "Alphond & Joy". O porquê disso: "a gente tinha nomes fictícios para o jogo de pôquer. Ninguém fumava, mas botávamos uns cigarros, um uísque, para dar um clima. E tinha esses nomes para dar cara de rico. O meu era Joy Flemming!"



Voltando às músicas do Kid Abelha, Leoni conta sobre a letra de "Pintura Íntima", inspirada em "Sexual Healing" de Marvin Gaye. Ele tentou, até o último minuto antes de gravar, trocar o "amor com jeito de virada" por uma frase que lhe agradasse mais, mas a inspiração não veio e ficou assim mesmo, virando um estrondoso sucesso para sua alegria e desespero, que se sentia incomodado de ver todo mundo cantando uma letra que o incomodava. Fora as pessoas que cantavam errado, transformando o "jeito de virada" em "jeito de pirata", "edredon" em "relógio bom" e pessoas achando que o "larga logo desse espelho" era referência a droga, para risos do público presente, que cantou praticamente sozinho a música, com acompanhamento do violão de Leoni que ainda fez com a boca a melodia do sax de George Israel que vem depois do refrão, para mais risos.



Depois de falar sobre Herbert Vianna e a importância que as composições do cantor dos Paralamas do Sucesso tiveram para ele, como o lado B do disco Bora Bora e tocar "Quase um Segundo" de Herbert, Leoni conta sobre sua saída do Kid Abelha e a criação dos Heróis da Resistência ao sentir inveja de uma banda ruim ensaiando em um prédio vizinho, porque eles estavam tocando juntos, coisa que o Kid Abelha pouco fazia. Com os Heróis o sucesso continuou, apesar das críticas da imprensa. "Muita gente achava que não tinha conteúdo porque tinha muita forma", por conta do visual deles na época. "Doublé de Corpo" foi o sucesso dos Heróis da Resistência escolhido para esse momento. Os discos seguintes, os excessos ("a gente estava em um estúdio em Los Angeles, pedia uma guitarra Rickenbaker de 12 cordas verde, tinha que ser verde, e eles traziam") e as diferenças musicais entre os outros integrantes da banda acabaram decretando o fim do Heróis.



Sobre o processo de composição Leoni vai revelando como mudou sua percepção sobre algumas coisas. Apesar de compor nunca ser sofrimento para ele, ser algo natural, tocar não era e com o tempo foi ficando mais prazeroso. O budismo o ajudou a perceber que estar ali em cima não era uma exibição de técnica e do quanto ele era bom, e sim de uma forma de divertir e emocionar o público. Público que o faz gostar de tocar seus sucessos, especialmente nas lonas culturais no subúrbio do Rio de Janeiro. Ao falar sobre compositores que fazem músicas que ele gostaria de ter feito, Léo Jaime, um grande parceiro e amigo de Leoni, é lembrado com a música "Pode Ser".



Na hora de falar sobre sua ótima relação com a Internet, Leoni conta que entrou no Orkut por acaso e começou a responder os fãs em uma comunidade em sua homenagem que tinha pouca gente e hoje possui dezenas de milhares de membros. Mas ele tinha medo que o orkut um dia pudesse acabar e perdesse o contato com esses fãs, ao mesmo tempo que a indústria fonográfica desmoronava. Influenciado pelo livro A Cauda Longa, buscou através do seu próprio site desenvolver uma relação direta com aqueles que consomem sua música, sem gravadoras como intermediárias nessa relação. Escreve em seu blog de 3 a 4 vezes por semana e se diverte com algumas das participações no fórum do site. Ao dizer isso, os fãs que o acompanham na Internet e estavam lá na frente já começam a rir, parecendo que já sabiam que Leoni ia contar a história do rapaz que escreveu que ele tinha que contratar um personal trainer para no final do ano posar nu na revista G Magazine (!!).



Ultimamente o site aumentou bastante o número de cadastrados por conta das promoções que Leoni faz por lá. Uma das últimas, uma votação para escolher um fã para cantar com ele em um show no Canecão, pessoas faziam campanha e se mobilizaram para conseguir ser eleito para esse momento especial. E Leoni continua se atualizando e atualizando o site, usa Twitter e newsletter para avisar dos shows, e agora lança singles uma vez por mês no próprio site. "É Proibido Sofrer", um desses singles, com palmas instantâneas do público que já conhece a música, é esolhida para terminar o Talk Show. Mas os pedidos são muitos e ele toca mais uma novidade, a música "Do Teu Lado" feita em parceria com Rodrigo Maranhão. Os fãs já estão de pé, cantando bem pertinho de seu ídolo. Agora eles já têm muito a conversar sobre esses momentos especiais, no fórum do site do Leoni, por MSN, por email, no Orkut, no Twitter...

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