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terça-feira, 11 de junho de 2013

Virada Cultural 2013, parte 6: Walter Franco revolvendo o Municipal





Já passava de 6 da manhã e a seguinte fala se desenrolou dentro do Teatro Municipal de São Paulo: "O meu nome é Walter Franco e eu gostaria de saber o nome de vocês... Você aí, qual o seu nome? Anda, diga! Bom, são muitas pessoas, então vamos fazer o seguinte. Quando eu disser três, vocês todos dizem o nomes de vocês ao mesmo tempo, tudo bem? Vamos lá, um, dois, três!", e cada pessoa dentro do Teatro Municipal gritou seu próprio nome, causando uma cacofonia sonora, no que Walter Franco conclui "é importante que nós não nos esqueçamos do nosso próprio nome".




A história foi mais ou menos essa, as frases podem não ter sido captadas de forma fidedigna, mas em essência mostra o que foi a apresentação de Walter Franco. Depois de todo o balanço de George Clinton and the P-Funk All Stars, um descanso merecido nas cadeiras do centenário teatro até a entrada do artista responsável por um dos melhores discos nacionais de todos os tempos, o Revolver, que seria tocado na íntegra.




Então foi assim que uma banda de rock bem básica foi fazendo a introdução de "Feito Gente" por quase um minuto e meio até que Walter Franco começasse a cantar. O que parecia uma certa fragilidade e insegurança por parte dele, e incerteza por parte de qualquer um que conheça os arranjos e timbres do disco se deparar com uma banda que não parece que ia estar à altura do desafio, se dissipa com as primeiras palavras gritadas pelo cantor que foi incluído no grupo dos "malditos" da MPB, junto das ótimas companhias de Jards Macalé, Sérgio Sampaio e Tom Zé, entre outros que sempre desprezaram esse rótulo.





Walter Franco - "Feito Gente"




Não foi preciso que a frase "eu te amei como pude" fosse repetida para que as dúvidas se dissipassem e as lágrimas se aglomerassem pelos cantos dos olhos. Afinal, era daquelas situações que a gente nem imagina ser possível presenciar um dia, e de repente lá estamos, vendo Walter ao vivo intepretando a maravilhosa construção que ele faz a partir da desconstrução da palavra "eternamente".





Walter Franco - "Eternamente"




E assim foi seguindo o show com a ordem das músicas do Revolver, com eventuais intervenções de Walter, como por exemplo quando explica que o nome do disco não é uma referência ao Revolver dos Beatles e muito menos à arma, já que o pacifismo é uma de suas principais crenças.





Walter Franco - "Partir do Alto / Animal Sentimental"




Outras intervenções aconteceram por conta de um sujeito no balcão que entre cada música berrava coisas como "Walter eu te amo!!", "poeta", "John Lennon brasileiro", "Sexto bitôoouu", "toca Rauull" e por aí continuava... Mas há de se compreender que as composições de Walter acabam atraindo pessoas fora de seu juízo normal, como por exemplo alguém perambulando pela cidade por mais de doze horas seguidas naquele momento.





Walter Franco - "Um Pensamento"




Mesmo a decisão não muito feliz de desacelerar "Nothing" a ponto de virar um reggae (o que até seria legal, se a versão original não fosse muito mais interessante) ganha uma certa compensação em ver a curta letra declamada em português. A verdade é que mesmo se fosse somente Walter com seu violão a emoção não seria muito diferente por conta daquelas palavras e melodias criadas há quase quarenta anos atrás.





Walter Franco - "Nothing"




Na hora do bis, a escolha foi pelo peso de "Canalha", onde todo mundo, e não só o mala que estava no balcão, pode soltar seus demônios. Mas o cantor queria que todo mundo fosse embora em paz e terminou cantando o seu mantra mais conhecido: "É tudo uma questão de manter / a mente quieta / a espinha ereta / e o coração tranquilo". E com lágrimas nos olhos, devo acrescentar.




Walter Franco - "Canalha"




Depois disso um merecido descanso porque ainda tinha mais naquele início de manhã de domingo, com o Apanhador Só.

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