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quarta-feira, 10 de julho de 2013

O Padre dos Balões na escuridão da Sinuca Tico Taco (15/06/2013)


"Low Rider"



Em um show visto na semana anterior, do cantor Brunno Monteiro, comentava aqui sobre o diferencial que era o bem cuidado e planejado cenário que ornamentava o palco e a direção de iluminação que dava um upgrade no show.




Na semana seguinte, finalmente uma boa oportunidade para conferir dois itens indispensáveis para quem se mete a falar sobre shows e a vida cultural no Rio de Janeiro. Um deles era a banda Padre dos Balões, que além desse excelente nome, lançou um EP ano passado que mostra uma banda bastante promissora.




Outro item a ser conferido era a Sinuca Tico Taco da Lapa, transformada em espécie de centro cultural, onde acontecem (aconteciam?) semanalmente shows da banda de surf music Os Vulcânicos, sempre a preços que variam entre zero e cinco reais.




Cheguei um pouco tarde no local, que naquela noite custava três reais, mas deu tempo de ver a parte final do show dos Padres. Quer dizer, “ver” é força de expressão.





"Adeus, Amanda!"



O segundo andar de um dos vários sobrados que ficam próximos à Associação Cristã de Moços, naquela região de interseção entre a Lapa e a Glória, é mergulhado no breu, com iluminação e estrutura precárias e som claudicante.




Claro que não dá para exigir que o Tico Taco tivesse o mesmo equipamento de um endinheirado Oi Futuro. Ali estávamos num local de resistência cultural, criado como casa de shows em torno da necessidade que as bandas têm de se apresentar. Uma vez que as questões de seguranças estejam sendo observadas (assim espero) vamos torcer para que as melhoras no local cheguem aos poucos, mas cheguem.




Porque ponto de gente doida o lugar já é. Embora não estivesse lotado, havia muita animação quando eu entrei e o Padre dos Balões mandava uma versão de "Kilariô" do imorrível Di Melo, ótimo indicativo das influências da banda.




Mesmo sem muitos recursos disponíveis na casa, o quinteto demonstra alguma preocupação com a cenografia, colocando um balão chinês no pedestal de um dos microfones. Já é alguma coisa, mesmo não dando para enxergar muito bem.




Mas é com o mais importante mesmo que o Padre dos Balões se destaca. "Xerazade", uma das músicas do bem produzido EP do ano passado, cresce muito ao vivo, dando um toque cru e pós-punk ao tema médio-oriental que não era tão perceptível na gravação.





"Xerazade"




Entre skas com surf (a ainda não gravada instrumental “Encruzilhada”), funks setentistas (“Low Rider” do grupo War) e ecos de afrobeat (a nova “Adeus, Amanda”, bem melhor ao vivo do que no registro em estúdio, apesar da letra esquisita), tudo com muita vontade de fazer o povo dançar, o Padre dos Balões justificou as expectativas nesse clima de pouca luz e muita energia.





"Encruzilhada"

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