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segunda-feira, 17 de março de 2014

O único bloco que interessa no domingo de Carnaval - 02/03/2014



Perdão para os outros blocos que acontecem no domingo. Tem muita coisa legal que acontece durante o dia, como o Tambores de Olokun, o... o... Bom, o que acontece é que a anarquia incansável do Cordão do Boi Tolo acaba exigindo toda a atenção de quem quer saber onde essa manada descontrolada vai parar.




As comunicações em redes sociais e de mensagens instantâneas começaram a ser acionadas desde cedo, dando conta de que o bloco iria pegar a barca para Niterói e voltar já fazendo o desfile, no que lembra o saudoso Se Melhorar Afunda, que parou de acontecer por risco do nome virar realidade. (neste vídeo fica a dúvida se era o Boi Tolo mesmo ou o Sinfônica Ambulante, bloco-fanfarra de Niterói)







Só foi possível chegar na estação das barcas na Praça XV a tempo de recepcionar o Boi Tolo, uma dissidência (*) do Cordão do Boitatá e que tem a característica de não ter roteiro definido. Já começaram na saída do Mergulhão, já passaram pela Candelária, já acabaram no mar, na Baía de Guanabara... Até dentro de um restaurante e no metrô!



Era possível imaginar um passeio em torno do que ainda existe do viaduto da Perimetral, em processo (demorado) de demolição para dar lugar a vias subterrâneas que ainda não foram construídas, um ato de genialidade executado pela inacreditável prefeitura que temos. Não foi o que aconteceu, mas no dia seguinte essa minha vontade seria saciada com outro bloco.



Em vez disso, o bloco acabou se embicando pela estreita rua São José. No meio do caminho, as escadarias da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, que os músicos do Boitatá e Boitolo já subiram muitas vezes.



Desta vez a manada preferiu seguir em frente, mas a turma que frequenta um dos blocos com mais gente fantasiada continua aproveitando para ocupar as escadas da Alerj e fazer um mosaico colorido de fantasias que vão do submarino (bem mais que) amarelo dos Beatles a uma turma enorme trajada de vários personagens de Guerra nas Estrelas.



Além, é claro, de índias e índios, brancas de neve, piratas, colombinas, pierrots, arlequins, peter pans, sininhos, wallys, muitos etcs, e as fantasias que começaram a se tornar frequentes de uns carnavais pra cá, graças a três blocos específicos: o encanador Mario dos videogames, roupas coloridas de ginástica e egípcias e faraós. Ainda falaremos aqui sobre esses blocos...









Os camelôs na São José vendiam perucas e outros adereços tranquilamente, demorando bastante para notar que se aproximava uma onda sonora e humana para cima deles. À medida que caminhava o Boi Tolo ia juntando cada vez mais pessoas para seu rebanho até chegar na Avenida Rio Branco, onde a multidão podia se espalhar e dançar de forma mais livre, com direito a um polvo gigante funcionando quase como um abre alas.




Até aquele momento pouco dava para ver dos músicos do Boi Tolo, mas dava para ouvir o repertório composto boa parte do tempo pelas marchinhas clássicas. Mas o Boi Tolo é mais que música, é um estado de espírito onde deixamos o acaso nos levar para onde quisermos ir naquele momento.









Da Rio Branco, em algum momento o Boi Tolo pegou a Avenida Graça Aranha e passou pelo Palácio Gustavo Capanema, assim como a Alerj um ponto "tradicional" do bloco. Mas com vários tapumes e obras no entorno, o bloco acabou não ficando muito tempo lá.









Seguiu pela Rua Santa Luzia e atravessou a Avenida Presidente Antônio Carlos e mudou da Santa Luzia para a Avenida Churchill, fazendo uma das coisas mais interessantes do carnaval em geral e do Boi Tolo em particular, que é buscar um novo olhar, mais lúdico e divertido, para ruas e avenidas da cidade.







Às vezes é difícil saber para onde o Boi Tolo vai. Um grupo parte para uma rua, outros seguem em frente e de repente um dos grupos corre de volta para onde os músicos decidiram seguir. Foi em um desses momentos que, de repente, estávamos naquela interseção confusa de pistas em trevo e vias de retorno na região próxima do aeroporto Santos Dumont.








Ah, o aeroporto Santos Dumont, que saudades de outros carnavais... Infelizmente (ou não), os muitos milhares de seguidores do Boi Tolo preferiram continuar o caminho oposto, em direção ao MAM.



Quem aproveitou para dar um passeio no aeroporto viu que não é preciso "ver na Copa" para saber os preços abusivos que vão ser cobrados por qualquer coisa. Isto é, quando não tiver acabado até o pão de queijo na lanchonete. Pelo menos o banheiro era grátis.







Mas "ver na Copa"? Vai ter Copa? Debaixo do MAM os obstinados músicos tocavam as marchinhas e os foliões aproveitavam cada espaço na música para responder essa pergunta.








Na saída do MAM, parecia que o bloco ia acabar por ali mesmo, com muitos músicos exaustos se deitando pelas partes do gramado que ainda não haviam sido feitas de mictório (lembrando sempre que falei aqui sobre as partes ruins do carnaval). O bloco até então tinha sido muito bonito, mas faltava alguma coisa, alguma situação daquelas "épicas", como as muitas já descritas em outros carnavais.




De repente, uma sobrevida inesperada e todo mundo de volta ao caminho do início do Aterro do Flamengo, do lado da Baía de Guanabara, com vista para o Pão de Açúcar. Isso até chegar ao Monumento aos Pracinhas, onde um desvio foi feito.









Os soldados que tomam conta do monumento por alguns instantes ficaram atônitos, mas não teve jeito. Rapidamente estava todo mundo dançando e pulando na plataforma do monumento em homenagem aos mortos na Segunda Guerra Mundial. Um bloco inteiro em cima do monumento aos pracinhas.







Já era final da tarde, e o sentimento de missão cumprida (e comprida) após seguir o Cordão do Boi Tolo por mais de oito horas, já havia chegado.



Mas o Boi Tolo, apesar de tolo, não morre fácil assim. Pela internet ficamos sabendo que, de lá do Aterro, o bloco rumou para a rua do Catete em direção ao Largo do Machado e o destino seria a Praça São Salvador, em Laranjeiras. Mas ainda houve pique para terminar de vez em frente ao Palácio Guanabara, sede do governo do estado.




Vídeo por bvccvbbvccvb (?)



Quase doze horas depois de iniciado, foi assim que o melhor bloco de 2014 se encerrava. Ou, pelo menos, é até aí que os relatos dos sobreviventes conseguem chegar. E ainda estávamos no segundo dia de carnaval...




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(Na primeira imagem desta história, sou eu realizando um sonho já de alguns anos: ser um Beastie Boy durante o carnaval! Homenagear o clipe de "Sabotage" seria fácil, mas ao mesmo tempo, qualquer um teria certeza se tratar de uma fantasia de Hermes & Renato. O clipe de "Intergalactic" talvez não seja tão conhecido dessa nova geração, muito menos por quem provavelmente goste mais de samba e carnaval do que de rappers branquelos. Mas, além disso não ter a menor importância, que prazer é quando alguém reconhecia e começava a dançar e cantar: "don't you tell me to smile!" Sensação de estar em outra dimensão. Carnaval.)




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(*) Quando escrevi "dissidência", não foi no sentido de que houve alguma briga entre os integrantes do Boitatá que teria gerado o Boitolo. Longe disso, os músicos certamente se admiram e os apoiadores e foliões adoram os dois blocos. Ou seja, fiz uma utilização um tanto indevida da palavra. Tiago Rodrigues conta no nosso facebook a origem do Boitolo:


O Boi Tolo não é uma dissidência do Boi Tatá. Ele nasceu em pleno carnaval de 2006, ano em que pela primeira vez o Boi Tatá passou a se apresentar no palco da praça XV. Excepcionalmente naquele ano a apresentação do Boi Tatá aconteceu na segunda de carnaval. Acontece que no dia anterior vários foliões desavisados foram à rua do mercado achando que haveria bloco, pois já era tradicional o cortejo no domingo. Chegando lá não havia banda, não havia nada e espontaneamente alguns músicos-foliões (e eu estava entre eles) começaram a fazer um cortejo que carnaval. Alguém pegou um pedaço de papelão, prendeu num cabo de vassoura e escreveu com um batom "Cordão do Boi Tolo". Nasceu assim. Nunca foi um movimento que saiu de dentro do Boi Tatá e muito menos um dissidência. Pelo contrário, todos do Boi Tolo são admiradores do Boi Tatá. Tanto que foram à rua do mercado naquele dia para curtir o bloco.

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