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terça-feira, 8 de dezembro de 2009

200 Discos Nacionais dos Anos 00 - 170 a 161

170 - Seu Jorge - Cru (2005)

Gravado na França, Cru é como o nome sugere. Músicas gravadas antes de chegar ao pré-cozimento de uma banda inteira tocando. Ou músicas que não saem do quarto, não chegam à cozinha. A música menos "crua" talvez seja "Tive Razão", que abre o disco, e mesmo assim a percussão e efeitos sonoros ficam lá no fundo, discretos. O que fica mais evidente nela é o cavaquinho. Já em "Don't", Seu Jorge mistura Elvis Presley com cuíca para contracenar com sua voz grave. Se você acha cuíca com Elvis algo estranho, saiba que ela também aparece em "Chatterton", de Serge Gainsbourg (a versão original aqui) e garanto que funciona. "São Gonça", a linda e lenta "Bola de Meia", e "Eu Sou Favela", só no pandeiro, cuíca e voz, também são destaques.



169 - Vanguart - Vanguart (2007)

Vanguart é uma banda que tentaram por um tempo vender como algo muito especial existir uma banda que tocasse folk rock sendo de Mato Grosso, com muita ênfase no "de Mato Grosso". Tem lá sua importância que surjam bandas fora do eixo Rio-SP, mas não dá pra perder o foco que a banda é boa independente da geografia. E independente do idioma. As duas melhores músicas são em português: "Semáforo" e "Cachaça". Mas as outras músicas no idioma nativo são pouco inspiradas e aí compensa mais ouvir as faixas em inglês, inspiradas em Bob Dylan e Neil Young: "Just To See Your Blue Eyes See", "Christmas Crack", "Los Chicos de Ayer" (essa em espanhol) e "The Last Time I Saw You", só na voz, violão e gaita.



168 - Caetano Veloso - Zii e Zie (2009)

Continuação da fase iniciada no disco , é um disco que mantém a excepcional banda do disco anterior, o trio formado por Pedro Sá, Ricardo Dias Gomes e Marcelo Callado, mas dessa vez tem como rascunho das canções o samba. O que dá num transamba, que seria o nome do disco inicialmente. Como diz o próprio Caetano Veloso na apresentação do disco: "todas as composições nasceram comigo usando batidas de samba no meu violão". Claro que nem dá pra se notar isso quando o trio joga suas batidas, linhas de baixo e principalmente a guitarra de Pedro Sá, um personagem quase tão importante quanto Caetano no disco. Nas letras, o tema deixa de ser sobre a separação de Caetano Veloso com Paula Lavigne e passa a ser sobre meninas de biquíni amarelo, da Ria e sobre o contemporâneo que o cerca: Guantánamo, Lobão, a Lapa, o Leblon. Destaques: "A Cor Amarela", "Perdeu".



167 - Bebeto Castilho - Amendoeira (2006)

Para uma certa geração mais nova e alternativa, Bebeto Castilho é conhecido como o tio de Marcelo Camelo, do Los Hermanos. Mas quem se aprofundar na história de Bebeto verá que ele era "só" o baixista do Tamba Trio, grupo instrumental de bossa nova, surgido na efervescência do gênero tocando no Beco das Garrafas. No seu disco onde retoma uma carreira solo, Bebeto conta com a produção do sobrinho que ainda traz uma linda música, "Amendoeira" e outros sambas e bossas num clima bem cool, como em "Vizinha do Lado", de Dorival Caymmi.



166 - De Leve - De Love (2009)

Em seu terceiro disco solo De Leve descobre o amor, e o assunto vai sendo levado com a lógica deleviana em "Quero-te Bem", "Minha Maluca" e "Elas São Sinistras". Mas a melhor das músicas novas é o pancadão "O Que Que Nego Quer". Digo músicas novas porque o melhor mesmo é o registro definitivo de "Quem Disse Que Caramujo Não Tem Coração" e "A Lenda", músicas que faziam parte de outro projeto do De Leve, o Caramujo Sonolento.



165 - Paralamas do Sucesso - Brasil Afora (2009)

Os grupos dos anos 80 do que hoje convencionou-se chamar de BRock passaram por diversos problemas: mortes de integrantes, brigas, carreiras solo, drogas, ostracismo, queda de qualidade. Os Paralamas do Sucesso, passando de uma dúzia de discos na carreira, chegam em Brasil Afora, o terceiro após o acidente do seu líder Herbert Vianna, mantendo uma relevância admirável, com boas canções e produção. Ouça o reggae "Sem Mais Adeus", "Mormaço" com participação de Zé Ramalho e a pesada "Brasil Afora".



164 - Rumbora - Exército Positivo e Operante (2000)

Rumbora, até por ser da mesma cidade, poderia ter sido uma espécie de "Raimundos comportados", ou com menos palavrões e um jeito mais "de bem com a vida" em relação ao mundo. Um rock que pode ser tanto voltado mais pro pop ("O Mapa da Mina"), ska ("Boa Nova") quanto pro punk ("Coisas Lindas") e pro hardcore ("Ladeirão"), além de outros pesos diversos, como é o caso de "Flou" e "Tá Com Medo". Grande trunfo, além da guitarra de Alf, é a bateria potente de Bacalhau, que antes tocava no Little Quail and The Mad Birds.



163 - Astronautas - Electro-Cidade (2004)

Facilita explicar o Astronautas acessando o myspace da banda. Eles se definem como "Rock-Electro-Industrial" e apresentam ali entre seus "amigos virtuais" os grupos Queens Of The Stone Age, Devo, Kraftwerk, Man or Astroman?, Nine Inch Nails e Daft Punk. Eu acrescentaria aí o Foo Fighters para definir a sonoridade de Electro-Cidade onde o grupo canta sobre a tecnologia presente no mundo moderno. Destaques: "Cidade Cinza", "Sentimentos".



162 - Tom Zé - Estudando O Pagode (2005)

É meio vergonhoso que em pleno século XXI Tom Zé continue sendo o músico mais experimental (deixando de fora coisas intransponíveis por aí) em atividade no Brasil. Vergonhoso porque mais gente deveria tê-lo como exemplo na busca de sons incomuns servindo à música. Nesta falsa continuação de seu clássico Estudando o Samba (de 1976) ele tira sons esganiçados de folhas sendo sopradas, de teclados distorcidos, de notas agudas de bandolim e harmonizações vocais completamente loucas. Digo falsa continuação do Estudando o Samba porque aqui ao invés de estudar o pagode ele usa de vários ritmos para fazer uma espécie de ópera anti-pop falando sobre o papel da mulher no mundo.



161 - Projeto Peixes (2009)

Não tenho a menor idéia do que é o Projeto Peixes, nem exatamente como cheguei até eles. E o myspace da banda não ajuda muito em saber quem são, de onde vieram ou pra onde vão. Sei que o Diego do Hominis Canidae indicou eles aqui no blog. E no Hominis tem um link pra baixar o EP. Sei que eles são de Fortaleza. Que é música instrumental, que tem forte ligação com música eletrônica quase-experimental se integrando com instrumentos "vivos". E sei que você devia ouvir.

4 comentários:

César M. disse...

Existem 200 discos nacionais bons nesta década?
Fica a dúvida...

La Cumbuca disse...

César, pro meu gosto existem uns 250. Mas para o que eu acho que conheço do seu gosto, que parece ser muito restrito ao universo indie, não deve ter nem 20. Vai publicar uma lista nacional no indienation? Tô curioso de ver. Abs.

Otaner

César M. disse...

Está por fora do meu gosto, Otaner, você irá se supreender =D
A minha lista já está pronta, mas eu não chego nem a 50... pô, não dá pra colocar Rumbora, Astronautas... e pior, na frente do Hurtmold! Isso é um crime! Espero ver Guizado, Domenico+2, Siba e São Paulo Underground em boas posições nessa tua lista...

Otaner disse...

Mas nem Rumbora nem Astronautas estão perto dos primeiros, né? Embora eu goste dos discos... Mas tem melhores!

Um desses que você citou está em ótima posição (epa!), outro aparece na meiúca, outros dois nem aparecem, um porque eu achei um saco e outro pq não ouvi.