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sábado, 22 de novembro de 2008

Dia de Zumbi

No dia 20 de novembro é que se comemora o Dia da Consciência Negra, também conhecido como dia de Zumbi. Mas uma meia hora antes, ainda no dia 19, a celebração era outra. Na gávea, mais especificamente no Jockey Club, a Nação Zumbi dava início oficial à parte musical do Claro Cine, um evento com filmes e shows.


Nação Zumbi - 22/11/08


O evento em questão acontece na zona sul, e também por isso, parece ser focado em trazer pessoas e espécimes desse curioso habitat. Então vemos muita gente que busca as câmeras, que parecem ter anos de prática em figuração de novelas e poses para fotos. E que não se liga muito no som. Um público diferente do que acostumamos a ver quando a Nação toca no Circo Voador e um dos fatores preponderantes para que essa apresentação estivesse um pouco abaixo do espetáculo que foi eles em dezembro do ano passado. O outro fator é que o som, na frente do palco, estava péssimo. Ficar a 1 metro do vocalista Jorge Du Peixe e não ouvir nada do que ele canta não é legal. Pelo que Du Peixe tentou explicar, as caixas de som estavam nas laterais para frente, por isso quem estava na frente não podia ouvir, e realmente, indo um pouco mais para trás o som ficava um pouco melhor.


Nação Zumbi - 22/11/08


Curiosamente, nas últimas músicas o vocal ficou audível na frente e talvez se tivesse ficado o tempo inteiro assim teria sido uma apresentação inesquecível, afinal de contas estamos falando de uma das três maiores bandas em atividade do mundo (a outra é Radiohead e a terceira eu deixo você escolher). Pelo lado "bom", a guitarra estava absurdamente alta. Mas não estamos falando de qualquer guitarra, e sim da guitarra de Lúcio Maia, um autêntico herói nas seis cordas. Então era difícil se afastar um pouco às vezes e ouvir tudo para deixar de ouvir o que Lúcio faz com notas e efeitos.


Nação Zumbi - 22/11/08


O show começou com "Fome de Tudo", o que há um ano atrás era motivo de rodas de pogo, gente pulando e berrando as músicas. Mas dessa vez o público era definitivamente outro. Acompanhavam dançando, mas não o bastante para suar ou se descabelar, afinal de contas, há que se manter o visual. Na verdade se movimentavam como zumbis, não o de Palmares, nem os da Nação, mas aqueles que precisam se alimentar de cérebros. Seus outros cavalos de batalha, desconhecidos do grande público, mas hits entre os fãs, iam sendo desfilados no Jockey, como "Hoje, Amanhã e Depois" e "Bossa Nostra", até que a banda conquista qualquer um com "Quando a Maré Encher", nem que para isso este que aqui digita tenha que ir para trás fazer a roda de pogo girar, afinal de contas não dava para aceitar um show da Nação com tanta gente e ao mesmo tempo tão pouca gente celebrando.


Nação Zumbi - 22/11/08


A partir daí o show foi melhorando bastante e parece que a banda sentiu isso e foi se animando mais. "Propagando", "Meu Maracatu Pesa 1 tonelada" e "Blunt Of Judah" esquentaram aquele tempo friozinho que fazia lá fora. "No Olimpo", última faixa do último cd lançado é uma viagem quase sem volta por caminhos cada vez mais brilhantes da Nação. E terminam a primeira parte com a violentíssima "Jornal da Morte". Na volta para o bis, pedido pelo pessoal que batia o pé no chão fazendo parecer que havia uma corrida de cavalos ali, sacam "Côco Dub" e longos improvisos instrumentais, com destaque não só para Lúcio Maia, como também para Gilmar Bola 8 e Da Lua comandando as palmas do público.


Nação Zumbi - 22/11/08


Jorge Du Peixe retorna para o microfone e começa a cantar "Será" do Siba e a Fuloresta ("Será que ainda vai chegar / o dia de se pagar / até a respiração?"), para minha quase solitária alegria. E emendam com "Cidadão do Mundo", do disco Afrociberdelia, ainda com Chico Science. Du Peixe então chama um convidado: Seu Jorge, a quem ele se refere como "meu" Jorge (pegou mal, essa...). Seu Jorge canta com Du Peixe "Manguetown". E depois tocam "Da Lama Ao Caos", o que seria o encerramento. Mas a banda volta para um segundo e derradeiro bis e relembram uma favorita dos fãs mais antigos, "Risoflora". Um final bem leve e tranquilo, para levar as pessoas para casa em sonhos temperados de garoa numa zona sul que começou com pouco sal e termina quase doce.


Nação Zumbi - 22/11/08


Ah sim, antes do show teve esse filme, Max Payne, baseado num videogame... que bomba! Só era divertido pelo humor involuntário e por nevar o tempo inteiro na tela, o que me fazia pensar se era proposital aquele vento frio que eu estava sentido e se logo iam jogar floquinhos de neve em cima da gente, para dar o clima. Mas não, era só a experiência de assistir um filme ao ar livre mesmo.


Nação Zumbi - 22/11/08


Setlist:

Fome de Tudo
Hoje, Amanhã e Depois
Bossa Nostra
Memorando
Quando a Maré Encher
Carnaval
Meu Maracatu Pesa 1 Tonelada
Inferno
Propaganda
Blunt of Judah
Infeste
A Ilha
Toda Surdez Será Castigada
No Olimpo
Jornal da Morte

Côco Dub
Cidadão do Mundo
Praieira
Manguetown
Da Lama ao Caos

Risoflora


Nação Zumbi - 22/11/08

4 comentários:

Túlio disse...

"O evento em questão acontece na zona sul, e também por isso, parece ser focado em trazer pessoas e espécimes desse curioso habitat. Então vemos muita gente que busca as câmeras, que parecem ter anos de prática em figuração de novelas e poses para fotos."
uhaahuahuaahaau

Mas é assim mesmo, quem é da Zona Norte sofre. O cara que mora na ZN tem que gostar de funk, pagode e axé, aí ele é feliz. Se ele gosta de alguma coisa diferente as complicações começam... É muito fácil sair da Vila da Penha pra chegar na Gávea!

O cara do Zona Sul não tem restrição, ele vai em qualquer coisa, contando que esteja na lista vip ou apareça na coluna social.
Bom seria se pelo menos o governo olhasse de forma igual pros lados da cidade.

Matheus Pinheiro disse...

"Jorge Du Peixe retorna para o microfone e começa a cantar "Será" do Siba e a Fuloresta ("Será que ainda vai chegar / o dia de se pagar / até a respiração?"), para minha quase solitária alegria."


Sejamos sinceros, entre as 500 (?) pessoas presentes no recinto, só você conhecia essa música.

Otaner disse...

Matheus, acho que só eu e Du Peixe mesmo. Mas quem não conhece é bobo, rere.

Tulio, o governo poderia olhar paras as ruas pelo menos. Assim de repente eu poderia aproveitar as lonas culturais pelos subúrbios sem ter medo de morrer. Assim poderiam usar mais vezes aquela estação de trem na Leopoldina, onde teve o riocenacontmporanea uns três anos atrás. De resto, não é só governo e sim quem trabalha com cultura. Dar uma olhada além da zona sul não é caridade com quem mora longe, é oportunidade de criar e aumentar público interessado em arte.

Bruno disse...

No MCA foi a mesma coisa. Quando alguém tentava formar o mosh, apareciam seguranças para apartar (???) e mocinhas com cara de "ai, esses meninos bárbaros vão amassar minha fantasia de pin-up" ¬¬