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sexta-feira, 14 de março de 2014

O sábado estelar de carnaval, do Céu na Terra em Santa Teresa aos Siderais atrás do IFCS (01/03/2014)






Se a sexta do carnaval (que na teoria nem é carnaval, mas só na teoria...) começou leve, sábado já é tempo aproveitar desde cedo, muito cedo, as ruas tomadas por fantasias, blocos, alegria, animação, lixo... engarrafamento às 7 da manhã...




Superado o trânsito, chegar ao Céu na Terra, em Santa Teresa, é um bálsamo e aquela confirmação que sim, estamos em tempo de carnaval. Não era nem oito da manhã e a rua Monte Alegre, em frente ao Centro Cultural Laurinda Santos Lobo, já estava cheia de gente fantasiada e, mais importante, que se esmera na originalidade e nos adereços. Uma tradição do bloco que ainda o torna atrativo, apesar da quantidade de pessoas ser um obstáculo para curtir de verdade a música.



Durante o trajeto pela Monte Alegre, até o Bar do Gomes, foi possível acompanhar bem de perto o bloco que, além das clássicas marchinhas que sempre toca, este ano também teve espaço para gritar que "Não Vai Ter Copa!". O logo do #OcupaCarnaval ocupava vários espaços, além da presença do mascote e revelação deste carnaval, o Tatu Derrado, um mini boneco de Olinda com a cabeça do Fuleco, mascote da Copa.



O calor já era forte mesmo para o horário (e ainda mais para quem resolve se fantasiar de Heisenberg), mas os moradores da rua, todos assistindo fantasiados e de camarote o bloco, ligavam suas mangueiras e jogavam água nos foliões. Quando virou para a rua Áurea em direção ao Largo das Neves, o calor, o estreitamento da rua e a multidão cada vez maior foram a dica para descer e encontrar o Multibloco.







Originado de oficinas de percussão realizadas no Multifoco, na Lapa, o Multibloco fez a concentração algumas quadras mais longe de sua "sede" e iniciou seu desfile na rua Henrique Valadares, em frente a um novo prédio da Petrobras, trazendo os percussionistas no chão e um pequeno trio elétrico, com guitarra e vocalistas. Grande acerto a mudança de lugar, uma vez que ali havia muito mais espaço para brincar do que na rua do Resende, onde costumava começar.




Além disso, provavelmente foi um dos blocos com maior variedade de repertório. Começaram com músicas numa área entre a MPB e os "malditos" dos anos 60/70, indo de Chico Buarque, várias do Caetano Veloso e, melhor surpresa, "Eu Quero É Botar Meu Bloco Na Rua", de Sérgio Sampaio. Tantos blocos por aí que se acham muito mais "cool" e não tocam Sérgio Sampaio...




"Eu Quero É Botar Meu Bloco Na Rua"


Quando começaram a virar para a avenida Gomes Freire, começou uma leva de músicas que foi de pop rock (O Rappa - "Ilê Aye" - ok, é do Gilberto Gil, mas a "versão" era d'O Rappa) a sambas enredos, funks clássicos e novos e as indefectíveis e desejadas marchinhas. Atirar para todos os lados pode parecer falta de personalidade, mas e quando os tiros acertam todos os alvos? Mesmo com o som do trio elétrico meio estourado, um dos melhores blocos do carnaval deste ano.


(em uma nota pessoal, foi o bloco onde mais pediram para tirar fotos com o "Heisenberg")


O Multibloco ficou pela Gomes Freire e as opções para a parte da tarde eram muitas. Várias levavam de volta à Santa Teresa, mas e a força para subir de novo as ladeiras? O jeito foi ir para a Praça Paris, na Glória, onde a Terreirada Cearense ia fazer a sua festa.







Os foliões chegando de todas as partes, mas o bloco ainda demorou um pouco além do horário previsto. Quando começou, a turma capitaneada por Geraldo Junior levantou poeira.



Mas só na forma literal, pois uma nuvem de areia se formou quando o bloco foi se formando e as pessoas começaram a se movimentar no centro da praça.



O som começou na verdade bem calmo, com cirandas. Mas depois foi ficando um pouco mais agitado e permitindo casais de todos os gêneros a dançarem no meio da roda as variedades rítmicas vindas do nordeste.




"Tenho Sede"



Mas faltou potência. Só quem ficava perto, muito perto dos músicos, concentrados em um único lugar o tempo todo, conseguia ouvir e curtir o som. O restante aproveitava para fazer social, botar papo em dia ou relaxar nos gramados.



Mais uma dúvida sobre qual bloco ver a seguir. Próximo à Cinelândia, integrantes de um grupo tão grande e com tantas fantasias que poderia se passar por um bloco por si só, indicavam que a dica quente das próximas horas era o Cordão do Prata Preta, na Gamboa. Daqueles blocos que, depois que acontece e começa a ver as fotos e saber dos relatos, bate aquele arrependimento de ter perdido. Pela distância e cansaço, a preferência foi por dar uma checada no Exalta Rei, que ainda não havia começado.



Então dá-lhe caminhar atravessando a batalha campal (e lixal) deixada pelo cordão do Bola Preta na avenida Rio Branco e arredores até chegar à praça da Cruz Vermelha, para descobrir como seria o bloco Pula Roleta.







Chegando lá, cadê o bloco? Um manifestante-folião começou a juntar aqueles que pareciam ter ido para o local com o mesmo objetivo e, minutos depois, apareceram os integrantes do bloco. Com referências aos adeptos da tática black bloc e às manifestações que acontecem desde junho do ano passado, o bloco tomou por algum tempo um rumo inesperado, quase familiar, com crianças e idosos que passavam por lá.




Famílias, comunistas e anarquistas não assistem Breaking Bad, pelo que foi possível apurar, com exceção de um garotinho que já tinha visto aquela roupa amarela "na Record". Mais tarde uma menininha andava com uma máscara do Guy Fawkes-Anonymous. Mas o destaque foi a família que levou cordão de isolamento vip e protestava contra a privatização do Maracanã.



O aquecimento do bloco foi bacana, já que o samba-enredo deles é um tremendo achado.




"Pula a Roleta"


Mas o dia estava acabando e era preciso um pouco de descanso para terminar a noite com uma constelação multinacional de fanfarras: Siderais, do Brasil, Rim Bam Bum, do Chile, e Les Vilains Chicots, da França.



Antes de chegar ao intercâmbio fanfarrônico, um esbarrão em um bloco na Praça Tiradentes, onde se lia no estandarte: "Essa Tal de Suruba". Sim, era um bloco tocando músicas dos Mamonas Assassinas. O curioso é que de três músicas que foram acompanhadas, pelo menos uma delas ("Jumento Celestino", se não me engano) até que funcionou bem...




Mas o objetivo era ir ali para trás do IFCS, em frente ao Real Gabinete Português de Leitura. O bloco já estava em seus momentos finais (o que significava mais uma, duas horas de música, provavelmente) e sabe-se lá quantos músicos já tinham "dado baixa" àquela hora da madrugada.








Porém, os que resistiam nos sopros e percussão, recepcionavam os foliões notívagos com versões animadas de Daft Punk, Beyoncé e Rolling Stones.









O fim da jornada no primeiro dia oficial de carnaval não podia deixar de ter um passeio pelo metrô, com o desfile de fantasias, às vezes de alas inteiras dentro de um vagão, com destino ao Sambódromo e suas escolas de samba. Neste vagão, um solitário componente teve algum trabalho para atravessar as portas com sua fantasia intacta.








Pausa de algumas horas para recarregar as energias para o domingo, com o melhor bloco do carnaval 2014. A seguir...

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