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quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Pista VIP, essa coisa nojenta que tem que acabar...

...e que já falamos há dois anos aqui no La Cumbuca!


Noto com curiosidade que vários blogs e sites começam a se insurgir com essa excrescência chamada Pista VIP na frente do palco. Hoje ela tem vários nomes diferentes (premium, golden, suite palace, deluxe... como a Dine notou, é ingresso de show ou quarto de motel isso?), de repente para enganar a galera, mas não se engane: cobrar mais caro pela parte da frente de um palco em um festival ou numa casa de shows não é normal! Começou a acontecer há poucos anos, desde 2007 mais ou menos. E felicitamos que nomes influentes na mídia brazuca estejam finalmente se juntando ao La Cumbuca nessa "cruzada", hehe.


No dia primeiro de agosto de 2008 eu comentava sobre a primeira (e única até agora) experiência de assistir um show com pista vip, no... Vivo Rio (!), onde a banda inglesa Muse se apresentou. Eu estava na pista normal, é claro.


Mas o que mata mesmo é essa gananciosa invenção recente, um curral que separa o público que paga "somente" a meia-entrada de 60 reais de uma pista vip, com pessoas que ou pagaram o dobro disso ou (em muitos casos) não pagaram nada. Estamos falando de um show de rock! Os mais fanáticos pela banda costumavam ficar cedo na fila, antes da abertura dos portões, para garantir o seu lugar na frente do palco, para ver seu artista preferido de perto. Você ainda pode fazer isso, se tiver 120 ou 240 reais. Se não, vai ver a banda lá longe mesmo. Não faço questão de ficar colado no palco, mas gosto de enxergar a banda que estou ouvindo. E haver uma barreira me separando das carnes mais nobres me faz sentir como gado. Carne de segunda ainda por cima.



O show, pelo menos pra mim, compensou essa sensação ruim, mas decidi desde então a não assistir NENHUM show com pista vip, o que tenho cumprido até agora.



Em 2009 eu sugeria nomes para o Festival Planeta Terra e no post seguinte eu fazia um pedido encarecido:


Por favor, se por uma chance do destino alguém da produção do Maquinária estiver lendo isso, não leve nenhuma das bandas que citei. Porque vocês cobram 200 reais para um show que fica em um lugar afastado da civilização, pelo que dizem. Não que o preço do Planeta Terra seja muito melhor, atualmente 170 reais no segundo lote. Mas eles pelo menos não utilizam desse esquema abjeto de "pista vip". Pior, vocês cobram 450 reais para essa pista! Então levem bandas ruins. Levem o Bon Jovi! Já é chato o bastante não ter a chance de ver o Faith No More depois de andar nos brinquedos do Playcenter...


Para quem não sabe, o Maquinária era uma espécie de "embrião" para o SWU...



Ainda em 2009, no mesmo mês de setembro, eu comentava sobre o cancelamento do show do The Killers no Rio de Janeiro:


Até que ponto o interesse do público sobrevive à ganância das produtoras de shows? O do Killers custava, para ver de perto a banda, 350 reais! Ou 175 reais com sua carteirinha de estudante verdadeira ou falsa.


Aliás, mais um show com uma pista exclusiva na frente para quem paga mais, separados somente por uma grade, o que pra mim e mais um monte de gente não é o que deveria acontecer em um show de rock, onde os fãs mais aguerridos que chegam horas antes é que deveriam tomar conta dos pontos mais próximos da banda e não os que tem mais dinheiro/disposição em gastar esse dinheiro. E não, isso não é capitalismo, porque muito provavelmente é isso que tem feito muitos shows não lotarem. Tenho a opinião que esses preços e essas pistas vips estão diminuindo o público.




Este ano fiz uma recauchutagem da postagem de 2009 com bandas que gostaria de ver nos festivais. Novamente, fiz uma ressalva em relação ao festival com pista vip agora chamado de SWU:


E não, eu não gostaria que nenhum desses nomes fosse ao SWU, the brazilian music festival with an english name, a ser realizado em outubro na cidade de Itu. Aliás, gostaria sim que todas elas estivessem lá e eu mesmo gostaria de estar lá.


Acho que todas as iniciativas para se trazer música boa ao Brasil devem ser reconhecidas.


Mas mantenho uma postura de não deixar de criticar produtores, festivais e organizações culturais que insistem em a) cobrar um preço pelos ingressos que não é compatível com a realidade financeira das pessoas que moram no Brasil e b) e esse é o mais grave, privilegiar com lugares na frente as pessoas que pagam AINDA mais caro para estar em uma platéia "VIP". Não acredito que isso tenha absolutamente nada a ver com o espírito de um show de música.



Acredito que a segregação de público seja inclusive muito prejudicial para a formação de fãs de um festival que se pretenda pensar a longo prazo. A rapidez com que os ingressos do Planeta Terra foram vendidos na primeira semana de vendas mostra um caminho que deve ser seguido.




Então saúdo que mais gente esteja, finalmente, mostrando o quanto "pista vip", como está sendo feito, é errado. Seria bom também dizer com todas as letras quem está fazendo isso e quais as motivaçõe$. Não é questão de vilanizar produtoras que estão trazendo tantos shows incríveis para o Brasil, mas sim de fazer com que essa prática não fique enraizada na nossa cultura, o que já estava na prática acontecendo. Quem sabe agora não pode mudar?

3 comentários:

Matheus Pinheiro disse...

Me emocionei com essa belíssima história de resistência, parabéns Otaner!

Anderson disse...

Que tal um abaixo-assinado? =/

ivan disse...

e cresce o numero de revoltosos com a pista vip..
um dia derrubamos essa droga!