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quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Resenha, fotos, vídeos: Festival Vaca Amarela na Fundição Progresso (10/09/2016)





Durante os jogos paraolímpicos (ou paralímpicos, se você preferir) o Rio de Janeiro abrigou alguns festivais de música que acontecem em outras partes do Brasil. Já falamos aqui da excelência de escalação e produção do paraense Se Rasgum na Fundição Progresso. Na mesma Fundição, uma semana antes, tivemos o Festival Vaca Amarela, vindo de Goiás.



A programação privilegiou o rock e o estado de origem do festival mas a eles se juntaram alguns nomes do Rio de janeiro. Dez atrações, cada uma tocando por entre meia hora e 45 minutos. Nada muito diferente de festivais mundo afora, mas começando às 21:00, preferimos deixar de ver bandas interessantes como o Pó de Ser do inquieto Diego de Moraes e chegar mais tarde e começar com a Deize Tigrona, que provavelmente foi o nome mais rock'n'roll da noite.



Mas, diferente do que costuma acontecer no Rio, os shows foram todos extremamente pontuais. Como La Cumbuca é um site carioca viciado na falta de pontualidade, só chegamos a tempo de ver a atração seguinte, Hell Oh. Os caras são de Nova Friburgo, mas poderiam fazer parte tranquilamente da cena roqueira de Goiás, mas com referências um pouco menos pesadas do que os roqueiros goianos costumam ter. Aqui o negócio entra mais na seara indie, às vezes um Arctic Monkeys mais nervoso e grunge, outras vezes um Walkmen meio stoner, um Queens of Stone Age meio Pixies. O resultado é bom e tinha uma turma que sabia boa parte das letras, todas em inglês.







Já que falamos da cena roqueira goiana, as duas bandas seguintes jogam para longe a visão estereotipada que temos, de gente bêbada de camisa preta tocando riffs sujos bem alto, que bandas como MQN, Mechanics, Black Drawing Chalks e Hellbenders e se aproximam, de formas diferentes, do Boogarins, que colocou Goiânia no mapa da psicodelia mundial.



Enquanto o Hell Oh tem mais proximidade com o som por qual a cena independente de Goiás é conhecida, o Peixefante, além da aproximação com Boogarins, lembra mais os cariocas do Séculos Apaixonados, colocando teclados e sintetizadores em profusão dentro de um pop torto, com caminhos melódicos que lembram Clube da Esquina. Uma pena que tanto no caso do Peixefante quanto do Hell Oh o som da Fundição, como é de praxe, não tenha colaborado.







O som melhorou um pouco, mas não muito, com o Carne Doce, o grande nome da noite a julgar pela presença do público para vê-los. Diferente do Boogarins, não dá pra colocar na gaveta psicodélica, apesar de terem em comum a parceria na música "Benzin".



Carne Doce pode até ser visto como um rock com pinceladas de MPB, eu vejo uma coisa ou outra de pós-punk, mas a real é que é pop, porque tem uma estrela pop e carismática na figura da vocalista Salma Jô, que arrebata a plateia inúmeras vezes, auxiliada pelas músicas compostas em sua maioria com o marido e guitarrista Macloys Aquino, fundadores da banda. Músicas do disco novo Princesa, como a faixa-título, "Artemísia" e "Falo" impressionam e mostram que Carne Doce pode subir rápido a um patamar reservado a poucos no cenário musical brasileiro atual.







Na sequência, no palco menor localizado no meio da Fundição, o trio Overfuzz traz as tais "raízes" do rock goiano que falamos mais acima. O interessante dessas bandas goianas é que, por mais "técnicas" e voltadas à parte mais "heavy" do negócio que algumas seja, e esse parece ser o caso do Overfuzz, mesmo assim eles conseguem botar como marca vários riffs de guitarra bem pegajosos e garageiros. Mesmo com esses riffs, o que impressionou mesmo foi a disposição monstruosa do baterista.







A última banda foi a carioca Baleia, mostrando o disco novo Atlas. Efeitos, iluminação bacana, banda animada, mas o som continuava não colaborando muito, e assistindo o quinto show já passando das duas manhã La Cumbuca decidiu se recolher.


Apesar dos problemas de som o festival Vaca Amarela deu aos cariocas uma ideia de como é um dos grandes festivais independentes que acontecem pelo Brasil. Ao mesmo tempo, considerando a pouca presença de público considerando ser um festival gratuito, deu uma ideia para os goianos do Vaca Amarela o quanto é difícil fazer um festival com esse tipo de proposta no Rio de Janeiro...








Cinco vídeos do festival estão ao seu alcance clicando aqui ou aí embaixo:





Bandas e músicas gravadas:

Hell Oh - "Empty Speech"

Peixefante

Carne Doce - "Cetapensâno"

Carne Doce - "Artemísia"

Overfuzz - "Best Mistake"

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