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quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Falando sobre protestos: A grande passeata pela educação no dia 07 de outubro




O Rio de Janeiro viveu na última segunda-feira um fim de tarde que poderia ter acontecido há uns meses atrás, mais precisamente Junho. As grandes manifestações que aconteceram naquele mês por todo o Brasil, em especial por aqui, tiveram resultados variados e uma diminuição em sua frequência pelo país, encontrado justamente aqui o seu "foco de resistência".



"Foco de resistência" tanto vale para definir os manifestantes que continuaram, mesmo em menor número, a protestar pelas ruas da cidade até hoje, quanto para definir os governantes que continuam fazendo questão de não atender às demandas da sociedade. De diversas acusações contra a administração do governador Sérgio Cabral à onipresente violência policial, passando pelo vergonhoso "sequestro" da CPI dos ônibus pelo grupo governista na câmara de vereadores e chegando ao descaso do prefeito Eduardo Paes com as pretensões dos professores da rede municipal em relação ao plano de carreira que eles propõem.



Este último assunto resultou em um dos momentos mais infames na história da cidade, quando vereadores, a portas fechadas, votaram um plano de cargos e salários ao qual os profissionais de educação se opunham, com grades cercando a sede do legislativo municipal e com a polícia jogando centenas de bombas nos professores na Cinelândia. E os dias anteriores tinham sido de truculência e covardia da polícia...



Como consequência, uma grande manifestação foi marcada para o dia 07 de outubro. Dezenas de milhares de pessoas (dependendo de quem está contando, os números variam de 10.000 a 100.000 - sendo que a Globo chegou a falar em 2.000 pessoas, o que só pode ser cegueira, e a Mídia Ninja em 500.000, "orgulho" pra qualquer pescador) marcharam de forma pacífica e até divertida da Candelária a Cinelândia. As fotos mostram a Rio Branco completamente tomada de manifestantes, da altura da Presidente Vargas até o Palácio Pedro Ernesto, imagem que costumamos ver em blocos de carnaval como o Bola Preta.


Foto: Pedro Kirilos



Sem dúvidas, uma grande demonstração da insatisfação da sociedade com o tratamento recebido pelos professores. E que, infelizmente, não teve a repercussão que se esperaria diante de tanta gente tomando as ruas do centro. As cenas de violência na Câmara de Vereadores ao final da manifestação foram as escolhidas por grande parte da chamada grande imprensa, assunto inevitável, mas que não merecia tomar por completo o espaço daquela bonita história de 3 horas no centro da cidade. Mas existem escolhas e objetivos a serem alcançados, e mostrar para o resto da população tudo que aconteceu naquele dia talvez não interesse.


E é questão também de você que está lendo isso escolher como quer se informar e de que forma quer que as pessoas próximas a você saibam do que realmente está acontecendo.


Alguns vídeos da noite histórica.


Por volta da 17:30, na concentração da passeata, já havia bem mais do que os 2.000 contados pela Rede Globo.





Quando a passeata começou a sair, dava para ver que o clima era de mistura: pessoas de partidos de esquerda, movimentos sociais, movimentos pelo direitos de minorias, adeptos da tática black bloc, todos juntos sem nenhum tumulto ou discórdia. O destaque fica para o casal que é fundador do jornal A Nova Democracia, e mesmo com idade avançada, estavam na linha de frente lutando pelo que acreditam.





Vários personagens compareceram, de Tirirca a Homem-Aranha. Batman, um dos manifestantes mais "heróicos", não podia deixar de estar lá, e com novos apetrechos.






Até mãe de santo tinha, para limpar nossos caminhos e ver se os "encostos" nível municipal e estadual saem de vez.




A polícia não apareceu em nenhum momento até chegar na esquina da Rua da Carioca, onde um pequeníssimo grupo estava enfileirado em frente a um banco. Quem fez a garantia da segurança da manifestação foram os próprios manifestantes e nenhum problema no trajeto foi relatado.


A turma do black bloc - centenas de pessoas estavam mascaradas durante toda a manifestação e eram alguns desses que carregavam algumas das maiores faixas - tomou conta das escadarias da câmara.





De lá da escadaria, o grupo soltava fogos de artifício para o céu. Enquanto isso, um rapaz pichou na parede da casa legislativa: "+ LIVRO - BOMBA".





Enquanto estive por lá e a manifestação ainda acontecia, o clima era de muita tranquilidade e não parecia haver intenção de confronto. Até mesmo porque a polícia não estava lá. As informações davam conta de que a tropa de choque se posicionava próximo, entre os Arcos da Lapa e o Batalhão que fica ali no começo da Evaristo da Veiga, mas longe dos olhos dos manifestantes.


Acredito que a resposta para a violência que aconteceu um pouco depois jamais pode ser aquela que vemos desde sempre: mais repressão, mais violência policial, mais abusos. A resposta, desde junho, está com os governantes: passem a ouvir e respeitar a população, que qualquer reação contra as instituições diminuirá. Uma resposta simples que talvez não interesse a quem vê na administração pública um caminho para o benefício próprio e nada mais.


Exemplo dessa falta de noção acabei tendo novamente quando passava na Lapa, cerca de duas horas depois de já ter saído da manifestação. Com a Rua Mem de Sá fechada por dois carros da tropa de choque, resolvi ir a pé até a esquina com a Rua Gomes Freire descobrir o que estava acontecendo. Um grupo de manifestantes estava lá, mas o mais surpreendente era o efetivo policial em frente ao Bar da Cachaça. Mais de 30 motoqueiros do choque fechando a outra ponta e acelerando motos em cima das pessoas que certamente já estavam indignadas o suficiente sem ter que ver aquilo. Enquanto isso, no Bairro de Fátima uma menina era presa depois que um policial a chamou de gostosa e ela respondeu indignada.







Quando eles resolveram sair da Mem de Sá, fizeram aquilo que mais gostam de fazer, especialmente quando estão longe dos olhos da grande imprensa: tacar bombas a esmo. Uma delas, a de efeito moral, explodiu do meu lado a menos de um metro de distância, mesmo sem eu estar no caminho deles. Se o objetivo dessas bombas é de amedrontar, deve estar com algum defeito causado pelo fato de estarem todas com validade vencida, porque só causam mais revolta.





Quem tiver interesse em ver todos os vídeos que gravei este dia, pode clicar aqui.




No dia 15 de outubro uma nova manifestação apoiando os professores está marcada.

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