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quarta-feira, 12 de junho de 2013

Virada Cultural 2013, parte 9: impressões finais






Com a mudança de governos na prefeitura de São Paulo este ano, muitas dúvidas pairaram sobre a forma de realização da Virada Cultural em 2013. Até mesmo o acontecimento da Virada se transformou em incerteza, o que foi rapidamente desmentido quando da posse do novo Secretário de Cultura do município, Juca Ferreira.




Uma vez confirmada a Virada deste ano, muito foi alardeado sobre uma alteração justamente naquilo que não precisava ser modificado: a instauração de um comitê de nove pessoas para escolher as atrações da Virada, o que é chamado de curadoria. Um dos curadores, José Mauro Gnaspini, inclusive, era a única pessoa encarregada pela definição de artistas a se apresentarem até então.




O resultado foi uma programação muito, mas muito semelhante mesmo, a todas as edições anteriores da Virada. O que é ótimo, já que sempre foi o ponto forte da Virada. Mas fica a impressão que talvez o número de curadores tenha sido exagerado. E convenhamos que o dono do recentemente fechado Studio SP, Alexandre Youssef, e o jornalista Marcus Preto, transitam por universos musicais próximos demais para justificar a presença dos dois no corpo curador.




Ao mesmo tempo eu deveria ser o último a reclamar de qualquer coisa relacionada à curadoria. Sei bem que foi graças a isso que tivemos a presença inestimável de James Chance, ícone da música vanguardista de Nova York do fim dos anos 70.




As reclamações mais comuns foram com a ausência de nomes com perfil mais roqueiro na programação. Embora isso seja uma meia-verdade, acho que a Virada tem que dar atenção a um público com perfil mais "camisa-preta", seja aquela turma que quer ouvir um som meio blues e meio de "tiozão" e que reverencie Raul Seixas, seja aquela galera mais agressiva que quer balançar a cabeça embalada por guitarras ensurdecedoras e batidas em velocidade sônica. Tem gosto pra tudo e mesmo no meio disso dá para arrumar boas atrações que fujam da obviedade.




Os verdadeiros problemas da Virada Cultural desde que acompanho são outros, que pouco tem a ver com a curadoria, e neles também tivemos poucos progressos, com exceção de um. A limpeza. Desde 2009, o aspecto das ruas da cidade são sofríveis. Imundas e com um cheiro nauseabundo, faziam do trajeto entre os palcos algo desanimador.




Este ano a mudança visual foi bem perceptível com jatos de água sendo utilizados para limpar as vias. O olfato continuou não muito agradável e os banheiros químicos estavam com aparência mais de armas químicas em alguns lugares, mas o avanço foi positivo.




Já a iluminação precária foi um dos pontos mais negativos. Não dá para colocar palco na 25 de Março e fazer as pessoas andarem quase no breu para chegar lá. Em vários lugares a situação era a mesma, o que nos leva a outro ponto considerado crítico este ano, o da segurança.




Pelo que constatei em todos os lugares que estive, o policiamento parecia suficiente e bem posicionado, e, pelo menos comigo, sempre solícito quando fazia alguma indagação. Porém, pouco efetivo na repressão de roubos e violência.




O que eu presenciei, um pouco antes da meia-noite: dois policiais batendo em um sujeito, que foi embora dali correndo. Mais ao fundo, uma multidão correndo. Os dois policiais entraram na viatura e dirigiram... em direção contrária ao suposto tumulto.




O motivo para esse tipo de atitude, que outras pessoas perceberam em outros lugares, combinado com a iluminação precária, geraram uma sensação de insegurança maior que em anos anteriores, embora eu já tenha passado por situações mais tensas em outras Viradas. Vamos torcer para que em 2014 isso seja resolvido, já que eu não quero ir até São Paulo para ser isca de "justiça social" confiscando do meu bolso o meu dinheiro e meu xing ling. Se for assim, que fique lá o Suplicy tendo a careira roubada sozinho...




Muito mais a ser dito (o som capenga de vários palcos, os atrasos, aqueles totens ilegíveis com a programação - alguém foi pago para fazer aquilo? Se foi, tem que devolver o dinheiro), mas no fim das contas, com os pontos positivos e negativos, a Virada Cultural manteve seu espírito de aventura, novo olhar sobre a cidade e extravagância musical que mistura pessoas e "tribos" que nem sempre se encontram, em um mesmo fim de semana. Que melhore ainda mais para estarmos sempre lá.

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