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quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Fotos e Vídeos: As Bahias e a Cozinha Mineira com participação de Pabllo Vittar e Mc Linn da Quebrada (11/02/2017)





La Cumbuca não vai se meter a entendido sobre questões de gênero, ainda mais de transgênero. É lastimável que em 2017 ainda exista tanto ódio e discriminação em relação a transexuais e travestis. Ao mesmo tempo, é maravilhoso que em 2017 exista uma banda que esteja recebendo tanta atenção e adoração quanto As Bahias e a Cozinha Mineira.







As duas vocalistas são transexuais: Raquel Virgínia, vestida de vermelho, e Assucena Assucena, de branco e azul, tomaram a frente do palco do Circo Voador na última sexta-feira com figurino exuberante, e ao mesmo tempo sem ser espalhafatoso. Já o resto da banda, a tal cozinha mineira, é liderada pelo guitarrista Rafael Acerbi e foram um ou outro momento deixam a música falar por eles mais do que qualquer performance.







As influências confessas d'As Bahias e a Cozinha Mineira são a tropicália, em especial Gal Costa, e o Clube da Esquina de Milton Nascimento, Lô Borges, Beto Guedes, Toninho Horta, etc. Esses elementos existem no som do grupo, mas também podemos ouvir uma sonoridade MPB paulistana/nordestina oitentista e até mesmo com o início do axé nessa mesma época, algo bem explícito em "Mãe Menininha do Gantois", o que, aliás, dá às Bahias alguma conexão com o bloco Agytoê, que se apresentaria logo depois.







O resultado desses diferentes ingredientes ao vivo resulta em músicas que muitas vezes começam com uma das vocalistas cantando sozinha uma introdução da letra e depois a banda entrando em um ritmo um pouco mais agitado. Às vezes a coisa descamba para um lado épico, como em "Apologia Às Virgens Mães", "Comida Forte" e "Uma Canção Pra Você (Jaqueta Amarela)". São momentos em que Assucena e Raquel soltam bem a voz.







Nas letras há referências quanto às questões de gênero, só que não tão diretas. Mas a dupla, em especial por parte da Raquel, além de performáticas, dramáticas e carismáticas, não deixam de trazer o assunto em nenhum momento entre as músicas para um público bastante identificado com isso, além de mencionar a presença do pessoal da Casa Nem, coletivo que acolhe e dá apoio a pessoas transgêneras.







As participações que As Bahias e a Cozinha Mineira trouxeram para essa noite fogem um pouco da sonoridade delas. No caso de MC Linn da Quebrada além disso escancara a temática trans nas letras de "Bixa Preta" e "Mulher". Com longa cabeleira rosa e pernas musculosas, a MC bota funk, eletrônica e teatralidade para dar o seu recado.







A participação de Pabllo Vittar talvez fosse uma das mais aguardadas. A drag queen primeiro veio com "Open Bar" e já tinha causado empolgação tanto pela música quanto pela performance provocante e rebolativa. Mas quando voltou já no bis com o atual sucesso "Todo Dia" o clima no ambiente foi de loucura.







Ao final, todas juntas cantando "Pagu" de Rita Lee, o que faz sentido, já que para viver quebrando barreiras de gênero e de preconceito no Brasil, elas têm que ser "mais macho que muito homem". E ainda fazem isso com um ótimo show.








Vídeos do show aqui ou abaixo:







Músicas gravadas:

As Bahias e a Cozinha Mineira - "Apologia Às Virgens Mães"

As Bahias e a Cozinha Mineira - "Ó Lua"

Mc Linn da Quebrada e As Bahias e a Cozinha Mineira - "Bixa Preta"

As Bahias e a Cozinha Mineira - "Mãe Menininha do Gantois" (trecho)

Pabllo Vittar e As Bahias e a Cozinha Mineira - "Todo Dia"


Fotos do show podem ser vistas aqui.


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