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segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Di Melo no Morro do Salgueiro (25/08/12)

Di Melo - 25/08/12


Da lista de lugares que não costumo ir e já fui para assistir um show legal: no bairro Colégio para ver o Matanza; Realengo para ver o Superguidis; Itaipu (Niterói) nos anos 90 para ver o Cabeça; Belo Horizonte para ver o Violins e o Mopho; Curitiba para ver Weezer; Barcelona para ver Refused, Wilco e mais duas dezenas de bandas (ok, não só por isso); e São Paulo para a Virada Cultural quase todo ano.



Ano passado não fui na Virada Cultural e perdi o único show que eu realmente queria ver das atrações de 2011. Agora posso acrescentar no currículo o show do Di Melo num lugar perto de casa, porém pouco comum para shows desse tipo. O Morro do Salgueiro, na quadra Raízes da Tijuca, para ser mais exato, foi o palco para a primeira apresentação do cantor no Rio de Janeiro.




"A Vida Em Seus Métodos Diz Calma"


Di Melo é o que se pode chamar genuinamente de "lenda", não (só) por causa de qualidades artísticas, mas por sua história. Lançou oficialmente somente um disco, em 1975, que com o passar do tempo foi adquirindo aquele status de disco cultuado, no mesmo nível de um Não Fale com Paredes do Módulo 1000, um Vida e Obra de Johnny McCartney do Leno, ou um Paêbirú de Zé Ramalho e Lula Côrtes. Para se ter uma ideia, o vinil estava sendo vendido no sábado por 150 reais, o que para colecionadores deve ser considerado uma pechincha. Ainda bem que não sou colecionador...



Depois disso sumiu e só recentemente foi sendo redescoberto e é até tema de documentário hoje em dia. E a agenda de shows dele com isso parece que está aumentando um pouco. Teve o show do ano passado na Virada que não fui e agora esse no Rio, trazido pela turma do coletivo Norte Comum, que está cuidando do Projeto Geringonça, do Sesc Tijuca.



Di Melo - 25/08/12



Mas essa turma está interessada em ir além dos limites do Sesc e por conta disso faz esse evento, o Amostra Grátis, no "pé" do Morro do Salgueiro. Além de Di Melo tiveram apresentações de samba, rap, jongo e outras formas de arte, desde que não tivesse a ver com baile funk. Bisonho, mas existe uma lei ou decreto que proíbe funk nas favelas cariocas. Como eu sou alienadinho da silva não estou inteirado do assunto, mas se alguém quiser dar maiores detalhes sobre isso nos comentários, agradeço.




"Kilariô"



Não podia ter baile funk, mas o funk estava liberado e Di Melo não fez por menos. É bem verdade que o funk & soul brasileiro dos anos 70 quase sempre encontra com a bossa-samba-jazz e até um pouco de reggae na mistura. Tim Maia, Cassiano e Hyldon seguiram por essa linha em algum momento de suas carreiras e com Di Melo não é diferente. O que é legal até.



Mas o bicho pega mesmo é com suas músicas mais agitadas do disco de 75. Acompanhado da banda Charlie e os Marretas, um grupo que demostrou ter uma aplicação quase nerd em tocar com o máximo de fidelidade os arranjos originais, a temperatura se elevou com as músicas que gravei e ilustram esse texto, além de "Aceito Tudo" e "Pernalonga".




Di Melo - 25/08/12



Recifense, radicado em São Paulo, Di Melo é uma figuraça e nos intervalos das canções desanda a falar, declamar poesias e soltar frases de efeito. Natural para alguém que escreve versos como "a ele que dizia que queria morrer doce quando o mundo acabasse em mel" ou "a vida em seus métodos diz calma".




No aspecto de interação e empatia com a plateia me lembrou seu conterrâneo Reginaldo Rossi. O show não podia se estender mais por conta do horário, e fica como sugestão para o pessoal do Norte Comum anunciar a hora certa das atrações, muito mais simpático para o público interessado.



Ainda deu tempo de tocar novamente os melhores momentos do show: "Se o Mundo Acabasse Em Mel", "Kilariô" e "A Vida Em Seus Métodos Diz Calma". O lugar podia parecer inusitado no começo, mas difícil agora pensar numa estreia melhor do Di Melo no Rio de Janeiro.





"Se o Mundo Acabasse Em Mel"

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