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quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Passado: HPP 2009 - 15

Resenha dos shows de Fuzzcas e Daniel Lopes para o Humaitá Pra Peixe 2009:

13/01/2009
Retorno Especial

A volta do HPP ao Sérgio Porto com muita melodia e criatividade



Após quase dois anos sem se encontrarem, foi num lindo dia de sol com um calor beirando o insuportável que o Humaitá Pra Peixe e o Espaço Cultural Sérgio Porto voltaram a se cruzar, dessa vez como uma das várias sedes que abrigam o festival. Mas voltar pra casa onde tudo começou sempre dá um gostinho especial.



A última vez que estiveram juntos foi em janeiro de 2007 e ali aconteceu um dia de apresentações memoráveis dos grupos Turbo Trio e Móveis Coloniais de Acaju. E a relação HPP/Sérgio Porto não poderia recomeçar de forma melhor, com um ótimo público para assistir Fuzzcas e Daniel Lopes.



Antes mesmo do Fuzzcas entrar já estava ali no palco ao lado do microfone a maletinha vintage com os brinquedinhos que a vocalista Carol Lima utilizaria durante o show. As influências dos anos 60 no visual do grupo se resumem em grande parte às boinas na cabeça dos músicos e no lencinho amarrado nos cabelos de Carol, mas desde as primeiras notas de "Espelhos Multicoloridos" nota-se o quanto o disco Rubber Soul e tudo que veio depois dos Beatles são importantes para as leves piscadelas para a psicodelia que a banda dá.



Mas não só para o Fab Four, como para um integrante em especial na música seguinte, "Antes da Tarde Se Acabar", reverente ao All Things Must Pass de George Harrison. Outros nomes do período são percebidos nas músicas seguintes: Hendrix, Kinks, The Who, Mutantes (os brinquedinhos da maleta lembram muito a Rita Lee de 40 anos atrás) mas não chegam a se prender só a essa época. Dá para ouvir ecos dos anos 80 em uma música e o power pop dos anos 90/00 em outras. E a pré-jovem guarda com "Estúpido Cupido" e "Banho de Lua", sucessos com Celly Campelo.



Nancy Sinatra é outra cantora homenageada, com a versão de Fuzzcas para "These Boots Are Made For Walking". O que dá liga nisso tudo é a bela voz de Carol, cheia de leveza, seja cantando sobre algodão-doce ou sobre estar morrendo.



Perto do fim tem "Deveras", um vaudeville onde uma garrafa de refrigerante cortada e barulhinhos no microfone dão a sensação de estarmos ouvindo um gramofone tocado por uma mocinha segurando uma sombrinha.



Do gramofone para o ipod. Daniel Lopes, a atração seguinte, utiliza do famoso aparelhinho para trazer barulhinhos eletrônicos e bases pré-gravadas para se misturar com seu violão e os outros músicos de carne e osso.



A sonoridade da banda montada por Daniel impressiona. É como se o som tivesse três dimensões, onde você não consegue deixar de ficar envolvido pelos detalhezinhos do instrumental cheio de camadas, a percussão com balanço, o contrabaixo que faz vezes de violoncelo e as intervenções de guitarra bem aplicadas dentro daquilo que é o mais respeitado pelo cantor: o poder da canção e seus "refrões", que pode não ser o plural correto de refrão, mas realmente é bem mais bonito.



Também das palavras bem escolhidas no lugar certo e que miram a cabeça e de lá fica difícil de sair como em "Ampulhetas". Dentro desse formato canção, onde os anos tocando com Leoni parecem ter rendido boas idéias, há também ritmos brasileiros aparecendo vez ou outra, que Daniel explica fazer parte de uma "brasilidade nagô" que ele está descobrindo.



Mas nada poderia preparar alguém para ver pela primeira vez o que viria a seguir. A banda se retira, deixando Daniel Lopes sozinho. Sozinho, né? Ele começa a dar uma batida no violão e a batida continua e continua, enquanto ele já está fazendo a base para "Thriller", de Michael Jackson, com as cordas do violão.



Aquela batida foi gravada com um pedal de loop e não adianta dar explicações técnicas para algo tão incrível. Na verdade a batida no violão gravada na hora já havia sido feita na primeira música e outros (poucos) artistas costumam usar esse loop instantâneo, como KT Tunstall.



Mas da batida ele vai pra linha de baixo. E vai para um pequeno riff funkeado. Daí vai para um contra-tempo improvisado com a boca mesmo. Pede a colaboração da platéia com palmas que também são gravadas e reproduzidas na hora. E ele canta e na hora do refrão o backing vocal também é dele, porque a voz principal também foi gravada quatro segundos atrás.



Mais e mais violões são gravados para Daniel solar em cima. Tudo isso no tempo certo, como se fosse uma banda ali em cima. Mais e mais vozes são gravadas no refrão. Ao final o público delira e a vontade é de ver aquilo de novo. E Daniel, Daniel, Daniel, Daniel e Daniel mandam "Go Back" dos Titãs, cantando e fazendo coro com ele mesmo nas dúzias de cordas que ele toca.



Para arrebatar, uma versão multi-homem de "Hit The Road Jack" com várias harmonias vocais enquanto a banda vai entrando de volta. Depois disso boa parte de platéia deve ter assistido o restante da apresentação ainda pensando no que tinha acabado de ver.



Sem dúvidas uma noite muito especial tanto em sons quanto em criatividade de trazê-los para o público, seja com a cornetinha de brinquedo de Carol Lima ou com o pedal ultra-moderno de Daniel Lopes. O HPP merece reestrear no Sérgio Porto assim.

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