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sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Resenha, vídeos e fotos da segunda noite do Festival Picolé com Russo Passpusso, Holger e Gustavo Galo no Circo Voador (22/01/2015)






Duas coisas que estavam sendo muito aguardadas no Rio de Janeiro finalmente aconteceram nesta quinta-feira: a chuva, para amenizar as temperaturas infernais que tomaram conta de 2015, e o show de lançamento de Paraíso da Miragem, disco solo (e quinto lugar na minha lista de melhores discos nacionais de 2014) de Russo Passapusso, MC do Baiana System.




O problema é que como as duas coisas aconteceram no mesmo dia e cariocas não gostam de dias nublados e muito menos de dias chuvosos, um público em menor número compareceu ao Festival Picolé desta semana, se compararmos com a semana passada, que teve encerramento estupendo com Boogarins (confira aqui a resenha sobre o show do grupo goiano).









Isso não arrefeceu o espírito do cantor Gustavo Galo, integrante da numerosa Trupe Chá de Boldo, incumbido aqui de abrir a noite, mostrando seu primeiro disco solo, Asa. O disco foi muito elogiado e está em diversas listas de melhores álbuns lançados em 2014.









Embora eu não compartilhe desta opinião sobre o disco, o show conta uma outra história com as mesmas canções turbinadas pela banda que, em comparação com a gravação em estúdio, teve como diferença o tecladista Rafael Montorfano e o baterista Gustavo Souza (Cérebro Eletrônico).









Mas talvez tenha sido menos a presença deles (além de Meno Del Picchia no baixo e Zé Pi na guitarra, que já haviam participado do disco) e mais a diferença nos arranjos que deram mais animação a músicas como a versão que faz de Walter Franco ("Feito Gente") e "Um Garoto", ótima letra de Galo sobre alguém que vende quase tudo que tem para ver um show da Patti Smith (quem nunca?), além de "Nosso Amor É Uma Droga" com participação de Iara Rennó.









Os bons momentos do show superam os menos interessantes, como a versão voz e violão de "Cama", música de Tatá Aeroplano (Cérebro Eletrônico, clara influência de Gustavo Galo) que de repente poderia ter sido melhor aproveitada com a banda acompanhando. Para o final, surpreendente e acachapante performance de mais uma convidada, Ava Rocha, cantando a música que dá nome ao disco de Gustavo, e uma boa versão de "Ah Se Não Fosse o Amor", de Lirinha (ex-Cordel do Fogo Encantado).



"Cama", "Nosso Amor é Uma Droga" e "Ah Se Não Fosse o Amor" podem ser vistas aqui ou abaixo:







Holger era a atração seguinte e um dos poucos saldos positivos que consigo pensar desse show era a alegria de uma fã que dançava, cantava todas as músicas e derrubava toda a bebida no copo que segurava. Infelizmente, não pude compartilhar dessa alegria...









O grupo paulista tenta uma sonoridade que me leva a Friendly Fires, ao A Certain Ratio, a discos de MPB dos anos 80 e a um-tiquinho-de-carimbó, mas da tentativa ao alcance do objetivo vai uma distância grande.









As comparações com a banda Tereza, de Niterói, procedem, sendo que os niteroienses, mesmo que não tenham nada no repertório que possa ser chamado de música, são carismáticos em cima do palco, enquanto o Holger, apesar da performance pouco inspirada e dos arranjos insípidos, tem algumas composições com potencial para serem melhor aproveitadas, além de um bom baterista, Charles Tixier, da banda de funk Charlie e os Marretas, grupo que já serviu de banda de apoio para Di Melo, a imorrível lenda do soul brasileiro. Quem sabe não é um tiquinho de alma que falta ao Holger?




Duas músicas do Holger, "Bruto" e "Preguiça", aqui ou abaixo:







Mas faria mais sentido se nesta noite tivessem chamado por exemplo o Saulo Duarte & a Unidade para se apresentar. Porque Saulo estava lá, fazendo parte como guitarrista da incrível banda de apoio para que Russo Passapusso apresentasse as músicas do Paraíso da Miragem.









Já que esta resenha tem falado de bateristas, não ia ser na hora que Curumin estivesse com as baquetas que ia deixar de ser mencionado. Junto com ele, os dois músicos que o acompanham em seu próprio trabalho solo e que produziram o disco de Russo, Lucas Martins no baixo e Zé Nigro nos teclados.









O percussionista Maurício Badé (Mestre Ambrósio, Criolo) e o trombonista Edy Trombone completam a formação que fica disposta no palco quase como uma expansiva meia-lua, cercando Russo e dando totais condições para que o baiano possa brilhar, embora ele volta e meia vá para o fundo do palco observar músicos e público.









Público este que, apesar do horário tarde para uma quinta-feira, não saiu da lona até o fim da apresentação e se mostrou receptivo desde o começo. Também, como ficar indiferente à potência dançante de "Paraquedas"? O samba-rock com variação nas levadas e que ao vivo termina quase como uma roda de samba meio que condensa boa parte deste trabalho solo do cantor, se é que é possível condensar um conjunto de canções que remete a diversas referências de artistas brasileiros mais suingados dos anos 70, sem entrar necessariamente na gaveta do funk-soul, e a referências mais atuais como o próprio Curumin.









Tudo isso sem deixar de esquecer os sons da Bahia, o ponto mais próximo de interseção da pouquíssima semelhança que guarda com o Baiana System, além do alongamento que faz de algumas canções. Como se fosse pouco todo aquele time em cima do palco, Russo ainda convoca BNegão para fazer participação cantando "(Funk) Até o Caroço" e reforçando as vozes no repeteco de "Paraquedas" no bis. No fim das contas, cariocas sem medo de chuva foram recompensados com uma ótima performance de um dos artistas mais promissores da música brasileira atual.









Seis vídeos de Russo Passapusso, aqui ou abaixo:





Músicas gravadas:


- Paraquedas

- Flor de Plástico

- Matuto

- Relógio

- Anjo (trecho final)

- Aperta o Pé






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