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sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Resenha, fotos, vídeos: Lee Ranaldo no Teatro Ipanema (13/09/2016)





Cinco anos. 2011 foi o último ano que tivemos o Sonic Youth no Brasil. E até agora no planeta, já que foi o último show da banda, dentro do festival SWU, no interior de São Paulo. Desde então seus integrantes têm feito shows em projetos solo e já pudemos ver o vocalista e guitarrista Thurston Moore no Circo Voador em 2012, enquanto o baterista Steve Shelley passou por aqui em maio deste ano com um projeto musical chamado Gata Pirâmide (!), na Audio Rebel. A baixista Kim Gordon está vindo agora com seu projeto em duo Body/Head, mas só para São Paulo.



Onze anos. Esse é o tempo que, assim como Kim Gordon, não tínhamos a presença do guitarrista Lee Ranaldo em algum palco do Rio de Janeiro, quando ele se apresentou junto com seus colegas de Sonic Youth, em show conturbado no festival Claro Que é Rock. Já veio outras vezes ao país, fazendo música experimental e também com seu trabalho solo chamado Lee Ranaldo and The Dust, que conta com Steve Shelley na bateria, sendo que a última, ano passado de graça em São Paulo, esta Cumbuca se despencou pra lá.







Finalmente o Rio de Janeiro teve a oportunidade de rever Lee Ranaldo. O lugar marcado inicialmente foi a Audio Rebel e sem nenhuma surpresa os menos de 100 ingressos colocados à venda evaporaram em instantes. Felizmente para quem não tinha conseguido ingresso o show foi remarcado para o Teatro Ipanema, com mais de 200 lugares. Tudo esgotado novamente.







A vinda de Lee Ranaldo ao Brasil desta vez era para uma turnê acústica. Algo que pode parecer inesperado para quem mantém a ideia do cara como um guitarrista que se amarra em fazer muito barulho, dissonâncias e distorções. Mas se mesmo em suas poucas músicas dentro do repertório do Sonic Youth ele já fazia canções como a linda (e praticamente falada/declamada) "NYC Ghosts & Flowers", e os últimos discos apontavam para esse caminho, com o The Dust o lado compositor de Lee desembestou de vez, com dois discos (o primeiro dessa fase apenas com o nome dele) lançados em pouco tempo de diferença entre um e outro.







O show solo acústico não traz absolutamente nada de Sonic Youth. O repertório dos últimos dois discos da carreira solo preenche uma boa parte do setlist, enquanto outra parte são de músicas ainda não lançadas, inéditas para a maioria das pessoas, mas que tem feito parte das escolhas para a turnê "desplugada-mas-não-muito". Algumas fizeram parte dos pouquíssimos shows que ele fez com um novo projeto chamado Lee Ranaldo & El Rayo, com músicos espanhóis e misturando violões, guitarras e até bases meio eletrônicas (nós vimos esse show no Primavera Sound deste ano!), o que provavelmente será a base de seu novo álbum, a princípio chamado Electric Trim.







O público no Teatro Ipanema não pareceu se importar com a ausência de Sonic Youth e com o tanto de músicas nunca ouvidas antes por boa parte da audiência. Nenhum pedido por "Hey Joni", "NYC Ghosts & Flowers" ou "Eric's Trip". Estava todo mundo muito receptivo à oportunidade de ver qual seria o uso que Lee Ranaldo faria do violão.







Violões na verdade, já que a cada música ele trocava de instrumento, alguns de sua propriedade, outros emprestados, já que, ele explicaria após sentir alguma dificuldade no manuseio de um deles, que gosta desse desafio, de ver o que acontece quando usa um instrumento que nunca tinha usado antes.







Ou seja, que gosta de experimentar, como se não soubéssemos. E dá para notar que as afinações pouco ortodoxas das cordas continuam ali também. Mesmo com o instrumento acústico, ele também invariavelmente experimenta com os pedais de efeito bem variados em cada canção. O velho arco de violino dos tempos de Sonic Youth também está lá de vez em quando. Mas mesmo quando os efeitos estão desligados ele parece gostar de fazer o som do instrumento se espalhar pelo teatro.







Embora a carreira musical de Lee Ranaldo como guitarrista e eventual vocalista das poucas canções que emplaca na banda e quando se separa começa a jorrar canções para discos próprios nos leve a comparações com George Harrison, o que nos foi mostrado essa noite nos remete mais a artistas como Neil Young e Lou Reed. E é com Reed, via Velvet Underground, que ele encerra a apresentação, tocando "Ocean". Tanto no palco como lá fora após o show, Lee Ranaldo mostrou que por trás de afinações, distorções e estranhezas ele e sua música são facilmente acessíveis.








Os quatro vídeos que gravei podem ser vistos aqui ou no tocador abaixo:





Músicas gravadas:

- "Let's Start Again"

- "Electric Trim"

- "Key/Hole" (introdução com arco de violino)

- "Last Looks"



As fotos são de Otaner e Dine Araújo.

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