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sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

O Carnaval Não Oficial Subiu o Morro do Castelo (e Invadiu o Aeroporto)






No último domingo, como já comentamos aqui, aconteceu a abertura (oficial?) do carnaval não-oficial do Rio de Janeiro. Longe das regras, direcionamentos e patrocínios forçados por aqueles que se entendem representantes do poder público, nos últimos anos dezenas de blocos carnavalescos dos mais diferentes tipos têm se reunido na Praça XV a cada começo de ano para fazer a festa do jeito deles.




Ano passado conferi um pouco do que rolava. Este ano queria estar lá desde cedo na Praça XV, mas a atração principal era a promessa do Cordão do Boi Tolo de "subir o Morro do Castelo", morro este que foi destruído no início do século passado para dar lugar a avenidas e prédios, como o que hoje é ocupado pelo Tribunal Regional do Trabalho.









Esse morro era simplesmente o local onde a cidade do Rio de Janeiro nasceu. Locais e construções de valor histórico inestimável foram arrasados em troca de um progresso e modernidade ilusórias.




Não sei se foi essa a intenção do pessoal que faz o Boi Tolo (que já tinha subido o morro do Livramento com o Prata Preta), mas nos 450 anos de uma cidade com alcunha de maravilhosa e que ao mesmo tempo tem tantos exemplos de desrespeito e descaso com sua própria história, nada mais justo do que este passeio pelo morro que não existe mais.




Quando cheguei, o Boi Tolo, unido a outros como o Prata Preta, Sinfônica Ambulante e Fanfarra Black Clube, já estava terminando de passar por trás do Tribunal de Justiça do Estado. Dali ainda passou pelo Museu da Imagem e do Som em direção ao único lugar que sobrou do morro, a Ladeira da Misericórdia.







A ladeira hoje em dia não leva mais a lugar nenhum, mas mesmo assim o pessoal começou a subir, esperando o bloco chegar. De lá de cima a vista é bonita e impressionava o quanto de gente já tinha lá embaixo. Felizmente nem todo mundo subiu, porque sobrou bem pouco mesmo da ladeira.












Mas boa parte dos músicos subiram e tocaram "Cidade Maravilhosa". Não sei para o resto do pessoal, mas achei aquele um momento bem especial, que conseguiu ser sincero e irônico ao mesmo tempo, tão contraditório quanto é nossa cidade, capaz de destruir e abandonar o lugar onde nasceu.












A descida foi pelo Largo da Misericórdia, passando entre o Museu Histórico Nacional e a igreja de N. Sra. do Bonsucesso, em direção à rua Santa Luzia...









...e tomando o rumo em direção à avenida Marechal Câmara.









Em toda essa região há pouca movimentação de trânsito, em especial nos fins de semana. Mesmo assim alguns ônibus tiveram que dar meia-volta de vez em quando por onde o bloco passava. Na Marechal Câmara, só no final foi preciso um pouco de paciência, mas quem estava de carro por lá em vez de se estressar acabou se divertido com as brincadeiras dos foliões.









Ao fim da Marechal Câmara nós temos o MAM de um lado e o aeroporto Santos Dumont de outro. Não posso afirmar que era por responsabilidade de um certo folião vestido de piloto de avião, mas o pessoal parecia interessado em ir até o aeroporto e repetir a façanha do Baianada no carnaval de 2012.









O bloco, cada vez mais cheio, ficou um tempo ali na praça em frente ao aeroporto. Aparantemente a notícia do passeio do Boi Tolo se espalhava pela cidade, pois volta e meia chegava gente fantasiada saindo de algum táxi.












Aí, parecia até que o Boi Tolo & blocos agregados iam mesmo para o MAM, quando de repente deram meia-volta e... Oi, Santos Dumont!







A entrada foi bem tranquila e, apesar da multidão, não houve nenhum dano material ao aeroporto ou aos passageiros que embarcavam e desembarcavam, diferente do que alguns portais de notícias fizeram crer (em um desses portais, que até já comentei aqui, estava escrito: "até às 20:30, não havia informação de detidos", como se houvesse algum motivo para detenção).




Para quem desembarcava, então, que maravilha chegar na cidade e ser recepcionado assim. E com direito mais uma vez a desfile na escada rolante (até a hora que decidiram desligar a escada).








De lá de cima, impressionava o quanto o aeroporto foi tomado pelo bloco.







Uma curiosidade que não sei se o pessoal do bloco tinha consciência, é que parte do morro do Castelo foi utilizada para aterrar justamente o local onde hoje se situa o aeroporto Santos Dumont! Então não duvide: o Boi Tolo realmente subiu o Morro do Castelo, quase 100 anos depois de ter sido destruído...









Apesar de a ideia de entrar no aeroporto não ter sido necessariamente a de protestar, quando alguns músicos começaram uma melodia muito conhecida nos gritos contra o ex-governador Sérgio Cabral, não foi possível deixar de adaptar pra os (tristes) tempos atuais e sair do aeroporto cantando: "Ôôôô, Pezão é ditador!".









A noite começava a chegar e a direção era o aterro do Flamengo, outro ponto que também só existe graças às terras retiradas do morro do Castelo.









Perto do Monumento aos Pracinhas alguns soldados pediam para que o pessoal não subisse, mas não estavam nem um pouco tristes do bloco passar por ali e posaram para várias fotos com a galera.









Dali o bloco seguiria para a Glória e, segundo constam relatos de sobreviventes, terminaria na Lapa. Mas se você passar hoje pelo aeroporto, quase uma semana depois, e encontrar alguém fantasiado, pulando e cantando, eu não duvidaria...




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