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domingo, 15 de agosto de 2010

E o Rock In Rio, hein?

É provável que amanhã seja oficializado o projeto Rock in Rio 2011, firmando-se uma parceria entre Roberto Medina, criador do festival, e a prefeitura do Rio de Janeiro. Pois é, foi-se o tempo em que não era preciso dizer que se uma prefeitura vai ajudar o Rock in RIO, só pode ser a do Rio, e não, por exemplo, de Madri ou Lisboa...

Enfim, foi procurando saber algo mais sobre isso que dei de cara com uma entrevista do Roberto Medina para o G1 dada em janeiro, em virtude dos 15 anos passados desde o primeiro Rock In Rio.

Achei a entrevista ótima, com algumas boas sacadas do empresário e outras completas viajadas de maionese. Vou colocar aqui alguns dos trechos que mais interessaram para comentar.


Imaginar que você possa acertar com tantos artistas é loucura. Certamente a gente deve ter cometido erros de escalação. E um desses erros mais evidentes foi colocar o Erasmo Carlos no dia do heavy metal, em 1985. Ele ainda teve a infelicidade de começar o show com músicas pouco conhecidas. Foi realmente complicado. Outra coisa que me incomodou no primeiro Rock in Rio foi o som. O técnico que trabalhava no controle dava mais potência ao áudio das bandas internacionais do que das nacionais. Brigamos muito por causa disso. Porque as bandas brasileiras não tinham infraestrutura técnica para mexer naquele tipo de equipamento. Então, tinha que ser os estrangeiros mesmo. Essa era uma luta permanente.





Já o Rock in Rio de 2001 superou minhas expectativas. A ideia das tendas e das outras atividades para entreter o público foi realizada de acordo com o conceito de diversidade que desenvolvemos, mas ficou melhor do que imaginei.





O Rock in Rio é, acima de tudo, um grande projeto de comunicação. A gente se preocupa com os detalhes. Eu, por exemplo, proíbo as empresas terceirizadas de praticar um preço acima da realidade do mercado. Me preocupo com o trânsito. Isso não é normal nos festivais internacionais, que simplesmente montam um palco, colocam uma banda para tocar e vendem ingressos. Lá fora, o respeito ao consumidor é zero. O que eles vendem direito é a banda. É isso o que existe no mundo.





Quanto à escalação dos artistas, há uma visão distorcida do Rock in Rio. Já na primeira edição tivemos uma grande variedade de gêneros: Elba Ramalho, George Benson, Al Jarreau, Ivan Lins, Ney Matogrosso, Gilberto Gil. Além do mais, em 1985, não tínhamos tantas bandas de rock assim. Então, precisávamos preencher a programação com música brasileira. E ai entrou a música popular brasileira. O rock era apenas uma bandeira de comportamento. Um evento deste tamanho tem que ter a participação de uma enorme quantidade de pessoas. Para que isso aconteça, precisamos ser ecléticos. Senão, a conta não fecha. O Rock in Rio nunca foi um evento só de rock. E acho que as pessoas já entenderam isso.

Vejo o futuro do Rock in Rio também com uma tenda de jazz. Algo pequeno, com capacidade para mil pessoas. Os espanhóis não curtem muito. Em Portugal, menos ainda. Mas, aqui no Brasil, existe esse universo. Dentro desse contexto, digo mais: se pudesse fazer um dia só para crianças, eu faria. Minha principal atração seria Hannah Montana. E ela não iria para as tendas não, e sim para o palco principal.




Confesso que não sei como está se praticando o preço de ingressos aqui no Brasil. Tenho algumas informações, mas a sensação que eu tenho é que o valor está um pouco alto. O preço era baixo demais em 2001. Não existia competitividade com o mercado externo. Agora, ficou alto demais. Por causa da meia-entrada, dobra-se o preço do ingresso para que o valor com desconto seja equivalente ao preço cheio. Isso é um absurdo. Acho a legislação errada. Claro que deve existir um privilégio, uma vantagem para os estudantes. Mas no Brasil isso acontece de forma estranha. Muita gente tem a carteira. E os preços acabam dobrados.





G1 — Que atrações você sonha em trazer para esse próximo Rock in Rio?
Medina — Não pensei nisso ainda, pois essa ideia ainda é muito nova. O primeiro passo é discutir um pouco com as autoridades, o que eu já fiz. Se isso criar corpo, uma coisa que eu gostaria de ter no conteúdo do festival é a diversidade. Ter uma tenda eletrônica, uma roda gigante, uma área dedicada a atividades mais radicais, uma tenda de jazz... Se puder, quero ser mais abrangente ainda. Mas, se tivesse que montar um elenco hoje, faria de novo em cima dessa ideia de dias temáticos. Para o dia infantil, Hannah Montana e Tokio Hotel. Para o dia de heavy metal, AC/DC. Para o dia pop, Shakira, Rihanna, Ivete Sangalo. Quem sabe Lady Gaga e Beyoncé. Talvez fizesse um dia com o Red Hot Chili Peppers e o Radiohead. E outro mais clássico, não sei se com o Neil Young outra vez. Bem, quatro dias já estariam praticamente resolvidos (risos). Entre as bandas brasileiras acho que o Capital Inicial não poderia faltar.

Gostaria também de fazer uma grande festa eletrônica, uma espécie de rave com todos os DJs mais importantes do mundo, sem exceção. E isso é facílimo de conseguir. Seria um dia não convencional. Outra coisa muito legal seria juntar um artista de cada banda numa grande jam session. Um músico dos Paralamas, outro do Barão Vermelho, e assim por diante.




A entrevista completa está aqui.



Alguns pontos aí nessa entrevista me deixaram bastante feliz. O principal é a visão do empresário que os preços no Brasil estão caros demais. Isso é algo que sempre falamos aqui. Porque se você quer que muita gente vá ao seu festival, não dá pra cobrar um preço que somente poucos possam pagar.



Citando um exemplo bem-sucedido, o Planeta Terra. O ingresso não é barato, mas é um valor suficiente para que umas 15 mil pessoas se disponham a pagar. Esse é o tamanho do festival então tudo certo.



Agora, se você quer levar 100 mil pessoas em cada um dos 6 dias de um megafestival... Colocar o mesmo preço de um Planeta Terra (que ele deve gostar, já que quer colocar uma roda-gigante no festival, hehe) pode não ser a melhor solução. A informação que circula é que a "inteira" para cada um dos dias vai custar 170 reais. Espero sinceramente que não e que esse valor caia para no máximo uns 120 reais/dia (60 para estudante) se o objetivo é que haja público. Em 2001 o ingresso foi de 35 reais por dia.



As pessoas hoje em dia se informam e sabem que nem lá fora são cobrados ingressos tão caros, como o texto desse blog analisa perfeitamente. E sobre o absurdo que é a meia-entrada no Brasil é legal que o Medina fale a mesma coisa que nós falamos aqui há muito tempo, mesmo aparentando não estar muito a par do que tem acontecido no Brasil. Ou justamente por isso.


Bom também que ele reconheça que colocar um artista como o Erasmo Carlos numa noite dedicada ao metal foi algo que deu errado. É bom porque assim ele evita de repetir o erro, torçamos.


Quanto aos privilégios em potência de som para as bandas internacionais no primeiro Rock In Rio, o Medina não comenta que no Rock In Rio III várias bandas nacionais boicotaram o festival justamente por tocarem mais cedo que os gringos, justamente num momento em que eram os grupos brasileiro que estavam em alta.



A sensação que dava é que eles iam ser usados para atrair público mas numa situação de "banda de abertura". Certos ou errados, era meio foda uma banda tipo o Raimundos (na época) tocar antes de um Papa Roach.


Mas o curioso é que mesmo algumas bandas internacionais tiveram um som bem pouco potente, como foi o caso do Beck e do Foo Fighters na noite em que o R.E.M. encerrava, e que foram prejudicadas com isso.


Eu não lembro quanto custava os comes e bebes no festival em 2001, mas não lembro de ser um preço abusivo. Mas também, os caras só vendiam cerveja Schin! Ou já era Nova Schin...? Bom, com certeza era tão ruim quanto! Aquilo ali não quero de novo nem de graça. O transporte também não era dos melhores. Se ele acha que lá fora o "respeito ao consumidor é zero", aqui no Brasil é o que? Menos oito? Acho que o Roberto Medina não tem uma experiência real de estar no meio da galera para avaliar essa parte.


Quanto a manter os dias temáticos, eu acho ótimo. Tem gente que reclama e fala "ai mas não é rock in rio cadê o rock mimimi", mas é como ele já disse aí em cima e de mais a mais no fim das contas é o rock que predominou em 2001. Legal que ele fale em Radiohead e Neil Young também e dá para torcer que venha mais coisa boa nos dois ou três dias voltados ao gênero que dá nome ao festival.


Mas quando ele fala que o Capital Inicial não pode faltar, aiaiai... Talvez ele falasse isso porque na época o vocalista Dinho Ouro Preto se recuperava de uma queda em um show. E mesmo eu não sendo das pessoas que menos gosta da banda - pelo contrário, considero bom pelo menos três discos deles - a banda não está entre as mais interessantes e imprescindíveis no momento atual da música brasileira.


Um dos pontos altos do festival em 2001 foi a tenda Brasil com muito artista nacional bom que, em alguns casos merecia tocar era na tenda principal: Los Hermanos, Autoramas, Plebe Rude e Nação Zumbi fizeram apresentações memoráveis ali.


Mesmo com alguns problemas, o último Rock In Rio feito no Brasil foi melhor que qualquer outro festival que tenha acontecido depois por aqui. Então dá para ter esperança que venha coisa boa em 2011.

Um comentário:

Nevez disse...

Isso ae !
como diria CéU

Olho aberto, pau no reto !