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terça-feira, 15 de dezembro de 2009

200 Discos Nacionais dos Anos 00 - 100 a 091

100 - Marcelo D2 - A Procura da Batida Perfeita (2003)

Desde a época do Planet Hemp, Marcelo D2 já queria alguma coisa com o samba, como podemos ver na música "Futuro do País", do primeiro disco do grupo. Na carreira solo esse namoro continuou no primeiro cd e culminou neste À Procura..., onde há referência ao samba no som e em citações a clássicos do gênero. Só o fato de resgatar Antônio Carlos & Jocafi em "Qualé?" já o faria entrar nesta lista.



099 - Mombojó - Homem-espuma (2006)

No segundo disco, os caras do Mombojó ao mesmo tempo que expandem as experimentações sonoras que deram cria ao excelente primeiro disco, se fecham em letras enigmáticas e curtas, distorções sujas de guitarra com arranjos de sopro vanguardistas. Se você consegue "abri-los", vai dar de cara com as ensolaradas "Swinga" e "Saborosa", com o Stereolab vendo o mangue beat nascer e se diluir em diferentes direções pelas ruas rítmicas de Recife. Além das já citadas, ouça "Fatalmente", "Realismo Convincente" e "Pára-Quedas".



098 - Ratos de Porão - Guerra Civil Canibal (2000)

Neste EP o agressivo grupo paulista consegue atingir uma unidade em seu peso de uma forma que não havia alcançado na década anterior. João Gordo urra em "Obesidade Mórbida Constitucional" sobre sua experiência de quase morte, há espaço para colocar um sambinha (!) no meio de "Estaca Zero à Esquerda" e uma cover animalesca de "Biotech Is Godzilla" do Sepultura assusta quase tanto quanto essa capa bizarra.



097 - Pato Fu - Toda Cura Para Todo O Mal (2005)

Embora tendo em mente composições mais radiofônicas do que no início da carreira, em Toda Cura Para Todo o Mal o Pato Fu dá a impressão de estar no momento mais confortável para jogar todo tipo de maluquice sonora sem medo e convencer que aquilo pode ser sempre assim sem causar estranhamento. Vozes alteradas em "Uh Uh Uh, La La La, Ié Ié!", mais alteradas ainda em "Simplicidade" e timbres diferentes por todos os cantos. Talvez seja a volta à independência, mas ajuda bastante as composições super inspiradas do guitarrista John Ulhoa, ele mesmo responsável pela sonoridade da banda. Ouça também "Anormal", "Sorte e Azar" e "Amendoim".


096 - Quinto Andar - Piratão (2004)

Coletivo de rappers, fruto direto da internet, o Quinto Andar era composto por gente de Rio, São Paulo e Minas, onde se destacavam De Leve, Kamau, Shawlin e o DJ Castro. É o primeiro e também o canto de cisne da turma, que se destava em gravações jogadas na net onde, diferente da onda em vigor, não usava o rap para louvar um estilo de vida bandido ou denunciar a vida dura de favela. Sobre o que Quinto Andar fala costuma já estar dito no título das músicas: "Rap do Calote", "Melô de Propaganda", a clássica "Melô do Piratão"... Críticas ácidas, inteligentes e bem humoradas. Não deixem de ouvir a vinheta "Cara de Cavalo Encontra De Leve".



095 - Macaco Bong - Artista Igual Pedreiro (2008)

Em algumas posições acima, disse que não era importante que o Vanguart fosse uma banda de Cuiabá e sim o som que eles fazem. Mas há de se admitir que isso é mais um fator de interesse no caso de Macaco Bong, da mesma cidade do Vanguart, e ainda instrumental, tocando um rock que resvala no blues e no progressivo e consegue fazer indies aplaudirem seus shows em festivais de música Brasil afora. "Fuck You Lady", "Rancho", "Compasso em Ferrovia" e mais 7 outras músicas ganham essa qualidade pelo trabalho do trio, mas em especial do guitar hero Bruno Kayapy, que (Steve?) vai de Hendrix a Omar Rodríguez-López (Mars Volta) em segundos. Acho que ainda dá pra baixar aqui.



094 - Jonas Sá - Anormal (2007)

Se eu não soubesse o que estava ouvindo ao tocar "Anormal", primeira faixa do disco de mesmo nome, de Jonas Sá, eu pensaria: "Uau, devia ter uns 20 anos que o Lulu Santos não fazia uma música tão boa". Não só pela semelhança na voz de um e de outro, mas também pelo afiado senso pop que Jonas demonstra durante todo o disco Anormal. Mas Jonas Sá, escoltado pela turma da Orquestra Imperial, Do Amor & adjacências vai além do pop e faz um registro cheio de pequenos detalhes dentro de cada uma de suas canções. Ouça "Sayonara", "Mega", "Entre Nós 2" e comprove.



093 - Wado - Cinema Auditivo (2002)

Não adianta: assim como no primeiro disco de Wado, que já apareceu nesta lista, onde por mais que haja possibilidade de elucubrarmos sobre intenções e sonoridades que o artista tenta fazer, da sua visão original de fusão de funk, samba, pop, fazendo algo que aparente sempre estar "à margem", o que importa mais uma vez são as canções com jeito de hit: "A Gaiola do Som", "Poema de Maria Rosa", "Sotaque" e especialmente "Tarja Preta". Interessante também o experimentalismo em "Ossos de Borboleta" e "Rotina".



092 - Junio Barreto - Junio Barreto (2004)

Mais do que cantor, Junio Barreto é um compositor. Natural de Caruaru e gravado por alguns nomes da MPB, ele faz deste primeiro trabalho um cartão de visitas de suas habilidades com melodias & palavras, se desenvolvendo entre o drum'n'bass e o samba, como acontece na ótima "Amigos Bons". A maior parte do tempo é um samba-jazz com muita calmaria que predomina no disco. Curiosamente, justo a única música que não é de Junio, é a que tem a gravação mais bonita e emocionante: "A Mesma Rosa Amarela", de Capiba e Carlos Penna Filho.



091 - Tom Zé - Imprensa Cantada (2003)

A idéia de usar a música para comentar assuntos específicos do cotidiano já havia surgido de forma explícita para Tom Zé em 1999, quando lançou o single "Vaia de Bêbado Não Vale", que falava (do jeito Tom Zé) sobre a resposta que João Gilberto deu a apupos que recebera em um show à época. Em 2003, Tom Zé mostra que fazia isso desde sempre, misturando músicas novas e antigas e canta para ele o que são notícias em "Companheiro Bush", "Desenrock-se", "Requerimento à Censura", "Língua Brasileira" e na já citada "Vaia...".

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