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quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Descanse em paz MPB FM: mais uma morte no cemitério do dial carioca





Ontem foi o último dia da rádio MPB FM na frequência 90,3 no Rio de Janeiro. A notícia não foi feita com antecedência. Aliás, sequer foi feito anúncio sobre o fim da rádio. O grupo Bandeirantes, que controlava a frequência, aparentemente não informou o ocorrido em nenhum de seus muitos canais de comunicação na rádio (onde no Rio já opera a Bandnews em 94,9), televisão ou na internet.



Piora? Piora. Os funcionários da rádio, cerca de 40, foram informados de sua demissão somente no fim do dia de ontem. Piora? Piora. O site saiu do ar. Hoje está com uma programação online através de um playerzinho, mas pelo menos por enquanto foi retirado todo o conteúdo que antes existia. Um tremendo desrespeito com pessoas, com trabalho, com arquivo, com informação, com história, algo que já vimos acontecer com outras rádios.



Independente de esta cumbuca ter desistido há alguns anos de ouvir rádio, reconheça-se a importância que essa forma de mídia tem para milhares de pessoas. O rádio fez parte da minha formação musical na adolescência, embora isso significasse ficar segurando um rádio pesado pelo quarto tentando achar a melhor sintonia para ouvir um especial d'Os Mutantes na Tribuna FM, que era de Petropólis, ou rádios comunitárias e piratas, como a Progressiva e a Central, tocando de Tangerine Dream a Athaliba e a Firma, até que um dia encontrei os programas roNca roNca e EP Vanguarda na Rádio Imprensa.



Ou seja, a considerar o que eu procurava no dial, eu estava um pouco longe de ser o público-alvo da MPB FM. E mesmo assim ouvia a rádio muitas vezes. Concorri a ingressos de shows, soube de shows por conta esses sorteios (ainda não existia o La Cumbuca para saber de todos os shows do Rio). Fui no Palco MPB no Estrela da Lapa e depois no Teatro Rival, onde assisti Pato Fu, Fernanda Takai, Marcelo Camelo, Silvia Machete, João Penca e Seus Miquinhos Amestrados, Toni Platão.



O programa Faro MPB, dedicado a artistas que seriam ainda pouco conhecidos do público (suponho que do público que ouvia a MPB FM) e que era transmitido na quinta-feira depois da meia-noite, poderia até farejar um pouco melhor. Mas, mesmo que em horário bem ingrato, divulgou Emicida, Rico Dalasam, Ventre, Vanguart, Anelis Assumpção, Ava Rocha.







O programa gerou o Festival Faro MPB, onde, em um de suas edições, vimos e registramos os shows de Cícero e Céu. Pelos estúdios da MPB FM passaram, entre outros, Letuce, Jeneci, Lucas Santtana e Felipe Cordeiro.








Lembrando de tudo isso parece uma rádio perfeita, certo? Infelizmente, fora um pequeno período há anos atrás onde até Eddie e Karina Buhr puderam ser ouvidos, a maior parte da programação durante o dia era dedicada ao que mais de insosso existisse naquilo que é recortado como música popular brasileira. Alguns acusam de ser jabá, e quem sou eu para duvidar, mas será que Leila Pinheiro, Vander Lee e Jorge Vercilo tinham tando dinheiro para serem tocados tão maciçamente assim?



Por conta dessa insistência, a rádio perdeu pelo menos este ouvinte há muito tempo atrás. Mas não vamos nos enganar. A ausência de uma rádio que fazia alguma diferença, por menor que fosse, na programação moribunda das rádios do Rio de Janeiro, não será bom para ninguém. É ruim que exista menos espaço para diversidade, mesmo que não fosse essa a marca pela qual a MPB FM era mais conhecida. Que a Roquette Pinto traga algo de interessante para quem ainda não desistiu de um formato para ouvir música e se informar que ainda é muito popular.



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